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Wednesday, November 16, 2016

Poeta louco, língua insana



Poeta louco, língua insana

Minha língua gostosa. Língua de falar. Também tenho a língua do paladar. Tenho o “tu” para te dar importância, às vezes para te afastar. Tenho “você” para dar intimidade. Tenho “vós” para vos dar majestade. Tenho voz para tudo falar. Tenho avós para me lembrar das palavras que não sei mais. Língua danada. Danada de bom. Danada de boa, me perdoa, nada como a concordância. Agrada meus ouvidos, me faz suspirar. Inspirar. Vocal. Vocábulo, vocabulário, vozerio, vociferar, afônico. Verbo. Vozes da América. Palavra, parábola, parar a bola, poesia parada, sem rima, sem cisma, sem verso, nem  reverso. Sozinho, soneto, sonolento, sem boca para falar. Ou reclamar. Palavra. Palavra escrita, palavra falada, palavra da vida, termo, tremo,trema, palavreado, palavrório. Palavra de homem, dar uma palavrinha. O poeta cisma, descansa na prosa, prosaicamente, rima à deriva, ruma incerto no oceano verbal, descomunal, sem acento. Polissílabos de uma sílaba só, proparoxítonas com acento na última, aversão ao verso versátil e ao verbo regular. Regras regulares de gramáticos incomuns acostumados às exceções, exceto secções da sessão sem síncope. Metáforas, anacronismos, hipérboles, pleonasmo. Plasma.Linfático, linfoma. Metástese. Saturação verbal. Excesso de vírgulas. Acentos sem sentido, sem nexo. Sem fonia, sinfonia, sintonia, sem sentido, semi, sema, semantema, fonema, presufixo, radical total, semântica, palavrão, cacófato inusitado, desusado, desiludido, desilusão do poeta que não sabe escrever em monossílabos, arcaico. Linguista, linguística, linguiça portuguesa, livro sem lista, índice sem livro, livro sem bliblioteca. Livraria grega, livro na internet, publicação anônima, presente de grego. Gênesis, o meio e o ômega. Ômicron, minúsculo, oi, origem do fim, fim do livro, capítulo final, conversa fiada, prosa vulgar, poeta sem sabor, sem rima, sem cisma, sem verso, sem reverso, no avesso, na contramão. Contra a mão que escreve a palavra correta na reta sem fim. Fim. Teu fim, poeta sem graça, que ri da poesia que fez e faz de conta que não sabe de nada. Nihil. Zero. Nihilismo.
Preciso de férias.


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À procura de Lucas


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Wednesday, March 13, 2013

Os “novologismos” do Toninho Professor


Os “novologismos”  do Toninho Professor



O Toninho Professor é, sem dúvida, uma figura especial. É todo cheio de saber das coisas, de conhecer tudo, de entender  os  porquês. Acho que é por isso que lhe deram o apelido de “professor”, porque professor formado ele não é não. A coisa que mais chama a atenção nele, entretanto, é mania que ele tem de inventar palavras. Não tem medo, nem vergonha. Vai inventando direto, sem consideração por padrões linguísticos ou outro qualquer. O povo em volta dele acha bonito e nem sequer põe qualquer obstrução. Acham até graça.
Naquele dia ele estava um furor. Veio com uma tal de “sinconometria” para explicar porque as coisas aconteciam na vida de um indivíduo. Segundo ele, havia uma tal de medida universal de acordo com a qual, a síntese dos fatos...deixa para lá. Ninguém entendia nada, nem queria entender. Só achavam bonito ele falar assim.
No parágrafo seguinte, meteu um tal de “sinetivismo” no meio de uma explicação, que , na verdade, não explicava nada. Eu não aguentei e falei:
-Toninho, essa palavra não existe. O que é “sinetivismo”?
-Claro que existe. Sinetivismo éo conjunto do saber humano. O meu saber aqui, dos meus ouvintes e até um pouquinho de gente que duvida de mim, como o senhor.
E aí a ironia era para mim...
-Se existe, está no dicionário, vamos olhar...
-Meu pobre amigo, eu tenho de lhe explicar tudo. Pelo fato de não estar no dicionário não quer dizer que não existe. É palavra nova, fui eu mesmo que inventei...
-Então, o senhor confessa, não existe, o senhor que inventou.
-Às vezes tenho pena do pouco conhecer dos meus ouvintes. Engano seu, meu amigo. Eu “criei” a palavra, mas tudo de acordo com as regras da nossa lingua mãe.
-Mas não é assim, ir “criando” tudo de acordo com sua cabeça, “seu” Toninho!
- Meu irmão, o senhor nunca ouviu falar de “novologismo”?
Foi aí então que eu não sabia se ficava com raiva ou se ria...
-Não é “novologismo”, é neologismo!
-Aí é que o senhor se engana. Neologismo é coisa de antigamente, agora é “novologismo” que se usa...
Eu desisti, não dava.
As “ criações” do “seu” Toninho só ficavam ali pela vila, não se espalhavam pelo país. Algumas delas até que mereciam ser divulgadas pelo mundo, tão engenhosas que eram. Talvez um dia desses alguém coloque na internet um dos neologismos do “seu” Toninho e ele se espalhe por toda a nação. Aí sim teríamos o primeiro neologismo oficial do “professor”...Quero dizer, o primeiro “novologismo” do professor...