Showing posts with label Consciência. Show all posts
Showing posts with label Consciência. Show all posts

Wednesday, October 12, 2016

A consciência de Julian




A consciência de Julian


Num segundo, Julian estava em frente a seu laptop e, no segundo seguinte, o que estava lá era uma estranha máquina, uma espécie de holograma com estranhas imagens e sinais. Estranhou, mas foi apenas por uma fração de segundo, também. Aquilo agora era parte de sua rotina, já não se lembrava mais da velha máquina.
Alguns minutos depois, levantou-se, caminhou alguns passos e a porta de seu escritório se abriu automaticamente para um outro ambiente. Ele queria ir para sua sala de lazer. Ao contrário, porém, estava, de repente, numa grande sala de aula. Sentiu um calafrio, mas também foi por algumas frações de segundo. Olhou para o calendário ao lado da porta e um círculo marcava a data: 11 de março de 1992. Era uma aula de história que iria dar. Sentiu um ligeiro arrepio e viu-se, novamente, em outro lugar. Era escuro, mas dava para ver uma luz que vinha de fora.
Caminhou até ela, fechou os olhos para se proteger dos raios poderosos do sol. Devagar se acostumou e viu que tinha pelos longos, estava descalço e seminu. Tinha saído de sua caverna e estava com fome, sabia que teria de caçar. Pegou sua lança e penetrou numa espécie de bosque que estava à sua frente. Não demorou para que ele visse um movimento entre as folhas. Lançou com força e precisão a sua arma. Pode vê-la zunindo no ar. Sua velocidade foi aumentando, aumentando e tudo à sua volta desapareceu. Era um branco de luz total. Foi, então que viu um ser que também parecia ser feito de luz. Não tinha idade: podia ser uma criança de 8 ou um ancião de 180 anos. Podia ouvir seu pensamento e sentir seu sorriso. Avisou que não era para ficar assustado. Tinha havido uma ruptura de consciência. Não existia o tempo, ele explicou. Tudo acontece simultaneamente. A consciência é múltipla e sente tudo, mas a sensação é de que só se está sentindo uma única experiência.
Ele continuou e disse que ele iria voltar, mas não ia se lembrar de nada. E assim foi. Julian estava de volta frente a seu velho laptop. Sentia por dentro uma enorme e estranha força, como se a vida estivesse explodindo dentro de si.

E Julian sentiu que aquilo era bom.

==============

À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 







Wednesday, July 20, 2016

Consciência



Consciência


Quero lhe contar coisas que você nunca ouviu, coisas de um mundo distante, coisas de além da vida. Não sei como fazer, não sei se você vai entender. É tudo tão diferente do que você está pensando, que nem sei como começar. Só para você ter uma ideia de todo o absurdo que vou lhe apresentar, preciso lhe confessar algo. Eu nem existo. Pelo menos não existo mais. Como explicar isso? Não dá com o pouco que você sabe. Precisaria haver mais referências para você poder se guiar. Talvez ficasse mais fácil se eu lhe disser que não existo mais para mim, mas existo para você. Ou talvez que é uma questão de tempo, de época. Existo num outro tempo, que nem é o futuro, nem o passado. Talvez se eu disser que é em outra dimensão, você vá compreender melhor, mas não é isso exatamente.
Eu sou a consciência de que você existe. Entendeu bem? Não a consciência sua ou a minha. A simples e pura consciência de existir. Por falar nisso, existir? Quem existe? Não fique alarmado com isso. Existe a hipótese de que você também nem exista. Pode ser que você seja apenas uma projeção da consciência, como eu. Seria eu me projetando em você e você se projetando em mim, nós dois não existindo. Coisa de louco? Eu avisei que seria difícil. Eu sei que você está pensando que sente a vida pulsar em suas veias. Pulsa mesmo? Sei que você está vendo cores, ouvindo sons, vendo as formas se combinarem em suave harmonia. É bonito, mas é real? Você não sabe, nem eu. Por que, então estaria eu a falar tudo isso? Será que estou falando mesmo, ou sou apenas imaginação? Mas as cores que você vê, os sons que você ouve e as formas que se formam em sua frente, elas existem? Existir, o que é existir? Talvez ninguém exista, talvez sejamos fragmentos de uma realidade maior, insignificantes em nós mesmos, apenas exercendo uma função secundária num outro ser maior, o verdadeiro.
Você ainda está aí?
Eu e você, apenas fragmentos, juntos com outros bilhões de outros fragmentos, formando uma minúscula partícula de um fragmento um pouco maior, parte insignificante e minúscula, e apenas acessória, de um outro ser maior ainda, uma consciência de verdade. Seremos apenas uma fração ridiculamente sem importância de uma sinapse se comunicando com outra? Num imaginário cérebro gigante, enorme, de um verdadeiro ser? E se esse outro ser também não tiver certeza de sua própria existência? Uma falsa impressão de uma consciência muito maior. Uma gigantesca, absurdamente inacreditável falha, multiplicada por milhões da pequena falhas que somos nós?
Eu disse que você não ia entender. Eu também não consigo. Na verdade, como você, nem certeza de que existo, eu tenho. Desculpe-me ter interferido em sua pretensa existência, se é que você existe realmente...
Eu sei, é melhor continuar assim, sem pensar em coisas maiores, complicadas.
Não que o que estou falando, seja verdadeiro. É melhor pensar do jeito que é mais fácil, isso é.

<><><><><><><><>





 
 À venda


Lançamento no Clube de Autores:  Insólito

Para comprar no Brasil ( impresso ou e book) clique: 



Para comprar nos Estados Unidos clique