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Wednesday, April 8, 2020

Qualquer semelhança com o Corona, é pura coincidência, eu juro!



Qualquer semelhança com o Corona, é pura coincidência, eu juro!


\Há um fogo medonho destruindo um prédio cheio de gente. Labaredas gigantes saem pelas janelas e uma fumaça sinistra sobe para os céus. Algumas pessoas saíram antes do incêndio, outras foram resgatadas e suspiram aliviadas. Lá fora um grupo de pessoas reclama do pessimismo daqueles que não comemoram o suficiente o número de sobreviventes. Outros discutem se não seria melhor usar um outro tipo de equipamento que, embora não seja para esse tipo de fogo, talvez possa ajudar. Afinal de contas ainda há muitos lá dentro. Há a possibilidade de que o chefe dos bombeiros seja demitido porque alguém gritou que ele era um herói e talvez ele não seja tão herói assim. Parece que vai faltar água, pois ela foi desviada para outro incêndio numa rua perto dali. Existem também indivíduos discutindo quem foi que colocou fogo no prédio, se foi de propósito ou não. Há ainda gente que insiste em entrar no prédio para fazer uma oração e pedir que Deus ponha um fim àquela catástrofe. Outros acham que isso é uma loucura, uma burrice! Muita discussão, muita confusão, um inferno. Correm também boatos de que existem homens de negócios interessados na mudança dos equipamentos. mas acho que isso é um exagero.
Estava esquecendo, existem várias correntes de cidadãos que acham um despropósito a cidade ficar ali cuidando do incêndio. Que todos voltem a fazer o que estavam fazendo, pois senão faltará comida. Todos têm uma opinião e colocam cartazes nos muros xingando quem tem opinião diferente. Enquanto isso muita gente está morrendo...
Eu também tenho minha opinião, mas quem sou eu, quem vai me ouvir no meio de uma confusão dessas...? Estava pensando em orar, mas se fizer isso, vou fazer aqui fora que é mais garantido 
                                                                                     Flávio Cruz

Wednesday, February 24, 2016

A Reunião dos Super-heróis




A Reunião dos Super-heróis

Há muitos super-heróis mas poucos heróis. A diferença, você sabe, é que os “super” têm poderes sobrenaturais e os heróis comuns não. O trabalho desses últimos é muito maís difícil porque eles precisam fazer tudo com as simples e comuns habilidades humanas: eles não voam, não ficam invisíveis, não...você sabe! E o mais importante é que o super-herói pode ser inventado a qualquer hora. Os heróis da vida real, ah, esses são difíceis de se encontrar! Encontrar vários ao mesmo tempo, então, é quase impossível. No entanto, aconteceu! Ali, bem no centro de São Paulo, em 1972. Era o dia 24 de fevereiro, o dia em que o fogo varreu o edifício Andraus.  Antes de continuar, gostaria de explicar um pouco mais sobre heroísmo. Precisa também haver a ocasião. Precisa haver coragem e sacrifício. E principalmente, o herói precisa se preocupar mais com quem está salvando do que consigo mesmo. Mais uma última coisa: precisa arriscar, arriscar muito, sem medo! Por isso é difícil achar um. Todas essas coisas devem vir ao mesmo tempo. Por isso aquele dia foi especial. Foi uma coisa rara, uma coisa que pouquíssimas vezes aconteceu em São Paulo ou em qualquer outro lugar.
Logo depois das quatro da tarde o incêndio irrompeu a partir de um problema elétrico e rapidamente foi tomando conta de todo o prédio. Como o fogo começou dos andares de baixo, muitas pessoas ficaram presas numa espécie de armadilha. A situação tinha tudo para ser a pior tragédia nacional de todos os tempos.

Talvez outros heróis estivessem lá e passaram despercebidos, afinal era o dia dos heróis paulistanos. Os que ficaram conhecidos eram de duas categorias: os bombeiros e os pilotos de helicóptero. Os primeiros, além de tirarem pessoas de dentro, tiveram a criatividade de improvisar uma ponte do prédio vizinho por onde saíram dezenas de pessoas. E aí uma cena de cinema: de repente, o cabo Geraldo Álvaro de Andrade saiu carregando uma criança que ele havia resgatado do interior do prédio. O sorriso que trazia no rosto  era largo e confiante e o fotógrafo do Jornal da Tarde captou o momento singular: uma das mais belas fotos do jornalismo brasileiro.

No topo do edifício, o inferno estava começando a se estabelecer. As pessoas, desesperadas, subiram para lá, numa louca tentativa de se salvar. Era uma situação insustentável. A temperatura da laje era altíssima. O socorro através de helicópteros era altamente improvável. O heliporto estava interditado por causa das antenas. Era impossível pousar lá. Ainda assim começaram a aparecer aparelhos de todos os lados: do governo, de empresas, da iniciativa privada. As vítimas começaram a retirar, com muita dificuldade, as antenas. Finalmente conseguiram clarear um mínimo para a operação começar. Era uma missão impossível. Espaço mínimo, visibilidade quase zero, grau de calor muito além do tolerável. Pelo menos doze pilotos , um a um fazendo manobras perigosíssimas. Alguns retiraram mais de cem, outros algumas dezenas de pessoas. O calor era tanto que na hora de decolar não havia sustentação. Os pilotos tinham de jogar as suas “máquinas” em direção a Praça da República. Depois de cair um pouco, encontravam ar mais fresco e começavam a subir novamente. Todo e cada um dos voos  era praticamente um ato insano, coisa que ninguém faria em uma situação normal. Salvaram mais de 700 pessoas das cerca de 1200 que escaparam com vida.
Tinham todas as características necessárias para um herói que enumerei acima. Só não tinham os superpoderes dos “super”. Sabe aquelas coisas mágicas, sobrenaturais? Um momento, será?  “Jogar” o helicóptero para baixo até conseguir ar fresco para sustentação? Não sei, não... Acho que poderíamos  mudar a classificação: “os super-heróis do edifício Andraus”...

Sobre o assunto: 




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Essa vida da gente

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Wednesday, February 5, 2014

Meu pequeno grande herói

Meu pequeno grande herói



Nesse mundo cheio de tantos vilões, é bom saber que há heróis de verdade. Mais ainda, há heróis que são crianças. Tyler Doohan, de apenas oito anos,  estava passando a noite com seus avós numa “mobile home” em Penfield, Nova Iorque. No mesmo veículo, estavam também outros parentes, alguns adultos e duas crianças, uma de seis e outra de quatro anos.

Eram 4:45 da madrugada quando o garoto acordou por causa de um cobertor que estava em chamas. Percebeu que era um incêndio. Acordou seis das pessoas e as fez sair da casa. Depois voltou, entre chamas e fumaça, para salvar sua avó e seu avô de 57 anos, Lewis Beach, que estava numa cadeira de rodas por ter tido sua perna amputada anteriormente. Seis pessoas se salvaram. Morreram um tio, o avô e o menino, que foi encontrado a pouca distância dele, num evidente esforço de resgatá-lo. Morreu tentando salvá-lo. Não teve medo da fumaça ou do fogo. Se esse garoto não é um herói, eu não sei quem é. Teria se tornado um homem extraordinário, se tivesse sobrevivido. Estamos em falta de heróis assim. Corrigindo, super-heróis assim.