Monday, August 15, 2016

Nada sabemos



Nada sabemos


-Tudo depende da triangulação dos elementos.
-Você tem razão. Entretanto, é necessário um fator de motivação antes disso. E, antes dessa, um princípio gerador. Sem isso, não há nada o que triangular, meu amigo.
-Puro engano seu. Se os elementos estão lá, a triangulação ocorre, as coisas acontecem...
-Não concordo. Sem princípio gerador, nada começa. Triângulos, quadriláteros, nada importa. Posso garantir isso com conhecimento de causa.
Eu não sei do que essas pessoas estão falando. Você, certamente, não sabe também. Podem estar falando de Filosofia, de História. Até de algo mecânico, como posso saber? Como citam a palavra “motivação”, há uma grande possibilidade de que o assunto se refira à área de humanas, mas ninguém pode garantir. Pode ser linguagem figurada, pode ser tanta coisa. 
A maioria das pessoas, no entanto, nas situações do dia a dia, aventura-se a interpretações.  Quase sempre. É claro, de acordo com seu próprio conhecimento, experiência de vida, convicções e, principalmente, de acordo com seus interesses. Essa ansiedade do ser humano de procurar significado em tudo, essa vontade de querer interpretar o mundo e as coisas, tendo só uma pequena nesga da verdade, é o que nos leva ao caos. Isso mesmo, esse caos que está por aí, as inúmeras e estranhas religiões, crenças, sociedades misteriosas, tudo isso é consequência dessa necessidade de querer explicar o universo através de uma ínfima, quase inexistente, parcela da realidade. A verdade é que não sabemos nada, quase nada. E o pouquíssimo que sabemos ainda precisa de contexto, de maiores explicações. Em suma, o que conhecemos está muito próximo de zero e vai demorar muito, muito mesmo, para sabermos só um pouquinho.






o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o



Histórias do Futuro

Para adquirir este livro no Brasil 


Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Tuesday, August 9, 2016

O celular



O celular

Lídia estava próxima dos 50, mas parecia uma adolescente quando se tratava de redes sociais, uso de celular e essas coisas de hoje em dia. Seus dedinhos eram mais velozes do que os de qualquer garota de 16. Estava totalmente integrada neste fascinante mundo tecnológico. Enredada nas redes sociais. Sua melhor amiga, Mara, mal conseguia acompanhá-la.
Não conseguia entender como as pessoas de sua geração tinham conseguido sobreviver sem tudo aquilo. E as novidades? Quase todos os dias alguém falava de um novo app, de uma artimanha tecnológica qualquer e ela assimilava tudo... O celular estava sempre com ela, a maior parte do tempo em suas mãos. Não saía sem ele, não ficava sem ele, não dormia sem ele. Era o marido que não tinha.
Tudo isso era para ela, parte do viver. A vida, porém, tem seus próprios caminhos. O sangue que corre nas veias não corre como as informações correm livres pelo ar. Um coágulo parou o cérebro de Lídia e este, por sua vez, parou de mandar instruções para seu coração continuar batendo. O hardware de Lídia tinha um defeito fatal e não houve como consertá-lo.
A Mara e mais algumas amigas cuidaram de tudo, uma vez que Lídia, além de não ter marido, não tinha parentes próximos, nem na proximidade.
Lá estava o corpo dela no caixão, frio, parado, mas bonito. Quase feliz. Arrumada com um capricho de mulher para mulher pela Mara. As pessoas conversavam e falavam as coisas que se falam nessas ocasiões. Que coisa, hein? Tão nova! Coitadinha, sem ninguém da família por perto! Ainda bem que havia a Mara. Tão ativa, tão esperta, como pôde acontecer?
Isso e outras variações disso. A Mara, porém, não falava com ninguém. Fazia um bom tempo que olhava para o rosto da amiga querida, como se tentasse falar com ela. A uma certa altura, parecia incomodada, algo parecia estar errado. De repente deu uma coisa nela. Saiu apressada da sala, pegou o carro e sumiu. Foi até a casa da Lídia, vasculhou sua bolsa, pegou um objeto e voltou correndo para o velório. Aproximou-se do corpo, descruzou as mãos da amiga, colocou o celular no seu peito e fez com que ela o segurasse.
Era isso que estava faltando. Era isso que a Lídia estava pedindo. Queria ser enterrada com seu “amigo”, parte de sua vida.
A Mara deu um suspiro de alívio, um sorriso manso. Acho que a Lídia agora estava sorrindo também, mas disso eu não tenho certeza...

><><><><




 
 À venda


Lançamento no Clube de Autores:  Insólito

Para comprar no Brasil ( impresso ou e book) clique: 



Para comprar nos Estados Unidos clique




Monday, August 8, 2016

Morada das Flores, uma cidade como nenhuma outra




Morada das Flores, uma cidade como nenhuma outra


Maurício olhou para o teto e estranhou, por alguns segundos, o que estava vendo. Aquele não era o lustre de seu quarto, aquela não era sua cama. Aos poucos, seu cérebro foi se reajustando. Morada das Flores, interior do estado, casa do amigo Sérgio... Cansado, deprimido, estava precisando de férias. O bom amigo sugeriu que ele fosse para o interior na casa que era de seus pais. “Você vai se esquecer da vida”, disse o Sérgio quando lhe entregou as chaves. Duas horas e meia de viagem e lá estava ele, tarde da noite. O amigo tinha pensado em tudo. Tinha pedido para a dona Rosa limpar a casa, fazer um lanche de boas-vindas e deixar tudo pronto para um bom café da manhã.
Assim que se lembrou de tudo, percebeu que estava com fome. Banho rápido, roupas leves, fez o café. Enquanto comia, estava pensando no que ia fazer. Conhecia um pouco da cidade. Tinha vindo duas vezes com o Sérgio quando os pais dele ainda eram vivos e lá viviam. Tinha ficado com uma ótima impressão. Todos eram muito gentis e sorridentes. Ajudava o fato de que seus anfitriões eram pessoas amadas na cidade. Até se lembrava de alguns nomes.
Boa ideia. Iria andar pela Rua das Dálias - a principal -  até onde ela terminasse. Conversar um pouco, quem sabe até comprar alguma coisinha. Precisava dar um chute preciso e definitivo naquela depressão que começava a ameaçá-lo de uma maneira mais séria.
Saiu, apenas encostou a porta: não se sabe de roubos na cidade desde sempre.  Decidiu ir para a direita. Mal andou alguns passos e alguém sorridente lhe mandou um olá e um vigoroso aceno de mão. Mais alguns passos e outro aceno por trás das vidraças. Mais surpreso ele ficou quando alguém lhe disse: “Bem-vindo, tenha uma boa estadia na Morada das Flores, Júnior”!  Achou simpático, mas estranhou alguém chamá-lo assim: nem sequer tinha Júnior no nome. Talvez o tivessem confundido com alguém. De qualquer forma, fazia anos que não visitava o lugar. Ninguém tinha obrigação de se lembrar.
Maurício não se importou muito com aquilo e continuou sua caminhada. Estar ali era melhor que qualquer remédio, que qualquer médico! Não demorou muito para vir aquela parte onde havia algumas lojas, alguns cafés. Sempre havia gente matando tempo por ali. Mal viu as primeiras mesas e alguém o chamou:
-Júnior, senta aqui com a gente!
Antes que pudesse conjeturar sobre o fato de que o estavam chamando novamente de Júnior, um homem de bigode, simpático, levantou-se, veio a seu encontro e puxou-o para a mesa:
Conversaram com ele como se ele estivesse na cidade há muito tempo. Contaram novidades sem importância, riram muito das piadas do Andrade - o homem de bigode -  falaram até do sermão do pastor Jônatas, do qual ele se lembrava vagamente. Era como se ele tivesse estado sempre ali. Essa sensação só foi embora quando perguntaram sobre o Sérgio, seu amigo e, obviamente amigo deles. Estava muito bem, obrigado. Por algum motivo, Maurício sentia que alguma coisa não fazia sentido, embora continuasse se sentindo muito bem, muito feliz. Foi então que quis esclarecer algo:
-Eu não sei por que vocês me chamam de Júnior, meu nome é Maurício. Vocês sabem disso, não sabem?
Eles se entreolharam rapidamente como se não estivessem entendendo a pergunta e antes que Maurício pudesse ir fundo ao assunto, alguém chamava do outro lado da rua dizendo que o almoço estava pronto. Convidaram o Maurício, mas ele tinha acabado de tomar café e, além disso, queria andar mais. E assim continuou. Sem exceção, todas as pessoas que passavam por ele, o cumprimentavam efusivamente: homens, mulheres, velhos e crianças.
Maurício estava andando por mais de 40 minutos e se lembrava de praticamente tudo, o que era incrível, pois só estivera lá duas vezes e fazia muito tempo. Finalmente ele foi chegando a uma parte da rua que ele não conhecia. Definitivamente, não. Continuou a andar. Era uma área mais residencial. Ainda assim, as pessoas que estavam fora o cumprimentavam com o mesmo entusiasmo que os outros. Certamente os tinha visto na parte mais central da cidade e por isso o conheciam.
Andou por mais uns 20 minutos e a havia poucas casas agora. Mais à frente, no entanto, já dava para ver um certo movimento. Apressou o passo e, de repente, sentiu uma estranhíssima sensação. Parecia a mesma vista que via da casa onde estava, porém à esquerda. Andou, agitado, e lá estava: a casa do Sérgio, onde estava hospedado. A rua era um círculo? Não podia ser, aquela era a rua mais reta que ele conhecia. Andou mais um pouco, as mesmas pessoas o cumprimentaram e, de novo e, pasmem, lá estavam o Andrade e seus amigos. De novo, puxou-o pelo braço e o fez sentar.
Assim que se recuperou, perguntou:
-A rua das Dálias é um círculo?
Todos riram e pensaram que ele estava brincando. Diante do olhar surpreso deles, levantou-se e foi caminhar novamente. Atrás de si podia ouvir o Andrade chamando-o de volta pelo nome de Júnior. Ele andou mais um pouco e quando viu a placa “Alameda das Rosas”, virou à esquerda. Caminhou alguns blocos e, enquanto passava, os moradores o cumprimentavam. Alguns deles pareciam os mesmos da Rua das Dálias, mas isso, agora, nem mais parecia estranho diante do resto. A alameda foi ficando vazia e, de repente, pôde ver algum movimento lá na frente. Sôfrego, apressou o passo.
E lá estava novamente a sua casa, ou seja, a casa do Sérgio. Caminhou novamente em direção ao Andrade que imediatamente veio recebê-lo, segurando seu braço. Queria respostas. Olhou sério para todos:  o Andrade, o Marco e o Souza. Aquilo era uma espécie de prisão? Como tudo voltava para o mesmo ponto? Os alimentos, as coisas em geral, como chegavam até eles? Como sobreviviam? Eles realmente conheceram os pais do Sérgio? E o próprio Sérgio?
O Souza tomou a palavra. Disse que as coisas estão sempre ali, nunca precisaram buscar nada. Os alimentos estiveram sempre lá. Os pais do Sérgio eles conheciam muito bem porque todos descreviam como eles eram, mas nunca os tinham visto antes. Nem o Sérgio, embora era como se eles o conhecessem, tanto tinham ouvido falar dele.
Não entendiam por que o Júnior estava tão assustado, ele nunca tinha sido assim. Foi então que o Marco sugeriu que o Júnior - meu nome não é Júnior, repetia o Maurício - fosse dormir. Normalmente essas crises passam após um bom sono.
Sem outra alternativa e duvidando que pudesse pegar no sono diante de tanta ansiedade, ele se recolheu. Ao contrário do que imaginava, assim que abriu a porta, sentiu um torpor enorme e foi para a cama.
O Maurício acordou na manhã seguinte. Não estranhou o lustre, nem o quarto, nem nada. Tomou café, saiu pela rua, encontrou-se com o Andrade e com outros. Sentia-se bem naquela cidade fechada, em que tudo estava pronto, tudo certo, sem surpresas. Uma cidade feliz, a Morada das Flores. Nunca tinha ouvido falar de nenhum Maurício, só conhecia seus amigos de todos os dias.

Júnior estava feliz e não trocaria sua cidade por nenhuma outra no mundo, mesmo porque não havia outras cidades no mundo. O mundo todo era ali.

><><><><




 
 À venda


Lançamento no Clube de Autores:  Insólito

Para comprar no Brasil ( impresso ou e book) clique: 



Para comprar nos Estados Unidos clique




Saturday, August 6, 2016

Besta ressuscitada



Besta ressuscitada

Anos antes da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha passava por uma crise insustentável. Problemas econômicos sérios, além de outros, afetavam profundamente seu povo. Em meio a esse horrível ambiente histórico, apareceu um líder. Ele conseguiu somar toda a frustração, todo o medo do futuro, toda a dor do seu povo e canalizá-los para um ultranacionalismo, um ódio ilimitado contra estrangeiros, no caso, os judeus. Virou o salvador, o guia, que deveria ser seguido e reverenciado como um ser superior, um quase deus. Sempre há as pessoas de bom senso e racionais que conseguem enxergar mais do que aquilo que está à sua frente, mas eles, depois de alguma resistência, foram voto vencido. E surgiu Hitler: um ditador com uma incrível necessidade de culto à própria personalidade.
E aconteceu a grande guerra. Pode um povo inteiro errar, ser enganado? Pode. Aconteceu mais de uma vez. Todos conhecem os resultados.
Donald Trump está fazendo agora exatamente a mesma coisa. Está canalizando a frustração de uma camada da população para energizar sua campanha à presidência dos Estados Unidos. Usa o medo de perder o emprego para imigrantes, o medo de ser atacado por terroristas, com outros tantos medos, para seu propósito. Mistura religião, raça e extremismo num discurso em prol de um nacionalismo americano, que mal esconde sua característica racista. E, talvez, o elemento mais importante para se fazer um falso líder: culto à personalidade.
É tudo tão óbvio, tão igual.  O que impressiona é que uma grande parte do eleitorado não percebe. Desta vez, o que acontecer, não vai se restringir somente à Europa. Vai ser uma catástrofe mundial.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos livre de tal monstro.

Friday, August 5, 2016

O Mateus aguarda na sala


O Mateus aguarda na sala

Lisandra tinha passado uma péssima noite. De certa forma, merecia, pois o que ela abusou da bebida foi muito além da conta. Pelo menos desta vez, ela não misturou, ficou só no vinho. E você sabe, o vinho é a bebida dos deuses, pelo menos dos beberrões, eu acho. Mas como sempre diz um grande amigo meu, a bebida não é o problema. O que preocupa é o que faz a pessoa se entregar a ela. No caso de Lisandra era o amor, ou a falta dele. Às vezes ela se entregava a uma pessoa e não recebia nada em troca. Outras, um coração apaixonado se declarava só para ser rejeitado por ela em seguida. Muitas vezes ela avançava num recionamento e depois descobria que fez a coisa errada. Acontecia também de ela se apavorar e parar repentinamente algo que poderia se tornar uma bela paixão. Essa Lisandra não tinha jeito, pelo menos em relação ao sexo oposto.
Na noite anterior, como disse, ela havia exagerado no vinho. Acabou com uma garrafa inteira e avançou até a metade da segunda. E eu digo que foi uma garrafa por educação, pois o formato poderia ser de uma garrafa mas lá dentro havia muito mais de um litro. Não posso afirmar que ela estava de ressaca porque ela já se acostumara tanto com a bebedeira que praticamente não sentia efeitos secundários. Poderia ser assim com os relacionamentos, pensava ela. Pelo menos não teria um coração partido cada vez que conhecia um novo homem. E foi no meio desses pensamentos que, ao passar pela sala, viu o Mateus junto à mesa. Ela pensou que tinha se livrado dele. Que nada. Lá estava ele com sua suavidade, com sua doçura. Poderia dizer até que ele era “róseo” mas isso talvez não “caísse bem”. A primeira vez ela fingiu que não viu e na segunda deu uma olhada rápida e saiu ligeiramente. Trancou-se no quarto, não queria saber do Mateus, ele já tinha atrapalhado sua vida na noite passada. “O que ele está pensando, que pode ficar ali, como se nada tivesse acontecido?” Se ele pensa que ela iria lá se entregar novamente, como se ele fosse o grande caso de sua vida, engano seu, Mateus, você teve sua chance, agora de manhã o que Lisandra quer é ficar sozinha.
Foi até a cozinha sem olhar para o Mateus. Mas ela sabia que ele estava lá, firme, não estava tão cheio de si como na noite passada, mas não saía do lugar. “Era teimoso esse Mateus. Ele deve se achar o máximo, que não posso ficar sem ele. “, pensou. E ela pensou mais e mais. Na verdade ela estava lutando contra si mesma, pensar era a única coisa que ela não estava fazendo. Para o bem da verdade, quando se tratava de relacionamentos, ela nunca pensava, só sentia. E o que ela estava sentindo agora era uma atração irresistível pelo Mateus. Tão irresistível que não havia lugar nenhum para raciocínio. Ele era aquilo de que ela mais precisava no momento.
Não adianta eu ficar aqui fazendo suspense, você já sabe, a essa altura, que  ela não resistiu. Correu em direção ao Mateus. Sentiu seu cheiro gostoso, agarrou-o pelo pescoço, e “acabou” com ele. Pronto, mais uma vez ela foi devorada pela paixão. A Lisandra, mais uma vez tenho de dizer, não tem jeito. Talvez devesse tentar um tratamento. Talvez devesse procurar a Associação dos Alcoólicos Anônimos. Dessa vez foi o Mateus, depois não sei quem vai ser. Antes de você ficar pensando mal da Lisandra, pelo menos mais do que ela merece, eu devo esclarecer que o Mateus é uma marca de vinho. Um vinho fabricado em Portugal, “rosé”, suave, doce, etc... Acho que você tinha entendido, mas nunca é demais esclarecer.


><><><><>




 
 À venda


Lançamento no Clube de Autores:  Insólito

Para comprar no Brasil ( impresso ou e book) clique: 



Para comprar nos Estados Unidos clique

Tuesday, August 2, 2016

O engarrafamento




O engarrafamento

De repente, o trânsito para. Logo se forma uma fila atrás de mim. Impaciente, tento me distrair. Ainda bem que era uma rua movimentada, cheia de pequenas lojas, pequenos negócios. Logo à direita, um primeiro cartaz me chama a atenção. Uma cartomante quer ler minhas cartas. Uma pechincha, só dez dólares. Certamente vai falar que logo mais na vida vou estar em uma encruzilhada, vou precisar tomar uma grande decisão. Uma pessoa desconhecida vai entrar em meu caminho e vai me ajudar. Caramba!
Logo ao lado, um advogado faz divórcios por apenas $ 99! O preço é bom, mas tenho certeza que vão aparecer outras despesas e, graças a Deus, não estou nessa situação. Do meu lado esquerdo, cursos de autoajuda. Minha vida pode mudar. Vou encontrar o grande homem que existe dentro de mim! Tudo isso por módicos $ 199 dólares mensais. Ao lado dos cursos maravilhosos, uma lavanderia que não deixa por menos. Nada de moedinhas dando uma lavada superficial nas minhas vestes. Lavagem perfeita, melhor que a do Lava Jato. Vi o preço, fiz uns cálculos e cheguei à conclusão de que se comprasse num certo lugar – posso até te dar o endereço -  com um ou dois dólares a mais, poderia comprar uma peça novinha. Para que lavar? Estou fora. Voltei novamente para o lado direito. Alguém oferecia empréstimos a juros incrivelmente baixos e com aprovação imediata. Duvidei, por instinto, dos juros e da aprovação.
Ia procurar mais propagandas para ver, mas o trânsito começou a andar. Ainda bem! Já estava começando a ficar desconfiado que tinham sido eles - os lojistas -  que provocaram o pequeno engarrafamento, só para atrair a gente.
Esse mundo está ficando perigoso... ou já era?

><><><><>




 
 À venda


Lançamento no Clube de Autores:  Insólito

Para comprar no Brasil ( impresso ou e book) clique: 



Para comprar nos Estados Unidos clique

Monday, August 1, 2016

A pátria de todos nós



Faz tempo que não ouço alguém cantar o Hino Nacional com emoção. Mas algumas vezes, eu ouvi. Foi na época das “Diretas Já”.  Para dizer a verdade, quando a gente sente o que está cantando e acha que aquilo tudo pode ser real, dá vontade de chorar. Naquela época era o que muitos sentiam. A gente dava uma disfarçada,  mas as lágrimas acabavam saindo, não dava para esconder. Talvez por causa das circunstâncias, da distância, nunca mais senti esta emoção. Nos Estados Unidos, apesar de todas as críticas que possamos fazer a seu estilo de vida, às suas pretensões, é muito comum essa emoção vir à tona. Para dizer a verdade, toda vez que alguém canta o hino, dá para sentir algo diferente no ar. Essa parte - e mais algumas – talvez devêssemos copiar. Não é vergonha.

Faz uma diferença enorme quando você ama sua pátria. Não podemos ficar com raiva da situação e deixarmos de amá-la. Ela não são os políticos. A pátria somos nós, as pessoas de boa vontade. A pátria é o povo. Como não amá-la, como não amá-lo?

><><><><>




 
 À venda


Lançamento no Clube de Autores:  Insólito

Para comprar no Brasil ( impresso ou e book) clique: 



Para comprar nos Estados Unidos clique