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Friday, September 12, 2014

Paixão desvairada

 
Paixão desvairada

Paixão desvairada existe, e ela é devastadora. Destrói e pode até matar. Desconfio que é mais comum entre as mulheres, mas não tenho estatísticas para provar. Ela é doentia, insana, insensata. Não, não é amor. Não é nem exagero de amor: ao contrário, é como uma doença. Pode acontecer com qualquer tipo de gente. Educada, mais simples, rica, pobre, remediada.
Lisa Nowak era uma astronauta. Até foi para o espaço na Discovery. Estava se separando de seu marido, quando começou um relacionamento amoroso com William Oefelein, outro astronauta. Durou pouco, não se sabe por quê. Ele começou a se relacionar com Colleen Shipman, um colega de trabalho. Para Lisa, porém, os dois estavam ainda apaixonados e a outra era apenas uma intrusa. Estava no Texas e ficou sabendo que sua rival desembarcaria em Orlando. Precisava se livrar dela. Não teve dúvidas. Armou-se de spray de pimenta, luvas, faca, um tubo de borracha e um martelo. Dirigiu quase 1500 quilômetros, praticamente sem parar. Dizem até que usou fraldas de astronauta para não precisar ir ao banheiro. Chegando ao aeroporto de Orlando, seguiu Colleen até o estacionamento e a confrontou. A vítima tentou se esconder no carro, mas ela conseguiu espirrar o spray dentro. Ainda assim, ela conseguiu fugir e avisar os policiais. Em pouco tempo a desvairada amante foi presa. Durante o processo perdeu seu charmoso posto de astronauta. Já pensou o estrago que ela poderia fazer lá em cima, em órbita, se tivesse um ataque de ciúmes?

Isso é paixão desvairada. Louca, insana, insensata.

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Para comprar no Brasil 
( impresso e e book):


À procura de Lucas  (Flávio Cruz)
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Friday, September 13, 2013

Ela está indo embora

Ela está indo embora



Nasceu há 36 anos, em setembro de 1977, e nunca mais parou de viajar. Fez coisas incríveis. Cumpriu todas as missões que lhe foram atribuídas e muito mais.  Fotógrafa espetacular, enviou imagens maravilhosas dos anéis de Saturno e de Urano. Descobriu novas luas, tirou fotos de vulcões assombrosos em outros planetas.
Agora, a Voyager está partindo para uma viagem maior. Saiu do sistema solar e voa livre, numa velocidade fantástica rumo às estrelas. Tem um disco gravado com a representação de nosso corpo, tem composições musicais de nossos clássicos e vozes em 55 línguas, inclusive o nosso Português. Se algum extra-terrestre conseguir capturá-la, não vamos fazer fazer feio. Precisaremos mostrar quem somos, afinal.
Causa até emoção saber que ela está tão longe. Ela é nosso cartão de visitas nas estrelas, uma prova inconteste de nossa capacidade de realização, de nosso desenvolvimento.
Por outro lado, ela é a maior prova da antítese que é a nossa civilização. Saber que, de um lado existe essa incrível tecnologia, elaborada por cientistas maravilhosos e, de outro, que há seres humanos ridículos e medíocres, alguns que podem ser considerados simplesmente animais, é assustador. Como é possível, neste mesmo planeta, termos desenvolvido, dentro da mesma espécie, tão opostas criaturas?

Ainda bem que, quando algum ser mais avançado encontrar a nossa querida Voyager, só vai ver essas maravilhas que fizemos. Os nossos pecados e nossas idiotices terão ficado por aqui. Vai, Voyager, vai tocar as estrelas, vai alcançar as bordas do Universo...