Thursday, February 5, 2015

Histórias do Futuro

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Histórias do Futuro

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Wednesday, February 4, 2015

Essa vida da gente

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Essa vida da gente

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Tuesday, February 3, 2015

A Verdade Relativa


A Verdade Relativa

Existe um lugar onde todos dão muita importância para a verdade.  As pessoas de lá não são como muitas pessoas de outros lugares que eu conheço e que não dão a mínima para a dita cuja. As pessoas vão para a cadeia só por mentir. E não precisa ser uma grande não, pode ser até uma mentirinha. A verdade é coisa séria. Pelo menos era. Ainda é, mas tem uma complicação, não que eu queira deixar você confuso. Até algum tempo atrás, a verdade era uma coisa absoluta: uma coisa é ou não é. Pois bem, foi inventada a verdade relativa. As pessoas começaram a afirmar coisas com certeza absoluta, mesmo quando elas eram mentiras. Questionados, afirmaram categoricamente, que para eles, aquela era a verdade e pronto. Ou então falavam tantas vezes a mesma mentira que ela se tornava mentira de verdade, quero dizer verdade de mentira. E aí as pessoas começavam a acreditar mesmo, e quando todo mundo acredita a coisa se torna real. Inteligente o tal de J. Goebbels. 
Dizem que foi ele que disse “uma mentira cem vezes dita, torna-se verdade". Parece que ele era nazista, mas não sei se é verdade. Deve ser, pois acho que já falaram isso mais de cem vezes. Acho, não contei. Imagina uma mentira dita mil vezes: é 10 vezes mais verdade que a verdade que não foi dita. Imaginem vocês, então, com a Internet e a televisão! Uma mentira pode ser dita milhões de vezes. Você já pensou quão verdadeira ela vai se tornar? Até na matemática começaram a mexer. Começaram a falar que dois mais dois são cinco. Quando alguém reclama muito, eles falam baixinho que é só acrescentar mais um. 
Bom, a coisa ficou tão séria que um pessoal começou a fazer uma tal de checagem de fatos. Alguém fala uma coisa, imediatamente esse pessoal começa a mostrar documentos, fotos, estatísticas. São muito chatos, uns caras insuportáveis.Tudo para desmascarar esse pessoal que usa máscara. Eles precisam ser rápidos, pois depois que os mentirosos repetem a mentira muitas vezes, fica difícil desdizer o dito, mesmo com provas absolutas ou “cabais”, como se dizia antigamente. Outra coisa que fazem muito é pagar gente conhecida para falar a mentira – que supostamente é verdade – pois assim fica mais fácil de se acreditar e mais difícil para aqueles chatos – os checadores da verdade – desmentirem. A coisa está tão séria que hoje em dia, quando alguém honesto fala uma verdade, a gente fica desconfiado e não sabe se acredita. Sinto muito, a verdade não é mais absoluta, agora é relativa. Assim,  depende de quem fala, onde e quando. Isso mesmo, relativa. Mas não se preocupem muito, não. Essa história é só com gente importante. Com pessoas como nós – que somos o resto – essas coisas não acontecem. Porque o que falamos, verdade ou mentira, não tem importância nenhuma, e eles não dão a mínima para o que a gente fala. E essa é uma verdade absoluta.

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Estranhas Histórias

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Estranhas Histórias
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Monday, February 2, 2015

O bambino descansa no mar



O bambino descansa no mar

O “bambino” Luigi e seus dois irmãos mais velhos, Angela e Nicola,  já estavam em pleno mar, rumo a uma terra desconhecida. Seus pais,  Giuliano e Pellegrina, tinham sonhos para eles e para os filhos. Talvez trabalhar duro em uma fazenda de café, mas, depois, terem uma vida melhor, um pedaço de terra, onde pudessem plantar uva e, quem sabe, fazer vinho. Sabiam do Brasil pela propaganda que o governo fazia para atrair imigrantes. Um vasto país, de natureza soberba e cheio de oportunidades para todos. Mesmo que a realidade não fosse perfeita, o sonho precisava ser, e eles sonhavam. Sonhavam até pelo pequeno Luigi. Iria crescer saudável, estudar, ser uma pessoa importante. Já o imaginavam em roupas elegantes, talvez um doutor, contando a história de seus pais imigrantes italianos em algum jantar  festivo.
Poucos dias se passaram antes de o destino decepar cruelmente a fantasia. O navio Caffaro, como todos os outros, não tinha as melhores condições de higiene que se podia esperar. O bambino adoeceu gravemente e seu coraçãozinho parou de bater. Era o mês de março de 1893.
Como se costumava fazer, colocaram seu corpinho inocente em um saco de lona, costuraram-no, fizeram as preces de despedida e o lançaram no mar. Uma viagem triste, o triste começo de um sonho. Os outros chegaram e, a duras penas, venceram. Tiveram mais um filho no Brasil e lhe deram o nome de Luiz, para homenagear o pequeno que se fora. E o Luiz, brasileiro, teve quatro filhos, um deles, a minha mãe.

Por isso, parei por uns momentos, para escrever esta pequena homenagem ao “bambino”. Quem sabe sua alminha inocente dê um ligeiro sorriso lá nas profundezas do mar, onde descansa de uma jornada que mal começou. Descanse em paz, querido bambino, descanse em paz.

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Essa vida da gente

Saturday, January 31, 2015

Dilúvio de Vento

Dilúvio de Vento



Alguns dizem que foi maldição, outros que foi castigo, e uns poucos que foi simplesmente um fenômeno da natureza.  O fato é que aconteceu. A pequena cidade se espalhava por uma grande planície, era praticamente um conjunto de propriedades rurais  com um pequeno centro. A praça e os pequenos estabelecimentos que vendiam material para pessoas que vivem no campo era o ponto de encontro.
Um dia, era primavera, uma brisa suave e gostosa começou a soprar. Durou umas duas semanas e todos comentavam que aquilo era bom, podia ficar assim para sempre. Mas não ficou, a brisa virou vento. E era daqueles que arrancam chapéu. Não era trágico, mas começava a atrapalhar. As coisas não paravam em pé. Os comerciantes precisavam tirar o que deixavam na frente das lojas, pois a corrente de ar levava tudo. As pessoas começaram a se recolher dentro das casas e só sair em caso de necessidade. Dia e noite aquele som sibilante, quase assustador.
E foi aumentando, aumentando. Não se viam quase pessoas nas ruas. Quem tinha de guiar, precisava ter muito cuidado para corrigir a trajetória do carro, que era afastado por aquele sopro fortíssimo.  E foi aumentando, aumentando.
A essa altura, já estava havendo problemas de suprimentos. Como a maioria eram pequenos fazendeiros e tinham quase tudo em suas próprias casas, conseguiam ir levando.
Os pequenos animais já tinham sido levados. As aves foram as primeiras. Os maiores  procuravam não sair dos celeiros, onde haviam se refugiado. O barulho tornou-se, então, terrível, além de ser acompanhado de estrondos de objetos, grandes e pequenos, que estavam sendo levados. Embora poucas pessoas soubessem, pois ninguém saía, vários  humanos já haviam sido levados pelo ar em movimento.
As construções mais fracas estavam sendo destruídas e, com elas, seus ocupantes. Chegou a vez das casas maiores e dos celeiros. Aos poucos iam sumindo: primeiro o telhado, depois tudo que havia dentro, incluindo seus habitantes. Eram sugados e levados pela incrível força eólica. Pouca  coisa restava. Finalmente, as últimas três construções foram destruídas. A paisagem era um campo vazio, sem plantas, sem nada. Só uma pequena relva, cá e lá, restou.
O vento, então, parou. Quarenta dias haviam se passado. Tinha sido uma espécie de dilúvio de ar.
Desta vez, porém, não havia nem Noé, nem a Arca, só um imenso vazio,que se espalhava até onde alcançava a vista.


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Estranhas Histórias
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Friday, January 30, 2015

O quebra-cabeça do amor


O quebra-cabeça do amor

Um sorriso de cumplicidade, que só você conhece. Um piscar de olhos, quase imperceptível, que só você consegue ver. Palavras com metáforas ocultas que só vocês dois entendem. Uma frase que significa muito mais do que aparentemente quer dizer. Um olhar, aquele olhar, que só você sabe olhar com olhos de quem ama. Um gesto que ninguém viu. Um jeito de mexer nos cabelos que pode ter muitos significados. Uma pausa no falar, que diz tudo. Um mexer dos lábios que é um código secreto. Uma sombra no rosto mostrando uma preocupação que só você entende. Um não que quer dizer sim e um sim que significa não.

Isso tudo e mais mil outras coisas que só os dois sabem. Coisas que, juntas, fazem parte de um sutil, enorme, maravilhoso e misterioso quebra-cabeça. O quebra-cabeça do amor.

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A crônica acima não faz parte do livro abaixo

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