Tuesday, September 16, 2014

O manequim



O manequim

A butique está cheia. Elegantes senhoras e jovens sinuosas, acompanhadas ou não, olham para a moda exibida por todos os corredores. Manequins femininos, cheios de curva, vestem vestidos charmosos e de sutil elegância. Quando se olha de repente, confundem-se, às vezes os corpos femininos com os corpos dos manequins. Só depois de se olhar para o seu rosto, é que se percebe a face parada, os olhos que não piscam. Namorados e maridos imaginam suas mulheres naqueles vestidos, naquele corpo esguio. É pura fascinação.
Algum tempo se passa e, passando por lá, percebo que a loja fechou. Crise econômica ou talvez simples sinal dos tempos, não importa. Lá dentro, prateleiras amontoadas, móveis dispersos. Só então que vejo os manequins. Nus e de costas, se apoiam na parede. Talvez com vergonha de sua nudez? Continuam com suas formas esguias, sinuosas. Estão sem vida, porém. Já estavam, eu sei, mas antes os lindos vestidos lhe davam uma espécie de alma, um suspiro de inspiração.

Talvez seja assim conosco também, quando a nossa respiração se for, quando o sangue deixar de correr. Pobres dos manequins, pobres de nós.

<><><><><><><><><><><><><>
<<<<<<<<<<<<<<<<<>>>>>>>>>>>>>>>>


Monday, September 15, 2014

Coisa de americano


Coisa de americano

Faz muito tempo, talvez por volta os anos 80. Tinha de trocar uns mirrados travelers cheques para poder sobreviver uns dias em terra estrangeira. Estava na fila de um banco em Miami. Enquanto esperava, fiquei lendo os avisos, prestando atenção nas conversas. Era bom para meu Inglês. Foi então que li uma grande placa afixada logo abaixo do balcão do caixa. Li três vezes para ter certeza de que era mesmo aquilo que estava lendo. Era simplesmente dirigida aos possíveis assaltantes. Não me lembro dos termos exatos, mas advertia os candidatos a bandido, que roubar de um banco era um crime federal. Com armas, era muito mais grave. Até aí tudo bem, nada mais justo. Falava qualquer coisa em termos de “pensar bem” antes de cometer o crime e informava qual era a pena. Muitos e muitos anos de cadeia.
Algo naquelas frases não soava bem. Fiquei divagando. Será que algum assaltante, diante de tal admoestação, iria parar o ato criminoso, ali, na hora, um pouco antes de cometê-lo?  Imaginei um fulano, coberto com uma máscara, de repente colocando a mão no queixo e pensando: “Melhor parar por aqui, não quero ir para a cadeia.” Talvez assustar algum cliente, em dificuldades financeiras, que estivesse pensando em mudar de profissão e partir para uma vida de crime? Talvez poder falar, depois de cometido o roubo, para o indivíduo no tribunal: “Eu avisei, não avisei?”
Será que algum dia, algum assaltante, em alguma parte dos EUA, chegou a ler aquela sábia admoestação? Será que foi impedido algum assalto por causa daquelas sábias palavras? Desculpe a ironia...
Não vi mais este tipo de aviso em bancos, mas vi muitos semelhantes em outros lugares, em outras situações. Talvez seja apenas um problema legal. Avisar para quem está para declarar “isto é um assalto” que aquilo consta como crime no Código Penal”, que não adianta explicar que não sabia.

Claro, tudo isso é um absurdo. Deve haver alguma razão, um dia vou descobrir. Por enquanto, a melhor explicação que tenho é a seguinte: “É coisa de americano”.


<><><><><><><><><><><><><>
  
À venda


Lançamento no Clube de Autores:  Insólito

Para comprar no Brasil ( impresso ou e book) clique: 



Para comprar nos Estados Unidos clique



Sunday, September 14, 2014

O Planeta Azul

O Planeta Azul

A Nasa divulgou há algum tempo o que eles consideram a foto de nosso planeta com a mais alta resolução até hoje alcançada. Temos de admitir que a Terra é linda. Um azul maravilhoso permeado de nuvens brancas, tons de verde, e um leve marrom  aqui e ali.
Agora imagino uma nave espacial vindo de uma galáxia distante, aproximando-se de nós. Seres muito mais avançados, eles têm tecnologia para ver de longe mais detalhes nossos. Construções, rodovias, nossos satélites orbitando. Com seus potentes computadores e aparelhos podem deduzir qual o nosso grau de evolução, a fase de civilização em que nós estamos. Será, pensariam eles, que esta é uma civilização que usou a tecnologia para equilibrar as diferenças sociais, eliminando a fome a pobreza? Ou será que fez com que os mais privilegiados ficassem ainda mais ricos e deixassem os pobres mais pobres? Será que diante da maravilha da ciência, os humanos desenvolveram a compaixão, sentimentos de amizade e aproximação? Ou será que o desejo de poder foi aguçado pela ciência e suas possibilidades, separando poderosos e fracos? Ainda existem as pequenas delicadezas do dia a dia, doces olhares, um gesto amigo ou uma mão estendida? Ou será que é tudo frieza, praticalidade, objetividade? Ciência pura e fria ou tecnologia que traz prosperidade, bom senso, enternecimento? Robôs práticos e eficientes que dispensam a sensibilidade humana ou um avanço criativo que explora a singularidade da mente humana? Preconceito ou concordância?
Nem uma coisa nem outra.
Somos mistura de amor e ódio, progresso e atraso, estação espacial e carro de bois, internet e analfabetismo, covardia e coragem, espiritualidade e materialismo, superficialidade e essência.
Um amálgama estranho, vibrante, amedrontador e ao mesmo tempo cheio de promessas e ameaças, que às vezes assusta e outras, encanta. Se os nossos visitantes pudessem conviver um pouco conosco, ficariam admirados de como tanta diferença possa conviver no mesmo espaço, na mesma era...Eu acho que, ao mesmo tempo, eles ficariam assustados e encantados... e talvez tivessem esperanças quanto ao nosso futuro. Talvez na nossa diversidade esteja a nossa beleza, a realização de nossos sonhos e de nossas esperanças...Bem vindo ao  Planeta Terra, o “Planeta Azul”...
Leia na UOL


<><><><><><><><><><><><><> 

À procura deLucas

Para comprar no Brasil 
( impresso e e book):


À procura de Lucas  (Flávio Cruz)
----------------------------------------
Para comprar nos EUA:




<><><><><><><><><><><><><> 

Friday, September 12, 2014

Paixão desvairada

 
Paixão desvairada

Paixão desvairada existe, e ela é devastadora. Destrói e pode até matar. Desconfio que é mais comum entre as mulheres, mas não tenho estatísticas para provar. Ela é doentia, insana, insensata. Não, não é amor. Não é nem exagero de amor: ao contrário, é como uma doença. Pode acontecer com qualquer tipo de gente. Educada, mais simples, rica, pobre, remediada.
Lisa Nowak era uma astronauta. Até foi para o espaço na Discovery. Estava se separando de seu marido, quando começou um relacionamento amoroso com William Oefelein, outro astronauta. Durou pouco, não se sabe por quê. Ele começou a se relacionar com Colleen Shipman, um colega de trabalho. Para Lisa, porém, os dois estavam ainda apaixonados e a outra era apenas uma intrusa. Estava no Texas e ficou sabendo que sua rival desembarcaria em Orlando. Precisava se livrar dela. Não teve dúvidas. Armou-se de spray de pimenta, luvas, faca, um tubo de borracha e um martelo. Dirigiu quase 1500 quilômetros, praticamente sem parar. Dizem até que usou fraldas de astronauta para não precisar ir ao banheiro. Chegando ao aeroporto de Orlando, seguiu Colleen até o estacionamento e a confrontou. A vítima tentou se esconder no carro, mas ela conseguiu espirrar o spray dentro. Ainda assim, ela conseguiu fugir e avisar os policiais. Em pouco tempo a desvairada amante foi presa. Durante o processo perdeu seu charmoso posto de astronauta. Já pensou o estrago que ela poderia fazer lá em cima, em órbita, se tivesse um ataque de ciúmes?

Isso é paixão desvairada. Louca, insana, insensata.

<><><><><><><><><><><><><> 



Para comprar no Brasil 
( impresso e e book):


À procura de Lucas  (Flávio Cruz)
----------------------------------------
Para comprar nos EUA:




<><><><><><><><><><><><><> 

Thursday, September 11, 2014

Deuses e demônios ou Considerações Teológicas de um Office-Boy

Deuses e demônios

ou Considerações Teológicas de um Office-Boy


Júlio está na sala de espera de uma agência de viagens em São Paulo. Precisa mudar a data da passagem para New York. O dia é 11 de setembro de 2001 e são cinco da tarde. Afinal, ele não vai para lá tão cedo, todos planos precisam ser mudados. Há um clima diferente por todo o lado, alguma coisa mudou drasticamente no mundo. Dois “office-boys” também estão lá esperando sua vez, com seus envelopes. Conversam assustados sobre o que acontecera na manhã. Afinal de que se tratava tudo aquilo? Quem eram aqueles loucos? Muita gente morrera. Milhares. O primeiro garoto, uns 15 anos, diz:
-Parece que é um negócio de religião. O deus deles mandou eles fazerem tudo aquilo.
O segundo intervém:
-O deus deles? Mandou matar todo mundo?
-É o que o homem da televisão está falando.
-Vige...que povo doido. O deus, deles, hein..?
-Tem um negócio de virgens quando eles forem para o céu..
-Céu, que céu? Beto, eu acho que eles vão é mais para os quintos...
Daí, o Beto, então fiquei sabendo que seu nome era Beto, olhou para cima, pensou um pouco e falou na sua ingenuidade metafisica:
-Eu estava pensando...O pastor de minha igreja sempre está falando de Deus e dos demônios. O deus desses caras é mau, hein, meu...Que deus manda matar desse jeito? Estou pensando..
-Está pensando o quê?
-Estou pensando como devem ser os demônios dessa religião...imagina se o deus deles é assim...os diabos deles devem ser...nem posso pensar....

Na sua simplicidade, o rapazinho botou em palavras uma grande questão teológica.
O que ele não sabia e que Júlio gostaria de explicar para ele, era que a religião de algumas pessoas não têm o departamento de Deus, só o dos  demônios...


<><><><><><><><><><><><>< >

Essa vida da gente

(crônicas e contos sobre o cotidiano)








Thursday, September 4, 2014

Uma nova era: Onabar


Uma nova era: Onabar

Eram duas horas da manhã do dia 12 de outubro de 1492, quando o marinheiro Rodrigo de Triana, a bordo da caravela Pinta, avistou terra. Era o começo de uma nova era, a era das Américas. Colombo tinha descoberto o Novo Mundo.
Quase cinco séculos depois, Neil Armstrong, seguido de Edwin Aldrin, desceu do módulo lunar e pisou pela primeira vez na Lua. Foi o começo de uma nova era, também: a era espacial.
Outros 481 anos se passaram e sete enormes naves espaciais, depois de voar a estonteantes velocidades, próximas à da luz, chegam a um planeta chamado Onabar. Fulgurantes, as espaçonaves orbitam aquele lindo lugar, de um azul esverdeado, que, de certa forma, lembra a Terra. Uma atmosfera tênue e longas camadas de névoa circundam o enorme globo. Todos vieram para ficar. Uma viagem de colonizadores e não de exploradores: viagem só de vinda. Milhares de passageiros, milhares de equipamentos, óvulos fertilizados de seres humanos e de animais. Plantas de todos os tipos: uma nova Arca e Noé.
O nome de batismo do planeta, Onabar, foi dado pelo comandante da missão, um cientista de um lugar que se chamava Suécia. Em sua língua, Onabar significa “inalcançável”.

Começa uma nova era na história do homem: a colonização do Universo.

xoxoxoxoxoxoxoxoxoxoxoxo


Lançamento (contos de ficção científica):

Histórias do futuro







Para comprar nos Estados Unidos clique aqui


xoxoxoxoxoxoxoxoxoxoxoxo

Tuesday, September 2, 2014

Raio atinge Cristo


Raio atinge Cristo

No começo de 2014 saiu a impressionante foto nas notícias. Alguém capturou a imagem de um raio atingindo o dedo da mão direita do Cristo Redentor, no Rio. Uma foto bonita e impressionante. A gente fica pensando coisas. A Natureza mostrando como o homem não liga mais para Deus? Uma simples mostra de força? A explicação técnica, na verdade, é simples. A estátua, por causa de sua posição e altura, funcionou como um para-raios.
Nós, entretanto, gostamos de ver o sobrenatural em tudo. E esta imagem, sem sombra de dúvida, é ideal para isso. Pois bem, já que estamos tratando de coisas subjetivas (a interpretação, é claro, pois o raio foi bem real), vamos fazer uma pequena divagação.  Está claro, que a mão do Redentor não foi atingida. Você não consegue ver? Foi exatamente o contrário. Ela lançou no ar uma advertência. O caminho foi inverso. Um raio foi lançado por Deus, em forma de aviso, no céu da cidade. Por quê você acha estranho? Motivo é que não falta:  no Rio e em todo lugar. Ele está vendo tudo...