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Wednesday, October 5, 2016

O Nino tem cada uma



O Nino tem cada uma

(ou porque temos uma só boca)

Outro dia tive uma conversa com meu amigo Nino. Ele estava filosofando sobre os órgãos dos sentidos. No começo achei a conversa meio besta, para ser sincero (Espero que ele não esteja lendo essa crônica...). Quando ele chegou ao final, até que ele fez muito sentido.
Dois olhos, disse ele, por que dois olhos? Em primeiro lugar, isso ajuda a ter uma imagem multidimensional.  Você capta uma fatia muito maior da realidade. Pensei em perguntar a ele, por que não ter um olho atrás? Assim poderíamos conhecer o perigo daqueles que nos atacam pelas costas. Fiquei quieto, no entanto. Ele podia me dar uma resposta daquelas.  Além disso, continuou, é uma questão de redundância. Se perdermos um olho, ainda teremos outro de estepe. Para ser sincero, nunca tinha pensado nisso.
E os ouvidos? Ele deu quase a mesma explicação: saber de que lado vem o som e a história da redundância. Muito bem, boa explicação. Narinas? Quase igual. A história da redundância, no entanto, pensei, não fazia sentido. Fazia, sim. E se não pudermos, por algum motivo, respirar com a boca? Pensei comigo mesmo que duas narinas não nos ajudam a saber de que lado vem o cheiro. Ou ajudam? Fiquei quieto de novo. Cada vez mais acho que calar-se é uma grande virtude e uma grande arte.
Quando chegou a vez da boca, tive a maior surpresa e também entendi toda a profundidade da explicação do Nino. Ela, a contrário, é uma só e, ironicamente, tem várias funções. Serve para comer, beber, respirar e graças a Deus, falar. Que seríamos de nós sem falar? Passar a vida quase sem comer, muita gente passa, mas sem falar? Nesse caso, por que um órgão tão importante, com tantas funções, é único? Onde fica a história da redundância?
O Nino me explicou. As pessoas comem e falam tanto que seria um perigo a gente ter uma boca de estepe. O que estaríamos fazendo? Em vez de deixarmos uma de lado, de garantia, estaríamos comendo em dobro, falando em dobro. Em minha mente concordei com ele, mas e a respiração? Como se estivesse ouvindo meu pensamento, ele explicou que, para o caso da respiração, já tínhamos uma outra alternativa: o nariz.
Quanta simplicidade e quanta sabedoria em poucas palavras! Ele não pode ter raciocinado tudo isso sozinho. Aposto que leu em alguma Wikipedia da vida.
Eu pensei que ele tinha terminado, mas ele continuou. E o tato? Na corpo inteiro, em toda pele, dentro da boca e sei lá mais onde. Faz sentido, ele disse. O tato é uma das coisas mais importantes na vida. Eu pensei que ele iria dar mais alguma explicação adicional, mas ele apenas comentou:
- Já pensou o que aconteceria se a maioria das pessoas não tivesse “tato”? As pessoas que estão por aí e que são “sem tato” já fazem estrago demais...

Até agora estou pensando nas palavras do Nino.



ooooooOOO0OOOooooo


 
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Wednesday, December 14, 2011

O Cachorro do Sr. Pikett

Mr. Pikett feliz com a "perfomance" de seus cães
O Cachorro do Sr. Pikett

O Sr. Pikett tem alguns cachorros, mas não são animais comuns não, são muito especiais. Depois de cheirar as roupas ou pertences da vítima de um crime, eles são capazes de identificar a pessoa que tem o mesmo cheiro, dentre algumas apresentadas a eles. Com certeza você já viu em algum fime aquela fila  de ilustres desconhecidos e um suspeito no meio deles na delegacia de polícia. Normalmente a vítima, se for uma alma viva, aponta ou reconhece o autor do crime. Se foi um assassinato, outra pessoa, uma testemunha, pode fazê-lo, pois o defunto, por motivos óbvios, não vai poder. É a mesma coisa ou quase. Ao invés de olhar, cheira-se, ao invés de ser uma vítima ou uma testemunha, é um cão. Muitas pessoas dizem que isto não é confiável, que pode levar a erros. Outros, principalmente os donos dos cães, acham que o método é infalível. Um deles é  o Sr. Pikett. No mundo forense quase todos os profissionais honestos acham que essas pessoas são charlatães. Uma mulher (Sandra Anderson) até foi presa porque “plantava” restos dos defuntos na cena do crime para “facilitar” o trabalho canino. O Sr. Picket é bastante conhecido no Texas, pois, sendo também policial, colabora com outros colegas de outros condados nesta “luta contra o crime”. Ele vai para todo lado, com seus cães, identificando criminosos. Obviamente ele tem suas compensações.  O problema é que o Sr. Pikett obteve um estranho “record”. Até o momento ele e seu exército canino identificaram pelo menos 15 “criminosos” que foram inocentados após prova indiscutível de que não haviam cometido o crime. Houve casos em que o verdadeiro assassino confessou mais tarde, outros casos em que provas de DNA apontaram para outro suspeito, enfim pelo menos 15 erros crassos. Deve chegar a 20 em breve, com as investgações em andamento O pior é que houve casos em que outras evidências inocentavam o suspeito e a única evidência que incriminava o infeliz era o tal do cheiro. Aparentemente, aquela história, que para se condenar alguém precisamos estar certos “além de qualquer dúvida razoável”,  funciona ao contrário em alguns lugares ( lembra, “beyond a reasonable doubt”? ). Os acusados, que agora se transformaram em vítimas,  estão processando o Sr. Pikett mas até então nada aconteceu com ele. Também não tem  como um cão “cheirar” o dito cujo (Mr. Pikett) e apontá-lo como culpado. O que leva uma pessoa a cometer um abuso, uma monstruosidade dessas? Com certeza todos esses acusados eram pessoas que não podiam pagar um bom advogado.  Será que a motivação é dinheiro? Será? Colocar pessoas inocentes na cadeia por recompensa financeira? Recuso-me a acreditar. Claro, o leitor pode tirar suas próprias conclusões...Aliás, o título desta crônica, “O Cachorro do Sr. Pickett” tem duplo sentido. Fique à vontade, escolha o que achar melhor.

New York Times: Uma história que não "cheira bem"

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Saturday, December 10, 2011

Mais Estranho que a Ficção

pirulito com catapora
Mais Estranho que a Ficção

Eu sei que é um nome de filme (“Stranger than Fiction”, 2006, Will Ferrell, Emma Thompson) e não estou tentando plagiar o título. Gosto tanto de filmes que acabo falando neles ou sobre eles o tempo todo. 
Megan
Mr. Burr
O cinema, o “bom cinema”,  claro, é uma arte especial, pois, de certa forma, envolve outras artes, é bastante completo. Nele estão presentes as formas, as cores, o som, as palavras, o movimento. A sensação de realidade é impressionate, você parece viver dentro da história. Coisas completamente absurdas ou irreais parecem verdadeiras quando colocadas na tela. É verdade que muitas delas vêm, de fato, da vida real. Por falar nisso, acho que nos últimos tempos algo estranho tem acontecido. Parece que o que acontece no dia a dia cada vez mais está fazendo concorrência com a ficção. As histórias mais absurdas, em todos os campos - tragédia, comédia, crime, drama, etc, - cada vez ficam mais comuns e não há um só dia em que não se veja algo que encheria as telas do cinema com furor. Tanto é verdade, que quando vejo um título de matéria no jornal ou na internet e acho estranho, vou verificar se eles estão falando de um filme, de uma peça de teatro ou se é uma notícia "pra valer". Outro dia estou  “passeando” pela UOL e vejo uma história de pessoas vendendo pirulitos com catapora. Poderia ser uma nova comédia ou algo assim. Acontece que o governo do Tennessee realmente estava pensando em proibir a venda dos tais pirulitos: eu nem sabia que isso era verdade, que estava acontecendo. Claro, as coisas muitas vezes têm uma explicação lógica. 
 Lógica relativa, é claro. A explicação era que as crianças, chupando o tal pirulito, contrairiam a doença numa forma mais suave, imunizando-se, evitando ter a mesma mais tarde, quando adultos, em um formato mais violento. Há tantos aspectos envolvidos que é melhor nem discutirmos, mas que é esquisito, é. Vamos 
agora para Coldspring, Texas, verificar uma outra história que apareceu no New York Times. Mr. Burr, um funcionário da escola local, era uma pessoa com uma certa deficiência mental, mas de uma índole muito boa e gentil, segundo as testemunhas da cidade. Certo dia, há alguns anos atrás, Mr. Burr aparece assassinado em seu trailer. Sangue para todo  lado, o pobre coitado levou 28 facadas no pescoço, rosto e cabeça. É óbvio que a polícia precisava de uns suspeitos, melhor ainda, culpados, o mais rápido possível. A família Winfrey parecia ideal para isso. O pai, Richard tivera alguns encontros anteriores com a lei, ou seja, tinha antecedentes. A filha, Megan, era uma “doidinha” fazendo estrepolias pela cidade o tempo todo, e o outro filho, Richard Jr., bem eu não sei o que ele já havia feito. Não importa, os três juntos, perdoem-me a redundância, formavam um trio perfeito. No entanto, o xerife, Lacy Rogers, precisava de provas ou “evidências”. Além do fato de  eles serem os réus ideais para um assassinato de tal porte, com a agravante de que o falecido Murr tinha dinheiro escondido em sua casa e os Winfrey precisavam muito do mesmo (  dinheiro, é claro, preechendo assim, o requisito da motivação ), o xerife não tinha nenhuma prova de que o hediondo crime havia sido cometido pelo pai e seus filhos. Daí aparece o especialista em cães farejadores, Keith A. Pikett, para obter dos mesmos a evidência forense tão necessária para que o povo e a justiça do condado fossem redimidos. E não é o que o esperto do especialista farejador conseguiu provar que o cheiro das coisas do morto tinham tudo a ver com  cheiro das coisas dos suspeitos? Talvez esteja sendo leviano, aliás, tenho certeza de que houve  mais seriedade e profundidade nas investigações do que estou tentando sugerir. O pai foi o primeiro a ser condenado – 75 
anos de prisão,  a filha, a seguir,  foi condenada à prisão perpétua ( não sei que diferença faz, no caso). Ambos foram defendidos por um advogado nomeado pelo governo. O outro filho, Richard Jr. teve mais sorte porque, na época de seu julgamento, a família tinha juntado um pouco de dinheiro e conseguiu um advogado particular. Foi absolvido, mas esta história de o veredicto ser diferente porque os dois primeiros não tinham advogado próprio e o filho tinha um, bem isso é mera coincidência. Algum tempo depois, o pai é absolvido porque um tribunal superior achou que a história dos cheiros não “cheirava” bem. Começaram a aparecer relatos de que o mesmo especialista em “farejar canino” havia sido processado por fraude em outros casos anteriores. Nem pensem em culpar os cães, eu tenho certeza de que eles são profissionais e honestos, e seus cheirar é confiável e se pudessem falar, diriam, “estou cheirando isso e isso parece com o cheiro daquilo, por isso estou latindo” e completariam “Não vão botar alguém na cadeia por causa de um um mero odor, existem mais coisas a serem analisadas.” Mas quem disse que cão tem voz ativa num julgamento, o máximo que conseguem é ter um “farejar”ativo. Eu sei que o passado do pai, Mr. Winfrey “não cheira bem”, mas cheira pior ainda o resto da história. A Megan, mesmo caso, mesmo cheiro, mesmo tribunal, mesma cidade, mesmo xerife, mesmo tudo, advogado diferente, continua na cadeia...Acho que vai sair um dia. Só  o Ser Supremo e os Winfley sabem a verdade e não ouso “chutar”, ainda mais aqui de longe, mas, repito, a forma como tudo aconteceu, perdoem-me, mais uma vez o termo, “não cheira bem”...Puxa, me empolguei e acabei perdendo o fio da meada. O que estava querendo dizer mesmo, que a vida de verdade, que aparece nos noticiários, é o melhor enredo. Ultimamente está dando de dez a zero em algumas histórias inventadas por escritores de filmes. Claro, a vida é a vida, você ainda precisa escrever um “script” (isso é pleonasmo?) para ela...Ainda sobre os Winfrey, até que tiveram sorte. No Texas, assassinato brutal, sem condenação à morte? Só prisão perpétua? Se o promotor fosse um pouco mais ousado e tivesse pedido pena capital, não estaríamos contando essa história...Não haveria nem cheiro dela ou dos suspeitos!

Para não falarem que estou inventado, aí vão os textos...
A história dos cães farejadores


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