Friday, October 10, 2014

Rosie e seus quatro maridos











Rosie e seus quatro maridos

Lá vou eu com minha van para mais uma corrida. Desta vez bem no interior, para ser mais específico, bem no meio do mato. Depois de muito dirigir, chego finalmente ao local. Duas ou três casas, ou melhor, trailers, espalhados num grande lote com cerca de madeira.  Vou me aproximando da casa e vejo, por baixo dela (era erguida por umas pilastras de madeira a meio metro de altura), um cão vira-lata quase sem pele, um porquinho e umas galinhas. Era quase inimaginável aquela cena a apenas algumas dezenas de milhas de uma cidade espetacular, cheia de sonhos, como Orlando.
Antes que pudesse divagar muito pela minha tese sobre a antítese urbana da Florida Central, Rosie pula lépida para dentro do veículo. Cheguei a esboçar um "good morning" mas não houve tempo. Rosie começou a reclamar do marido. Não trabalhava nem fora, nem em casa, e ainda pedia dinheiro para cigarros. A Rosie era loira, baixa, gordinha, bem simpática, bem arrumada mas maltratada pela vida, pele irregular, e os cabelos, apesar de penteados, tinham algo de estranho. Havia se maquiado sim, e nos lábios exibia um vermelho mais vivo do que o do Kremlin. Mas, voltando ao marido, não conseguia entender como se envolvera com um traste daqueles. Gozado como as pessoas se comportam desta forma com um estranho como eu. Talvez sintam que a van seja uma espécie de divã e o motorista uma espécie de psicólogo. Enfim, ela não poupou “elogios” ao atual marido, porque, como estava me explicando, esse era o quarto. Sem perguntar se eu queria ouvir a história, começou a falar do primeiro. Era muito trabalhador. Fazia horas extras, não bebia, não fumava, ia direto da casa para o trabalho e vice-versa. Até que ela se encheu pois ele não tinha tempo para ela, que ficava sozinha em casa o tempo inteiro, e o mandou embora. Nem uma semana se passou para perceber a idiotice que tinha feito: agora não tinha marido, nem renda, nem nada. Não teve dúvidas. Foi atrás dele e pediu para ele voltar. Qual o quê! Marido assim, dando sopa, não fica à toa nem um dia sequer. Lá já está ele instalado com outra mulher. Rosie insistiu ainda algumas outras vezes, mas aquele tinha ido para sempre. Gone forever. O segundo veio com um filho de 5 anos e era sem graça. Trabalhava sim, mas não era fanático. Não precisou nem mandar embora. Depois de um tempo ele sumiu para nunca mais voltar. O detalhe é que deixou o filho com Rosie sem perguntar se ela queria ou não. Ficou pensando que talvez ele não tenha gostado do fato de ela classificá-lo como “redneck”. Ele havia enumerado uma série de características de redneck que ele não tinha. A verdade, disse Rosie, que embora ele tivesse razão em parte, alguns aspectos básicos ele tinha sim. Chegou à conclusão que ele era um “borderline redneck”, ou seja, estava no limte entreser e não ser. Rosie não conseguia ficar muito tempo sem marido, por isso tratou de arrumar o terceiro. Não era muito trabalhador mas sempre arrumava algum dinheiro para casa e além disso gostava do menino que não era nem dele, nem dela. Antes de casar ele havia prometido abandonar aquele hábito feio de mascar fumo. Os dentes dele eram marrons e isso era muito nojento. Ele largou sim o hábito para se casarem. Dois dias de lua de mel se passaram e não é que o danado volta com aquela mania horrível de  mascar. Que traição! O casamento não durou muito também. Não sei se o fumo teve alguma influência ou não. E lá estava Rosie com o quarto. Ela explicou de novo que ele não trabalhava nem em casa, nem fora. Nem plantava no jardim, não sabia matar porco nem galinha. Que traste. No entanto, tratava bem o menino. Ah, o  menino! Estava esquecendo de explicar. O menino não era dela, nem do primeiro marido, nem do terceiro e nem do quarto. Era do segundo. Não, também não era. O segundo marido trouxe o menino de um casamento em que a mulher o abandonara com um filho que não era dele. Rosie não sabia explicar se a ex-mulher do segundo marido era a mãe do menino. Talvez ela tenha recebido o menino, também, de outro casamento...Mas que diabos, que importância tem isso?
P.S. A história é verdadeira e a Rosie também. Eu só diminui um pouco as coisas em relação à  realidade para você não achar que estou exagerando...

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Wednesday, October 8, 2014

Eleições: votar ou voltar?



Eleições: votar ou voltar?

No Brasil, o voto é obrigatório, muitos votam só por causa disso. Vota quem sabe e quem não sabe votar. Nos Estados Unidos, o voto é opcional. Dizem que é um privilégio, não uma obrigação. Vota quem quer votar. O problema é que muitos desses querem votar em quem eles têm interesse pessoal. Além disso, a eleição é no meio da semana, num dia útil. Nem todos têm esse “privilégio”.  Há votos bons e ruins.
O que se há de se fazer? De qualquer jeito, o problema está no eleitor. Esse, porém, foi educado de uma forma ou de outra, ou nem educado foi. O problema é, então, a educação. A Educação é administrada por quem recebeu os votos.
O que fazer, então?

Talvez ao invés de votar, possamos “voltar”... Voltar aos primórdios da civilização e começar tudo de novo. 



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Essa vida da gente

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Sunday, October 5, 2014

Baby Doc: alguém que nunca deveria ter nascido



Baby Doc: alguém que nunca deveria ter nascido

Normalmente quando uma pessoa morre, há quem sente e chora. Não, nesse caso. No dia 4 de outubro morreu um homem chamado Jean-Claude Duvalier. Chamar esse indivíduo de homem é certamente uma afronta, uma vez que nem animal ele chega a ser. Foi ditador do Haiti de 71 a 86, sucedendo a outro mostro, seu pai François Duvalier, também conhecido como Papa Doc. Cometeu todo tipo de atrocidades que alguém pode imaginar, fazendo sofrer ainda mais um povo já sofrido. Viveu uma vida nababesca num país envolvido numa miséria sem par. Ganhou milhões com as drogas, além de ser torturador, violador de direitos humanos e um dos maiores corruptos que já viveram na face da terra.
Baby Doc, como também era conhecido, foi um erro cruel do destino. Não devia ter nascido, nunca. Os céus devem estar respirando aliviados. Isso não muda, entretanto, a vida de suas vítimas e familiares. Definitivamente, um erro do destino. O mundo está um pouco mais leve, agora.




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Estranhas Histórias
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Saturday, October 4, 2014

A reconstrução do mundo em três dias

A reconstrução do mundo em três dias

Era uma garota dramática. Cada pequena coisa era o fim do mundo. A última tragédia, recém-acontecida, foi o rompimento com o namorado. Nem era coisa séria. Como se dizia antigamente, um namorico. Por falar nisso, no meio de todas essas gírias novas, posso falar que ela “desficou”? Não importa como dizê-lo. Para ela o “mundo tinha desmoronado”. Parecia até uma daquelas canções antigas. O primeiro dia, após, foi o mais triste. O segundo já não foi triste como o primeiro. O terceiro, pode se dizer que foi praticamente alegre. Não disse que ela era exagerada? Uma amiga dela, lembrou-a da frase pomposa em que ela falava do desmoronamento. E agora? O que ela vai dizer? Está toda lampeira por aí, pensou a amiga.

Pois bem, ela explicou simplesmente, que o novo namorado, o Rafa – isso mesmo, já tinha arrumado outro -  tinha reconstruído o seu mundo. Grande cara esse: reconstruiu o mundo em três dias. E olha que tem alguém que demorou sete dias para construí-lo. É verdade que era bem mais detalhado que o mundinho do Rafa e da namorada. Isso é que podemos chamar de uma garota “hiperbólica”...


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Friday, October 3, 2014

Um dia, Um gato



Um Dia, Um Gato

Em 63, no Festival de Cannes, foi premiado um filme genial chamado “Um Dia, Um Gato” (Az prijde kocour), que foi feito na antiga Tchecoslováquia. Quem ama cinema e é dessa época, certamente já assistiu. É uma linda alegoria poética, onde o personagem principal é um gato que usa óculos. Aparentemente ele os usa para se proteger contra o que vê a sua  volta, uma vez que, quando ele os tira, as pessoas mudam de cor. Mas não é nada aleatório. Homens e mulheres ficam coloridos de acordo com seu caráter. Os ladrões ficam cinzas, os mentirosos ficam roxos, os falsos mudam para amarelo e os apaixonados ficam vermelhos. O filme todo é de uma suavidade poética vista raras vezes no cinema. Certamente foi feito com uma fração do que é normalmente gasto em grandes produções, mesmo para aquela época. Uma obra que, se vista hoje, não perde um milésimo da força artística que tem.

Fico imaginando esse gato na vida real nesse mundo de hoje e, principalmente, no Brasil. Se lhe tirassem os óculos de repente, teríamos um mundo extremamente colorido. Infelizmente, os tons mais comuns seriam o cinza, o roxo e o amarelo...


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Uma Nêga Chamada Tereza (Jorge Ben Jor – 1969)











Uma Nêga Chamada Tereza (Jorge Ben Jor – 1969)

Em fevereiro
Tem carnaval
Eu tenho um fusca e um violão
Sou Flamengo, tenho uma nêga
Chamada Tereza
Ah!Ah!
Composição: Jorhe Ben Jor (1969)


Conheço a nega chamada Tereza do Simonal e conheço a Madre Teresa. Não pessoalmente, é claro, mas já ouvi falar delas muitas vezes. A única coisa que elas têm em comum é que ambas se chamam Teresa. Fora isso é só diferença, a começar que uma é de verdade, a outra é ficção. Daí para frente é diferença que não acaba mais. Pois bem, meus amigos, outro dia ouvi falar de mais duas Teresas. Além de ter o mesmo nome, as duas são de Atlanta. Ah, estava me esquecendo, elas têm mais uma coisa em comum, são da raça negra.  Você vai me dizer que ainda é pouca coisa em comum. E você está certo, porque em tudo mais elas são diferentes, incluindo coisas super básicas, como idade, sobrenome, altura, etc. O que eu estou querendo dizer é que não há como confundi-las. Pois bem, a polícia de Atlanta não pensa o mesmo. A primeira Teresa, que não é a do Simonal  (com “Z”) e muito menos a de Calcutá, mas que tem o sobrenome de Culpepper, teve sua caminhonete roubada. Chamou a polícia, o que é óbvio, para registrar a ocorrência. A dita cuja (polícia, que é dita, mas não Teresa)  vem e prende a Teresa que é Culpepper. Embora o sobrenome lembre “culpa” se você forçar a imaginação, a Teresa – the First – não tinha culpa nenhuma no cartório. Talvez alguém tenha pensado, Culpepper igual a “culpa, se quer” o que sugeriria que a dita Teresa, primeira, seria culpada. Mas mesmo  um medíocre advogado de defesa, poderia argumentar que culpa em inglês não é culpa, mesmo quando você culpar quer (desculpem-me, não resisti ao trocadilho). Assim sendo, eu diria no tribunal que culpa é “guilt”, e não é minha culpa que , em Inglês, nem mesmo em Atlanta, “guilt” nem de longe se parece com Culpepper ou culpa. Mesmo que fosse, isso só provaria que ela é Culpepper, a não culpada e não a outra. Pois bem, não houve conversa, a Teresa, nem a culpada, nem a do Simonal, nem a de Calcutá, a pobre Teresa, a da caminhote furtada, foi presa. Sem lenço, embora tivesse documento, mas  principalmente sem grana e sem fama, ficou 53 dias na cadeia. Outra consequência grave de se estar sem grana, além de ser preso facilmente, é não ter a mesma - grana -  para um advogado  ou para a fiança. Quase dois meses depois, quando um advogado público, que por ser de graça não é tão rápido como os demais, embora continue público, descobriu através da vítima da outra Teresa (obviamente não a de Calcutá, etc, etc) que a Teresa da caminhonete roubada não era a culpada. Pois bem, já fomos para a lua, sabemos fazer mapa genético  e muitas outras coisas, mas, francamente, diferenciar duas Teresas, na mesma cidade, você está querendo demais, certo?  A favor dos policiais, tenho de admitir que eles tinham um mandado de prisão. É claro que, contra os policiais, tenho de admitir que no mandado havia o sobrenome correto da verdadeira culpada e que este sobrenome não era Culpepper. Estou dizendo, esse pessoal fica falando mal do Brasil... Eu garanto que isso não aconteceria em nossa querida terra. Para começar, os policiais jamais teriam ido até a casa da Teresa, nem da primeira, nem da segunda, quanto mais para Calcutá . Voltando para Atlanta, eu mencionei que as duas Teresas tinham a mesma cor? Será que é por isso que os policiais...?

Links:
Teresa Culpepper
a Tereza do Simonal

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Wednesday, October 1, 2014

Marcha para Brasília


Marcha para Brasília


Decidiu que iria para Brasília. Iria se instalar na Capital Federal para resolver todos os problemas do país. Diminuiria os impostos e a corrupção. Acabar com os dois de vez, qualquer um sabe, é impossível. Promoveria a cultura e a educação. O bom senso também. Estabeleceria a dignidade das pessoas, das classes, das minorias. Projetaria o Brasil no mundo como uma nação civilizada. Ganharia a próxima Copa do Mundo. Com certeza e sem vexames. Colocaria um limite razoável para os salários exagerados de alguns servidores públicos. E muita, muita coisa mais... Nossa terra iria ser a terra dos sonhos, o ideal dos ideais. Não seria uma boa ideia?
Arrumou tudo. Falou com o patrão. Queria uma licença ou férias antecipadas, pois tinha acabado de usar tudo que ainda restava. Precisava de um bom adiantamento, iria ter umas despesas de viagem. Seu patrão era um bom homem, justo, sempre reclamava do governo, dos impostos. Para sua surpresa, entretanto, ele disse não. E mais, devia estar feliz de ainda ter um emprego.
Foi assim que ele desistiu da viagem e de seus objetivos. Continua lá, trabalhando como um louco. Como todos, um dia vai lutar pela pátria amada. Por enquanto, o país vai precisar esperar. Quem sabe, no futuro...


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