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Tuesday, March 12, 2013

POEMINHA ECOLÓGICO, sem rima


POEMINHA ECOLÓGICO,  sem rima








O peixe está com mercúrio,
A verdura tem agrotóxico.
A carne contém toxinas,
E a água está poluída.
O que se pode fazer?
Ainda bem que não falaram nada da cerveja...
Nem do vinho!
Desse jeito não vou morrer de fome,
Quero dizer, de sede..

Friday, December 7, 2012

Brasileiro gosta de reclamar


Brasileiro gosta de reclamar

Vamos ser sinceros, brasileiro gosta de reclamar. Reclama de tudo. Dos preços, do time, do trânsito, e principalmente do governo. Este último está sempre roubando, cobrando muito imposto, sendo ineficiente, enfim, sempre decepcionando. Diria até que, simplesmente, "está sendo governo". Não estou afirmando que o povo não tenha razão, muito pelo contrário. A única observação que posso fazer, e desculpe a rima indesejada, é que a ação é inversamente proporcional à reclamação.  Quanto mais reclama, menos faz para eliminar o problema. Por outro lado, se serve de consolo, dê uma olhada  no resto do mundo. Árabes se matando e matando os outros. Com exceções, é claro. Países pequenos na África e outros países do mundo elegendo e outras vezes “engolindo” ditadores que, além de roubar, ainda maltratam a população... E o que dizer de nações localizadas em partes do globo onde todas as possíveis tragédias naturais acontecem? Será que eles reclamam como nós? Tempestades, furacões, tsunamis, terremotos, avalanches, enchentes,  etc...A favor dos reclamantes brasileiros devo dizer que há coisas que  podem ser evitadas e outras não. Eu sei que há pessoas pensando nos países da Europa e nos EUA. Não há nada para reclamar? Posso garantir que, pelo menos por aqui, nos EUA, há coisas bem esquisitas, das quais poderia se fazer uma boa reclamação. Ultimamente, por exemplo, um dos partidos claramente tem apoiado a isenção de impostos para os mais ricos. Até aí, você pode pensar, afinal de contas, são eles que fornecem o dinheiro para que esses políticos sejam eleitos. Poderiam reclamar disso, mas faz sentido  pelo menos.O problema é que uma grande parte da população, inclusive gente de renda bem baixa, eu diria metade, acha que é certo, é normal. Existem alguns argumentos, é claro. Se os ricos não pagam impostos, eles investem em negócios e criam mais empregos. O problema é que justamente nesse período em que tem havido essa redução de taxas é que aconteceu uma das maiores crises e a maior taxa de desemprego de toda a história americana. E que tal o fato de que instituições podem doar quantia ilimitada de dinheiro – ilimitada mesmo – para campanhas políticas sem precisar se identificar? Tudo dentro da lei, que aliás foi confirmada pela Suprema Corte? 
Eles têm ou não motivo para reclamar? E mais...Quanto aos políticos, existem umas “peças” raras. Devo confessar, não é a maioria, mas mais do que sufientes para formar um “zoológico”, sem querer ofender os pobres animaizinhos. Existe aquele deputado da Flórida que tem certeza de que os políticos do outro partido, o Democrata, são todos comunistas, de “carteirinha” e tudo. Alguém se esqueceu de avisar para ele que nem a Rússia é comunista mais hoje em dia. E o senador que disse que não deve ser autorizado aborto para mulheres que foram estupradas, pois o organismo delas por si mesmo têm a capacidade de “colocar tudo para fora”. E o outro então, que acha que nesse caso não deve ser autorizado aborto pois o “estupro foi vontade de Deus”... Eu poderia escrever um livro sobre as besteiras que se falam e fazem por aqui. Não sei não se o Stanislaw Ponte Preta não iria ficar com inveja. Quem sabe ele poderia por um adendo americano ao “Febeapá”.
Agora tenho de me render ao fato de que há alguns países onde quase tudo é perfeito. Não há pobreza, a corrupção é praticamente inexistente, poucas pessoas falam besteiras ( essa parte é difícil de se alcançar com eficiência em qualquer lugar). Mas não sei por quê, talvez seja pura coincidência, faz um frio desgraçado por lá: Suécia, Dinamarca, etc. E tem mais, não sei se é verdade, as pessoas ficam tão entendiadas – tudo tão perfeito - que ficam  bêbadas o tempo todo. Paciência, deve ser a balança cósmica. Além disso, em nosso caso, reclamar é bom, faz bem para a alma. Dá aquela sensação gostosa de que estamos fazendo algo bom para a sociedade. Mais ainda, podemos continuar a beber cerveja, fazer churrasco quando quisermos, ter feriados prolongadíssimos e outras coisas mais. Se você não gostar de nada disso, você ainda tem a religião para se consolar. Sem bebida, mas você pode escolher a crença que quiser. Compare com países onde você escolhe a crença “errada” e vai para o “céu”  na manhã seguinte ou até no mesmo dia. Claro que existem pessoas em nosso país numa situação tão difícil, que nada disso funciona. Acho que é por elas que deveríamos reclamar.

Estão vendo quantas possibilidades? Sem contar que o time da gente ainda pode ganhar o campeonato. O meu, por exemplo, está sempre ganhando. É  verdade que isso não é para todos, mas sempre existe a hipótese de você mudar de time. Nesse caso, você teria de mudar de cidade. Claro que fica chato virar  bandeira, ali na “cara dura” e permanecer no mesmo local...
Existe ainda uma última alternativa. Se você não gosta de feriado normal, feriado prolongado, praia, churrasco, futebol, cerveja, caipirinha, o direito de reclamar o tempo todo e ainda escolher a religião que quiser, você pode tentar conseguir um visto para um desses países quase perfeitos. Não vai reclamar por que não há nada para contestar. São pouquíssimos e o visto é muito difícil. Não custa tentar. Boa sorte! Só um pequeno detalhe: tome cuidado para não morrer congelado ou ficar bêbado, jogado na calçada! Uma última coisa da qual estava me esquecendo: eles não têm carnaval...

Wednesday, November 28, 2012

A Dona Rosa, o “seu” Benedito e a garrafa de cerveja


A Dona Rosa, o “seu” Benedito e a garrafa de cerveja

A Dona Rosa e o “seu” Benedito eram pessoas “de cor”. Na época eu não entendia direito o que era isso. Achava que talvez fosse um elogio, qualquer coisa assim. Era muito pequeno, ainda não sabia das maldades humanas, dos eufemismos. O que eu sabia era que a casa da Dona Rosa era especial. Sempre que tinha uma chance eu corria para lá. Acho que  eram os doces que ela fazia: cocada, doce de abóbora e muitos outros. A casa era muito pequena: dois cômodos. Um era a cozinha, outro era o quarto. A funções da sala eram exercidas ora no quarto, ora na cozinha. O chão era de terra. Mas era uma coisa incrível. Era um chão batido, muito batido, lisinho, lisinho...E a Dona Rosa encerava o chão de terra  com um capricho tal que, se você não prestasse muita atenção, iria achar que era cerâmica ou um daqueles pisos feitos de cimento colorido. Era demais. Essa é  a primeira coisa de que me lembro. A outra foi uma coisa que o “seu” Benedito fez. De domingo ele estava sempre por ali. Ficava fora de casa, sentado, para dar espaço para a Dona Rosa preparar o almoço. Se por um lado ela era magrinha e usava óculos, o “seu” Benedito tinha uma barriga um pouco acima da média. Talvez fosse a cerveja. Ele era uma simpatia e tinha um bigode que chamava  a atenção. Vez ou outra ele me pedia para ir até o bar comprar uma Antárctica para ele. Dava o dinheiro certinho, coitado, porque tenho certeza de que não tinha muito. Acho que esse era o único capricho que ele tinha. Naquele dia fui correndo até o bar. O dono remexeu nos blocos de gelo – acho que naquela época não havia geladeira, não – e trouxe a danadinha tinindo de gelada, para a tona. 

Paguei e voltei correndo. No caminho levei um escorregão, caí, e quebrei a cerveja. Fiquei com o gargalo na mão, assustado. Não por causa do tombo mas porque o “seu” Benedito iria ficar privado da “preciosidade” do domingo. Fiquei pensando na tristeza que ia ser para ele, que gostava tanto da geladinha. Fui voltando, preocupado, pensando como iria explicar a tragédia para ele. Ele era sempre bem humorado mas você sabe, a cerveja é uma coisa sagrada. Demorei quanto pude e finalmente cheguei lá segurando só aquele gargalo fatídico. Talvez eu achasse que precisava de uma prova da tragédia. Tentei falar alguma coisa quando vi o olhar cerrado do “seu” Benedito. Estava pronto para a bronca. Fiquei aliviado quando percebi que a única coisa que o preocupava era se eu tinha me machucado. Examinou meu braço, minhas mãos. Gaguejei alguma coisa mas ele disse que o importante era que, graças a Deus, eu estava bem. Apesar do que aconteceu eu me senti muito bem naquele dia. O “seu” Benedito era um bom homem. Um “gentleman”. Eu sabia que ele não tinha dinheiro para outra bebida naquele dia e talvez nem na semana seguinte. Ele passou a mão pela minha cabeça e me perguntou de novo se eu não estava machucado.
Nunca mais me esqueci da beleza daquele casal e da cerveja do Benedito. Para mim eles tinham uma cor muito bonita. Acho que era  por isso que diziam que eles eram “de cor".

Saturday, October 8, 2011

Steve, o navegador


Steve, o navegador

Steve, nem McQueen, nem Martin. Não sei o sobrenome de Steve. Só sei que o Steve bebia muito. Muita cerveja o tempo todo. Era macérrimo. Eu sei que cerveja engorda, porém, no caso dele ocorria o efeito oposto. Não tinha vontade de comer pois estava sempre bêbado. Não era dessas bebedeiras que você conhece. Nada disso. Você nem percebia seu estado. Era como se ele estive em transe, em meditação. Eu sabia porque sabia, a maioria das pessoas, quem não o conhecia, nem percebia. Outra coisa, não pense que ele era vagabundo, nem nada. Trabalhava direitinho, claro, sempre “em estado de transe”. Era mecânico de máquinas e trabalhava quatro lagos de distância de sua casa. Isso mesmo, havia muitos lagos na região e Steve morava num trailer. Usava uma velha caminhonete Ford para ir ao trabalho.  Ia serpenteando nas estradas em volta dos lagos para chegar. As pssoas falavam para ele, que serpentear ele iria de qualquer jeito, mesmo sem lagos, com todo aquele álcool na cabeça. Acho que ele não entendia. No serviço, Steve era perfeito, só tinha um defeito. Alguns minutos antes de terminar o turno, ele já pegava suas coisas, cartão de ponto na mão, e olhava fixamente para o relógio, daqueles antigos. O danado era de uma precisão incrível. Nanosegundos após o relógio clicar,  já estava tudo registrado e ele no estacionamento. Ninguém sabia explicar como ele sumia tão rápido. Próxima parada: 7- Eleven. Juntava uns pacotes de latas de cerveja e “voava”, quero dizer, serpenteava, pela pequena estrada. Chegava afoito em casa, nem entrava no trailer, sentava-se do lado de fora, olhava para o lago e começava a beber...de novo.
Um dia “a casa caiu.” Não, o trailer não caiu. Steve foi pego dirigindo bêbado para o trabalho. Um policial novo, transferido para a região e que sabia distinguir “estado de transe” normal ( se é que existe, normal?) de estado de embriaguês profunda, achou que algo estava esquisito e parou o motorista. Steve, otimista, pensava dentro de seu nirvana, que tudo se esclareceria na posto policial. Nada. Foi preso, perdeu a licença para dirigir, ou como a gente diz no Brasil, perdeu a habilitação. Passou por um longo drama, advogado e grana emprestada para pagar o mesmo, cursos de direção. Processo longo mesmo, mas um dia voltou a dirigir. Estava feliz e feliz como estava, precisava beber. Afinal, a cerveja para Steve era como água e água é a própria vida, não? Foram só semanas até que o mesmo danado policial, cumpridor insaciável  de suas funções de vigilante da sociedade,  pega o Steve de novo. Desta vez ia ser difícil conseguir a carteira de motorista de volta. Deu-se por feliz por não ficar muito tempo na cadeia. E agora, sem “drivers license”, como trabalhar? Não havia carona, e ônibus naquela região, nem pensar. Pensou, pensou. Montou então um sofisticado sistema “cicloaquático”. O nome é meu, me desculpem. Era mais simples que isto, embora complexo. Ele ia de bicicleta até o próximo lago, amarrava a bicicleta numa árvore, pegava um bote, descia do outro lado do lago, pegava outra bicicleta que tinha deixado lá previamente e assim ia, repetia a operação e finalmente chegava ao trabalho. Não dava para pôr a bicicleta no barco pois este era muito pequeno. Barco maior, algum policial poderia querer prendê-lo por “navegar” bêbado. Simples: três barcos e três bicicletas depois, lá estava Steve pronto para o serviço. Explico: não precisava da quarta bicicleta e do quarto barco porque entre o segundo e o terceiro lagos a distância era pequena e ele podia arrastar o barco pela chão.

Steve, perguntou um amigo, “Vale a pena tudo isto? O seu irmão mais velho é solteiro também, e com certeza, te daria lugar e comida no trailer dele, você nem precisaria trabalhar”. Indignado, Steve, bom trabalhador, responde que “ Nem pensar, comida e morada? E minhas cervejas? Você quer que meu irmão seja responsável por minhas cervejas?” Claro, pensei comigo, é tudo uma questão de prioridades...









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