Tuesday, October 11, 2016

Ficção e Realidade



Ficção e Realidade

Ele era um sujeito quase normal. Quase, porque de vez em quando ficava meio soturno, meio triste, meio distante. O pessoal do trabalho já sabia: nesses dias, nada de falar com ele. Em casa, tudo normal também. Esposa, filhos. A única coisa um pouco diferente em relação a ele era sua paixão  por armas. Gostava de vê-las, tocá-las, sentir seu peso e experimentá-las sempre que tinha uma chance. Não  podia colecioná-las pois não ganhava tanto assim, e por isso, de vez em quando passava numa loja para curti-las. Se encontrasse alguém que “desse corda”, começava a explicar, dar lições como um verdadeiro expert. No entanto, economizou algum dinheiro e depois de certo tempo conseguiu comprar uma daquelas bem boas. Estava feliz. Todo dia a limpava, lustrava e a admirava.
Um dia ele acordou  triste, decepcionado com a vida, quase em depressão. Mesmo assim, arrumou-se, tomou seu café da manhã e foi trabalhar. Lá chegando, abriu seu armário e guardou tudo, menos a mochila que trouxera de casa. Com ela dirigiu-se para sua mesa de trabalho. Naquele dia, entretanto, não se sentou. Calmamente abriu–a e dela retirou a sua preciosa arma. Antes que alguém percebesse ou reagisse, começou a atirar como um doido. Atirava freneticamente em tudo e todos que se mexiam. Até que nada mais se mexeu. Então parou,  apontou a arma para sua cabeça e puxou o gatilho. Muitos mortos e feridos. Reportagens, gente chorando. Conhecidos descrevendo o assassino… Quem poderia imaginar, uma pessoa tão boa…
A essa altura preciso me desculpar e confessar que inventei essa história. Mas, faz alguma diferença? Ela já aconteceu tantas vezes- de verdade - nas últimas décadas que não faz diferença nenhuma. De todas as formas, com mais espetáculo, com mais requinte, com mais crueldade e até mais cor… por mais trágico que isso possa parecer. Um estudante, um trabalhador, um pai, um jovem. Como começou essa loucura? Quando apareceu essa tendência? De onde veio essa insanidade?
Eu só sei que é não é nada fácil para os escritores de ficção. Está ficando cada vez mais difícil competir com a realidade…


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À procura de Lucas


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Monday, October 10, 2016

Uma pedrinha




Uma pedrinha


Em algum ponto, indefinido, incerto,
neste mesmo universo, no meio da mesma galáxia,
uma pedra disforme, que parece um meteoro,
sai, numa nuvem cósmica, pelo vazio universal ,
procurando seu destino individual.
Bêbada, errante, sem rota, sem órbita.
Acho que nunca vai chegar lá.
Vai sim, se arrebentar em algum planeta sem nome.
Não sei não, mas acho que essa rocha
sem forma, sem jeito, sem juízo, sem mente,
que não sabe nada de nada,
que procura o que não sabe,
que nem sabe o que procurar,
eu acho que essa pedrinha perdida, sou eu.


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Saturday, October 8, 2016

O segredo das almas



O segredo das almas

Quero sim, quero saber os segredos da vida. Quero saber o que está por trás de tudo. Qual é a força oculta que motiva as pessoas. Quero conhecer  o que está nos corações, no fundo das almas dos seres humanos. Quero saber os detalhes de seus desejos, quero saber seus secretos anseios. Quero penetrar nas minúcias de seus pensamentos. Saber aquelas coisas que não contam para ninguém. Qual sua motivação mais profunda, o que impulsiona suas vidas, o que provoca suas reações. Quero saber de suas fantasias, de seus devaneios. Quero saber daquelas vontades  que não contam para ninguém. Os seus sonhos todos quero saber. O que pensam desses sonhos. As suas visões quero ver. Quero conhecer suas idiossincrasias. Quero saber tudo. Quero...
Pensando bem, não quero não. É melhor deixar bem assim. Bem assim do jeito que está...


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Thursday, October 6, 2016

Apenas uma garotinha


Apenas uma garotinha




A garotinha, alheia a todos, brinca no chão. Mexe com  seus brinquedos, balbucia uma canção. Brinca brincadeiras de  criança, fala coisas que as crianças costumam falar. Olha, às vezes, para a mãe. Outras vezes levanta a mãozinha e mexe os dedinhos no ar.
É confiante, segura. É mais esperta e inteligente que nós, da antiga infância.
Cheia de vida, exuberante, uma preciosidade.
Inocente, ela ainda não sabe. Não sabe que ela é o futuro, mas um futuro diferente, cheio de luz e que inclui uma nova página na história do homem. Não sabe que vai romper, triunfante, mais um século. Um século com conquistas, que nós, adultos,  nem sequer imaginamos. Um futuro que sequer conseguimos vislumbrar.
Ela é o despertar de um novo mundo, ela é a realização da humanidade, a esperança de todos nós.  Por enquanto, entretanto, ela é apenas uma criança, que gosta de, com seus brinquedos, brincar...

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Wednesday, October 5, 2016

O Nino tem cada uma



O Nino tem cada uma

(ou porque temos uma só boca)

Outro dia tive uma conversa com meu amigo Nino. Ele estava filosofando sobre os órgãos dos sentidos. No começo achei a conversa meio besta, para ser sincero (Espero que ele não esteja lendo essa crônica...). Quando ele chegou ao final, até que ele fez muito sentido.
Dois olhos, disse ele, por que dois olhos? Em primeiro lugar, isso ajuda a ter uma imagem multidimensional.  Você capta uma fatia muito maior da realidade. Pensei em perguntar a ele, por que não ter um olho atrás? Assim poderíamos conhecer o perigo daqueles que nos atacam pelas costas. Fiquei quieto, no entanto. Ele podia me dar uma resposta daquelas.  Além disso, continuou, é uma questão de redundância. Se perdermos um olho, ainda teremos outro de estepe. Para ser sincero, nunca tinha pensado nisso.
E os ouvidos? Ele deu quase a mesma explicação: saber de que lado vem o som e a história da redundância. Muito bem, boa explicação. Narinas? Quase igual. A história da redundância, no entanto, pensei, não fazia sentido. Fazia, sim. E se não pudermos, por algum motivo, respirar com a boca? Pensei comigo mesmo que duas narinas não nos ajudam a saber de que lado vem o cheiro. Ou ajudam? Fiquei quieto de novo. Cada vez mais acho que calar-se é uma grande virtude e uma grande arte.
Quando chegou a vez da boca, tive a maior surpresa e também entendi toda a profundidade da explicação do Nino. Ela, a contrário, é uma só e, ironicamente, tem várias funções. Serve para comer, beber, respirar e graças a Deus, falar. Que seríamos de nós sem falar? Passar a vida quase sem comer, muita gente passa, mas sem falar? Nesse caso, por que um órgão tão importante, com tantas funções, é único? Onde fica a história da redundância?
O Nino me explicou. As pessoas comem e falam tanto que seria um perigo a gente ter uma boca de estepe. O que estaríamos fazendo? Em vez de deixarmos uma de lado, de garantia, estaríamos comendo em dobro, falando em dobro. Em minha mente concordei com ele, mas e a respiração? Como se estivesse ouvindo meu pensamento, ele explicou que, para o caso da respiração, já tínhamos uma outra alternativa: o nariz.
Quanta simplicidade e quanta sabedoria em poucas palavras! Ele não pode ter raciocinado tudo isso sozinho. Aposto que leu em alguma Wikipedia da vida.
Eu pensei que ele tinha terminado, mas ele continuou. E o tato? Na corpo inteiro, em toda pele, dentro da boca e sei lá mais onde. Faz sentido, ele disse. O tato é uma das coisas mais importantes na vida. Eu pensei que ele iria dar mais alguma explicação adicional, mas ele apenas comentou:
- Já pensou o que aconteceria se a maioria das pessoas não tivesse “tato”? As pessoas que estão por aí e que são “sem tato” já fazem estrago demais...

Até agora estou pensando nas palavras do Nino.



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Tuesday, October 4, 2016

Pequena crônica de uma noite paulistana



Pequena crônica de uma noite paulistana


A noite paulistana já está acontecendo. De seu apartamento, Júlia olha para os outros prédios. Algumas janelas  estão escuras, outras poucas ainda têm a luz acesa. Pensa consigo, que tristeza! São pessoas que não conseguem dormir.  Solitárias, machucadas, sangrando por dentro. Corações partidos, desilusões, desespero. Deixam as lâmpadas ligadas porque temem os sonhos que não vão ter. De dia se embriagam com o torpor do sol, a lua noturna não é capaz de lhes dar a paz.
Júlia sente  uma pena enorme de todas essas almas. Não há como confortá-las, não as conhece, elas também são estranhas a todos. São estranhas a si mesmas. Na cidade grande são ainda mais sós, mais sem ninguém.
Enfim, chega aquela parte da noite em que ela já é definitiva, já é a madrugada, berço da solidão total. É aí que Júlia percebe que também ela é uma órfã da metrópole. Só, também chora por dentro. É apenas  mais uma janela acesa na solidão da grande cidade...


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Monday, October 3, 2016

Uma lição de Química (ou alquimia?)



Uma lição de Química (ou alquimia?)

O sólido se desfaz em líquido, numa mistura homogênea, dentro do heterogêneo do meu ser. Como se o concreto e o real se transformassem nas lágrimas da vida. Numa química sem solução, sem fórmula, sem decisão. Penso, então, em uma alquimia de composição condensada, porém indefinida. Quem sabe, assim, minha alma se condense e, desta condensação, nasça um cristal, poderoso, que consiga, esotericamente, competir com a frieza matemática desta ciência cruel. Seria bom se as composições da alma fossem como a dos elementos. Numa suspensão controlada, solidificaria as minhas emoções para que elas não se fundissem dentro da massa escura do universo.
Não entendo nada de Química. Acho que não entendo de alma, também.

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