Tuesday, June 24, 2014

Liberdade



Liberdade

Na época da ditadura, não era moleza. Todo cuidado era pouco. Vestir vermelho, nem pensar. Com certeza, alguém iria achar que você era um comuna. Perigoso, criminoso, pronto para matar. Possuir  um adesivo com foice e martelo, um crime sem igual. Era a confissão inconteste, registrada e assinada de um comunista. Ler e admirar escritores russos, como Dostoievski e Tolstoi, uma tremenda traição literária. Uma idolatria, deserção da pátria amada. Ouvir uma sinfonia de Tchaikovsky era o mesmo que cometer um adultério contra o Brasil. Falar sobre isso, era um crime de igual teor. As paredes tinham ouvidos, havia dedo-duros e por pouca coisa, muito pouca coisa mesmo, você poderia ser preso. Tudo que bastava, era uma simples suspeita no ar.
Parece exagero, mas não é. Muitos foram presos por menos do que isso. Até um poema suspeito podia ser motivo de cadeia. Agora, tanto tempo passado, é difícil acreditar que houve um tempo assim, mas houve. Se lá não havia liberdade, aqui também não havia.


Aproveitemos a liberdade em todas suas formas. Nunca se sabe. Um dia, ela poderá se esvair. Só então, vamos ver como ela era preciosa. Uma joia rara, que poucos reconhecem. Só vão fazê-lo, quando ela se for.

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 À procura de Lucas  (Flávio Cruz)



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