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Saturday, July 15, 2017

A Alice e antimatéria




A Alice e antimatéria


Esses cientistas, que vêm com estranhas histórias sobre a vida, dando explicações absurdas sobre os fatos, sobre as coisas, o que eles pensam que são? Uma folha é uma folha, uma gota de água é uma gota de água, o ar é o ar. Ou não? Por que eles vêm explicar que tudo são minúsculas partículas vibrando, vibrando? Em coordenação? Que depois elas se juntam, doidas, formando coisas maiores, que nem sequer vibram mais. Formam coisas que fazem sentido, que fazem outras coisas, que chegam a falar, a pensar, e até a criar. Como chegaram a tão grande absurdo? Falam de coisas contraditórias, matéria e antimatéria, neutrinos, buracos negros sugando tudo que está ao redor. De onde surgiram esses astrônomos, todos loucos, espiando a imensidão do céu, desvendando segredos que não existem? Falando de planetas escondidos, dizendo como eles giram, se podem ter vida como a nossa. O que eles pensam que são? Falam com tanta certeza, coisas tão sem sentido, que chegamos a acreditar. Alguns chegam a falar de Deus, como pode tal insensatez?
Pois bem, meu caro, amigo, fique preparado, pois tenho uma novidade. Eles estão com a razão, com a verdade. Eles realmente sabem muita coisa. E, depois de um acerto para lá e outro para cá, vão dar a definição. Vão dizer tudo deste mundo, deste Universo. E vai ser louca a explicação, pois louca é a realidade, louca é a vida. Nós é  que criamos um conto de fadas, todo certinho, para podermos nele nos acomodar. Mas o verdadeiro Universo, nada mais é que uma doideira total, uma “Alice no País das Maravilhas”. Depois de tudo explicado, outro Universo, muito mais complicado, vai aparecer. O país da Alice, então, vai parecer a coisa mais lógica do mundo. Nós, entretanto, não vamos estar aqui para ver.


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Friday, September 14, 2012

Do outro lado



Do outro lado
http://www.linkatual.com
Autor: Flávio Cruz
Não fazia sentido. As imagens do espaço profundo que passavam pelas escotilhas da espaçonave de Tod eram absurdas. Ele checou os dados nos computadores. O absurdo estava  confirmado. O impossível estava acontecendo. A nave estava próxima da velocidade da luz. Ele usou o sistema independente para checar se todos os aparelhos estavam funcionando de maneira adequada. Estava tudo em ordem. Fez isso porque a situação era inédita. Nem precisaria pois essa geração de computadores jamais tivera uma falha em mais de cem anos, desde sua criação. O visual confirmava os dados. Verdade era também que ninguém jamais  adentrara aquela área do espaço. Isso, no entanto, não justificava o que estava correndo. A simulação da rota havia sido feita inúmeras vezes e tudo sempre estivera perfeito.
Tod era frio e calmo, como requeria sua profissão, e tentou pensar. Talvez estivesse tendo um delírio, talvez fosse tudo uma ilusão. Sentou-se numa poltrona, ligou-se ao sistema de verificação de ondas cerebrais e tudo estava absolutamente em ordem. Lá fora as coisas continuavam mais estranhas ainda. Verificou novamente a velocidade. Estava aumentando. Estava numa área onde se podiam ver  muitas estrelas e  percebeu que a cena vista por ele começava a ficar distorcida. Provavelmente era uma das consequências de se atingir uma velocidade impossível. Pensou em começar a ressuscitação do resto da tripulação que estava na sala de criogenia, mas logo desistiu pois sabia que de nada adiantaria. As coisas estavam acontecendo muito rapidamente. Aí sentiu algo muito estranho. Estava conseguindo ver as coisas com antecedência. Estava vivendo o momento mas já sabia o que estava acontecendo horas e dias depois. Simplesmente sabia. Olhou a data e horário da Terra. Era o ano de 2978, 3 de outubro, três e vinte e cinco da tarde, horário de referência do Centro de Lançamento de Missões Especiais numa área central do que tinham sido os Estados Unidos da América há alguns séculos atrás.
No Centro Espacial, o chefe de Missões Especiais para fora do sistema solar estava avisando o seu superior que os computadores tinham acabado de notificar o desaparecimento da nave SSS29. Alguns dias antes eles haviam registrado o falecimento de toda a tripulação. O comandante olhou para a tela do computador e conferiu a data do desaparecimento: 5 de setembro de 2953. Ficou triste pois era amigo pessoal de Tod.  Estavam todos decepcionados com o encerramento da missão mas ninguém comentou sobre a discrepância de datas. Nem poderiam. Eles não sabiam que naquele momento a SSS29 ainda voava e  sua tripulação ainda estava viva. No entanto o tempo para eles era outro – quase 25 anos depois – e eles mergulhavam numa velocidade vertiginosa num buraco negro próximo à estrela  V4641...