Tuesday, November 11, 2014

Vida depois da morte



Vida depois da morte

Meu amigo Faustino estava sempre de bem com a vida. Tanto assim que nem se preocupava com o pós-morte. Sempre dizia que havia só duas possibilidades. Que a vida continuava e, portanto, havia um Deus. E Deus, dizia ele, por definição, só podia ser bom. Com aqueles pecadinhos mixurucas que cometia, nem tinha como ser castigado. Desse lado, estava coberto. Se nada existisse depois, sendo a morte o fim de tudo, também estava coberto, pois não havia o que cobrir. Não ia ver nada, sentir nada, nada sofrer. Era o descanso absoluto de tudo. Ponderei que havia uma outra possibilidade. Deus existir, mas para nós a morte seria o fim de tudo. Por que não? Ele ria e dizia que dava na mesma. Não sofreria mais. Estava tudo bem.
Um dia me disse que poderia ficar tranquilo. Se ele morresse antes e existisse vida depois da morte, ele daria um jeito de me avisar. Daria um sinal, faria qualquer coisa. E não é que um dia ele morreu? Foi antes de mim, o safado.

Pois bem, até hoje não me mandou sinal nenhum. Mas isso não quer dizer nada. Ele pode ter ficado tão entretido com as novidades, que se esqueceu. Pode ser também que ele tenha mandado um aviso e eu não tenha percebido. Eu ando tão distraído ultimamente...

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Essa vida da gente

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Tuesday, November 4, 2014

Americanos, do Sul e do Norte




Americanos, do Sul e do Norte

Há mais de 500 anos atrás, portugueses e espanhóis atravessaram os mares atrás de riquezas e aventuras. Queriam mercadorias, produtos, e glória para seus monarcas e seus reinados. Chegaram, desbravaram, exploraram.  Usavam tudo que podiam, inclusive seus habitantes. Ficaram também com a terra, mas não como sua nova pátria, apenas como mais uma possessão. Só mais tarde elas se libertariam. Nossas terras eram um lugar onde tudo se podia, desde que voltassem riquezas para os reis, na Europa. Não eram famílias seus habitantes, eram homens aventureiros e exploradores.
Os Ingleses começaram a vir para a parte Norte. Eles vieram, porém, para ficar, não para explorar. Lá estabeleceram sua nova morada, com suas famílias. Não queriam o caos para seus filhos e filhas e esposas. Firmaram regras de convívio, normas que todos se comprometiam a cumprir. Cresceram de forma organizada e coesa. Mais tarde foram comprando ou assimilando terras que pertenciam a outros Europeus; Flórida, Luisiana, Texas, etc.  Tornaram-se os Estados Unidos da América.
Nós, através de lutas, guerras e jogos de interessantes, nos tornamos as inúmeras nações da América do Sul.
Somos o que somos, os povos do Sul. Temos nossos próprios demônios, criados pelo caos, pelo interesse, pela luta da sobrevivência. No norte, eles tem uma forma mais organizada de viver, de interagir. Têm, também seus demônios, demônios da civilização, da vontade pelo poder.

Nós todos, americanos do Sul e do Norte, caminhamos agora para o novo milênio. É uma época em que há cada vez menos espaço para o caos e cada vez mais espaço para o poder. Infelizmente, para nós.

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Paralelo 38 e outras histórias
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Sunday, November 2, 2014

Um pedaço do céu, um ateu e a Dona Zulmira



Um pedaço do céu, um ateu e a Dona Zulmira

Quem colocaria numa cidade o nome de “Pedaço do Céu”? Pois bem, entre tantos nomes estranhos, pelo menos esse era auspicioso. Diria, até, apropriado.  Por ser pequena, muito pequena, talvez devesse ser “pedacinho”, mas aí entrou um pouquinho de vaidade e o diminutivo ficou de lado.  Não sei se por causa do destino, ou de fatores sociológicos, ou até mesmo antropológicos, o fato é que o nome tinha tudo a ver. Não havia em toda a cidade, uma só pessoa que não frequentasse a igreja. Além do Centro Espírita, que certamente deve ser contado, havia pelo menos mais quatro igrejas com sede e tudo mais. O Centro ainda não tinha um templo, tudo era feito na casa do “seu” Joseval. O homem tinha mesmo aquele olhar distante e calmo, de quem sabe o que há no porvir. De quem conhece o outro lado da existência.
 Embora não houvesse grandes contendas metafísicas, vez ou outra, uma contenda filosófica ou teológica, aumentava um pouco a tensão. Fora isso, era uma harmonia só. Até o horário oficial dos cultos, da missa e da sessão espírita, era sincronizado. Ninguém, acho, queria ser pego de surpresa  por um concorrente de fé.
Foi por isso que, quando o professor Carlos chegou, a população ficou meio desconfiada. Aquele homem calmo, cheio de paz, e certamente  muita sabedoria, seria uma aquisição e tanto para qualquer rebanho. Para frustração de todos, logo ficou-se sabendo – o que não se sabe em um lugar tão pequeno? – que o professor não tinha religião nenhuma. Era ateu.  O vigário – não se sabe por quê – achou melhor chamá-lo de agnóstico. Não deu muitas explicações para o palavreado estranho. Espero que eu não seja excomungado por isso dizer, mas acho que ele estava com segundas intenções. Aquela palavra parecia mais pesada e certamente os seus fiéis ficariam com mais medo.
O fato é que o homem era muito inteligente e culto.  Certamente ninguém queria entrar em um debate com ele, embora sua simplicidade e modéstia fossem  óbvias. Passado algum tempo, as pessoas foram se acostumando com o fato de que um “agnóstico” não é um bicho-papão. Quase todos. A Dona Zulmira e suas comadres, que ficaram muito impressionadas com a inusitada alcunha, resolveram continuar sua campanha. Aquela era uma pessoa perigosa, ainda mais ensinando nossas crianças. O que se pode esperar de alguém que não acredita em Deus? Pior mesmo foi quando ela começou a falar que o demônio tem muitos truques. Às vezes veste uma máscara de bondade, de fraternidade, de paz e até de sabedoria. E aí é que estava o perigo. A maior parte das pessoas não levava isso a sério, mas, lá no fundo, muitos, inclusive seus alunos, passaram a olhar para o rosto do professor de um jeito diferente. Começaram a ver, escondido atrás daquela face sadia e honesta, o rosto do tinhoso. É uma coisa do inconsciente. Claro, ninguém tinha certeza. Alguns, porém, até tinham medo.  Essas coisas são assim, pessoas fanáticas podem destruir o mundo.
O professor Carlos, com muito jeito e paciência, foi levando sua vida. Era até bom não ter muita interação com algumas pessoas. Podia ter seu “retiro”, podia observar a natureza. Ele gostava muito disso. Dava passeios longos, às vezes a pé, às vezes de bicicleta. O lugar para o qual ele mais gostava de ir, era, ironicamente, o “Monte do Santo”. Uma pequena elevação, de onde se podia ver a pequena cidade, o “pedaço de céu” , se espalhando pela paisagem. Ao redor, três estradas que ligavam aquela pequena população com o resto do mundo. O pôr de sol e o amanhecer eram, desculpem o jogo de palavras, divinos, vistos dali.
Era um domingo ao anoitecer. O professor tinha acabado de subir o pequeno monte, que, aliás, era praticamente na beira da cidade. Admirava o final do dia. O sol ainda podia ser visto lá do outro lado, mas sombras já se espalhavam pelas casas, pelos pequenos prédios. A cidade não era muito iluminada e, por isso, cinco lugares se destacavam por ter um pouco mais de luz. Havia a luz da igreja católica, a luz de uma igreja protestante tradicional, a luz de duas igrejas avivadas e, finalmente, a luz do Centro Espírita. Se Carlos resolvesse se converter, não seria pela força da luz que vinha das congregações. Ali, do alto do morro, todas pareciam fracas e iguais. Era, no entanto, uma paisagem bonita. Ele estava satisfeito. De repente, porém, viu uma luz nova, diferente, que, depois de começar pequena, começou a aumentar. Se ele tivesse um só pouquinho de fé, poderia ver aí um milagre, um sinal divino. Mais uma nova religião, dessa vez, a certa. Mas aquele seu pensamento científico não deixava margem para imaginação. Em poucos minutos tirou uma conclusão lógica. Um incêndio estava começando. Ele sabia que ninguém viria socorrer, ajudar. Estavam todos bem no meio das orações, dos pedidos. Sabia que estava sozinho na empreitada. Pegou a bicicleta, desceu como um raio pela ladeira, aproveitou o impulso e “voou” pela rua deserta. Era uma casa de esquina, e, pasmem vocês, era a casa da Dona Zulmira. O mestre sabia que ele não conseguiria combater o incêndio, pois não havia mangueiras, nem água suficiente, nem nada. Raciocinou, porém, que, embora fosse improvável, poderia haver alguém lá dentro. Deu um pontapé na porta e entrou correndo, gritando. Foi aí que ouviu o choro de um garoto. Era o  Mindinho, neto da Dona Zulmira, de oito anos. Não tinha se sentido bem, a avó o havia deixado em casa, na cama. Carlos pegou o menino nos braços e correu para fora. Foi até o vizinho, abriu a torneira do jardim e umedeceu o corpo do garoto, Ele estava com algumas pequenas queimaduras, mas estava salvo. Ficou com o garoto no colo, olhando para o fogo que punha um vermelho sinistro nas faces dos dois. Dali a pouco escutou carros buzinando. Vários. Começaram a estacionar. Várias pessoas correram em direção à casa. Mas daí todos paravam, duas paredes já tinham caído e o telhado pendia quase até chão na direção delas. Era uma  fogueira só. Foi aí que ele ouviu os gritos desesperados da Dona Zulmira. Ela havia acabado de chegar e estava enlouquecida, gritando com todos os pulmões:
Meu netinho, meu netinho! Alguém socorre meu Mindinho!
Alguém veio junto a ela e segurou-a pelo braço. Era óbvio, nada podia ser feito.
Enquanto isso, o professor ateu foi andando apressadamente, no meio das pessoas, em direção a ela. Bateu em seu ombro, dizendo:
 -Dona Zulmira, seu neto está aqui. Ele está bem, só tem umas queimadurinhas.

O alívio que aquela mulher sentiu não está em lugar nenhum da Bíblia e em nenhum outro livro qualquer. Com o neto em seus braços, olhou então para o rosto vermelho – pelo reflexo do fogo – do professor. Em circunstâncias normais, seria um sinistro rosto do diabo, ardendo com o fogo do inferno. Mas o que ela viu, foi outra coisa. Um anjo, bonito, cheio de luz, uma luz branca que alumiava toda a cidade. Foi o único anjo de verdade que ela viu em toda a sua vida. E daí ela entendeu porque o professor não tinha religião. Ele não precisava, ele tinha vindo direto do céu. Tinha vindo para salvar o seu netinho.

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Estranhas Histórias
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Wednesday, October 29, 2014

O Professor de Geografia












O Professor de Geografia 

Renato Stempniewski e Eli Piccolo. Se você conhece estes dois, então, meu amigo, você não é mais tão jovem assim. Sem ofensa. Quando eu estava no antigo “ginasial” eles eram praticamente os únicos autores de livros didáticos de geografia. A capa não mudava e tampouco o conteúdo. Ano após ano. Lá estava tudo. Montanhas mais altas: Monte Everest, 8858 metros, K2, 8611 metros e assim ia. Rios mais extensos do mundo: Nilo, 6650 quilômetros, Amazonas,  6400 quilômetros, Mississippi, etc... Descrições extensas e técnicas de sistemas tropicais, subtropicais, a caatinga e o cerrado, bacias hidrográficas e muito mais. População, densidade demográfica, área geográfica, divisão política, tudo, tudinho. Estava tudo escrito e registrado pelo Renato e pelo Eli. O nosso professor, de um daqueles países eslavos, um sobrenome difícil de pronunciar – o nome era impossível – simplesmente lia o livro para nós. Sua aula era ler, contínua e ininterruptamente todos os dados, metragens, quilometragens. Era implacável. Era lento, mas não parava. Tinha um sorriso infantil e ingênuo no rosto redondo. Os cabelos haviam desistido de crescer há muito tempo. Daí tínhamos de decorar tudo, item por item, para poder passar na prova. Naquela geografia não havia porquês, nem causas, nem consequências, nem mesmo interação com o ser humano, só números, puros, incontestes, absolutos. Não me lembro de mais nada. O pouco que sei, aprendi depois de adulto, aqui e ali, consultando.

Não quero difamar o pobre do professor. Acho que ele nem era professor formado. Ele fazia o que fazia, achava que era certo. Além do mais, não devemos falar mal de quem não está mais presente. Certamente ele já faleceu e, sendo um bom homem, além de padre, está no paraíso. Entretanto, tenho certeza de que lá não está lendo os números do Stempniewski e do Picollo. Lá de cima, ele tem outra visão. Pode ver a graça ao mesmo tempo suave e estupenda da neve que cobre as montanhas, e que têm um tom sutil de azul, quase imperceptível. Pode ver que os rios, de qualquer tamanho, serpenteiam sempre graciosos entre as montanhas e os vales. À s vezes se lançam em quedas loucas, em cascatas e cataratas, só para fazer graça. Que o mar, independentemente da profundidade, na verdade tem tons mil. Que a luz do sol, de dia, reflete em suas águas e cria milhões de pontos luminosos, que mais parecem  diamantes. Que, à noite, os raios de luz  da lua, refletidos nas ondas, parecem pedras preciosas num fundo de veludo. Que a profundidade dos oceanos enumerada nos livros do escritor era irrelevante perto da riqueza escondida lá no fundo. Que a areia dos desertos, iluminada, de cima parece uma grande placa de ouro. Que, lá do alto, as divisas geográficas não podem ser vistas. É um mundão só, contínuo, belo, multifacetado, colorido... Que os homens, bons ou maus, não podem ser vistos lá de cima. A maldade não parece existir, quando você olha de lá.
Não faz mal, professor, nem ligue para meus comentários sobre suas aulas. Desculpe a interrupção, descanse em paz, e aproveite ao máximo essa geografia abstrata aí do céu: sem números, sem estatísticas, sem comprimento, sem altura, sem densidade demográfica, nem coordenadas nem paralelos...Só uma bola azul pairando no infinito...


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Tuesday, October 28, 2014

Sinceridade



Sinceridade

Ele estava bem de vida e ela estava feliz com ele. Não eram casados, mas viviam bem. Ela gastava um pouco mais do que devia. Ele falou algo a respeito, ela não gostou e tudo continuou do mesmo jeito. Depois, ela começou a exagerar. Comprando futilidades e inutilidades, gastando sem moderação.
Era hora de agir, ele sabia quando algo estava ficando perigoso. Explicou que, daquele jeito, não dava. Era melhor ela arrumar as malas. Terminou o sermão dizendo que ele a amava, mas, naquele momento, amava mais o dinheiro que havia juntado do que a ela mesmo. Foi direto ao ponto.
Ela não gostou, mas sabia que era o fim. Preparou as malas, com tudo que havia comprado. Na hora de sair, porém, advertiu. Ela também. Amava muito mais o dinheiro dele que a ele mesmo. Fez um sinal de desprezo e saiu.

Nada como a sinceridade, mesmo que machuque. 


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Monday, October 27, 2014

Moça moderna


Moça moderna


Moça moderna, gosta de festa.  Quase toda noite é uma loucura. Comemorando o que tem de ser comemorado. Depois de beber, precisa dormir. Dormir com quem? Não importa, a noite não é mais criança, mas é cheia de promessas e de “Don Juans”. E assim vai passando a vida de cama em cama, de bebida em bebida. E o dia vem e mais uma noite se aproxima e ela vai se divertir.

Um dia, ela sente algo diferente. De repente, percebe que se apaixonou.  O problema, porém, é que ela não se lembra por quem...


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Sunday, October 26, 2014

In Medio Virtus

"viver é muito perigoso"    "Mas é preciso viver, e viver não é brincadeira não..."
In Medio Virtus

Diretamente do latim “In medio virtus”ou “in medio stat virtus” significa  literalmente, que “a virtude, ou a verdade, está no meio”.  Isto pode parecer conversa mole ou conversa de bêbado, mas, na verdade pode ser a solução para todos os problemas do mundo. Parece simples e fácil, mas é, com certeza, a coisa mais difícil do universo. Foi, tem sido e será. Vamos começar com uma das maiores catástrofes da história: a  Segunda Guerra Mundial. Sejam quais forem os problemas da Alemanha antes da guerra, fazer o que Hitler fez, com certeza não está no centro. É  com certeza radical, acho que de direita. O resultado todos sabem. Alguns anos mais tarde, radicalismo de esquerda: o comunismo tirando a liberdade das pessoas, inclusive de religião e de expressão. Todos sabem os resultados. Em escala menor, outro movimento radical de direita, o Macartismo nos EUA, quantas injustiças fez. E por aí vamos, grupos de esquerda, radicais, matando, soltando bombas, aterrorizando.  De direita, a mesma coisa, talvez com estilos diferentes.  Você quer solucionar um problema, acho que é melhor acabar com tudo... Errado. Vários pequenos problemas, não adianta fazer nada, vamos deixar tudo como está...Errado. Meu Deus, como é difícil ficar no centro, não ser radical. Os romanos, grande civilização, sabiam das coisas e por isso tinham este grande ensinamento.Acho que começaram a cair quando abandonaram este princípio básico.  Pode pensar em qualquer aspecto da vida e esta verdade se aplica. Vamos com calma, vamos analisar os dois lados, balancear...Claro, depois de analisar, pensar e tomar uma decisão, alguém pode vir e falar, com autoridade: Você é um frouxo, não sabe tomar decisões, fica no muro, no MEIO...Não tem jeito. Como diz Guimarães Rosa em seu livro “Grande Sertão: Veredas”, “viver é muito perigoso...”...ou como canta Paulinho da Viola em “Pecado Capital”:  “Mas é preciso viver, e viver não é brincadeira não”...
Definitivamente é algo para se pensar...




Veja e ouça: Paulinho da Viola








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À procura deLucas

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À procura de Lucas  (Flávio Cruz)
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