Monday, March 26, 2018

Um dia infinito, um dia sem fim





Parabéns, Graziela!
Que seus dias sejam sempre tão altos, como seus voos!
Que sejam dias como esse que o cronista inventou:
um dia maravilhoso, um dia sem fim!


Um dia infinito, um dia sem fim

Eu queria, sim, que este dia não tivesse mais fim. Que ele, com as coisas boas e as más, que todos dias têm, ficasse, assim, parado, imóvel, no tempo. Daí, pouco a pouco, eu iria, sem pressa, consertando tudo. Tudo colocando no lugar. Em primeiro lugar, o coração. Separar, e ao mesmo tempo juntar, amor e amizade. Que a amizade é o amor sem sexo e é bom que seja assim. Que, por outro lado, a amada tenha tudo, o carinho e o amor também. Queria também dizer para as pessoas admiráveis, que eu as admiro demais e é por isso que as chamo assim. Diria para os heróis, quão importantes eles são, para mim e para todos nós. Nesse dia, nesse que não vai mais ter fim, eu tentaria aprender tudo que precisava ter aprendido e não aprendi: tanta coisa, meu Deus! Como é um dia infinito, vou usar para entender a ciência dos homens e a de Deus. Simplificar a divina sabedoria, para que possa aprendê-la, desmistificá-la. A sabedoria dos homens, dela eu tiraria a arrogância, para ver o que ela tem que me possa ajudar. Nesse imortal e ilimitado dia, vou começar, devagar, a entender o mistério do Universo. Por que tão imenso, se tão pequenos somos? Só para ficarmos, bestas, à noite, olhando para cima e assim ter certeza que nada somos?
Nessas tresloucadas 24 horas vou me embebedar. Do azul do céu, da escuridão da noite, do brilho da luz. Vou procurar respostas para o que não tem resposta. Vou fazer perguntas impossíveis para, quem sabe, o destino se cansar do meu indagar e me responder. Vou perguntar, por exemplo, por que nos fizeram tão limitados, se tão ilimitado é tudo mais?
Alguém talvez possa me perguntar se, em determinado ponto, não vou me cansar. Daí vou responder, claro que não. É apenas um dia, embora seja um dia que nunca mais vai terminar. E também, quem pode se cansar de amar? Pois é isso que vou estar fazendo. Além de amar minha amada, vou estar amando este Universo sem fim. Além disso, de amar um amor forte, intenso, vou estar procurando. Pois é isso que todo ser faz: nasce perguntando, assim continua e assim vai morrer. Isso é o que somos. Perguntadores, aventureiros, navegantes insaciáveis, explorando o sentido da vida.

Desconfio, porém, que o Infinito, por infinito ser, nunca vai responder. Se respondesse, não seria mais o que ele é. Seria uma resposta e nada mais. E, então, a magia do meu interminável dia, iria ter um fim. Junto, iria morrer o amor meu pela minha amada e dela por mim. E, sem amor, não se consegue viver. Nem por um só instante, nem por algumas horas... Imagine, então por um dia inteiro e, ainda mais, se esse for o dia infinito, sem fim, que eu criei só para mim...

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Saturday, March 24, 2018

AVENIDA PAULISTA





AVENIDA PAULISTA

Paulista paulistana,
arranha meu céu,
arranha minha alma,
vaidosa, desumana.
Dos grandes um troféu,
dos pobres um anseio,
que na vaga massa,
se perde leviano.
Tão alta, tão distante,
tão doce, tão cortante,
tão plebeia, tão divina,
me assusta, me alucina,
tal qual uma amante.
Nas tuas belas calçadas,
meu passo solitário
é o passo de todos,
é o passo do exílio,
em rico santuário.
Sou teu humilde escravo,
que no pobre coração,
em duros, doces versos
teu coração tem impresso.
És do rijo paulistano,
o amor certo e confesso,
e um incrível universo.

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Thursday, March 22, 2018

Sonho de consumo




Sonho de consumo

Eu me consumo no meu sono 
neste sonho de consumo,
que some e me consome,
que a nada me resume,
e dissolve minha essência.
Como posso somente ser,
com tantos sonsos sensos,
que seguros, me asseveram
que nada sou sem eles?
Como disse o grande poeta,
eu preciso aprender a ser só,
mais, preciso aprender a só ser,
como diz outro poeta também!

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Wednesday, March 21, 2018

Síndrome da desordem

Síndrome da desordem (um caso de caos gramatical)

 

 

Desortografe, desalinhe,

Sesqueça das regras,
-da vida e da gramática-

Desritimize a rima

Desobedeça à beça

-dê ordem de desordem-
sestabeleça no caos,
sintegre no nada,
sessinta renovado,
senamore da amada,
sentregue a si mesmo
seaqueça neste inverno,
(foi o Roberto que mandou)
Isso mesmo, e que tudo mais vá para o inferno!
Sealiviou?




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Monday, March 19, 2018

Brasil 2063






Brasil 2063

Que estranho era aquilo. O Sistema – que antes era chamado de governo – apressava as pessoas para se aposentarem. Não havia quase emprego, os robôs faziam tudo. Era uma pressão enorme. Havia uma grande necessidade de que as pessoas fossem afastadas de suas funções. Elas mais atrapalhavam do que ajudavam. O único motivo pelo qual ainda havia ocupações era porque o tédio era uma coisa séria e o trabalho, mesmo que inútil – ajudava as pessoas a não enlouquecerem.
Isidoro tinha usado todos os recursos para evitar a aposentadoria, mas agora não havia mais jeito. Lá estava ele diante daquela enorme tela côncava conversando com o PREVINTER para iniciar o processo. Tudo tinha de ser online, não havia mais pessoas atendendo em lugar nenhum, em função nenhuma, jamais.
A voz feminina do PREVINTER repetiu a ordem: o Isidoro tinha de repetir seu número de identificação para começar o processo. Uma coisa ridícula, exclamou o Isidoro, uma vez que aquela tela maldita já o tinha identificado, seu número já estava na tela, e já tinha vinculado sua imagem com seu número. A moça da PREVINTER explicou mais uma vez para o Isidoro, com falsa paciência, que era um problema de autenticação. Autenticação era fundamental, sem ela nada poderia ser feito.
Muito irritado, ele repetiu o longo número. Aí então ela disse que havia um problema de erro no processo. Havia outro Isidoro com o mesmo número. Desta vez foi a vez dele se irritar. Só que ele não procurou esconder o ódio. Eu nem quero me aposentar, disse ele, e agora você diz que há um problema?
A atendente pediu uns minutos para resolver o conflito virtual.
Enquanto ele esperava, deu um comando de voz e a tela enorme foi ocupada por seu programa favorito. Uma guerra simulada entre as bases de Marte contra as bases da Terra. Um combate bruto estúpido, mas o público gostava.
Mal o Isidoro havia imergido naquele fantástico entretenimento, veio aquele som típico de chamada do Sistema e sua “ficha” estava de novo na tela.
-Problema resolvido. Duplicata inexistente.
Isidoro pensou consigo mesmo, que idiota, eu já sabia disso. A partir daí ela tentou ser mais coloquial ou agradável e continuou:
-Vamos agora à sua aceitação da aposentadoria, bem como de tudo que ela implica. O sistema se compromete a cuidar por completo de sua subsistência, de sua saúde e de tudo que seja necessário para seu bem-estar. Senhor Isidoro, o senhor concorda em se aposentar?
Mal-humorado, Isidoro contesta:
-Tem outro jeito?
A moça do sistema retruca:
-Isso não se constitui numa aceitação. Basta o senhor dizer sim.
Com muito sarcasmo, Isidoro solta um quase inaudível ”sim”.
A voz confirmou a aceitação do usuário dizendo que estava iniciando o processo de aposentadoria. Seriam penas alguns segundos e pronto!
Isidoro não quis saber dos “segundos” e imediatamente voltou para seu programa preferido. Não deu tempo nem de ver a primeira cena e já estava lá a moça do Sistema com algum problema novamente.
-A autenticação falhou. Estamos levantando qual é a falha e votaremos em 30 minutos. Isidoro murmurou qualquer coisa “graças a Deus, não precisa voltar nunca”. O sistema captou a fala e registrou que aquele tipo de comentário não ajudava na pontuação pessoal do solicitante, mas a essa altura ele já estava completamente imerso na luta entre o planeta Marte e a Terra.
Enquanto assistia, Isidoro chegou a sonhar com a ideia de que o Sistema não pudesse aposentá-lo, mas sabia que aquilo era impossível.
Nem 20 minutos haviam passado quando a “moça” do Sistema voltou:
-Algo inusitado havia acontecido e  não era possível processar a aposentadoria naquele momento. Era um fenômeno chamado “HR paradox”. Era um caso raro e poderia demorar dias, coisa muito rara nessa época.
-Que ótimo, posso voltar a meu trabalho amanhã cedo!
 E acrescentou um mais que irônico “Obrigado, Senhorita Sistema!
-O senhor não entendeu. Não é possível voltar, o senhor já foi desligado da rede de trabalho. Alguém já está n sua posição.
Isidoro proferiu um palavrão e desta vez ganhou 3 pontos negativos na avaliação do Sistema. Ele, ignorando a advertência do mesmo, continuou furioso:
-Tenho apenas 123 anos e vocês querem me aposentar e nem isso conseguem fazer direito! O que sou, então? Não sou ativo e nem sou aposentado, que tipo de sistema é esse?
A moça, com muita calma, respondeu:
-O senhor, agora é um “HR paradox ativo”. Fica em casa, mas não é aposentado. Mas, como disse, em alguns dias tudo será resolvido.
Isidoro soltou mais um palavrão e ganhou mais 3 pontos negativos.
Era o ano de 2063 e aquela era a estrutura previdenciária do Brasil da época. Tudo havia mudado e nada havia mudado.

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Friday, March 16, 2018

A viagem de trem






A viagem de trem

O trem da CPTM, quase cheio, lento, sai da Luz com destino a Jundiaí. Aliviado, consigo um lugar nobre perto da porta. Embora tenha direito legítimo a assento preferencial, fiquei com vergonha de usá-lo.
Levanto os olhos e vejo uma fila indiana andando bem no meio do vagão. Só daí percebo que é nada mais, nada menos, que um batalhão de vendedores.
Começa, então, a singular e inusitada sinfonia:
-Três pacotes por seis, um por dois. Biscoitos deliciosos. Abaixo do preço. A validade está vencendo, preciso vender! Aproveitem, aproveitem!
Ele continua a anunciar, mas me distraio com outro anunciante:
-Pururuca, água geladinha! A água conserva sua saúde!
Fiquei admirado com a sabedoria do conselho, embora a tal de Pururuca, não sei não...
Um senhor, até que alinhado, anuncia o Suflair por quatro reais a barra e uma senhora quatro paçoquinhas por um real! Não sei se combinaram a estratégia de marketing ou foi tudo muito natural.
Uma tal de massinha maluca – o que será que é isso, mesmo?-  é proclamada com advertência e com rima acertada:
-Tem pouco, mas ainda tem! Tem para ele, tem para ela e tem até para a Cinderela!
Meu coração de poeta até sorriu com a rima singela!
Sem querer, ao mesmo tempo, ouvia a conversa da mulher a meu lado. Com inveja, é Claro, que com o meu chip da Vivo, nem Oi eu conseguia falar! Com paciência, ela explica ao filho:
-Entrega a chave da casa sim, mas não joga fora os pneus. A gente pode fazer brinquedo de balança para as crianças com eles. Joga não!
E, de repente, vi também que o rapaz tinha deixado um bilhetinho impresso sobre minha mochila! Dizia: “Jesus ajudou muita gente, Ele não media esforços para dar seu amor, etc. etc.” Claro, estava pedindo dinheiro... certamente iria voltar recolhendo sua preciosa mensagem.
Ah, estava me esquecendo! Havia o rapaz do 3D! Na verdade, ele estava vendendo uma lente retangular para ampliar a imagem do celular. Tinha acabado de vender uma e proclamou triunfante:
-Mais uma aqui para o executivo!
Não consegui definir se o comprador estava feliz ou não com o elogio.
Havia ainda o guaraná Antárctica por dois e o chokito e Snicker por um real, mas a minha estação havia chegado e eu tinha perdido todas as chances de fazer um bom negócio! Quem sabe da próxima vez?



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O Perfeito Companheiro



O Perfeito Companheiro

Marlin estava sentada na varanda de seu apartamento. Morava naqueles conjuntos residenciais que eram autossuficientes e que tinham um custo muito baixo para funcionários do sistema. Não havia mais governo da forma como entendíamos no passado. As grandes corporações dividiam entre si o poder. Na verdade havia pouco de político no sistema administrativo. O avanço da ciência havia sepultado para sempre uma série de ideias, preconceitos, maneiras de agir. Como sempre, havia o lado positivo e o negativo. Havia poucas preocupações sociais. Os maiores conflitos estavam concentrados nas próprias pessoas, muitas vezes envoltas em um tédio terrível gerado pelo próprio fato de que tudo era previsível e de que tudo já tinha sido resolvido anteriormente. Faltava um pouco de incerteza, um pouco de “perigo” para os humanos, algo que aguçasse os sentidos.
Como se podia deduzir por Marlin, o próprio aspecto dos seres humanos estava bastante diferente. As pessoas eram magras, altas, sustentadas por músculos rígidos, porém não volumosos. As cabeças eram completamente sem cabelos e quase todos usavam túnicas não muito diferentes umas das outras.
-Então, Ray, como foi seu dia?
- Um pouco monótono. A única coisa interessante foram as notícias sobre o acelerador de partículas que estão inaugurando na próxima semana em Marte.
- Ouvi falar. É algo inédito pelo seu tamanho... Parece, no entanto, que não estão falando tudo que deveriam falar sobre o projeto.
-Dizem que a companhia que cuida desse projeto não é muito de marketing e é cheia de segredos.
-Devem ter seus motivos.
O inglês que falavam, agora praticamente a única língua existente, era bastante diferente do inglês falado no sec. 21. Era como se ela tivesse engolido as outras línguas mais conhecidas, triturado suas palavras, aproveitado a essência do que era assimilável e revestido tudo com um toque americano.  Qualquer pessoa que conhecesse uma língua antiga, principalmente uma das línguas latinas, poderia sentir que havia um pouco do espírito da sua própria língua ali, sem saber dizer o que exatamente.
-Claro, eles não fazem nada sem motivos. De qualquer forma, no momento, o que mais se comenta é sobre os restaurantes estilo século 20 que estão proliferando pela cidade.
-Ouvi comentários a respeito. Um deles tem imagens holográficas quase perfeitas de pessoas da época. É como se eles estivessem andando pelo ambiente.
-Mais do que isso. Emitem aromas da época. Conseguiram até trazer o cheiro da rua da época para dentro. Um deles tem até um pedinte que olha pela janela estendendo um boné.
-Isto é de mau gosto...
-Acaba se integrando na paisagem. As pessoas se divertem. Você sabe como é difícil divertir as pessoas hoje em dia.
-Como sei...
Falaram, falaram... era bom. Numa época em que pareciam esgotadas todas as formas de entretenimento, onde tudo parecia ter sido já inventado, onde todos os temas já tinham sido abordados e todas as histórias já contadas, era bom ter alguém que conseguisse conversar por mais de uma hora.
Marlin pensou consigo mesmo como Ray era um bom companheiro. Tem sido maravilhoso desde o primeiro dia em que ele entrou naquela casa. Calou-se um pouco. Depois levantou-se, falou um “boa noite” bem terno para Ray, que respondeu sorrindo, e foi se deitar. As luzes suaves da varanda se apagaram automaticamente. Ray, então, abaixou a cabeça, encostou o queixo sobre o peito e ficou silencioso e imóvel como um boneco, ali mesmo na poltrona onde estivera o tempo todo.

Você jamais saberia quem era Ray se não pudesse olhar atrás de sua nuca e olhar com uma lente umas minúsculas inscrições. Lá dizia o ano de fabricação, o nome do fabricante e outros dados técnicos. Era um robô de companhia. Perfeito. Era o melhor e único amigo de Marlin. 
Boa Noite!!!

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Monday, March 12, 2018

Se eu morrer amanhã


Se eu morrer amanhã

Se eu morrer amanhã,  e tiver que ficar em frente ao Criador, acho que não vou ficar muito preocupado. Primeiro, porque acho que não fui tão mau assim. Claro, besteiras todos nós fazemos. Em segundo lugar, o tamanho das besteiras depende dos olhos de quem as vê. Para Ele sequer pensar em mandar alguém para as chamas malditas, vou lhe dizer, precisa ser uma besteira muito grande. Ademais fiquei pensando... Olha esse universo absurdo que nos cerca. Bilhões de estrelas, muitas mil vezes maiores que o nosso céu. Ainda por cima, existe gente que desconfia que há outros universos que não conhecemos. Francamente, acho que Ele não teve tempo de se preocupar com uma  coisa tão vulgar como o inferno. Claro, existem aqueles monstros horríveis, assassinos cruéis,  bem que eles precisariam de um grande castigo. Acho que, na verdade, eles são um erro de fabricação da natureza, e simplesmente, o Criador os manda de volta para remanufaturar.
E se não existir nada depois da morte? Deus pode existir, mas pode ter nos criado só por um tempo limitado, o tempo aqui da terra. Já pensou nisso? E aí?
Ainda assim não faz mal. Fico me lembrando de tantas pequenas coisas, tão maravilhosas, que cada uma, por si só, já valeu a pena.
Aquele sorriso gostoso que recebi da mulher amada em 1969. Tantos outros sorrisos gostosos, sinceros, honestos, recebidos aos longos dos anos, de tanta gente boa. Quantas alegrias inusitadas, por pequenas e grandes coisas, que foram acontecendo ao longo da existência. O cheiro de café que eu sentia, quando criança, ao entrar na venda de meu avô. Quando entrei na faculdade. Quando li o primeiro livro do Machado de Assis. E o Grande Sertão: Veredas, do Gumarães Rosa? Os poemas da Cecília e do Mário Quintana. Quando dei a primeira aula. Quando tive meu primeiro fusquinha, azul, 1967. As flores, de todas as cores, tantas que eu vi. Quantos aromas, deliciosos, divinos... O cheiro da comida que minha mãe preparava. Pimentão, alho e cebola fritando para depois temperar o feijão. As garotas do colegial. O perfume da Cecília, quando ela passava...O rostinho da loirinha, cujo nome nunca soube. A morena do trem, o amigo zeloso, sempre pronto para ajudar. Minha família...
São tantas pequenas coisas, que, juntas parecem maiores do que esse céu enorme que vejo à noite. Quem quer que tenha feito tudo isto, muito obrigado! Nada mais é preciso, se vier, é lucro. A minha eternidade foi a minha vida!

 
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