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Wednesday, April 24, 2019

Espero que...



Espero que...

Esperamos que nossas esperanças um dia se realizem. Esperamos que tudo corra bem. Quando um amigo está com algum problema, a gente diz “Espero que tudo se resolva”. Quando alguém que amamos está doente, dizemos “Espero que melhore”. Esperamos nove meses para nossos filhos nascerem e que tudo, então, corra bem. Esperamos que eles cresçam com saúde e se deem bem na vida. Esperamos que nada de mal aconteça, que as coisas melhorem. Que as que não estão bem, entrem nos eixos. Que os eixos sejam fortes e aguentem o tranco. Que o pagamento chegue no dia certo e que seja suficiente  para tudo que precisamos. Ousamos até esperar que um dia a gente ganhe na loteria.
Até dizemos “Espero que aconteça um milagre”, mesmo quando não esperamos que vá acontecer.

A vida é isso: Esperar, esperar, esperar... Espero que um dia não mais precisemos esperar. Que tudo que estávamos esperando, fique pronto e se realize. Sinceramente, é o que espero. De qualquer forma, tudo que podemos fazer,  por enquanto,  é esperar...

                                              ooOOOOOoo                                                                         


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Tuesday, June 6, 2017

Os sonhos do meu sono


Os sonhos do meu sono

Pela manhã, acordo,
junto todos meus sonhos,
e começo o dia.
Com o passar das horas,
as lidas da dura vida,
para meu desespero,
vão destruindo um a um.
À noite, tão cansado,
meu corpo então morre
para a realidade,
Mas minha alma, ativa,
fiel, laboriosa,
durante todo sono,
novos sonhos constrói.
São frescos novos sonhos,
para então, eu poder,
na seguinte manhã,
com eles, tão feliz,
novos sonhos sonhar...

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Sunday, June 26, 2016

Declaração de Esperança




Declaração de Esperança

Em uma época distante daqui, pessoas como nós, felizes e radiantes, estarão vivendo em um mundo quase perfeito. A ciência  e a tecnologia, juntas, estarão “conspirando”  a favor da felicidade humana, a medicina e outras ciências garantindo a saúde e a perfeição do corpo e da  mente. Uma 
harmonia nunca antes vista, insistente, penetrante, envolvente, insinuando-se em toda a parte, no dia a dia, nas atitutes, nas palavras, nos contatos. A paz, irresistível, indestrutível, envolvente, estará visível em cada sorriso, em cada pensamento, em cada frase. Pouca esperança, pois onde há tudo, ou nada falta, há pouco para se esperar. Ainda assim, há a esperança quase certa de que tudo vai ainda melhorar, mesmo quando nada mais de melhor pode haver. Nada de crime, nada de suspeita, ou de traição. Sem bandidos ou malditos ou loucos à espreita. Anjos de carne e osso nas ruas, nas fábricas, nas casas, nas calçadas, andando entre nós. Todo dia algo excitante, algo novo e melhor. Êxtase com pureza, aventura sem maldade, criatividade sem malícia, paixão sem violência, que mais poderemos querer? 
Ainda é um sonho. Um sonho distante que talvez nunca aconteça… mas é um sonho, ou melhor, uma esperança. Esperança ninguém pode matar, ninguém pode de nós tirar se não permitirmos. Vamos esperar,vamos sonhar, nem que seja para nossos filhos, nossos netos, para alguém, que vindo de nós, um dia ainda vai chegar… Sonhar é preciso!


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Thursday, December 17, 2015

O zepelim azul

O zepelim azul



Era um lindo zepelim azul, tendo como fundo, o outro azul infinito do céu. No começo, ninguém percebeu. Era uma cor em cima da mesma cor, quase não dava para notar. Aos poucos, porém, aquela visão fantástica chegou tão perto, que a palavra se espalhou.  E vieram crianças, e vieram adultos, casados, solteiros, e por casar. Padre, prefeito, vereadores e tudo mais. Gente que nunca saía, saiu. Todos, boquiabertos, olhando para cima. E aquele dirigível enorme foi chegando e baixando cada vez mais. Já quase tocava a torre da igreja, da cidade o ponto mais alto. Suspiros, gritos de exclamação. Havia cestas de vime penduradas, como aquelas que se penduram nos balões de ar quente. E como aquele gigante voador era da mesma cor do firmamento, as cestinhas pareciam flutuar, sozinhas, mágicas, no espaço. Dentro delas, pessoas certamente nobres. Pareciam reis e príncipes  e assim se vestiam. Monárquicas vestimentas, vermelhas, verdes e azuis cobriam seus corpos. Lantejoulas. Gala total. Barbas reais e bigodes cobriam seus rostos. Véus sutis cobriam das madames os rostos, e penas, raras e caras, saíam de seus chapéus. E a real caravana, acenava, orgulhosa, benigna e condescendente, lá do alto. O prefeito fazia sinais mostrando o ideal lugar para se pousar. No chão, se apresentaria como o regente local, se ajoelharia e, do supremo monarca, as mãos beijaria. De repente, porém, o dirigível começou, novamente a se mover. Foi, devagar, se afastando, sem o chão tocar. Ainda, ao longe, as figuras reais, acenavam, fascinantes, com um distante sorriso no vazio do ar. Aquele ponto azul foi diminuindo, diminuindo. Finalmente sumiu no anil estúpido do horizonte.

As esperanças, doces e tênues, esmoreceram. No peito daquela gente sofrida, o vazio, que já era grande, aumentou. Naquele dia de sol infinito, o zepelim malvado tinha sido apenas uma vã esperança, um sonho desnecessário, quase um engodo. Toda aquela gente perdeu seu rei. O rei que nunca existiu...

Histórias do Futuro




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