O
médico, o mágico
Lá ia ele, de um lado para o outro, com sua maletinha
de médico. Em Perus, em, Caieiras, às vezes até na casa do paciente, lá estava
ele. Não era só a consulta: aconselhava,
dava remédio, orientava. Funcionava, sozinho, melhor que um plano inteiro de
saúde de hoje em dia. A única parte que não funcionava bem era a parte do
recebimento. Ele não era muito bom nisso: quem podia pagar, pagava, quem não
podia , tinha o mesmo tratamento.
Quanta gente ajudou, não consigo contar. Meu pai foi
um deles e tinha um respeito e uma admiração por ele que não tinha por mais ninguém.
Quantas vezes ele precisou da ajuda daquele doutor incrível.
Ele era um verdadeiro mágico, pois além de cuidar de
tanta gente com tanto amor, ainda tinha uma família enorme para cuidar. Enorme
mesmo. Na verdade, acho que a cidade inteira era sua família.
Existe muita gente que não se esquece do doutor.
Muita gente mesmo!
Se houver uma contabilidade de dar e receber lá no
paraíso, São Pedro teve uma dificuldade enorme para acertar tanto bem que ele
fez com tão pouco que recebeu.
É até uma pena que não haja doente lá em cima, com
todo respeito. Ele estava tão acostumado a curar, que deve sentir uma falta
danada de fazer o bem. Finalmente parou de correr, está descansando o merecido
descanso, o descanso das pessoas boas...
Obrigado, Dr Milton Neves!
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