Saturday, October 17, 2015

Paro

Paro

Assombrado, paro.
A imensidão da vida,
de repente, toma conta de mim.
Sinto-a toda, integral,
exuberante, dentro do peito.
Dentro do cérebro, das veias.
Aos poucos, vou voltando
de meu existencial devaneio.
Atônito, olho para o mundo.
Está tudo normal, como sempre foi.
Será que estou ficando louco?



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Friday, October 16, 2015

As águas do rio, o rio das águas

As águas do rio, o rio das águas



Foi assim. As lembranças todas, de adulto e de criança, foram desaparecendo. A cabeça, como ele mesmo dizia, não era a mesma. Fatos recentes, ele já não se lembrava de nenhum. Os da fase de adulto, só alguns poucos. Os ruins, más decisões, discussões homéricas, traições, graças ao bom Deus, foram os primeiros a sumir. Os amores da juventude persistiram durante um bom tempo, mas finalmente também se foram.
O que não ia embora, eram as recordações da infância. Nem sequer eram grandes eventos, mas de alguma forma, insistiam em ficar. O aroma de café torrado que vinha da “venda” do tio, na frente da casa, os vidros cheios de balas e também as balas enroladas com um papel e por dentro uma figurinha de jogador para colecionar. E dentro de casa, logo de manhã, o café com leite  e aquela nata, que uns detestavam e outros amavam. A manteiga, de verdade, numa peça de louça branca. O pão então... E isso era tudo no começo do dia. E, então, havia aquelas manhãs em que o tio o deixava ir de carona no velho caminhão Ford. Aquele cheiro de gasolina não queimada, tão gostosa. Quem se preocupava com colesterol e com poluição? Havia também o furgãozinho dos doces “Confiança” fazendo entregas. As garrafas de leite deixadas na porta durante a madrugada. Não havia choro nem tristeza. Havia tanta coisa boa.
Mais tarde, durante o dia, havia o rio. Ali perto de casa, tão perto que parecia no fundo do quintal. Caudaloso, poderoso, água verde escuro, corria soberano. E nem era perigoso. Ou era. Não sei o que os pais pensavam. Mas era bonito aquele rio. Dele, ele se lembrava com detalhes.

E, no final, até as lembranças da infância foram sumindo também. Devagarinho, porém, parece que elas não queriam ir embora. A última mesmo, foi a imagem do rio. Na verdade, ela nunca sumiu. Só ela ficou, como se fosse um atestado da vida. Quando ele deu o último suspiro, as águas continuaram a correr. Iam embora, fortes, levando galhos, folhas, tudo. Um rio bonito como nenhum outro. Pomposo, cheio de si. Essa imagem nunca se foi. Nunca. Continuou depois da morte. Aquela corrente forte, poderosa, levando tudo. Ele morreu, mas aquela água permaneceu viva, suntuosa, correndo pela eternidade toda. Continua, continuando. Acho até que seu corpo foi pairando por cima das águas, feliz, sorrindo, olhando para o azul infinito do céu... O céu azul, sem fim, no infinito verde sem fim do rio da vida. Céu azul, rio verde, infinito do céu, infinito das águas, infinito de si mesmo. Foi assim...

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Monday, October 12, 2015

Enigma


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Enigma

Um enigma é a vida,
a consciência de ser.
Uma tortura que herdamos,
benção difícil de entender,
uma visão que nos cega,
liberdade que nos prende.
E eu, como quem nega,
fico, atônito, a pensar
não seria muito melhor
ser uma borboleta?
Livre, solta, colorida,
batendo suas asas,
doida, delirante no ar?
Mas depois, penso também:
Se pensasse, será que ela,
ao contrário, não gostaria
de ser como eu também?

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Wednesday, October 7, 2015

Estação das almas

Estação das almas

Começou a estação do ano em que as folhas das árvores começam a cair. Os galhos vão ficando nus e lisos. O céu frio e azul pode ser visto por entre o esqueleto formado pelo que antes era a copa frondosa.  Parece que elas vão morrer para sempre, mas sabemos que vão voltar.
A alma se prepara também. Ao contrário das plantas, os corpos se revestem mais ainda contra a hostilidade do tempo. O conforto, ou talvez consolo, do que é civilizado, torna-se a resposta contra a natureza cruel. Ela pode contra as árvores, mas não contra nós. Somos poderosos com nossas máquinas de aquecer, com o conforto de nossas casas.
Há porém, aqueles que não tem esses recursos e padecem no frio. Há, também, aqueles que tem o frio interior. Esses não têm proteção nenhuma. Não há vestes ou cobertores para isso. Seus espíritos são como as árvores, ficam nus e gelados, castigados pela intempérie.
As árvores, quando a estação terminar, vão se encher novamente de folhas, do verde e da vida. As pessoas que têm almas frias, entretanto, não vão se recuperar. O inverno delas é permanente, nunca vai ter fim.


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Monday, October 5, 2015

KELLY, A BIOQUÍMICA


KELLY, A BIOQUÍMICA










Magra, altura média, nascida e criada nos subúrbios de Detroit, Michigan. Bem americana, contacto quase nenhum com imigrantes. Já a transportara quatro vezes nesta minha função de “motorista de INPS” ( sem direito a fundo de garantia ou outro direito qualquer). Tudo havia começado, me explicara anteriormente, com um acidente de carro que tivera aos quinze anos. Seguro, processos, acordos. Teve todos os tipos de problemas físicos e posteriormente neurológicos e psiquiátricos. Minha intuição dizia  que os problemas vêm de antes e, que se não fosse o acidente, seria outra coisa. Quatro vezes a levei, quatro diferentes moradias. Uma vez com o namorado que não a queria mais, outra vez com um amigo que não podia pagar aluguel e daí vai. Agora sim, me explicava, estava morando com um grande amigo em um quarto de hotel.Que bom, disse eu.
-E este seu amigo,  que  faz?
-Bem, não sei direito, mas acho que está aposentado...
Obviamente de imediato desclassifiquei, para mim mesmo, o companheiro,  de “amigo” para “vagamente conhecido sem ocupação definida”...
Desta vez ela estava muito ansiosa pois tinha consulta com o psiquiatra e ele iria dar a receita para seus remédios. Ela estava precisando dos mesmos desesperadamente, pois, como explicou, tinha “bipolar disorder”, uma dessas doenças novas. Enfatizou que era fundamental tomar os medicamentos. Estava óbvio que era dependente daquelas drogas. Chegamos e ela entra rapidamente no consultório.
Saio, vou tomar um café e volto para esperar por ela. Não demorou  muito. Na verdade foi o tempo de ver o doutor, pegar a receita e sair. Então me mostra toda a parafernália química. Recita os nomes dos remédios, sua função e o nome da disfunção que ele trata.
Quando parecia cansada de explicar, resumiu:
-O primeiro é para eu relaxar quando estou excitada, o segundo para me animar quando estou desanimada, o terceiro para eu dormir quando estou sem sono e o quarto para me acordar quando me sinto muito sonolenta...
-Ah...disse eu. E este outro aí???
-Este é para combater os efeitos colaterais dos outro quatro.
Isto sim era uma explicação completa. Continuamos em direção a sua casa/hotel vagabundo. No caminho fala ao celular. Combina algo com alguém, tenta esconder algo de mim. Pede para eu parar em frente a um supermercado. De repente vejo um carro atrás. Desce e se dirige ao motorista e vejo pelo retrovisor que ela está dando dinheiro para o motorista.
Poderia tentar ver e entender o que estava acontecendo,  mas era muito para o mesmo dia. Continuamos, e ela mexe e mexe dentro da bolsa e finalmente vem com mais três vidros de remédio. Assustado, pergunto:
- E esses aí???
-Ah, estes são meus dois analgésicos e um relaxante muscular...
Pensei comigo: “Kelly, a bioquímica”...

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Friday, October 2, 2015

Gosto


Gosto

Gosto de olhar a noite
com olhos de amador.
Gosto de olhar pessoas,
com olhos de amante,
que ama de verdade
e não com simples paixão.
Gosto de olhar o azul,
transparente do infinito.
Ver o que não existe,
através de seu véu.
Gosto dos tons que vêm do ar,
gosto dos sons que vêm do mar.
Gosto de olhar para ti,
meu grande amor, mulher.
Gosto do teu paladar,
do teu gosto gostoso,
do teu corpo, da tua alma.
Gosto do teu natural,
deste jeito animal.
Gosto de tantas coisas,
que tenho e que não tenho.
Sabe de uma coisa?
Acho que gosto da vida!

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Thursday, October 1, 2015

A história das almas coloridas



A história das almas coloridas (e das sem cor também)

Havia as almas transparentes, que as pessoas antes não viam, só sentiam. Com o passar dos tempos, as pessoas foram perdendo a sensibilidade e as almas precisaram das cores para poderem ser vistas. Algumas se transformaram em almas brancas, cor de leite, outras assumiram um negro brilhante, poderoso. Nada multicolorido, só o básico. Daí, alguém achou, em certa época, que as almas negras poderiam ser usadas para fazer as coisas. E o mundo ficou um lugar triste com essa ideia da separação entre quem serve e quem é servido. Muitos até achavam que as almas brancas eram mais importantes que as outras, pois tinham alguém para servi-las.
Antes disso, porém, algo mais estava acontecendo. Muitas almas estavam mudando de cor. Havia, então, almas vermelhas, amarelas e de muitos outros tantos tons. E havia também uma mistura enorme dessas cores todas. E havia almas que se amavam e outras que se odiavam. Uma policromática confusão. Algumas eram acusadas e condenadas por causa da própria cor, como se elas mesmas tivessem escolhido o seu próprio matiz.
Agora há um grande caos. Parece até que todas as almas estão, na verdade, ficando cinzas. Um cinza estranho e feio. Quem sabe elas se tornem transparentes novamente. É o que se espera. Mas há um receio de que elas fiquem cinzas, todas, para sempre. Ou talvez desapareçam, como acreditam outros. É difícil dizer, esse negócio de almas é muito complicado.





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