Tuesday, July 31, 2018

Silêncio

Silêncio

Existe um momento em que os sons e os ruídos cessam. As imagens também. É o momento do silêncio. Conseguimos até parar de “falar” em nossos pensamentos. É quando ouvimos nossa alma. Às vezes, vêm as silenciosas vozes do medo. Da confusão. De sustos sem razão, de sentimentos suspeitos, de preocupações sem fundamento. É quando tememos o destino e desconfiamos das sombras do passado. É quando desconfiamos que nada faz sentido, que tudo é uma conspiração do mal. Que sombras estão para vir, encobrindo nossa luz. Que a vida é um marasmo, que não passa de um grande palco de ilusões. Um cenário onde a peça teatral é uma tragédia sem proporções.

Outras vezes, é um suave suspiro, uma sensação de paz. Uma nuvem calma, trazendo consigo a plenitude e a satisfação. É o doce canto da existência, encantando e embalando nossas almas. É o delicioso abraço da vida nos afagando e nos afogando de amor.

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Essa vida da gente

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A Matemática da religião



A Matemática da religião

Escrever sobre religião é uma coisa muito perigosa. Sempre alguém fica furioso, o que, na verdade, não é nada religioso. Lá vou eu, entretanto. Peço desculpas por antecipação se ofendo alguém, não é minha intenção. A maior parte das grandes religiões, afirma que, quem estiver professando a fé errada, ou seja, outra que não seja a sua, deverá ir para algum tipo de inferno. Pensando assim, melhor que a correta seja o Cristianismo, uma vez que se constituem em 2.2 bilhões. Menos gente no inferno, mais gente no paraíso. Os muçulmanos vêm logo atrás, com 1.6 bilhões. Nesse caso é aconselhável que católicos e protestantes, sendo ambos cristãos, fiquem juntos, pois, separados, vão enfrentar as chamas do inferno, por se tornarem minoria. É aconselhável deixar as diferenças de lado e ficar só com o que têm em comum. Uma questão de sabedoria. Fico preocupado, entretanto, com a possibilidade de os hinduístas estarem com a razão. Eles são 1,1 bilhão e vêm logo atrás na contagem. Nesse caso, seríamos, os outros, mais de 3.8 bilhões indo para as chamas eternas. Seria um desastre.
Fiquei preocupado, também, com uma tal de religião chamada Movimento Rastafári, que tem apenas 600 mil adeptos. Até acho muito, por outro lado. Rastafári? Se todo o resto das religiões estiver errado e só ela certa, vão ser bilhões de pessoas no inferno. Haja lotação! Nem quero pensar numa coisa dessas!
Quero pensar, no entanto, em algo melhor. Que todas as religiões encontrem o que elas têm de bom em comum e esperem um Deus compreensivo e misericordioso perdoando a todos. Quanto àqueles que matam e fazem outras barbaridades em nome de Deus, só Ele mesmo para perdoar, pois nossa capacidade humana não chega a tanto. Quanto àqueles que maltratam as criancinhas, o próprio Cristo falou: “Ai daqueles que...”. Não sei se entendi direito, mas acho que nem Ele mesmo perdoa, com o perdão da palavra. Mas quem sou eu para falar?

Por outro lado, todos sabem, com certa naturalidade, o que é certo e errado, com minúsculas diferenças, e o resto é só perfumaria. Tenho certeza de que o Ser Supremo não vai se basear em perfumaria para controlar a entrada no céu. Mas, repetindo, aqueles que abusam de crianças, não sei não... Melhor botar as barbas de molho.


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Sunday, July 29, 2018

Pluta vida!



Pluta vida!

Em 2006, a New Horizons partiu da Terra para uma longa missão. Muitos anos depois, em julho de 2015, ela estava a apenas 12 quilômetros de Plutão e a 4.77 bilhões de quilômetros da Terra. No caminho tirou fotos de Saturno e Netuno e chegou a alcançar a velocidade de 21 km por segundo, o que equivale a ir de São Paulo ao Rio em 20 segundos.
Na verdade, o que mais me impressiona mesmo são os cálculos que o computador teve de fazer para chegar até lá com essa incrível precisão. E não é só a direção que a sonda teve de tomar. Existe a atração gravitacional dos planetas, o fato de que eles estão, também, a uma velocidade vertiginosa pelo Cosmos e muitas outras coisas que, leigos como nós, sem sequer imaginam. Embora muita gente ache isso uma inutilidade, perda de tempo, é sem dúvida, uma façanha admirável, que, ao longo do tempo vai se traduzir em benefício para a humanidade.
Por outro lado, temos o caso do acidente de trens em Chatsworth em 2008 nos Estados Unidos. Vinte e cinco pessoas morreram porque o condutor do Metrolink não viu o sinal vermelho e continuou sua marcha diretamente contra o trem da Union Pacific. E por que ele não viu o sinal? Porque estava olhando as mensagens de texto em seu celular.  É ou não um paradoxo de nossa civilização?
Melhor pensar em Plutão, admirar-se e exclamar:
Pluta vida!


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Thursday, July 26, 2018

Eterno perguntar



Eterno perguntar


Minha mente, inquieta,
Pergunta:
Por quê?
E continua a perguntar,
Incerta.
Sem saber a resposta
Se inquieta...
Não se sabe,
Ninguém sabe,
Não há o que responder.
A alma, porém,
Parece que sabe algo.
Porém, não consigo ouvir.
Presto atenção,
Olho para dentro de mim,
Pergunto de novo,
Aguço os ouvidos,
Finalmente acho que vou saber...
Ela vai explicar
O sentido de tudo,
De tudo o porquê...
Então ela sussurra suave
Por dentro de mim:
Por que me perguntas?
Eu também não sei
Das coisas o porquê...


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Monday, July 23, 2018

Papel, papelada, papelão e outros papéis




Papel, papelada, papelão e outros papéis

Este é um papel que se faça? Poderia ser o gerente da fábrica advertindo o funcionário que não prestou atenção na textura do papel. Ou pode ser a mulher falando com o marido, pois ele fez um papel de cachorro. Com certeza não é o mesmo papel do título da conferência: “O papel do cientista na sociedade moderna”. Pode ser também uma advertência para quem não fez o seu papel. O duro mesmo é quando se usa no aumentativo: “Que papelão!”. Para os que gostam de dinheiro, só interessa o papel-moeda. Para os mais artísticos, podemos estar falando dos papéis que um ator representou. Para quem mudou de país, podem ser os papéis de imigração. Para quem vai se casar, os papéis de casamento. Muita documentação é a papelada. Prefiro os aviõezinhos de papel, que saudade! O mais básico, porém, é o que diz o dicionário: ´Substância constituída por elementos fibrosos de origem vegetal, os quais formam uma pasta que se faz secar sob a forma de folhas delgadas, para diversos fins: escrever, imprimir, embrulhar”. Acabei de me lembrar da Melhoramentos, que teve um grande papel na vida de muitos de nós. Ainda assim, pode ser: almaço, sulfite, alumínio, de parede, de embrulho, de carta e outras coisas mais. Estava me esquecendo do carbono, que é – ou era, nem sei se ainda existe – para copiar. Eu não queria falar, mas ainda há o papel toalha e, claro, o papel higiênico.

Como professor e escritor, o meu papel é falar sobre o papel, também. Mas dá um trabalho danado. Preciso de aumento. No papel.

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Sunday, July 22, 2018

Um fulano como eu



Um fulano como eu

A Nasa divulgou a imagem de Andrômeda, uma galáxia vizinha à nossa, que é a Via Láctea. Ela tem estimadamente um trilhão de estrelas. Cada estrela tem pelo menos um planeta, além de luas. Não é coisa de maluco? Acontece que o Universo, por sua vez, tem bilhões e bilhões de galáxias. Cada uma contendo bilhões e bilhões de.., etc. A gente até cansa só de falar. E ainda dizem que provavelmente há outros universos contendo, etc.
Certamente, e agora pouca gente duvida, há vida inteligente em bilhões de lugares também. E que seja só em milhões de planetas, já é de se ficar estupefato. Por outro lado, posso afirmar, com bastante segurança, que não há em todo esse vasto cosmos alguém com o meu nome, com minha altura, com minhas caraterísticas, boas ou más. Ninguém também com seu jeitão, meu amigo. Somos ou não especiais?

Por outro lado, pensando bem, será que não há mesmo?



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Friday, July 20, 2018

A menina e a bola vermelha



A menina e a bola vermelha

Mudança é uma coisa chata. Empacotar, embrulhar, arrumar, transportar. Lá estava eu colocando as coisas na caminhonete para levar a primeira rodada. Mexo daqui, mexo dali, e uma grande bola vermelha de plástico cai, pula na calçada e vai rodando embora. Assim que desocupo minhas, mãos vou atrás dela. De repente vejo dois pezinhos, calçados com sapatinhos brancos, vindo em direção a ela. Era uma  menina sorridente. Ela abre os bracinhos tanto quanto pode e abraça a enorme bola, quase do tamanho dela. Está feliz. Inicialmente veio aquele sentimento idiota de propriedade, como vou pedir o brinquedo de volta? Fiquei até com vergonha quando percebi que a mãe, logo atrás, já veio explicando para a filhinha que a bola não era dela, precisava devolver. Senti vergonha, e imediatamente decidi que a bola ia ficar para a garota. A menina veio em minha direção, com um sorriso, devolvendo a bola. Dava para ver, no entanto, que estava decepcionada. Estava devolvendo algo que ela queria. A mãe percebeu e fez vários gestos explicando para ela continuar andando e me devolver o precioso achado. Foi aí que percebi que a mãe não falava, ela era muda. Com certeza a menina entendia tudo e por isso seu coraçãozinho estava partido entre obedecer e ficar  com a bola. A mãe então fez gestos mais firmes, deixando claro que não havia opção. Resolvi falar e explicar que a garota poderia ficar com o brinquedo, que não havia problema. A menina olhava para mim e para a mãe se enchendo de esperança. A mãe fez então um gesto mostrando que era muda e olhou de novo para a menina, insistindo com sua linguagem de sinais que a bola tinha de voltar para o dono. Foi aí que apareceu um homem que, logo depois, eu percebi ser o pai da criança. Ele deu um beijo nela, pegou a bola e estendeu-a para mim, fazendo gestos que certamente indicavam que a menina não poderia ficar com a bola, que aquilo estava errado.  Era uma família de mudos. A essa altura eu estava determinado a fazer com que a menina ficasse com a bola de qualquer jeito. Fiz gestos e mais gestos, tentando explicar que eu queria que a menina ficasse com o “troféu”. Os pais tentaram explicar algo com as mãos e eu, com as minhas, fiz um gesto definitivo, que a bola era da menina e ponto final. Ficou claro, os pais desistiram de dar a aula de “civilidade” para a garota e agradeceram com sinais. Parecia uma família feliz e bonita. Senti uma certa compaixão por serem mudos, imaginei as dificuldades que tinham de passar o tempo todo. Cumprida minha missão, estava para ir embora. Mas, quando me virei, escutei uma vozinha:
-Obrigado, seu moço!
A menina falava, era a única da família que falava. Nós sempre estamos cometendo esse mesmo erro de presumir as coisas. Uma alegria muito grande me invadiu. Não era um milagre, nem nada assim. Apenas eu presumi algo que não era para ser presumido. Pensei de novo, como era bom que pelo menos a menina falasse. Na verdade aquilo era uma dádiva, era uma coisa muito especial. Um dom da natureza, um milagre da vida. Eu sei que falar é o normal, era o que deveria acontecer em condições normais. Mas naquele momento, naquelas circunstâncias, falar transformou-se numa coisa divina, um dom. Estava feliz e me despedi com gestos. Podia ver uma parte do rostinho da garota por trás da bola. Com uma das mãozinhas, sem soltar a preciosa bola, ela acenou e falou mais uma vez:
-Tchau, obrigado!
Naquele dia eu é que ganhei um presente: a menina que falava!

                         

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