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Friday, October 30, 2015

O Louro e o Seminário

O Louro e o Seminário

Antigamente havia os seminários: colégios particulares católicos para onde meninos que supostamente tinham “vocação” para padre, eram enviados para aprender latim, grego e tudo mais que era necessário para a missão. Normalmente eram enviados para as instituições com a idade de 10 anos, época em que se iniciava o antigo “curso ginasial”. Obviamente com essa idade a vocação, quando existia, não era dos meninos, era dos pais. Em muitos casos alguns garotos eram matriculados porque, afinal, os seminários eram excelentes escolas e, além do mais, quase sempre, grátis. Naqueles tempos difíceis para muitas famílias, talvez essa fosse a única esperança de se obter uma boa formação para os rebentos.
Foi o que aconteceu com o pequeno Fábio. Pais simples, mas desejosos de que o pimpolho fosse algo na vida, mandaram o mesmo para um seminário distante. Estava estabelecido que as visitas só poderiam ocorrer duas vezes por ano. Dureza. Fábio ainda era m muito criança para isso. Nessa época todo mundo ficava muito tempo junto. Mães em casa trabalhando e o pai voltando às 4 da tarde (eu sei o que você está pensando, mas ele saiu de casa às 4 da manhã...). Vida de família, refeições em conjunto sempre que possível. Um tempo que não volta mais (nem as coisas boas, nem as coisas más...).  O menino estivera sempre por ali, a mãe chamando para tomar o café, para almoçar, para ir até a padaria comprar o pão... Brincadeira de bola, de taco, bolinha de gude, pipa... Agora lá estava o pequeno Fábio confinado num prédio sombrio, distante...talvez esteja exagerando, mas que era triste, era. Estava me esquecendo do papagaio que eles tinham em casa e que eles chamavam pelo nome óbvio de “Louro”. O danado repetia tudo... E a mãe de Fábio falava as mesmas frases todos os dias. “Fábio, vem para casa!”, “Fábio, vem tomar banho!”, etc, etc.

Foi uma tristeza nos primeiros dias e, para dizer a verdade, nos dias e semanas e meses a seguir, também. Uma tristeza e uma saudade que, ao invés de diminuir, aumentavam. Mas os primeiros dias foram mais agudos, mais dolorosos, por causa do Louro. Ninguém esperava que ele fosse fazer aquilo. Era inteligente, sabia que o Fabinho tinha saído. Como é então que, sem mais nem menos, durante o dia, começava a gritar: “Fábio, vai buscar o pão!”  Dali a pouco: “Fábio, vem almoçar!”. Se a Dona Amélia não estava chamando, por que o danado estava tomando a iniciativa de gritar daquele jeito. A obrigação dele era só repetir, não tomar a iniciativa. E o danado berrava: “Fábio, vem tomar banho!” Ele não queria nem saber se o Fabinho estava no seminário. O menino tinha de cumprir suas tarefas e ele a sua, de chamar, chamar. Isto não seria tão triste assim se não fosse o estado emocional de Dona Amélia e do pai de Fabinho. Não era fácil, aquela dor de saudade no peito e o malandrinho do papagaio gritando, gritando... lembrando o tempo gostoso em que a família toda estava junta. Dona Amélia não conseguia segurar as lágrimas que vinham aos borbotões toda vez que o Louro abria a boca, quero dizer, o bico. Não disfarçava e podia se ouvir o choro de longe. O marido era mais durão. Nunca ninguém vira uma lágrima em seus olhos. Quando o papagaio gritava, ele disfarçava, ia até a sua oficina de carpinteiro – eu me esqueci de dizer, ele era um marceneiro igual a José, pai de Jesus – e ficava lá com uma ferramenta qualquer, disfarçando.Se você pudesse entrar lá sem ele ver, você iria notar que o pai de Fabinho, estava chorando lágrimas ainda mais grossas do que as de Dona Amélia, se é que isso é possível. Mas, você sabe, naquela época, os homens não podiam chorar. Coitado do Sr. Benevides... Que tristeza!

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Saturday, July 25, 2015

Marietta, que baderna é essa?



Marietta, que baderna é essa?

É interessante saber a história das palavras. No caso de nosso querido Português, na maioria das vezes, basta voltar ao Latim, cerca de 2000 anos atrás. Algumas mudaram bastante como “cheio” que veio de “plenus”, ou como “olho” que veio de “oculum”.  Assim como as roupas, palavras que são muito usadas mudam mais. Você deve estar pensando em “oculista” que, se não considerarmos o sufixo, mudou pouco. Provavelmente quando apareceram esses profissionais, mais tarde, a palavra original foi ressuscitada para designar a profissão e ficamos com as duas formas, uma mais usada, outra menos, mas para diferentes significados. Palavras latinas como “mulier” e “maritus” mudaram pouco. Tão pouco que nem preciso explicar sua forma atual. É por isso que a grande maioria das palavras se parece bastante em várias línguas da mesma origem, como Italiano, Francês, Espanhol, Português e outras, todas vindas do Latim. Poderíamos dizer que elas têm o mesmo DNA.
Em outros casos, o vocábulo não veio do latim, pelo menos não diretamente. Às vezes, existe toda uma história atrás deles, registrada por estudiosos do assunto. É o caso da palavra “baderna”. Para entendermos melhor esse caso, temos de voltar para 1849, quando uma bailarina chamada Marieta veio da Itália, onde sua profissão estava praticamente proibida por causa da ocupação pela Áustria. Aparentemente ela era muito espevitada, além de dançar muito bem, e logo ficou famosa no Rio, onde se apresentava no teatro São Pedro de Alcântara. Ela se integrou rapidamente na comunidade, além de se interessar pelos ritmos afro-brasileiros e sair às ruas para ver o requebrar das mulatas, conforme explica Katia Calsavara em seu blog. E seus fãs faziam um alvoroço, confusão e gritaria, uma verdadeira baderna, por causa dela. Na verdade, não era tanto assim, era mais uma manifestação histérica de pessoas que a admiravam. Mais tarde é que a palavra “baderna” ficou com esse significado mais forte de bagunça e confusão.
Tudo bem, só que isso tudo não explica a origem da palavra. Não até você ver o nome inteiro da bailarina: Marietta Baderna. O sobrenome dela explica tudo. Como disse, toda palavra tem uma história e a da “baderna” até que é interessante...


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O texto acima não faz parte do livro abaixo

Essa vida da gente

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