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Sunday, June 16, 2019

Liberdade



Liberdade

Na época da ditadura, não era moleza. Todo cuidado era pouco. Vestir vermelho, nem pensar. Com certeza, alguém iria achar que você era um comuna. Perigoso, criminoso, pronto para matar. Possuir  um adesivo com foice e martelo, um crime sem igual. Era a confissão inconteste, registrada e assinada de um comunista. Ler e admirar escritores russos, como Dostoievski e Tolstoi, uma tremenda traição literária. Uma idolatria, deserção da pátria amada. Ouvir uma sinfonia de Tchaikovsky era o mesmo que cometer um adultério contra o Brasil. Falar sobre isso, era um crime de igual teor. As paredes tinham ouvidos, havia dedo-duros e por pouca coisa, muito pouca coisa mesmo, você poderia ser preso. Tudo que bastava, era uma simples suspeita no ar.
Parece exagero, mas não é. Muitos foram presos por menos do que isso. Até um poema suspeito podia ser motivo de cadeia. Agora, tanto tempo passado, é difícil acreditar que houve um tempo assim, mas houve. Se lá  - nos países comunistas - não havia liberdade, aqui também não havia.


Aproveitemos a liberdade em todas suas formas. Nunca se sabe. Um dia, ela poderá se esvair. Só então, vamos ver como ela era preciosa. Uma joia rara, que poucos reconhecem. Só vão fazê-lo, quando ela se for.

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Tuesday, March 26, 2019

EXERCÍCIO DE HISTÓRIA





EXERCÍCIO DE HISTÓRIA

Fazer exercício é bom, a gente melhora o que está fazendo ou a maneira de pensar. Pensei em fazermos um de História. Este cronista, que não é especialista na matéria, pode aprender junto com o leitor. A minha proposta é simples. Pense num país imaginário, onde está tudo às avessas, só existe corrupção, onde os valores cívicos e sociais estão falidos e... bom, deu para se ter uma ideia. Acho até que você pensou num país específico. Não há solução. Eleições não funcionam, o povo continua votando nos candidatos errados e deixando os melhores de lado, se é que eles existem.
Precisamos usar nossa criatividade. Vamos montar um laboratório virtual, onde podemos ter ideias, imaginar soluções, etc. Para sermos radicais, vamos estabelecer que você, meu querido leitor, pessoa que certamente tem excelentes intenções, seja o encarregado desse grande experimento.
Para isso, eu, cronista que sou, com poderes absolutos de ficção, vou lhe atribuir poderes especiais. Não só isso, vou, com minha imaginação, criar as condições perfeitas para você estabelecer uma nova nação.
De repente, você tem poder total. Pode tirar do exercício qualquer político que desejar: desde o prefeito de Quixeramobim até o de Porto Alegre. Pode expulsar todos os deputados, estaduais e federais, senadores, ministros, todo mundo. Começar do zero. Problemas, revolta? Nada disso, lembre-se, estou dando total poder a você, amado leitor. Ninguém vai reclamar, e se o fizer, será preso. Ordem minha, neste fabuloso universo virtual que estamos criando. Daí, com calma, você escolherá um por um, todos aqueles que vão trabalhar com você: governadores, prefeitos, deputados, senadores, ministros, todos do poder executivo, do poder legislativo e até do judicial. Pessoal bom, que faz as coisas certas, que julga com honestidade, que não tem ambições políticas, que amam seu país: talvez, com esse paraíso político, nem haja o que julgar. Claro, existe a imprensa! Mas essa também estará controlada. Só vai falar coisas boas de seu novo líder – você, certo? – e nada de conversa mole. Ah, estava me esquecendo... Você tem 20 anos para mudar tudo! Convoque as pessoas mais sábias e justas que você conhece, traga todas para Brasília -oops, acabei de revelar o lugar – e peça para elas escreverem todas as leis de novo. Fazer uma nova Constituição, com calma, bela e perfeita, com diretrizes e salvaguardas mara manter um paraíso político, puro e justo por, pelo menos, 50 anos. Somos criativos, vamos conseguir!
Com tanto poder, com tanta força, com todo o apoio das pessoas mais inteligentes e honestas da nação, vai dar tudo certo. Daí, então, você sai do poder, e deixa esse magnífico grupo controlar tudo, estabelecer eleições, viver a democracia. Com toda a maravilha que viu, o povo só vai eleger gente do mesmo tipo que você escolheu: sincera e honesta.
Muito sonho, não é mesmo? Isso é impossível! Só na minha crônica alguém teria tanto poder assim!
Pois bem, eu lhes digo, os militares tiveram todo esse poder, talvez até mais, por incrível que possa parecer. E o que aconteceu? Foi bom, quanto tempo durou?
Na verdade, nada durou. Durante os 20 anos mesmo, já havia gente corrupta por eles escolhida. Paulo Maluf, José Sarney, você os escolheria para fazer parte do seu grupo especial? Lembra-se de que falei que você poderia acabar com todos os casos de corrupção, usando seu poder de demitir, de escolher seus próprios juízes? Nesse período, pelo menos uma dezena de grandes casos de corrupção ocorreram (o caso Luftalla, Delfim e a Camargo Correa, comissões da General Electric, Capemi, Coroa-Brastel e aí vai...): ninguém sabia, o silêncio de imprensa que eu dei para você, eles usaram para escondê-los. Lembra-se de que você poderia ter acabado com todas as “mamatas”, toda a gastança, verbas de gabinetes, remuneração de representantes  que aparecem uma vez por semana, salários altíssimos, aposentadorias para quem trabalhou apenas 8 anos, etc.? Tudo isso  na SUA Constituição, que, você teria determinado que só poderia ser alterada por uma imensa maioria popular. Pois bem, repito, eles tiveram esse poder! E o que foi feito? Acabaram com algum privilégio?
E o que aconteceu? Olha só a sequência, logo depois dos poderosos 20 anos: Sarney, Collor, Itamar Franco...
Confessa, quando começamos o exercício, você primeiro achou que era um exagero o poder que eu estava lhe dando, que só aconteceria num conto de fadas. Segundo, achou que, se alguém tivesse esse poder, teria garantido um país justo e honesto, pelos próximos 50 anos, ou talvez, para sempre...
Que coisa, hein? Como é bom fazer exercício de vez em quando... E fica a pergunta: a tomada do poder foi mesmo para consertar tudo?

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Wednesday, October 10, 2018

Um macabro cavaleiro brasileiro: Sábato Dinotos


Um macabro cavaleiro brasileiro: Sábato Dinotos

Um cavaleiro macabro e que vivia nas sombras, atraiu a atenção de algumas pessoas durante o regime militar. Uma figura estranha, controversa, que até hoje não se explicou direito. Seu nome aparecia, em forma de grafite, em quase todos os ônibus da cidade e em trens de subúrbio, junto com a estrela de Davi. Ninguém sabia quem era ele. De direita, de esquerda? Contra ou a favor da Revolução? Seu nome era Sábato Dinotos. Na verdade ele se chamava Aladino Félix, na vida real. Foi preso quando houve um atentado na frente do DOPS, em 1968.  Confessou 14 atentados terroristas, inclusive assalto a banco. Foi solto logo depois. Como pôde? Declarou que estava a serviço de um grande general. Sua função era detonar várias bombas. O povo ficaria assustado e pensaria que os “subversivos” tinham feito aquilo, justificando mais prisões, mais tortura. Aparentemente o pessoal comunista “não estava fazendo o serviço” com suficiência e a extrema direita resolveu dar uma ajuda. Aparentemente esta explicação tinha fundamento. Como um extremista desse calibre, naquela época, conseguiria sair da prisão, assim, sem mais nem menos? Alguns diziam que havia um grupo, dentro da própria ditadura, que queria tomar o poder. Queriam ser “mais duros” ainda com os adversários. Essa figura quase mitológica da era moderna, tinha outros afazeres. Ele escrevia livros e dava palestras sobre discos voadores. Acreditava que tinha ligações com alienígenas que viriam tomar a Terra e ele era parte do plano. Louco total. Mais tarde foi preso novamente. Talvez por outra facção da extrema direita, uma intriga interna. Claro que ele não fazia tudo isso sozinho. Como escrever seu nome em tantos lugares? Tinha ajuda de um grupo de soldados e cabos da Polícia Militar. Isso reforça a ideia de que trabalhava mesmo para o regime. Para uma ditadura dentro da ditadura.

Coisa estranha, mas foi verdade.


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Estranhas Histórias
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Thursday, April 21, 2016

Nós, o povo


Nós, o povo

Temo a falsa democracia, temo a demografia. Demonstração do poder. Direito de corromper. A maioria é a minoria. Maioria, poder em teoria. O poder na mão de poucos. O poder na mão de loucos. Loucos por poder. Acabou a ditadura? Quem é que atura? Acabou a democracia? Era pura fantasia. Nós somos a maioria, por isso estamos em minoria. Dó maior, dó menor. Dor de todos nós. Povão, dor total. Escala musical, escala social, escola municipal, fim da entidade rural. Volta da aristocracia. Fim do povo, fim do proletariado, fim do legado social, nosso fim.

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