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Tuesday, September 26, 2017

O destino dos meus sonhos




O destino dos meus sonhos

Todos os dias, eu espero,
o que é para se esperar.
E tudo, então, acontece,
diferente do meu sonhar.
Vou, então, acomodando,
o que devo esperar,
do jeito que o destino,
arrogante, quer encenar...
Quem sou eu para querer,
este futuro transformar?
Só uma coisa não deixo:
é que ele, arrogante,
vá minha quimera apagar...


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Thursday, January 12, 2017

Prisioneiro de mim



Prisioneiro de mim

Sei que sou prisioneiro de mim,
de minhas coisas, de minhas causas,
de minhas ideias, meus ideais,
de minhas rotas cheias de curvas,
das curvas deste meu caminho,
de meus caminhos com  desvios,
do meu desvairado destino.
Um dia vou me libertar,
e diante de tanta opção,
vou me sentir prisioneiro,
das minhas múltiplas escolhas,
que ironia, mais uma vez.


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Monday, January 2, 2017

O poema da vida


O poema da vida

Não é essa nossa vida,
senão um doido poema,
uma real sinfonia,
cheio de imperfeitas rimas,
que de Deus, ironicamente,
tanto nos aproxima?
Não é ela cheia de palavras,
umas feias, outras lindas,
inundando nossa mente,
brigando umas com outras,
para enfim refazer,
a essência do nosso ser?
Não estão elas rimando,
em perfeita distonia?
Não é cheia de cruéis versos,
construindo em harmonia,
do destino o reverso,
com intensa ironia?
Não surpreende, às vezes,
nossa alma com alegria,
como uma festa divina,
cheia de santa euforia?
Não é um grande romance,
onde quem se espera,
acaba não sendo amado,
e se acaba amando
quem amar não se espera?
Não são cheios esses versos,
de sangue e de lágrimas,
de água e de bom vinho,
de insuperável sabor?
Não é um grande enredo,
cheio de tantas surpresas,
tanto medo, tanto temor,
onde o esperado não vem,
e o repentino é a lei?
No hora do último verso,
não é que queremos todos,
impotentes, padecidos,
nossa mão suspender,
para o final deter?
Mas como podemos nós,
tal evento evitar?
Nós escrevemos as linhas,
mas a musa é divina,
e é inútil com ela,
argumentar, reclamar.
No final o que queremos,
é uma rima perfeita,
uma história toda feita,
de amor, de valor sem fim,
um poema que, enfim,
tenha valido a pena,
apesar do padecer,
viver, sofrer, escrever!

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Wednesday, July 13, 2016

O santo que levou um tiro



O santo que levou um tiro

O doutor Isidoro era, de longe, a pessoa mais respeitada na cidadezinha. Era, até onde se sabe, a única coisa certa naquele lugar, cheio de histórias mal explicadas. Começou com o nome do lugar: Almirante. Na verdade, o pequeno grupo que organizou a comunidade, queria mesmo era fazer um mirante no Morro do Sapo. Daí viria o nome: “Mirante”. Alguns queriam que fosse “Cidade dos Mirantes”, mas daí o professor de Português ponderou que teria de haver mais de um. Deu na mesma, pois na hora de fazer o tal do “manifesto” para iniciar o movimento para a criação do município, o Lourival escreveu “Almirante” e, talvez para não o contrariar, assim ficou. Afinal de contas, seu pai era o maior dono de terras da região.
O santo padroeiro da cidade era o São Tarcísio. Foi ideia da beata Marinalva, viúva. Seu marido tinha sido um católico fervoroso e, quando criança, tinha cumprido o importante ofício de coroinha. E ela descobriu que o santo era o patrono desses, dos acólitos e dos cerimoniários. Como não havia nenhum outro santo ou santa para concorrer, o título vingou. Ademais, era um nome bonito. Quem fez a estátua foi o Cícero. Segundo ele, era uma cópia fiel de um desenho da Idade Média que retratava a figura. Desconfio que isso era conversa mole. Deve ter misturado um São Sebastião com um São Benedito. O Cícero era cheio de histórias. Além disso, o pároco, quando foi buscar o santo na oficina dele, viu duas telas com a imagem deles, servindo como modelo. Estava óbvio que ele se inspirou ali. Misturou que era para ninguém suspeitar. O padre desconfiou, mas achou melhor não julgar. Além disso, o que manda é a fé do povo.
Gente cheia de crenças, de contos contados nos cantos, de simpatias que não funcionavam. Um assunto recente era a saúde do Benevides. Alguns diziam que ele estava nas últimas, outros diziam que tinha uma doença incurável. Ele tinha uma certa idade, mas não era hora de ir ainda. Tinha muita dor, o coitado. O melhor mesmo era ele ir descansar no céu. Viver assim, para quê? O padre nunca tinha falado nada, mas todo o mundo dizia que ele tinha confessado ao homem de Deus que queria ir. Que rezassem ao Senhor para levá-lo dessa vida de sofrimentos. Vai se saber o que é verdade ou não, nessa terra perdida e esquecida de todos. Havia uma outra história, mas dessa ninguém sabia, só o vigário. Segredo de confissão. O Simão tinha uma arma, não se sabe onde tinha arrumado. Confessou para o homem de Deus que estava com umas ideias. Estava pensando em tirar a própria vida. Não sabia como pagar uma dívida enorme que tinha. Ia perder a casa para o Benevides. Esse nem estava pressionando. Não se sabe se era porque tinha um bom coração ou porque tinha tudo ali, garantido no papel, era só esperar. Além disso, com tanta dor que tinha, não tinha como se preocupar com isso, pelo menos agora.
Estava chegando o dia do santo, quinze de agosto. Ia ter procissão e tudo mais. Era um acontecimento importante e todo mundo estava se preparando. O andor já estava todo enfeitado, pronto para ser carregado na rua principal. Aquele dia chegou, como todos dias chegam. Dia de sol, graças a Deus. E lá vai o povo cantando, rezando, uma verdadeira comoção. Estavam chegando bem perto da casa do Simão, que não tinha ido para a cerimônia, ensimesmado que estava. Até que seria uma boa hora para realizar seu intento suicida. Acabar com tudo, de uma vez. O filho pequeno ele tinha mandado para a casa da irmã, não queria que visse a cena. Deixou tudo ali, arrumado, depois que o menino saiu. Em cima da mesa, o revólver carregado, uma bala só. Do outro lado da rua, morava o homem que tinha muita dor, o Benevides. Ninguém sabia, mas ele tinha melhorado muito. No coração tinha certeza de que, finalmente, iria sarar.  E, ninguém sabia, nem o Simão, ele ia fazer um grande gesto. Ia conversar com ele, perdoar-lhe a dívida. Não tinha herdeiros, tinha mais duas casas de aluguel, além da sua. Para que fazer um homem sofrer daquele jeito, um homem viúvo, com um filho pequeno? Tinha até rasgado os documentos, ia lhe devolver no dia seguinte. Se alguém quisesse, poderia até atribuir o milagre ao São Tarcísio. Um padroeiro com milagre fresquinho na cidade, isso seria muito bom.
A procissão passava bem em frente às duas casas, uma em cada lado da rua. O Benevides, bem melhor agora, tinha arrumado sua poltrona bem em frente à janela, queria ver o São Tarcísio passar. Não era homem de muita religião, mas pensou até em agradecer. Coração de gente que sofre muito, acaba amolecendo. O Simão, do outro lado da rua, tinha ido até o quarto se arrumar. Não queria que o achassem mal arrumado. Não bastava a sangueira toda que iam encontrar?
Esse mundo tem cada coisa! Que cena aquela! Um suicídio para acontecer, um homem que não conseguia se perdoar. Do outro lado um homem sem fé, quase curado, perdoando tudo, pensando num futuro melhor para todos. Coração cheio de alegria só de pensar na cara de alívio do Simão, quando dissesse que não queria nada, que a casa ficasse para seu rebento quando estivesse adulto. Começar tudo de novo. Entre os dois, o santo passando, gente rezando, o povo cantando. Era uma coreografia, preparada pelos homens, por homens que fazem seu destino, de um jeito ou de outro.
Mas quem disse que o destino estava de acordo? Eu já não tinha dito que a Cidade de Almirante era cheia de contos mal contados? Olha só o que aconteceu. O filho do Simão não encontrou a tia em casa, tinha saído, ela que nunca saía. Voltou, entrou em casa e viu aquele brinquedo estranho, nunca visto antes, sobre a mesa. Curioso, começou a mexer na arma, sem saber do perigo. Ia perguntar para o pai o que era aquilo. Sabia que o pai andava triste, aquilo era um bom motivo para puxar conversa.
Bem na hora em que a reza parou e ia começar um cântico entoada pelas “filhas de Maria”, ouviu-se um sibilo no meio da procissão. Não se sabe por que, todo mundo olhou para a estátua em cima do andor. O menino, sem querer, tinha disparado a arma? A Dona Tiquinha foi a primeira que viu. Um buraco bem no peito do santo. O primeiro milagre ela já anunciou. Aquilo era buraco de bala e a estátua não se despedaçou. Milagre legítimo, todo mundo podia ver. Mas não era só isso. Logo alguém notou o corpo do Benevides, inerte, na poltrona e deu um berro. Alvoroço total. Sob os protestos do padre, puseram o andor no chão. Em volta, alguns clamavam, gritavam. Milagre, milagre! Lá dentro, outros viram que um tiro certeiro tinha entrado no coração do Benevides. Logo alguém lembrou. São Tarcísio tinha, finalmente, atendido ao pedido do pobre homem. Ele queria descansar no paraíso. O tiro foi direto do coração do santo para o coração do sofredor. Mais um milagre legítimo. Viva Almirante, que nunca tinha visto algo assim. Cidade abençoada! Um tiro de arma que não existia, dado por homem nenhum! Quem podia duvidar? Acabando, assim de vez, com o sofrimento de um pobre homem! Nem uma alma só suspeitou que santo não dá tiro. Muito menos São Tarcísio, padroeiro que era de coroinha e tudo mais. Mas quem cala a boca do povo, quando ele quer falar?
Quando Simão saiu para a rua por causa da confusão, ficou sabendo de toda a história e sua cabeça começou a rodopiar. Era para ele morrer, quase o filho morreu, e quem morreu, de verdade, tinha sido o homem para quem ele devia. Ele precisava explicar para o povo aquela confusão. Ia tomar responsabilidade, aquilo não estava certo, não. Mas, e ele conseguia? O povo estava em transe, alucinado. O vigário talvez desconfiasse de alguma coisa. Mas com aquela fartura de fé, nem ele ousou se opor. Era melhor deixar assim, Deus tinha seus próprios caminhos e não era o caminho dos homens. Com o tempo, o próprio Simão passou a acreditar na história. A gente precisa acreditar em alguma coisa, não precisa?
Tinha uma coisa que eu não ia falar, mas resolvi botar para fora agora. Chega de tanta enganação. Sabe o doutor Isidoro? Ele tinha sido um enfermeiro de um grande hospital, numa cidade grande. Sempre quis ser médico, mas, você sabe, isso não é para qualquer um. Chegou um dia em que ele foi convidado para fazer um curso rápido de aperfeiçoamento na sua profissão, dentro da Faculdade de Medicina. Recebeu um diploma bonito, com o nome da Instituição. Embaixo dizia que ele tinha completado, com louvores, o “Curso de Aperfeiçoamento em Enfermagem”. Muita gente só olhava o nome da Faculdade de Medicina lá em cima e já deduzia que ele era um doutor. Gente que não o conhecia, é claro. Não vou contar toda a história, mas você já sabe... Acabou morando em Almirante onde ninguém o tinha visto antes. Médico lá não havia, muito menos hospital. E ele sabia que remédio dar, o que falar para quem sentia dor. Conhecia todos aqueles nomes que só os médicos sabem. Sabia tirar pressão e tudo mais. Para aquele povo, não fazia diferença nenhuma e ele cobrava muito pouco.
Eu não ia contar essa parte, mas sabe de uma coisa? Chega de história mal contada!




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Friday, February 26, 2016

A vida é um susto



A vida é um susto


A vida é um susto,
um suspiro profundo,
uma pergunta sem resposta,
uma resposta indevida,
uma graça sem par,
uma vontade de amar,
um caminho inseguro,
uma estrada com perigos,
um buraco escuro,
uma sensação vívida,
uma surpresa esperada,
uma estrela brilhante,
um ócio cheio de ação,
um ódio sem razão.
um amor não correspondido,
uma incoerência insana.
Um mistério formidável,
um desejo sublime!
Tão má, tão boa,
incoerente, demente,
tão insensata e suprema,
que, por um mistério divino,
adoramos viver
e gostaríamos de prolongar.
Prolongar, prolongar....
ooooooOOO0OOOooooo






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Thursday, January 28, 2016

Sonhar



Sonhar

Nos anos 50,  The Everly Brothers já cantavam: tudo que eu preciso fazer é sonhar...sonhar e sonhar. E não sonhamos todos nós? Com felicidade, com riqueza, com uma notícia boa que nos livre de algum mal? Que as pessoas das quais gostamos, também gostem de nós? Que nenhuma tragédia ocorra nem para nós, nem para nossos queridos? Sonhos muitos, tantos sonhos para serem sonhados.  Sonhamos até que nossos sonhos vão ser realizados.
Mas sonhos são apenas sonhos e é por isso que os chamamos assim. Se tudo fosse perfeito, bom e belo, quem precisaria deles?
Vamos nos iludindo, achando que o que desejamos vai acontecer amanhã, qualquer dia destes, um dia qualquer na vida. Precisamos acreditar, é como se fosse um alimento da alma. No decorrer da existência, vamos, lentamente, percebendo, que alguns poucos, bem poucos,  se realizam. Não do jeito que queríamos, nem do jeito que esperávamos. Nunca desistimos, porém. Faz parte de nosso DNA.

O tempo passa e vamos diminuindo as expectativas, remodelando nossos desejos. Então, quando o último dia chegar, ainda estaremos sonhando. Sonhando, talvez, que tenhamos mais um dia além do combinado com o destino. Um dia só, mais um só dia, para, de novo, mais uma vez, sonhar...


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Wednesday, December 9, 2015

Momentos mágicos

Momentos mágicos



Sabe aquele momento mágico que você perdeu? Que, quando você percebeu, já tinha ido? No qual você não acreditou, por ser bom demais para ser verdade? Pois bem, ele foi mágico por ter sido único, não repetitivo. Um conjunto de fatores, de estados de espírito, de coincidências, de pessoas e outras coisas mil, se juntaram. Harmoniosamente, para fazê-lo romper-se na corrente do destino. Não há como reconstituí-lo, recriá-lo, replicá-lo. Talvez você não estivesse preparado para aceitá-lo, para agarrá-lo, para assumi-lo. Agora ele se foi.

O que pode acontecer, porém, é que outros fluidos, outras combinações de eventos, outras circunstâncias, se alinhem novamente e desencadeiem outro momento. Não vai ser igual, vai ser outro, vai ser diferente. Não quer dizer também que vá ser menor ou menos maravilhoso. Para algumas pessoas acontece só uma vez, para outras, duas no decorrer da vida. Alguns felizardos vão vê-lo acontecer mais vezes.

A pergunta que resta fazer é simples e perturbadora ao mesmo tempo. Quando e se este momento acontecer, você vai perceber? Você vai reconhecê-lo? Ou você vai deixá-lo esvair-se, para só depois, ver a magia perdida?

Esteja preparado, em cada segundo da vida. Nunca se sabe...

Histórias do Futuro



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Monday, June 8, 2015

Rimas fatais



Rimas fatais

Não importa o que pensamos,
o quanto amamos,
o que sabemos.
Somos a matéria em movimento,
partículas sopradas pelo vento,
a vida em andamento.
Um experimento do Universo,
do paralelo o reverso,
inúteis rimas sem versos.
Almas num cérebro vazio,
sensações em que não confio,
uma carga inútil num navio.
Somos o infinito com fim certo,
o finito no céu aberto,
uma caravana no deserto.
Desejos megalomaníacos,
corpos sedentos do afrodisíaco,
uma constelação fora do zodíaco.
Somos um nada sedento de Deus,
fingindo que somos ateus,
tentando atingir o apogeu.
No entanto, cá estamos nós,
tal qual nossos avós,
desatando nossos próprios nós.
E um dia, o fim vai chegar,
e com uma fúria invulgar,
tudo o que somos, vai levar.

ooooOOOoooo

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À procura de Lucas  (Flávio Cruz)
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