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Friday, January 26, 2018

A história de Clotilda

 


A história de Clotilda

Em um ano começaria a Guerra Civil nos EUA, mas desde 1808 já era proibido trazer escravos da África. A escravidão, no entanto, durou até dezembro de 1865, logo depois de terminar o confronto entre o sul e o norte do país.
Apesar da proibição, Timothy Meaher, um negociante do Alabama na época, quis provar que ele era capaz de burlar a lei. Junto com alguns investidores, enviou um navio para o oeste da África. No reino de Whydah efetuaram a compra de mais de 100 escravos e voltaram para a América com a preciosa “carga”. Quando estavam chegando perto da cidade de Mobile, no entanto, perceberam que seriam facilmente detectados e perseguidos pelas autoridades. Agiram rapidamente. Depois de atearem fogo àquela embarcação, transferiram os escravos para outra menor. O que restou desapareceu nas lamacentas águas do delta. Timothy ficou com 30 dos homens e entregou os outros para os que tinham investido nessa triste empreitada.
Alguns anos depois terminou a guerra e junto com ela, a escravidão. Aqueles pobres seres que haviam sido trazidos do outro lado do mar contra sua vontade, agora estavam livres. Um grupo deles solicitou ao governo americano que eles fossem levados de volta para sua terra, mas isso foi negado. Compraram então uma área de terreno e formaram uma comunidade chamada Africatown. Outros, que haviam se separado, começaram a voltar também para se unirem aos companheiros da terrível jornada. Africatown existe até hoje e lá residem seus descendentes. Tentaram conservar suas tradições, sua língua. Mais tarde alguns se converteram ao Cristianismo.
Há algumas semanas trás, um repórter do Alabama parece ter encontrado os restos da escuna que fora então incendiada. Possivelmente um ciclone conhecido como “ciclone-bomba” desenterrou o que havia sobrado.
O nome dessa escuna era Clotilda e foi o último navio negreiro a desembarcar na América.

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Tuesday, April 7, 2015

Um paradoxo judicial



Um paradoxo judicial

Tsarnaev é o rapaz que, junto com o irmão (morto durante a caçada policial), colocou as bombas no local onde estava sendo realizada a Maratona de Boston. Eles mataram 3 pessoas, causaram a amputação de membros de 17 pessoas e deixaram mais de 240 feridos. Neste momento estão decidindo se deve receber a pena de morte ou não. Há todo um aparato e muito dinheiro está sendo gasto para se chegar ao resultado final. Há cem vezes mais provas do que seriam necessárias para provar a autoria do crime. Ninguém discute isso. Merece a pena de morte? Se você reconhece este castigo como válido, não tenha a menor dúvida. Ninguém mais do que ele.
Há 30 anos atrás, um homem chamado Anthony Ray Hinton, residente no Alabama, foi condenado à morte, num processo cheio de irregularidades e malícia. Poderia relatar mais detalhes, mas não há necessidade. Basta dizer que ele é negro e o processo foi no Alabama. Finalmente foi libertado, há alguns dias atrás. Tudo que o Estado tinha de fazer era testar uma arma. Apenas isso. O pedido foi negado. Depois de muito trabalho judicial, finalmente ele foi libertado diante do absurdo da condenação. Há vários casos como este. Alguém pode duvidar que outras pessoas inocentes foram condenadas e executadas sem terem sequer a chance de provarem sua inocência?
Olho os dois casos e fico perplexo. A perplexidade que vem do inacreditável, do paradoxo. E o paradoxo é este: você querer e achar justa a pena de morte, bastante compreensível, mas saber que ela pode atingir uma pessoa simples, inocente e que não tem meios de se defender.

Mais incrível ainda foi a declaração do pobre homem: sem rancor, sem ódio e feliz por poder aproveitar o que lhe resta de vida, agora que ele tem 58 anos.

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Thursday, October 23, 2014

A essência do mal (ou Demônio do Alabama)



A essência do mal (ou o Demônio do Alabama)

Existem os velhos e conhecidos facínoras. Monstros cruéis, assassinos frios, que matam por nada. Muitos são presos, outros morrem e muitos continuam seu caminho para o inferno. Pelo menos, a gente sabe quem são. Há, porém, aqueles que atuam nas sombras. Dissimulam-se com faces inocentes, exercem funções dignas, sabem falar bonito e até falam de Deus. Alguns pregam no púlpito com palavras de homens de bem. Dissimulados, enganam a todos. Alguns fingem amar as crianças e delas abusam. São seres da escuridão, os piores de todos. Outros usam a fé dos inocentes e disseminam o mal.
O Rev. Juan D. McFarland, de Montgomery, Alabama, é um desses. Pastor conhecido, de prestígio, tinha AIDS e, há muito tempo, estava dormido com algumas seguidoras. A parte da ética e da moral, vamos deixar de lado. São todos adultos. O problema que só ele sabia disso e foi infectando inúmeras pessoas de propósito. No final, acabou confessando tudo, lá de cima do púlpito. Confessou também que usava drogas pesadas.
Quando tentaram tirá-lo do cargo, resistiu, colocou cadeados nas dependências, tentou limpar a conta do banco, que nem era dele.
A arrogância da maldade não tem limites. Essas pessoas são a própria essência do mal.




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Estranhas Histórias
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