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Sunday, March 13, 2016

O Paradoxo de Zuckerberg



O Paradoxo de Zuckerberg

A capacidade de informar, mostrar, explicar, aumentou milhares de vezes nas últimas duas décadas. Um indivíduo, um grupo, uma classe, uma figura pública, um ninguém, pode se expressar, emitir opiniões, surtar, se comover, reclamar, “tirar uma”, protestar, enfim pode fazer quase tudo quiser. Deveríamos estar mais civilizados, mais entendedores do que se passa. Estamos? O que temos é uma confusão enorme, mentiras, montagens, idiotices nas redes sociais. Claro, isso talvez seja um exagero. Há muita coisa boa, gente maravilhosa, espalhando cultura, novas ideias, etc.
E a verdade? Ela deveria estar apuradíssima. Tanta gente e tanta informação, tantas formas para se apurar com precisão uma opinião, tantas fontes que podem ser verificadas. Ironicamente é o reverso. Os recursos são usados para distorcer fatos e fotos, para ridicularizar a verdade e, às vezes – muitas – para dignificar o ridículo, para promover o absurdo. Também, aqui, há pessoas extraordinárias, que lutam com coragem, para estabelecer a verdade. Essa luta, porém, é uma luta quase perdida. Uma grande parte das pessoas ou não se preocupa com isso, ou não tem capacidade para discernir.

Como o “cara” mais famoso no assunto é Mark Zuckerberg, eu, humildemente, nomeio este fenômeno como o “Paradoxo de Zuckerberg”.

 ===(((()))===


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Wednesday, February 3, 2016

A verdade chegou



A verdade chegou

Ela chegou cansada, sofrida e bem no fim da tarde, mas chegou. A vila bem que estava precisando dela, com toda aquela confusão, tanta gente com opiniões diferentes sobre tudo, o pessoal se agredindo mutuamente, uns chamando os outros de mentirosos e outras coisas que nem dá para a gente repetir. Ela sabia que precisava vir e então veio. Ela era a verdade. Vestia uma túnica branca, não era nem feia, nem bonita. Ela era ela.
Antes mesmo que chegasse a manhã do dia seguinte, todo mundo já contava vantagem. Porque a verdade isso, porque a verdade aquilo. Em outras palavras, cada um achava que ela tinha vindo para confirmar sua versão das coisas.
Pois bem, perguntada, ela foi tirando as dúvidas, explicando tudo detalhadamente, com calma, sem pender nem para um lado, nem para outro. Como tinha de ser, claro, ela era nada mais, nada menos do que a verdade em pessoa.
Foi aí que aconteceu o imponderável. Foi aí que toda a criatividade do povo da vila apareceu. Uns tomavam uma só frase do que ela falava e repetiam, repetiam só aquilo. Outros falavam a frase até a metade e depois completavam-na com o resto de outra frase. Outros falavam bem baixinho umas partes e em voz bem alta, outras partes. Uns repetiam incessantemente uma ou duas palavras do que ela falava. Alguns falavam que o que ela estava falando estava em sentido figurado e não era bem assim, precisava se interpretar de acordo. Alguns mais ousados, falavam que isso, que aquilo. Havia uns que até copiavam uma frase dela mas diziam que se referia a uma pessoa, quando na verdade se referia a outra.
Enfim, depois de uma semana, a coitada estava tão desfeita, tão pulverizada, tão mudada, tão descolorida, que até parecia uma mentira.
Deu um longo suspiro, pegou umas poucas coisas que trouxera e, na calada da noite, partiu.
A maior parte ficou aliviada. Foi uma semana dura, pesada e trabalhosa. Agora, finalmente, todos podiam continuar a fazer o que sempre fizeram: falar umas boas mentiras e finalmente descansar.


oooooOOOooooo

Estranhas Histórias
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Wednesday, December 16, 2015

Tenho pena



Tenho pena

Tenho pena do homem raivoso,
do homem irado, nervoso,
que espreita feroz na esquina.
Tenho pena do homem que se confina,
assustado com seu próprio eu.
Sinto pena do homem que se ilude,
e que, confuso, se engana amiúde.
Muita pena mesmo eu sinto
de quem pensa que tudo é verdadeiro,
que acredita na mentira que escuta,
como verdade, pura, absoluta.
Do homem que espalha medos,
os medos que tem dentro de si
e outros que não são segredo.
Do homem que tem poder de agir,
mas que não sabe usar ou definir.
Pena do homem que não tem pena
e que nem sabe o que é penar.
Mas os que me dão mais pena mesmo,
são os homens que não sabem pensar
e aqueles coitados que nem sequer
sabem que não sabem amar.

Histórias do Futuro




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