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Monday, June 25, 2018

Rosewood: uma tragédia da Flórida



Rosewood: uma tragédia da Flórida 

Nos anos 60 aprendi, em minhas aulas de literatura, o conceito de "verossimilhança" em uma obra literária ou no cinema. A ideia é que uma história que se conta precisa ter essa característica de ser real, mesmo que seja absurda, ou seja, deve haver uma lógica interna que crie a sensação de  "verdadeiro" , de "possível". Pois bem, quando você assiste ao filme “Rosewood”, por um certo momento você poderá achar que falta "verossimilhança" à história, tal a indignação que ela provoca.  Acontece que a narrativa é baseada em fatos reais que aconteceram em 1923 nesta pequena comunidade da Flórida. A maioria da população era negra, lutando para prosperar diante das inúmeras restrições racistas que ainda eram muito fortes nessa época, principalmente nesta parte do país. A versão que temos dos fatos é que se espalhou um boato, mais tarde confirmado como sem fundamento, de que um homem negro havia violentado física e sexualmente uma mulher branca. Imediatamente formaram-se grupos que começaram a perseguir e atacar pessoas da raça negra em Rosewood. Várias pessoas negras foram assassinadas. Por dias todo habitante de Rosewood precisou se esconder nos pântanos ou no mato. Com a ajuda de algumas pessoas de bom senso foi organizada uma retirada principalmente através da estrada de ferro (Seaboard Air Line Railway).
 Praticamente todas as propriedades pertencentes à comunidade local foram  derrubadas ou incendiadas. Mais tarde apurou-se que  Frances "Fannie" Taylor, a mulher que se queixou da violência sexual, na verdade foi vítima de seu próprio amante, um homem branco. Inventou a história para esconder do marido sua traíção A cidade de Rosewood desapareceu, nenhum habitante jamais voltou para a mesma. Virou uma cidade fantasma. 
Don Cheadle, Ving Rhames, Jon Voight, Loren Dean, Michael Rooker atuam neste filme que recria com fidelidade essa triste história da Flórida. Como eu disse, se não fossem fatos reais, eu iria duvidar da “verossimilhança” da narrativa. Como uma espécie de vingança cármica, o local nunca mais se desenvolveu. 
Claro, o Pato Donald e o Mickey Mouse não sabiam desses horrores e acabaram vindo para perto anos mais tarde. Talvez a presença deles ajude as pessoas se esquecerem da vergonha do ocorrido, porque, afinal de contas,  a mágica precisa continuar...
Rosewood: trailer do filme



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Friday, April 15, 2016

Calota polar

Calota polar



O casal, já idoso, arrumou suas malas e saiu de Umatilla, na Flórida. Três dias inteiros para passear. Podia ser mais, mas para que abusar? Depois de mais de uma hora, ela fala:
-Meu bem, estamos indo para o norte?
-Claro que não, querida, estamos indo para o sul.
-Não sei não, eu acho que você deveria ter trazido o tal de GPS.
-Não tem serventia, aquilo só atrapalha.
Mais uma hora se passa e ela pergunta:
-Não deveríamos já ter chegado a algum lugar? Eu falei que você deveria ter trazido o tal de GPS.
-Que besteira, já vamos chegar.
Mais meia hora, eles chegam. Estão numa praia, nem norte, nem sul. Vieram para o leste, onde acaba  a terra e começa o mar.
Entram num hotel, e se preparam para descansar. A velhinha, preocupada, resolve perguntar:
-Você vai saber voltar sem o tal de GPS?
-Claro, meu amor, é só voltar pelo mesmo lugar. Além disso, é tudo muito simples...
-É mesmo, meu amor, você pode me explicar por quê?
-Porque estamos na Flórida. Se formos para o sul, acabamos no mar. Se formos para o leste e para o oeste, também acabamos no mar. O único perigo é o norte. A gente vai rodando, rodando e parece nunca mais ter fim. De repente a gente sente um frio danado. Daí já se sabe, ou estamos em New York ou em cima da calota polar...

A velhinha ficou apavorada, mas no fim conseguiu dormir...



                 oOOOOOo


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Monday, June 10, 2013

Panaceia

Panaceia



Que atrevido é o ser humano. Sempre achando que pode o que não pode. Quer ir para as estrelas, quer criar outro homem igual a ele. Na verdade, melhor que ele. Quer voar para as estrelas distantes, mesmo sabendo que para isso o tempo se conta em “luz”...Anos luz, quem pode viajar na velocidade da luz? Não digo que é atrevido? E foi sempre assim. No passado, havia aqueles que queriam criar o lugar perfeito. A tal de “utopia”, certo? Dá até vontade de rir...
Houve até aqueles que acharam que dava para fazer um remédio que curasse todos os males do ser humano, por dentro e por fora. Corpo e alma. Um exagero. Criaram até um nome: panaceia.
Entretanto, meus amigos, vejam como é a vida. Acabei vindo parar numa pequena cidade da Flórida, junto ao mar. Linda, graciosa, você quer ficar lá para sempre. E, parece gozado, lhe deram o nome de Panacea – panaceia em inglês, óbvio. 

Sabe de uma coisa? Acho que nesse caso eles têm razão, pois aqui tudo se cura. Faz um bem danado para a alma. A gente sara por dentro e por fora. Isto não é panaceia? Além disso estou em companhia de pessoas que amo...Não todas, mas pelo menos duas delas....

Wednesday, June 5, 2013

A Allie está voltando para casa

A Allie está voltando para casa

A Allie, não sei como, acabou se machucando. Havia ferimentos pelo corpo todo. Ficou um tempão se recuperando. Não foi nada fácil. Eu não tenho os detalhes, mas o que eu ouvi dizer, foi impressionante. Ela passou por maus bocados. Coitadinha. Tiraram até raio X.

O importante mesmo não é falar sobre o que foi, mas sobre o que vai ser. Ela vai voltar para casa, com hora marcada e tudo. Vai ser num sábado, 22 de junho, a uma da tarde. O pessoal do hospital e o médico que cuidou dela estão tão felizes que até convidaram todo mundo para assistir seu retorno. Puseram aviso em todo lugar, em inglês, já que ela mora aqui na Flórida. A Allie é uma linda tartaruga e vai voltar para o golfo do México, onde é seu lugar. Até página no Facebook, fizeram para ela.

Esse pessoal sabe cuidar dos animais. Foi tratada como uma princesa, enquanto estava no “Gulf Specimen Marine Lab”.  Essa turma da Vida Animal, aqui da Flórida, não brinca em serviço. Um monte de gente cuidando de uma tartaruga, durante um  monte de tempo,  para depois devolvê-la para o seu “habitat”natural...É demais, não?


Alguém pode dizer, por que fazer isso se há um monte de gente sem tratamento algum?  O que posso dizer é que essas pessoas estão fazendo bem o que se espera que elas façam, onde elas estão. Se elas tivessem de cuidar de pessoas, fariam tão bem ou melhor. São pessoas que respeitam a vida, em geral. Por outro lado, quem não trata bem os animais, certamente não vai cuidar bem das pessoas também...