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Wednesday, November 28, 2018

Virando a página



Virando a página

Não resisti. Não tinha nenhum livro para comprar, mas não aguento ver uma livraria dessas bonitas, modernas, e passar direto. É quase um vício. Não que não goste de sebos. Adoro esses também. Só passo direto se estiver atrasado para alguma coisa. Entrei na Fnac e já senti aquele cheiro gostoso de papel impresso. Ou pelo menos acho que senti. Logo perto da entrada, uma grande tela de TV. A Ivete Sangalo cantava uma música do Chico. No palco estavam também o Gil e o Caetano. Que turma! Uma senhora, provavelmente da minha idade, olhava, parada e em pé, como num transe hipnótico, para o aparelho. Não era para menos, um lindo show! Fiquei também um pouco me deliciando com o som, mas depois saí andando pelos dois andares. Dei uma folheada em alguns livros, cheguei a ler páginas inteiras de outros, vi novidades.
Perdi noção do tempo, mas ele não se perdeu e assim passou muito rápido. Acordei de meu pequeno devaneio e me dirigi para a saída. E não é que a minha desconhecida amiga continuava lá, sem sequer piscar? Eu até entendo, se pudesse, também ficaria. Fui embora pensando nela. Ela não queria virar aquela página da nossa história musical. Era uma prisioneira. Pensei comigo mesmo: eu virei a página e continuo pela vida tentando conhecer coisas novas.

Depois de andar uns blocos, entretanto, confessei para mim mesmo. Eu virei a página, mas a toda hora vou lá e dou mais uma olhadinha. Quem resiste?

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Tuesday, December 12, 2017

Roubando os versos teus

Roubando os versos teus





Tô com saudade de tu, meu desejo, tô com saudade do beijo e do mel, do teu olhar carinhoso, do teu abraço gostoso, de passear no teu céu... Não sei se saudade é uma coisa boa, pois disseram que ela  é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu. Mas, chega de saudade, a realidade é que sem ela não há paz, não há beleza.
Esses poetas falam coisas tão tristes perto de coisas tão alegres, que às vezes a gente se confunde. E para não ficar assim, a gente precisa se orientar.  Por isso, se oriente, rapaz, pela constelação do Cruzeiro do Sul. Considere, rapaz, a possibilidade de ir pro Japão. Cuidado, porém, que eu sei de alguns meninos que nem se lembram que existe um Brejo da Cruz, que eram crianças e que comiam luz.  Não tenho coragem de falar com você, por isso meus olhos ficam sorrindo e pelas ruas vão apenas te seguindo, mas mesmo assim foges de mim. Covarde sei que me podem chamar, porque não calo no peito dessa dor. Atire a primeira pedra, ai, ai, ai, aquele que não sofreu por amor. E porque sofro e não quero mais sofrer, eu preciso de você, porque tudo que eu pensei, que pudesse desfrutar da vida, sem você, não sei!  Você pode, entretanto, negar. Diga que já não me quer, negue que me pertenceu, que eu mostro a boca molhada, ainda marcada pelo beijo seu. Beija eu! Então beba e receba meu corpo no seu, corpo eu, no meu corpo, deixa!
Estou cansado de roubar desses poetas todos. Deculpem-me, Nando, Jobim, Vinicius, Dominguinhos, Chico, Gilberto, João de Barro, Pixinguinha,  Ataulfo, Mário Lago,  Adelino e Arnaldo,  por roubar os versos teus.

Mas o que posso fazer? Essas canções, depois de tanto tempo, ainda continuam a martelar no meu cérebro. E tem tantas outras, que vão e vêm, suaves e fortes, maliciosas e amorosas, penetrantes, fazendo o que eu sou e desfazendo a monotonia dos dias meus...


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Essa vida da gente

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