Tuesday, January 13, 2015

O Nino Belvicino e a situação mundial



O Nino Belvicino e a situação mundial

Eu notei que, ultimamente, meu grande amigo Nino tem estado muito preocupado. Não vai bem com sua personalidade e por isso, finalmente perguntei o que estava acontecendo. Ele não queria falar sobre o assunto, mas finalmente se abriu. Estava preocupado com a situação mundial. Eu ponderei com ele que era um absurdo se incomodar com um assunto tão longínquo, abstrato, etc. Ele ficou um pouco assustado com minha falta de sensibilidade social ou histórica. Até citei uma frase dele mesmo para reforçar meu ponto de vista. Quando estavam falando, há um tempo atrás, sobre o fim do mundo (aquela história do calendário Maia), ele comentou que o final do mundo acontece a todo segundo. Para quem morre, o mundo acaba. O fim do mundo segundo você mesmo, ponderei, é apenas a coincidência de todos morrerem no mesmo momento. Ele deu uma risada sem graça e me explicou que o problema não era morrer. O importante, no caso, era o fato de ser um evento apocalíptico. Uma guerra nuclear, ou uma guerra mundial, seria, também, o sinal definitivo de que havíamos falhado como seres humanos, como civilização.
Aí eu entendi o momento que o Nino estava passando. Eu só não entendia uma coisa. Até há algum tempo atrás, ele estava tão animado com o progresso da humanidade, tanta evolução. Estava claro que jamais o homem faria uma besteira tão monumental, pela terceira vez. Ele me perguntou, pacientemente, se eu não estava percebendo. Percebendo o quê? Quase irritado com minha ingenuidade, ele esclareceu. Nesses últimos meses, havia tanta irracionalidade, tanta bestialidade acontecendo, que, para ele, estava óbvio que o improvável não era tão improvável assim. Havia, agora, um clima no mundo, provavelmente semelhante ao que antecedeu às duas grandes guerras. E eu acreditei nele.

Agora estou com medo, também.

oooooOOOooooo

Estranhas Histórias
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Sunday, January 11, 2015

Entre a cruz e a espada



Entre a cruz e a espada

Dizem que a expressão “entre a cruz e a espada” veio da época da Inquisição, quando os conquistados pelos cristãos ficavam naquela situação difícil. Tinham de escolher entre a cruz, ou seja, converter-se para o Cristianismo, ou a espada, ou seja, morrer. Ainda bem que não se faz mais assim. Fé e religião, obviamente têm que ser uma escolha real, não uma obrigação. Um verdadeiro Deus não precisa forçar ninguém a segui-lo. Desculpe, disse que não se faz mais assim? Devo corrigir, pois, por mais absurdo que possa parecer, há ainda quem usa os mesmos métodos. Agora outra religião, ou alguém que se diz segui-la, faz o mesmo. Ao invés de bombas, entretanto, usam armas de fogo ou outras formas ainda mais cruéis para punir os que não querem seguir sua crença. Que tipo de deus precisa “obrigar” pessoas a segui-lo? Se fosse tão bom assim, não deveria ser obrigatório.
O problema é que estamos no século 21 e ainda temos de ver estas coisas acontecendo. Até quando? É difícil dizer. O fanatismo resiste a quase tudo, até ao óbvio.


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Saturday, January 10, 2015

Você se lembra da bola de capotão?



Você se lembra da bola de capotão?

Quando eu era criança acho que a palavra mesada nem existia. Para comprar o que a gente queria, tinha de se virar. Ainda bem que não havia muita ambição. Os nossos sonhos eram simples. Umas figurinhas, bolas de gude, papel para balão e papagaio e – isso era importante – doces da venda. Para quem era bom em “bater bafo”, era fácil colecionar as figurinhas sem precisar comprar aquelas balas em que elas vinham enroladas. E quem era bom na pontaria, juntar um monte de bolinhas de gude era moleza, mas para conseguir material para fazer balão e comprar doce, não havia outro jeito. Era necessário trabalho duro. Um deles era costurar bola de capotão. Algum adulto pegava os gomos de couro na fábrica e distribuía para a molecada. A gente colocava duas do lado avesso, segurava com os joelhos, ensebava bem o barbante e, com duas agulhas enormes passando em direção contrária pelo mesmo buraco, ia montando a bichinha. O duro mesmo era no final, os dois últimos gomos. Num deles estava a câmara de borracha. A gente tinha de desvirar tudo, deixar a válvula do lado de dentro e dar os últimos pontos. Trabalho de artista.
Eu tinha até me esquecido disso tudo. O dinheiro era uma miséria. Mas as figurinhas, os doces e tudo mais, eram também uma miséria.

Tempo bom. Não volta mais.

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Tuesday, January 6, 2015

Uma fábula bacteriológica


Uma fábula bacteriológica

Primeiro foram alguns porcos. Morreram sem marcas de dentes ou sem machucaduras externas. Depois foram coelhos e outros bichos pequenos. Era um mistério e aquele pequeno reino começou a ficar exaltado, curioso e preocupado. O  Lobo Mestre, que era o mandachuva, tentou acalmar a população, dizendo que iria achar o inimigo e dizimá-lo.
A coruja, inteligente e sábia, tentou estudar o caso. Pesquisou, pesquisou. Disse a vários outros animais que aquilo era provavelmente relacionado com a água suja que os porcos usavam e depois deixavam correr no rio. Os verdadeiros inimigos eram praticamente invisíveis, de tão pequenos, e eram chamados de  bactérias.
Os porcos ficaram furiosos, ofendidos. Outros achavam aquilo uma tolice. Como algum ser podia ser tão pequeno que nem dava para ver? Conversa fiada, conversa de quem não tem o que fazer, como a coruja. Conversa para boi dormir, embora não houvesse vacas ou bois por ali. O medo juntou-se com a raiva e nem se podia dizer qual era mais forte. Salvo raríssimas exceções, todos criticavam a coruja.
Inicialmente o Lobo Mestre chegou a pensar em mandar a coruja vir até o palácio real e explicar melhor o que ela estava dizendo, pois até agora suas palavras não faziam sentido. No entanto, diante do clamor público, não o fez. Ao contrário, decretou que ela deveria ficar calada e além disso decretou sua prisão domiciliar. Colocou até alguns lobos soldados e gaviões ao redor da árvore em que morava, para garantir que a ordem de prisão fosse mantida.
Ainda assim, com toda  a reprovação e clamor público, a palavra bactéria espalhou-se por todo o reino. O Lobo Mestre não teve saída a não ser proibir seu uso. Prisão para quem a proferisse e, para os  animais que repetissem a dita cuja mais de uma vez, ordenou que fossem condenados à morte.


Ninguém mais falou em bactéria.  Só para garantir, o grande ditador também decretou a palavra como inconstitucional, embora nem sequer tivessem uma constituição. Só para garantir. Quem sabe no futuro, ele resolvesse fazer uma. Aí  então, essa palavra horrenda nem teria chance. Já pensou esse pessoal dos Direitos Animais começar a fazer exigências do tipo “Direito das Bactérias” ou coisa assim? Mais vale um pássaro na mão do que... O que fazia lembrar da coitada da coruja, que nunca deveria ter aberto o bico sobre bactérias... Que absurdo, um animalzinho que ninguém consegue ver... Onde se viu?
Não se sabe o que aconteceu  no reino. Ninguém queria chegar lá perto para não morrer. A última vez de que se teve notícia, muito animal havia morrido, nenhum lobo, entretanto. A água deles vinha de fora, de outro lugar...


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Monday, January 5, 2015

Os monstros dos meus sonhos


Os monstros dos meus sonhos

Tenho sonhos. Neles vejo meu país sendo tomado por monstros. Às vezes estão disfarçados de anjos, às vezes são monstros mesmos, de fato.  Não sei de onde surgiram, não sei se sempre estiveram aqui. São vorazes, são algozes, dissimulados. Acho que são filhos de outros monstros antigos, que às vezes também se vestiam de anjos. São monstros, são anjos, são sinistros, são medonhos.

Eles nos enganam com seus sorrisos. Seus sorrisos nos confundem, não sabemos mais quem eles são. Eles nos devoram pouco a pouco, devoram tudo que temos. Devoram nossa comida, tomam nossas terras. Não adianta o clamor, não adianta o amor.

Não são todos que os veem. São, na verdade, muito poucos. Eles se disfarçam, sabem que o clamor é de poucos, sabem que têm muito a conquistar.

E eles vão avançando em nome do bem , em nome do mal
A maioria do povo não os vê. Por isso eles vêm cada vez com mais fúria, cada vez com  mais força. Eles são muito fortes, acho que vão vencer. E daí, não sei o que vai ser...Tenho medo dos monstros...Você não os vê?

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Sunday, January 4, 2015

Crianças que desaparecem

Brooklinn Miller, Taliyah Best,Nely Noemi V.Dias, Vivian Trout, Abel Garcia, Drew Drees







Crianças que desaparecem

Crianças desaparecidas: vejo o painel nas paredes do Walmart. Nomes e fotos de garotos e garotas de idades diversas, várias raças, todas as cores. Daniel, Emilia, Olivia, William, Esperanza, Ramon, Isar e Chloe...Sorrisos antigos que já não existem mais. Embaixo da foto, o dia em que a desgraça aconteceu, a projeção de como a  Ava ou o Noah seriam hoje, numa tentativa do milagre: alguém reconhecendo o filho perdido e chamando com a boa notícia. Numa tarde distante, uma mão pequenina se desprendeu da mão da mãe por segundos e daí, o desespero, a procura. Um pai ou mãe zangada com o divórcio arrebatando o pequenino do parceiro, o quase adolescente sumindo na esquina para chamar a atenção...e o inimaginável, o monstro doente surrupiando o pobre inocente...
Quando e como começamos a perder nossas crianças? Foi na mesma época em que aprendemos a cruzar o espaço, pisar na lua, orbitar em planetas distantes? Foi quando aprendemos a explodir o átomo, a analisar as subpartículas quânticas?  Sabemos contar as estrelas, sabemos a idade do universo, como ele se expande, e não vimos aquela criancinha se perder na esquina, no caminho da escola, ser roubada na calada da noite?
Sabemos fertilizar as mulheres que não podem ter filhos, podemos até clonar, implantar, colocar joelhos artificiais, fazer maravilhas médicas e não sabíamos onde estavam nossos filhos naquela manhã sinistra?
Temos satélites no espaço, temos drones que atingem o inimigo em terras distantes, sondas navegando pelo espaço sideral  e não sabemos onde esconderam os pequenos? Cada rostinho daquele é maior do que o infinito, é mais importante que todas as guerras, é a prioridade das prioridades. O que aconteceu conosco que não sabemos mais cuidar desses preciosos seres?
Onde vocês estão, Isabella, David, Ethan, Sophia, Mia, Juvenal, Alonso, Rachid??? Como fomos perder vocês? Perdoe- nos, Emily, Jane, Jose e Maria, perdoem-nos…se for possível!
Sobre o assunto:

A
B


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À procura deLucas

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À procura de Lucas  (Flávio Cruz)
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Thursday, January 1, 2015

O filme “História Real” (The Straight Story)


História Real

O filme “História Real” (The Straight Story) tem tudo para ser um filme chato. Um homem com certa idade viajando entre dois estados americanos com um tratorzinho cortador de grama? Grande engano. É verdade que não tem cenas dignas de Hollywood, mas tem toques humanos poucas vezes vistos no cinema. Alvin Straight, o personagem principal, vive numa região rural de Iowa, quando recebe um telefonema comunicando que seu irmão Lyle tinha sofrido um derrame. Fazia muito tempo que ele não o via e, da última vez, houve motivo para certa mágoa. Achou que era hora de acertar as coisas da alma, afinal era seu único irmão. Com uma certa idade, sem dinheiro, e sem poder dirigir um carro por causa da visão, toma uma decisão arriscada. Pega seu velho cortador de grama e inicia aquela viagem de mais de 240 milhas até outro estado. No caminho, passa por histórias de incrível lirismo, através de pessoas extraordinárias. Entre outras coisas, tem a tristeza de relembrar seus tempos como soldado na guerra.
Nada, porém, se compara à cena final quando, finalmente, chega a seu destino. Numa velha e isolada casa, no meio do mato, está seu irmão. Ele chama e Lyle demora para responder, deixando-o preocupado. Finalmente sai, convida o irmão para sentar e, olhando para o cortador de grama, perguntou se ele tinha andado tudo aquilo, naquela coisa, só para vê-lo. E é praticamente só isso que eles falam. Não precisam de desculpas, de explicações, de nada. Sentam-se na varanda e olham para as estrelas. Em silêncio, conversam com elas, como quando eram meninos. Quem precisa de palavras quando se sabe conversar com os astros celestes?
De uma maneira mágica, só com imagens, olhares, atitudes e expressões, David Lynch (diretor) criou um momento único na história do cinema. Aquela fusão, aquela comunhão de espíritos, o perdão mútuo, aquele silêncio que diz tudo, até hoje me emociona. E, então, eu me lembro do Olavo Bilac:
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...”


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