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Saturday, March 12, 2016

Divagações sobre a luz das estrelas



Divagações sobre a luz das estrelas

Há estrelas tão distantes que sua luz ainda não chegou até nós. Há outras que mandaram sua luz há tanto tempo, que ela já chegou, mas elas mesmas - as estrelas - já nem existem mais. A luz de outras está viajando, elas já não existem mais e, quando ela - a luz - chegar, nós nem mais vamos estar aqui para ver. Existem estrelas que apareceram antes mesmo de nosso planeta existir e ainda estão lá. Sua luz partiu, não chegou, nós nascemos, vamos morrer, e ela ainda não vai estar aqui.
Há, no entanto, uma luz bem perto de nós.  A nossa estrela, o sol. Sua luz chega em 8 minutos e 19 segundos. E, quando estamos cansados, ela se apaga para podermos repousar.

Vivemos, dia a dia, dessa luz amiga que nos aquece e nos ilumina. As outras, lá no céu escuro, distantes, foram feitas para sonhar...

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Lançamento no Clube de Autores:  Insólito

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Sunday, April 21, 2013

Os habitantes do planeta Vendel


Os habitantes do planeta Vendel

Estavam usando trajes especiais por precaução.  Sabiam, com antecedência, que o ar era respirável, muito parecido com o nosso, da Terra. Na verdade, era tecnicamente melhor.  Conforme o que diziam as mensagens que antecederam as negociações para a viagem, nada de armas. Era um encontro de paz, de colaboração, de aprendizado. Era óbvio que os únicos a aprender algo ali, eram os terráqueos. Os Vendelianos como eram chamados lá na Terra, estavam pelo menos  cinco mil anos na frente em termos de avanço tecnológico.
Estavam agora no que parecia ser o centro geral, uma espécie de capital do planeta. Após orbitar o planeta Vendel, a missão terrestre precisou entregar o controle da nave para os locais, conforme havia sido combinado. E lá estavam eles, os 9 astronautas, naquele imenso complexo feito de material estranho para eles. Uma mistura de cristal e aço especial era o que parecia. Mas era óbvio que era mais do que isso.
Havia sido uma longa viagem:  pouco mais de 67 anos, numa velocidade inédita. Nunca o homem se aproximara tanto da velocidade da luz. Para os viajantes, era como se tivessem iniciado a jornada há uns dois ou três meses atrás. Estiveram hibernados quase o tempo todo. Esses cosmonautas eram especiais em todos os sentidos, nem sequer era possível compará-los com um ser humano normal. Haviam sido geneticamente preparados para esse tipo de viagem.
Ainda assim, o que estava acontecendo ali, era estranho mesmo para eles. Até agora não tinham visto um habitante sequer. No entanto, haviam sido conduzidos de uma forma estupenda, tanto através do ar, na descida, como agora, andando pelos largos corredores do que parecia ser um edifício. A troca de comunicação em preparação à jornada deixou entender, por parte dos Vendelianos, que eles eram muito semelhantes a nós, que não deveríamos nos preocupar.
Desde que chegaram, ficou óbvio que a comunicação ia ser através do pensamento. Os viajantes “sentiam” o que devia ser feito, o que deveriam fazer, para onde deveriam ir. Não havia som. A mensagem não vinha em forma de linguagem. Entretanto, o cérebro humano imediatamente “traduzia” em palavras os pensamentos recebidos
Entraram num grande objeto oval, como havia sido sugerido, para “dar uma volta” no planeta, conhecer sua geografia, sua paisagem. Até então, esta era a melhor coisa que estava acontecendo. Certamente, depois disso, finalmente os Vendelianos que tinham a função de recebê-los,  iriam aparecer “em carne e osso”, se é que podemos dizer assim.


A  circunavegação havia durado sete horas – tempo da Terra – entretanto poderia ter sido feita em 49 minutos com aquela nave especial. Pararam em alguns pontos onde tiveram explicações sobre o funcionamento de cada unidade, comentários sobre a vida no planeta, etc. Não conseguiram ver um Vendeliano sequer. A curiosidade estava aumentando muito, mesmo para uma tripulação experiente e preparada como aquela.
Finalmente chegou a hora esperada: uma espécie de recepção. Num sala especial, feita de um material desconhecido para nós, transparente. Haveria uma “troca de energia” como eles haviam avisado anteriormente, e também uma espécie de simbiose genética, se é que podemos dizer assim. Uma espécie de vibração energética começou e a tripulação terrestre entrou numa espécie de transe. Tudo o que eles precisassem saber, dentro que fosse possível, sobre a identidade e constituição dos Vendelianos seria transmitida naquele momento. Obviamente eles também aprenderiam tudo que quisessem sobre os terráqueos.
Não dava para saber quanto tempo demorou. Assim que acabou a sessão, os tripulantes da nave terrestre olharam entre si, estupefatos. Tinham aprendido que os Vendelianos não possuíam corpo. Há muitos milênios atrás, “transferiram seus dados” para máquinas sofisticadíssimas e “viviam” nelas. Tinham chegado a um nível inimaginável de evolução. Estavam muito perto da perfeição. Os corpos, antes de “sumirem”, haviam sido excepcionalmente semelhantes aos dos humanos.
Cada um dos tripulantes tinha adquirido ali, naqueles momentos, uma infinidade de informação sobre Vendel.  Alguns dias depois começariam os preparativos para a viagem de volta. Mais de cem anos depois estariam na Terra novamente.
Durante a viagem as informações estariam sendo transmitidas para a Terra. Logo iriam ser “congelados” e...
Foi aí que alguém comentou: Como fariam os Vendelianos? Não precisariam de criogenia para uma viagem? Alguns da tripulação riram, outros balançaram a cabeça. Ninguém deu uma resposta. Não havia resposta para isso...

Friday, September 14, 2012

Do outro lado



Do outro lado
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Autor: Flávio Cruz
Não fazia sentido. As imagens do espaço profundo que passavam pelas escotilhas da espaçonave de Tod eram absurdas. Ele checou os dados nos computadores. O absurdo estava  confirmado. O impossível estava acontecendo. A nave estava próxima da velocidade da luz. Ele usou o sistema independente para checar se todos os aparelhos estavam funcionando de maneira adequada. Estava tudo em ordem. Fez isso porque a situação era inédita. Nem precisaria pois essa geração de computadores jamais tivera uma falha em mais de cem anos, desde sua criação. O visual confirmava os dados. Verdade era também que ninguém jamais  adentrara aquela área do espaço. Isso, no entanto, não justificava o que estava correndo. A simulação da rota havia sido feita inúmeras vezes e tudo sempre estivera perfeito.
Tod era frio e calmo, como requeria sua profissão, e tentou pensar. Talvez estivesse tendo um delírio, talvez fosse tudo uma ilusão. Sentou-se numa poltrona, ligou-se ao sistema de verificação de ondas cerebrais e tudo estava absolutamente em ordem. Lá fora as coisas continuavam mais estranhas ainda. Verificou novamente a velocidade. Estava aumentando. Estava numa área onde se podiam ver  muitas estrelas e  percebeu que a cena vista por ele começava a ficar distorcida. Provavelmente era uma das consequências de se atingir uma velocidade impossível. Pensou em começar a ressuscitação do resto da tripulação que estava na sala de criogenia, mas logo desistiu pois sabia que de nada adiantaria. As coisas estavam acontecendo muito rapidamente. Aí sentiu algo muito estranho. Estava conseguindo ver as coisas com antecedência. Estava vivendo o momento mas já sabia o que estava acontecendo horas e dias depois. Simplesmente sabia. Olhou a data e horário da Terra. Era o ano de 2978, 3 de outubro, três e vinte e cinco da tarde, horário de referência do Centro de Lançamento de Missões Especiais numa área central do que tinham sido os Estados Unidos da América há alguns séculos atrás.
No Centro Espacial, o chefe de Missões Especiais para fora do sistema solar estava avisando o seu superior que os computadores tinham acabado de notificar o desaparecimento da nave SSS29. Alguns dias antes eles haviam registrado o falecimento de toda a tripulação. O comandante olhou para a tela do computador e conferiu a data do desaparecimento: 5 de setembro de 2953. Ficou triste pois era amigo pessoal de Tod.  Estavam todos decepcionados com o encerramento da missão mas ninguém comentou sobre a discrepância de datas. Nem poderiam. Eles não sabiam que naquele momento a SSS29 ainda voava e  sua tripulação ainda estava viva. No entanto o tempo para eles era outro – quase 25 anos depois – e eles mergulhavam numa velocidade vertiginosa num buraco negro próximo à estrela  V4641...