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Saturday, March 11, 2017

Perdão


Cansado das lutas, das disputas de toda uma vida, o pobre homem decidiu que era hora de ficar em paz com o mundo. Pensou em todas as pessoas que lhe fizeram mal. Dos grandes, dos pequenos, dos propositais e daqueles que se fazem por acaso. E, por dentro, a todos perdoou. Varreu a alma de tudo, para ter certeza de que todos receberam o perdão. Perdoou até quem tentou e não conseguiu prejudicá-lo.
Depois pensou naqueles que ele prejudicou e que nunca o perdoaram. Humildemente pediu para ser perdoado também. Um ou outro o fez, a maior parte preferiu continuar se alimentando de rancor. Sem nada que pudesse fazer, perdoou a si mesmo e perdoou-os por não conseguirem perdoar. E ele ficou leve como uma pena de pássaro.

Desistiu de desistir da vida, e começou a pensar em um novo começo. O começo da verdadeira vida.



 À  procura de Lucas


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Saturday, November 5, 2016

Perdoar é preciso

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Perdoar é preciso

A dor era grande, quase insuportável. O arrependimento que o Almeida sentia pelo que tinha feito para a Lucinha era algo tão profundo, que não dava para medir em palavras ou em medidas humanas.  Aquilo estava rasgando seu peito, dilacerando sua alma. Ele percebeu que só havia um jeito de mitigar seu sofrimento: ir até ela e pedir perdão. Isso também não era fácil. Tinha vergonha de se aproximar, tinha medo de que ela nem quisesse que ele chegasse perto.
Ela era uma pessoa doce, suave, entretanto estava terrivelmente machucada. Não olhava para os lados, não queria conversar com ninguém. Seu olhar ficava, a maior parte do tempo, perdido no vazio, como se não valesse mais a pena viver. Nem vou machucar vocês contando o que o Almeida fez, pois foi algo tão vil que nem é bom falar no assunto.
O Almeida precisava tentar. Não poderia ficar para todo o sempre com aquele nó por dentro.  Tentou se aproximar da Lucinha. Foi difícil. Parecia que ela não o via. No começo, ficava à distância, depois foi ficando mais ousado, chegando cada vez mais perto. Ela devia estar mesmo transtornada, passada, sofrida. Parece que ela não enxergava coisa alguma. Às vezes colocava-se praticamente a sua frente e nada. Aparentemente não havia chance de perdão. Ela não conseguia sair do poço do próprio sofrimento, como esperar que ela fosse, além de tudo, se preocupar com o Almeida, com seu remorso?
Almeida não era de desistir, não podia desistir. Um  bom tempo se passou, até que um dia a própria Lucinha entendeu que precisava perdoar. Ela pensou ter ouvido sussurros pedindo perdão. Por ela mesmo, para aliviar sua própria alma, precisava perdoar.  Naquela manhã, um sábado, tomou uma decisão. Pegou o ônibus, viajou meia hora e desceu no ponto do cemitério. Era uma manhã bonita, de sol e de céu azul.
Entrou, passou pelo portão, virou à esquerda  e na terceira fileira dobrou à direita. Andou mais um pouco e finalmente parou junto a um túmulo pequeno, sem flores, um tanto recente. Fez uma oração e no final falou em voz alta, como se estivesse tirando algo de dentro:
- Almeida, eu te perdoo do fundo do meu coração. Descansa em paz!
Colocou até uma pequena flor sobre a sepultura.
Era como se ela tivesse tirado uma montanha de cima dela. Sorriu aliviada, quase feliz, e voltou para casa.
O espírito do Almeida, que estivera aquele tempo todo tentando fazer a Lucinha entender o que ele queria, tentando se comunicar de lá do outro lado, finalmente pôde descansar em paz...


Histórias do Futuro

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Wednesday, April 13, 2016

Amélia, nem tanto amélia....


Amélia, nem tanto amélia....


A  Amélia não tinha nada de amélia. Era entretanto uma mulher e tanto e o Eduardo sabia muito bem disso.  Tinha profunda admiração por ela, viviam muito bem e curtiam um bom casamento há mais de oito anos. Mas...
Quem não conhece a velha história da bíblia? A tentação é... a tentação. A Amélia não era a Eva mas Eduardo era o Adão.
Foi uma coisa rápida, uma vez só, só sexo, nada mais. Eduardo não contou mas Amélia o conhecia tão bem que perguntou.  Ele tinha errado, mas mentir ele não sabia. Confessou. Chorou dizendo que era só sexo, uma vez  só, nunca mais. Amélia jamais pensou que... A mágoa era profunda. Ele pediu perdão uma vez, duas e outras mais. Teve de sair de casa. Algum tempo depois, aos prantos – e não é que Eduardo sabia chorar? – pediu perdão mais uma vez. Ela, também, em soluços, concedeu o perdão.
No outro dia, lá estava ele, rosas na mão. Ela abre a porta e começa o  diálogo, o que você quer, você não disse que me perdoou, sim, eu perdoei, então...
-Então, o quê? Eu perdoei, mas não consigo esquecer... E fechou a porta.




 oOOOOOo


À procura de Lucas


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Saturday, October 31, 2015

Viver é precioso












Viver é precioso

Sorrio, porque sorrir lava minha alma,
rio, porque rir restaura meu espírito,
choro, quando preciso chorar,
perdoo, porque perdoar me faz muito bem,
peço perdão porque preciso dele,
escrevo pois me nutro de  palavras,
amo, pois o amar está dentro de mim
sonho, porque deles preciso para viver,
vivo, porque viver é precioso,
e é o que eu preciso fazer.


 ===(((()))===


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Wednesday, May 4, 2011

Perdão, um milhão de vezes, perdão


Perdão, um milhão de vezes, perdão

Outubro de 2006. No dia 2,  mais uma terrível tragédia Americana está ocorrendo. Charles Carl Roberts entra na escola West Nickel Mines, numa cidadezinha da Pensilvânia, faz reféns e no final acaba matando 5 inocentes garotas, de 6 a 13 anos da comunidade Amish local.Teve a fineza de se matar após este terrível ato, evitando a dor e o constrangimento de um julgamento. Um advogado de defesa iria tentar provar que ele era louco, etc, com se todos nós já não soubéssemos. Sem querer ser cínico, a esta altura, este assassino, mesmo com atestado de loucura, deve estar queimando nos quintos. Matar por si só, apesar da banalidade com que este assunto é tratado hoje em dia, é o oposto extremo de humanidade, de civilização. No entanto, matar uma criança inocente, em uma escola, vai muito além da minha capacidade de descrever,  de atribuir adjetivos. Matar cinco crianças é “infinitamente” cinco vezes pior, se é que isso é possível.  Assolar desta forma uma pacifica comunidade Amish? Para isso nem ouso tentar uma explicação.
A imprensa dos Estados Unidos e do  mundo inteiro falou da tragédia, tentou explicar o inexplicável.
Muitas coisas absolutamente horríveis aconteceram e têm acontecido na história da América. Maldade inimaginável às vezes toma conta de lugares e comunidades de uma forma além do entendimento humano.
O absurdo foi tão grande que o destino resolveu suavizar a tragédia e nos dar uma lição difícil de se esquecer.O que acontece a seguir deixa-nos tão atônitos quanto o próprio crime.
Aqueles pequenos corações mal haviam parado de bater, seu sangue ainda escorria pelas paredes e carteiras da escola, naquele mesmo dia, um dos pais das meninas estava admoestando os jovens para não terem ódio no coração, advertindo que “não devemos pensar com maldade sobre este homem.” Outro pai observa “Ele tinha uma mãe, uma esposa e uma alma e agora ele está diante de um Deus justo.”
Horas depois dos assassinatos um dos vizinhos do assassino “conforta” a família Roberts e extende seu perdão a eles. Membros da comunidade visitam e consolam a viúva, seus pais e sogros. Um amish abraça e conforta o pai de Carl Roberts por mais de uma hora.
Meu Deus, meu Deus, como este povo pode perdoar tanto??? Trinta Amish participam do enterro do assassino e a viúva do mesmo é convidada para o enterro de uma das meninas.
Quando vejo isto e comparo com bombas matando pessoas, assassinatos brutais por todo o mundo, desconfio que há uma balança cósmica tentando equilibrar o bem e o mal.
E agora que me perdoem os padres e os pastores que pregam sobre Jesus e sobre perdão ao longo destes 2000 anos depois de sua vinda. Juntando todos os sermões, todos os atos de perdão, juntando tudo, não conseguiremos explicação nem para um por cento do perdão concedido ali. Em dois mil anos não conseguiria sentir o que é perdão mais do que naquelas poucas horas da Pensilvânia.
E mais: se é verdade que algumas pessoas conseguem sentir a presença de Cristo quando estão em Jerusalém, com certeza sentiram sua falta lá durante algumas horas naquele dia, 2 de Outubro. Ele estava muito ocupado, perdoando, na Pensilvânia.


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