Wednesday, April 13, 2016

Amélia, nem tanto amélia....


Amélia, nem tanto amélia....


A  Amélia não tinha nada de amélia. Era entretanto uma mulher e tanto e o Eduardo sabia muito bem disso.  Tinha profunda admiração por ela, viviam muito bem e curtiam um bom casamento há mais de oito anos. Mas...
Quem não conhece a velha história da bíblia? A tentação é... a tentação. A Amélia não era a Eva mas Eduardo era o Adão.
Foi uma coisa rápida, uma vez só, só sexo, nada mais. Eduardo não contou mas Amélia o conhecia tão bem que perguntou.  Ele tinha errado, mas mentir ele não sabia. Confessou. Chorou dizendo que era só sexo, uma vez  só, nunca mais. Amélia jamais pensou que... A mágoa era profunda. Ele pediu perdão uma vez, duas e outras mais. Teve de sair de casa. Algum tempo depois, aos prantos – e não é que Eduardo sabia chorar? – pediu perdão mais uma vez. Ela, também, em soluços, concedeu o perdão.
No outro dia, lá estava ele, rosas na mão. Ela abre a porta e começa o  diálogo, o que você quer, você não disse que me perdoou, sim, eu perdoei, então...
-Então, o quê? Eu perdoei, mas não consigo esquecer... E fechou a porta.




 oOOOOOo


À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui  ( e-book:  $4.80  impresso:   $11.61

o

Monday, April 11, 2016

Feira paulistana



Feira paulistana

Em plena Frei Caneca, procuro um lugar para lanchar. E o que vejo na próxima esquina? Uma feira. Feliz com o achado, penetro na confusão. Barraca do pastel. Presunto com queijo, escarola com queijo também. Palmito, carne e outros tantos e tão bons. Já peço dois que a fome aperta. Leio os cartazes escritos à mão: caldo de cana, água de coco, guaraná zero, que eu nem sabia que existia. Logo à frente, um homem, sem os dentes de cima, mas com todos os de baixo, canta forte uma canção nordestina, que eu não entendo. Vou andando e ouço alguém falar: três por três reais. Alguém pergunta e ele responde. É isso mesmo, um real cada, não entende? Alguém estava duvidando do óbvio matemático. Logo mais à frente, outra banca de pastel. A moça do Bradesco Seguros, uniforme impecável, devora um de carne, está com pressa, a hora do almoço por acabar. Me assusto com o homem de facão. Na verdade, só quer que eu saboreie uma lasca de manga amarelinha. Boa mesma, dá vontade de comprar. A mocinha magra grita, ligeira, uma oferta que não consigo entender. Pelo jeito dela, oferta impossível de se recusar. Mais um pouco, outra moça me chama: “Moço, tá calor, precisa de uma água de coco, geladinha de doer.” É verdade, mas já tomei. Burburinho vindo de trás, burburinho vindo da frente. Tomate madurinho, verdura fresca, quinze laranjas por cinco reais, melancia doce como o mel. Saquinhos organizados de feijão, de arroz, outros grãos. Vou passando, imune, desviando das mulheres e homens com sacolas. Um homem oriental ajeita as bananas na banca, enquanto o outro conta e adverte o freguês: onze, doze, treze, uma é de lambuja, porque é para voltar outra vez.
Fico alegre com as cores, múltiplas cores e me divirto com o marketing tupiniquim, tropical. Preciso trabalhar, vou procurando a saída e pensando:

Preciso voltar aqui outra vez.

                                oOOOOOo



À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui  ( e-book:  $4.80  impresso:   $11.61

o


Sunday, April 10, 2016

Múltiplas linguagens


Múltiplas linguagens

Tento entender, diligente,
a linguagem dos surdos-mudos.
Desisto, não consigo entender.
Tento depois, outras linguagens:
A dos extremistas, dos capitalistas,
dos comunistas e dos racistas.
Também dos fascistas, nazistas
e outros istas, sem sucesso.
Tento um outro ponto de vista,
um outro ângulo qualquer.
Muito mais difícil ainda,
desisto e me entrego.
Me entrego aos poemas de Drummond,
durante as horas do dia.
Na calma da tarde e da noite,
mergulho nos versos da Cecília.
E dentro da densa noite,
quando meus poetas descansam
no eterno berço do céu,
me conformo e volto, humilde,
à linguagem dos surdos-mudos.
Não entendo, mas me sinto feliz.
Não ouço o absurdo, o insensato
de tantas distintas vozes.
Vejo no silêncio de seus gestos,
com muito pouco esforço,
a graça dos poetas que eu amo...

                            oOOOOOo


À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui  ( e-book:  $4.80  impresso:   $11.61

o



Saturday, April 9, 2016

Moro num país tropical

Moro num país tropical


Faceira, bonita, a moça americana quer conhecer um clima tropical. Confere na internet e decide: Ipanema, Rio de Janeiro, Brasil.  Decidida, apronta as malas e lá vai. Chega, se instala e vai à praia. Pode haver coisa mais linda, mais maravilhosa, do que o Rio, Cidade Marvilhosa? É tudo cheio de graça, as moças vêm e passam a caminho do mar. É tropical, é bonita, abençoada por Deus. E ainda nem é carnaval. Nancy Tugan está encantada, extasiada, cheia de amor pela praia e pela gente. Passa dez dias e volta, cheia de planos. Canta e conta sobre a linda terra. Leblon, Copacabana, também quer visitar. Quer voltar. Você nem imagina como é bonito ouvir a moça pronunciar “Copacabana”....
Volta, cheia de graça. De novo Ipanema, quem sabe a garota pode ainda passar? Dessa vez tem também, Leblon e Copacabana. É demais. Praia cheia, cheia de gente bonita. Pode ser melhor?
 De repente, um burburinho, uma onda vem vindo. Aumenta, é só gente correndo. É o arrastão. A moça corre assustada, vai para o hotel. Antecipa a passagem de volta. Suspira, aliviada, nos braços do Tio Sam.
Agora quando lhe perguntam sobre a última viagem, só murmura, apavorada:
-Arrastaun, arrastaun...
Coitada da moça, nunca mais vai voltar. A Nancy nunca mais vai ver a garota do corpo dourado, do sol de Ipanema, passar, num doce balanço a caminho do mar. Nunca mais vai ver a nega Tereza balançar o corpo, não vai ver o Flamengo e nem o carnaval... Nunca mais. Nem o Simonal. Pois é, pois é, essa é a razão da simpatia, do poder, do algo mais e da alegria... é carnaval...

Moro num país tropical...

Para ouvir

Garota de Ipanema

País Tropical



                      oOOOOOo


À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui  ( e-book:  $4.80  impresso:   $11.61

o

Thursday, April 7, 2016

A insustentável beleza do tempo



A insustentável beleza do tempo

Fiquei olhando aquelas fotos antigas da Avenida São João. Os bondes, aquelas pessoas com suas roupas típicas, andando, atravessando. Uma calma, uma serenidade, uma paz insuspeita. Desconfio, porém, que esses seres também tinham seus pequenos pesadelos à noite. Talvez sobre as dificuldades do começo do século. Quais seriam suas preocupações? O que habitava aquelas mentes? Certamente eram outras paisagens, outros sonhos. Eles tinham como garantidos muitos daqueles com os quais não contamos mais. Nem sonhavam, porém, com outros, que são o nosso dia a dia, o nosso comum, o nosso trivial. Não sei o que daria para poder viajar no tempo. Parar por ali, conversar com aquela gente. Perguntar seus nomes, o que faziam... Atravessar essa intransponível barreira do tempo, essa muralha metafísica, essa impossibilidade.

Depois minha cabeça dá um pinote. Eu me vejo, também, congelado, numa foto de 2014. Vejo um ser distante, do ano 2301, olhar para minha foto, perdida em algum arquivo qualquer do futuro quântico e se perguntar: quem é aquele ser ali, cismado, pensando em sei lá o quê? E se ele pudesse viajar de volta, ficar diante de mim e me fazer perguntas? Diante da insólita situação, meio tonto, daria para ele meu nome completo, meu RG? Falaria de meus sonhos, do que eu espero do futuro distante? Não sei, não. Desconfio que ficaria mudo de espanto, petrificado, sublimado. Certamente estaria atônito diante de tal maravilha, e talvez murmurasse tão somente: “Obrigado, muito obrigado, mesmo, por vir me visitar, querido cidadão do futuro...”.

oooOOOOOooo


À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui  ( e-book:  $4.80  impresso:   $11.61

o

Tuesday, April 5, 2016

Minúscula crônica sobre a enorme questão de nossa existência


Minúscula crônica sobre a enorme questão de nossa existência

No passado, sempre houve incontáveis dúvidas sobre a vida, sobre o destino, sobre tudo. O futuro, então, chegou para ficar. As respostas começaram a chegar. Aos borbotões. Parecia tudo resolvido. Todos os enigmas tinham sido solucionados. O problema, entretanto, é que para cada solução que está vindo, outras incontáveis perguntas aparecem. E aumentam cada vez mais, transformando-se em mistérios ainda mais insondáveis.
Esperamos, porém, que um dia, todas as dúvidas, ou quase todas, tenham uma solução. Tudo explicadinho.  Que venha uma luz admirável sobre nós.
Tudo, tudo, então, se esclarecerá.

Será?

<><><><><><><><><><><><> 




À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui  ( e-book:  $4.80  impresso:   $11.61

o

Friday, April 1, 2016

A Novíssima Constituição

A Novíssima Constituição



Por uma incrivel e desafortunada sequência de eventos, daquelas que só acontecem em nosso país, o Maluf tornou-se presidente da República. Ato contínuo, nomeou o Sarney Ministro Geral para o novo ministério que havia criado: Ministério das Coisas em Geral. Este, tinha três subsecretarias especiais, uma das quais foi ocupada pela Roseane, que acabara de ser cassada no governo anterior. Com muita habilidade, o novo presidente conseguiu maioria no Congresso Nacional. Assim que o fez, conseguiu aprovar e sancionou uma  lei que lhe autorizava “descassar”  os políticos que quisesse. Esses teriam o direito a cumprir o resto de seus mandatos em triplo para compensar a “injustiça”. Dessa forma foi possível obter dois terços dos votos para mudar a Constituição. E assim foi feito. 
Antes de anunciar a Novíssima Constituição, entretanto, ele decretou várias mudanças administrativas para o bom funcionamento do país. Toda concorrência pública teria um acréscimo de 50%  sobre seu valor. Esse montante seria destinado ao presidente e aos políticos que negociassem as obras públicas. O objetivo era acabar com a corrupção. Legalizando a propina, não haveria nenhuma quebra da lei, o que, além disso, evitava uma série de despesas. Os valores arrecadadados pelos políiticos seriam isentos de imposto de renda, é claro.Não haveria mais necessidade de tanto agente da Polícia Federal, uma vez que este tipo de atividade não seria ilegal. Decretou um corte de 50% nas despesas em educação. O país economizaria muito dinheiro com isso, sem prejuízo nenhum para a formação dos jovens. A lacuna seria preenchida com “novelas educativas” e programas de “reality show”, ou seja, educação ao vivo, como ele anunciava. Decretou igualmente anistia geral para casos de corrupção, com devolução, inclusive, de valores apreendidos pelo governo a seus legítimos donos, os corruptos, com juros e correção monetária. Fazia sentido com a nova lei dos 50%, certo?
Havia muito mais... Estava meditando sobre essas coisas todas. Tinha desistido de ligar a tevê, pois, ele, o Maluf, poderia estar falando. Estava usando uma boa parte do tempo televisivo para mostrar como eram importantes as novas medidas. De repente, olhei para as cartas que haviam chegado pelo correio. Uma delas era um livreto que dizia “Novíssima Constituição”. Abri e a primeira linha dizia:
“Todo o poder emana do Maluf”. Não podia acreditar nos meus olhos. Fiquei meio zonzo e desmaiei. Quando acordei, graças  a Deus, percebi que era tudo um sonho. Quero dizer, um pesadelo.

Pensei um pouco sobre o ocorrido e cheguei a uma conclusão terrível. A situação nunca está tão ruim, que não possa piorar um pouco mais...


ooOO0oo
Estranhas Histórias
Estranhas Histórias

Para adquirir este livro no Brasil 



Para adquirir este livro nos Estados Unidos