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Tuesday, November 4, 2014

Americanos, do Sul e do Norte




Americanos, do Sul e do Norte

Há mais de 500 anos atrás, portugueses e espanhóis atravessaram os mares atrás de riquezas e aventuras. Queriam mercadorias, produtos, e glória para seus monarcas e seus reinados. Chegaram, desbravaram, exploraram.  Usavam tudo que podiam, inclusive seus habitantes. Ficaram também com a terra, mas não como sua nova pátria, apenas como mais uma possessão. Só mais tarde elas se libertariam. Nossas terras eram um lugar onde tudo se podia, desde que voltassem riquezas para os reis, na Europa. Não eram famílias seus habitantes, eram homens aventureiros e exploradores.
Os Ingleses começaram a vir para a parte Norte. Eles vieram, porém, para ficar, não para explorar. Lá estabeleceram sua nova morada, com suas famílias. Não queriam o caos para seus filhos e filhas e esposas. Firmaram regras de convívio, normas que todos se comprometiam a cumprir. Cresceram de forma organizada e coesa. Mais tarde foram comprando ou assimilando terras que pertenciam a outros Europeus; Flórida, Luisiana, Texas, etc.  Tornaram-se os Estados Unidos da América.
Nós, através de lutas, guerras e jogos de interessantes, nos tornamos as inúmeras nações da América do Sul.
Somos o que somos, os povos do Sul. Temos nossos próprios demônios, criados pelo caos, pelo interesse, pela luta da sobrevivência. No norte, eles tem uma forma mais organizada de viver, de interagir. Têm, também seus demônios, demônios da civilização, da vontade pelo poder.

Nós todos, americanos do Sul e do Norte, caminhamos agora para o novo milênio. É uma época em que há cada vez menos espaço para o caos e cada vez mais espaço para o poder. Infelizmente, para nós.

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Paralelo 38 e outras histórias
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Wednesday, January 16, 2013

O Destino de Andreas


O Destino de Andreas

Andreas já estava caminhando há um bom tempo. Ele havia perdido a noção das horas, mas com certeza elas passavam de três. O céu estava coberto de um azul quase impossível e o calor era acima do que uma pessoa normal pudesse aguentar.  A temperatura, ele podia sentir  mas a dor nas pernas por causa da caminhada, ele quase não sentia mais. O ar estava absolutamente, estupidamente, parado. A estrada se estendia reta numa linha que se perdia de vista. Até uma pequena altura podia se ver uma névoa seca que obstruia um pouco a visão. Ainda assim ele conseguia ver, minúscula, uma casa solitária na paisagem. Certamente a estrada dava lá, mas era impossível calcular a distância. O resto, um pouco acima do chão, era um vazio imenso tendo como fundo o anil do firmamento.
Andreas notou algo. Estranhamente, a casa que ele via na distância, estava agora ainda mais longe. Devia ser uma ilusão, pois muito  tempo se passara desde que ele notara a mesma muito mais próxima, com muita clareza. Talvez sua vista estivesse piorando, talvez a névoa estivesse mais espessa. A dor miraculosamente havia passado, apesar de seus passos agora estarem mais ligeiros. O suor do rosto também não estava mais lá, só uma quentura  estranha, seca, ainda resistia.
Andreas sabia, por alguma razão, que era importante chegar até a casa. Talvez fosse a sua casa. Talvez houvesse algum outro motivo. Ele não se lembrava, entretanto, nem de seu nome, nem do que fazia e muito menos de como chegara até ali. Isso não o incomodava. A única peocupação que tinha era chegar lá. Agora seria mais fácil. Não sentia nenhuma dor nas pernas, não sentia frio nem calor, nada doía.

Andreas tinha andado muito. A casa, às vezes, ficava próxima, às vezes desaparecia. Agora ele estava quase correndo. Estava com pressa mas não tinha angústia ou dor. A névoa, porém, estava cada vez mais espessa e o ar parecia ainda mais pesado. Sua preocupação era passar pela casa sem vê-la. Era sua única preocupação. Aquela névoa densa, era impossível ver qualquer coisa. Andreas mal via o chão, estava tudo branco. Mas estava bem, ele se sentia muito bem.

No dia seguinte, em San Antonio, Texas, os jornais noticiavam o desaparecimento de um avião pilotado pelo próprio dono, um cirurgião local, muito conhecido. O piloto sequer pedira por socorro, desaparecera do radar de repente, sem aviso. Quase 48 horas depois o aparelho foi encontrado completamente destruído no deserto de Chihuahuan. Entre as peças retorcidas encontraram o corpo do piloto. Segundo o médico legista, ele provavelmente viveu cerca de 10 ou 12 horas em estado de semi-consciência ali, preso, sem socorro. Havia sinais de que tentara sair. Mas estava fraco e os destroços o impediram.
Segundo um dos grandes jornais da capital, terminava ali, precoce e tragicamente a carreira de um grande cirurgião, o doutor Andreas Petrakis.

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Estranhas Histórias
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Wednesday, December 14, 2011

O Cachorro do Sr. Pikett

Mr. Pikett feliz com a "perfomance" de seus cães
O Cachorro do Sr. Pikett

O Sr. Pikett tem alguns cachorros, mas não são animais comuns não, são muito especiais. Depois de cheirar as roupas ou pertences da vítima de um crime, eles são capazes de identificar a pessoa que tem o mesmo cheiro, dentre algumas apresentadas a eles. Com certeza você já viu em algum fime aquela fila  de ilustres desconhecidos e um suspeito no meio deles na delegacia de polícia. Normalmente a vítima, se for uma alma viva, aponta ou reconhece o autor do crime. Se foi um assassinato, outra pessoa, uma testemunha, pode fazê-lo, pois o defunto, por motivos óbvios, não vai poder. É a mesma coisa ou quase. Ao invés de olhar, cheira-se, ao invés de ser uma vítima ou uma testemunha, é um cão. Muitas pessoas dizem que isto não é confiável, que pode levar a erros. Outros, principalmente os donos dos cães, acham que o método é infalível. Um deles é  o Sr. Pikett. No mundo forense quase todos os profissionais honestos acham que essas pessoas são charlatães. Uma mulher (Sandra Anderson) até foi presa porque “plantava” restos dos defuntos na cena do crime para “facilitar” o trabalho canino. O Sr. Picket é bastante conhecido no Texas, pois, sendo também policial, colabora com outros colegas de outros condados nesta “luta contra o crime”. Ele vai para todo lado, com seus cães, identificando criminosos. Obviamente ele tem suas compensações.  O problema é que o Sr. Pikett obteve um estranho “record”. Até o momento ele e seu exército canino identificaram pelo menos 15 “criminosos” que foram inocentados após prova indiscutível de que não haviam cometido o crime. Houve casos em que o verdadeiro assassino confessou mais tarde, outros casos em que provas de DNA apontaram para outro suspeito, enfim pelo menos 15 erros crassos. Deve chegar a 20 em breve, com as investgações em andamento O pior é que houve casos em que outras evidências inocentavam o suspeito e a única evidência que incriminava o infeliz era o tal do cheiro. Aparentemente, aquela história, que para se condenar alguém precisamos estar certos “além de qualquer dúvida razoável”,  funciona ao contrário em alguns lugares ( lembra, “beyond a reasonable doubt”? ). Os acusados, que agora se transformaram em vítimas,  estão processando o Sr. Pikett mas até então nada aconteceu com ele. Também não tem  como um cão “cheirar” o dito cujo (Mr. Pikett) e apontá-lo como culpado. O que leva uma pessoa a cometer um abuso, uma monstruosidade dessas? Com certeza todos esses acusados eram pessoas que não podiam pagar um bom advogado.  Será que a motivação é dinheiro? Será? Colocar pessoas inocentes na cadeia por recompensa financeira? Recuso-me a acreditar. Claro, o leitor pode tirar suas próprias conclusões...Aliás, o título desta crônica, “O Cachorro do Sr. Pickett” tem duplo sentido. Fique à vontade, escolha o que achar melhor.

New York Times: Uma história que não "cheira bem"

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