Wednesday, February 19, 2014

Os Vitrais da Capela

Os Vitrais da Capela


“Na minha vila tem uma capela
Muito bela e dentro dela
Tem um morador
É um anjo de braços abertos
E esse anjo é Nosso Senhor”
(Zico e Zeca: Capela)

Acho que tinha 8 ou 9 anos. Antes de ir para  o “colégio interno”. Adorava passar ao lado do cinema local e examinar a grande lata redonda onde o dono colocava os pedaços de “fita” que ele tinha de cortar para emendar o filme. Certamente é diferente agora, mas naquela época os cinemas tinham aqueles grandes rolos com a “fita" que ia passar. Às vezes dava algum problema, o filme queimava, a plateia toda soltava aquela exclamação de desagrado e o coitado do operador tinha de “correr”. Cortava o pedaço queimado ou quebrado,  juntava as duas pontas, colocava o mesmo de volta no carretel e continuava. O pedaço queimado ou estragado ia para o lixo. Mas sempre sobravam alguns quadradinhos. Era esses que eu pegava. Levava-os para casa cuidadosamente. Eram cenas de filmes diversos, filmes que eu nunca tinha visto e provavelmente nunca iria ver. Alguns eram coloridos, ah esses eram demais.. Cenas, rostos, objetos que eu não conseguia identificar pois eram de terras distantes. Eu ia para casa, fechava a porta da pequena sala onde minha mãe mantinha uma mesa, cadeiras e uma cristaleira. A janela de madeira que meu pai havia feito tinha duas folhas. Quando eu as fechava, por algum motivo, na parte de cima escapava um raio de luz. Eu colocava um pano branco no chão, o pequeno pedaço de fita no caminho do raio de luz,  e assim fazia meu próprio cinema. Era fascinante. Minha imaginação de criança voava, era maravilhoso...Depois eu escolhia um dos copos coloridos de minha mãe, ou então os tampos trabalhados de vidro das doceiras e os punha sob o faixo de luz que, então, se espalhava pela sala em cores, em formas. Na minha imaginação essa luz multifacetada era o pano de fundo para os pequenos quadros do filme que eu “exibia”... Eu era feliz, muito feliz.

Já no seminário, aos 11 anos, eu não tinha como montar as minhas sessões. No entanto, eu podia ir até a capela, e depois de fazer a genuflexão e o sinal da cruz, eu me sentava no banco e olhava para os vitrais coloridos recebendo os raios do sol. Eram lindos e representavam motivos religiosos. Refletiam-se em múltiplas formas pelo chão e pelas paredes. Como disse, eram lindos, mas nem de longe se pareciam com as minhas espetaculares sessões  de “multivision” em casa... Talvez por isso, até hoje, eu considere o cinema a arte das artes...

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