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Thursday, August 30, 2018

Você tem razão, meu amor!



Você tem razão, meu amor!

-Você tem razão, meu amor!
Foi com humildade que o Hilário aceitou as acusações da mulher, Não que fossem graves, como traição ou algo assim. Coisas do dia a dia, não deixar os utensílios no lugar, dar uma varrida quando o chão estivesse sujo... enfim ajudar na casa.
Não adiantou, porém. Pela terceira vez ela começou a enumerar os defeitos que ela via no marido. Ele sempre tinha sido assim, relaxado, relapso. O pobre homem chegou a pensar em falar “Por que casou comigo, então?”, mas sabia que as consequências seriam fatais. Assim que ela terminou mais um relatório, ele quase sem pensar, falou de novo:
-Você tem razão, meu amor!
-É só isso que você sabe falar? Nã adianta admitir, tem que mudar, prestar atenção... E enumerou mais alguns defeitos do pobre marido. Ele pensou em sair, bater a porta e voltar mais tarde. No entanto, sabia que, quando voltasse, ia ser pior. Nem prestou atenção no que ela falava agora, só pensava em alguma frase diferente que pudesse bolar, uma frase de efeito, que a fizesse calar. Pensou em várias, todas ruins. Quando percebeu que ela tinha dado uma  pausa, soltou:
Você tem razão, meu amor!
Só então percebeu o trágico erro que tinha cometido. Mais uma vez a mesma maldita sentença!
De fato, a ira dela se tornou imensurável. Praticamente gritava. Só sabe falar isso, só sabe falar isso... repetia com fúria feminista. Foi para o quarto e bateu a porta com tanta violência - Hilário nem sabia que ela tinha tanta força – que um quadro caiu e até um pozinho do forro também. E ela continuou gritando, gritando, incompreensivelmente, lá dentro.
Hilário, um pouco mais aliviado, suspirou. E antes que percebesse, falou , mais uma vez, quase num sussurro a maldita oração:
-Você tem razão, meu amor!


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Wednesday, August 17, 2016

O feliz casamento que nunca aconteceu



O feliz casamento que nunca aconteceu

Não queria chegar atrasado, fazia muito tempo que não via a Maria. Sem problemas, porém. Ela era daquelas que depois de anos fala um “oi” de anteontem.  Peguei a camisa xadrez que só tinha usado uma vez, um jeans de azul bem clarinho, dei uma penteada nos poucos e remanescentes cabelos, saí, e comecei a dirigir.
Estava feliz em poder ver aquele sorriso gostoso de novo. Insuspeito, de uma malícia leve e sem maldade. Nunca entendi porque nunca nos apaixonamos, não nos casamos. Sempre nos demos tão bem. Poderíamos conversar horas sem cansar. Seríamos um casal perfeito.
De repente meu pensamento estava viajando. Me imaginei pedindo sua mão, ela rindo, a gente se casando. As imagens voavam em minha cabeça. Nosso primeiro filho, depois o segundo para logo ficarmos livres e viajarmos todos juntos. Imaginei o dia a dia, as refeições, as noites de papos intermináveis.
De um momento para outro, no entanto, me vi discutindo com ela. Ela chorando lágrimas amargas, embora eu tivesse certeza de que a razão estava comigo. Nomes feios, palavras duras que não queríamos falar. Tudo tinha mudado.
Entendi, então, porque não nos casamos. Ainda bem!
Obrigado, Maria, por nunca ter casado comigo. Não sei como faria sem uma amiga como você!

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Tuesday, February 4, 2014

Corações em pedaços

Corações em pedaços


Você precisava ver o ódio que aqueles dois espalhavam pelo ar. Pela porta aberta dava para ver e ouvir os dois discutindo. Apontava o dedo em riste para o marido, talvez namorado,  e o ameçava. Repetia incessantemente que era para ele sair imediatamente. Junto com a mensagem repetia também inúmeros palavrões, daqueles que não dá para a gente escrever. Tão horríveis eram os vocábulos que ela usava, que certamente não poderia voltar atrás.
Ele não deixava por menos. Chamava-a de epítetos que não se usam  para uma mulher. Chegou a empurrá-la de leve quando ela encostou o dedo em seu nariz. Nem chance havia de ser apenas uma visualização da canção  “Entre Tapas e Beijos” do sertanejo cantor, ou de ser uma cena de filme americano em que o casal, depois de quase se matar, acaba na cama. Não, senhor, aquilo era coisa feia.
Depois de esgotada a lista de insultos, ambos a repetiram mais uma vez. Depois ela começou a empurrá-lo para fora. Bateu a porta com força e continuou gritando. Ele também berrava, fazendo aquele conhecido sinal com o dedo. Ligou o carro e saiu cantando o pneu.
Fim de um amor que nunca existiu.

Eu lhe digo, com certeza, que às vezes, o amor é uma coisa feia, triste, horrenda, suja. Em verdade, em verdade, lhes digo: aquilo, então, não era amor, não senhor...

Sunday, April 7, 2013

Dizem por aí...


Dizem por aí...

O nosso caso não tem jeito, é um tal de brigar, separar e voltar. Não existe perpectiva para nós. Que tipo de casal seríamos nós? Que tipo de casamento?  Passamos juntos uns dias e pronto...nova briga, nova discussão. Todo mundo repara e comenta: “é um caso perdido”.  Não sabem por que continuamos tentando.  Somos como um barco sem destino que saiu de porto nenhum. Somos a falência do amor.
É o que dizem por aí...Que não vai dar certo!
O que eles não sabem, e nunca vão compreender é que, apesar de tudo, nos amamos intensamente. De uma forma que pouca gente sabe amar. Nossas brigas são como as pinceladas do artista, tentando aperfeiçoar o quadro que pinta. São como as cinzeladas do escultor tentando achar a forma perfeita. Brigamos muito porque queremos o máximo um do outro. Discutimos porque queremos aperfeiçoar  cada vez mais nosso sentir, nosso querer. Nossas almas são como os raios na tempestade: iluminam a escuridão para  encontrarem as veredas. Essas pessoas dizem essas coisas por aí  porque não sabem o que é o verdadeiro amor, a paixão arrebatadora...Não foi o próprio Camões que disse:  “...se tão contrário a si é o mesmo Amor”?
Pois bem, não importa o que dizem por aí. Assim é o nosso amor...

Monday, March 11, 2013

Briga de casal


Briga de casal














Você está no norte,
Eu estou no sul.
No centro, nenhum de nós dois.
Você vai para o leste,
Eu para o oeste.
Estamos à deriva, sem rumo magnético,
Sem rumo nenhum.
Sem prumo também.
Procuro uma porta,
você olha pela janela,
vendo o além.
Algo não está bem.
Definitivamente,
Precisamos conversar.
Urgente!