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Wednesday, October 10, 2018

Um macabro cavaleiro brasileiro: Sábato Dinotos


Um macabro cavaleiro brasileiro: Sábato Dinotos

Um cavaleiro macabro e que vivia nas sombras, atraiu a atenção de algumas pessoas durante o regime militar. Uma figura estranha, controversa, que até hoje não se explicou direito. Seu nome aparecia, em forma de grafite, em quase todos os ônibus da cidade e em trens de subúrbio, junto com a estrela de Davi. Ninguém sabia quem era ele. De direita, de esquerda? Contra ou a favor da Revolução? Seu nome era Sábato Dinotos. Na verdade ele se chamava Aladino Félix, na vida real. Foi preso quando houve um atentado na frente do DOPS, em 1968.  Confessou 14 atentados terroristas, inclusive assalto a banco. Foi solto logo depois. Como pôde? Declarou que estava a serviço de um grande general. Sua função era detonar várias bombas. O povo ficaria assustado e pensaria que os “subversivos” tinham feito aquilo, justificando mais prisões, mais tortura. Aparentemente o pessoal comunista “não estava fazendo o serviço” com suficiência e a extrema direita resolveu dar uma ajuda. Aparentemente esta explicação tinha fundamento. Como um extremista desse calibre, naquela época, conseguiria sair da prisão, assim, sem mais nem menos? Alguns diziam que havia um grupo, dentro da própria ditadura, que queria tomar o poder. Queriam ser “mais duros” ainda com os adversários. Essa figura quase mitológica da era moderna, tinha outros afazeres. Ele escrevia livros e dava palestras sobre discos voadores. Acreditava que tinha ligações com alienígenas que viriam tomar a Terra e ele era parte do plano. Louco total. Mais tarde foi preso novamente. Talvez por outra facção da extrema direita, uma intriga interna. Claro que ele não fazia tudo isso sozinho. Como escrever seu nome em tantos lugares? Tinha ajuda de um grupo de soldados e cabos da Polícia Militar. Isso reforça a ideia de que trabalhava mesmo para o regime. Para uma ditadura dentro da ditadura.

Coisa estranha, mas foi verdade.


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Estranhas Histórias
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Wednesday, February 11, 2015

Usando das atribuições...



Usando das atribuições...

Era uma espécie de magia, mas era uma magia reversa. Na época da Ditadura, quando os “homens do poder” resolviam, simplesmente soltavam um decreto. Dizia, assim, sem mais nem menos, que o Presidente da República, usando das atribuições que lhe confere o art. 4º, do Ato Institucional nº 5, etc. e tal, resolve cassar os mandatos políticos dos seguintes parlamentares... E daí vinha uma lista. Não podia ser mais simples ou fácil do que isso. Era uma moleza se livrar de políticos corruptos. Sem investigacão, sem processo, sem votação, sem nada. E tudo ficava “limpo”. Havia um pequeno problema, entretanto. Talvez houvesse um corrupto ou dois na lista, mas a grande maioria eram pessoas honestas, porém inimigas do governo. Aqueles que não concordavam com o regime de exceção. Um ou dois reconhecidamente desonestos no meio eram apenas para “validar” a cassação.  E assim foi, até terminarem todos os opositores. O partido da oposição era de oposição só de nome. E o partido da situação era o que valia. E que situação!
Muita gente fala das bombas e mortes causadas pelo pessoal da esquerda. Há verdade nisto e não devemos cobrir o sol com uma peneira. Foi uma luta pela liberdade, mas deve ter havido péssimas decisões. O que pouca gente fala e sabe é que o pessoal da Ditadura também organizou atentados e soltou bombas para parecer que eram os militantes de esquerda. O caso mais famoso, “autuado em flagrante” e tudo mais, foi o do Rio Centro. A bomba explodiu, por acidente, no colo do militar. Havia também um tal de Sábato Dinotos, a mando de militares radicais de direita, que organizava assaltos a bancos e atentados como se fossem executados pelos “subversivos”. Se você não conhece essas histórias, estude um pouco antes de dizer que tem saudades da Ditadura, sem nem mesmo ter vivido naquela época. Foi um tempo negro e triste da história por todos os lados. Isso não quer dizer que a época atual seja boa, mas afirmar que aquela foi  é decididamente um grande erro e está longe da verdade.

Eram assim que se faziam as coisas, era assim que se dirigia uma nação! Muita gente achava bonito. Eles não ouviam os gritos de dor da tortura, nem o que se fazia nos porões.  Esse era o custo. Quem está pagando até agora, eu não sei. Talvez, todos nós. Depois de uma análise profunda, talvez cheguemos a conclusão de que a situação atual de nosso país veio exatamente daquele estado de coisas.



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Essa vida da gente

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Saturday, May 31, 2014

Houve uma época em que nosso país era muito feliz



Houve uma época em que nosso país era muito feliz
( ou “A copa e as covas de Perus)

Houve uma época em que nosso país era muito, muito, feliz. Havia tão poucas notícias ruins, que os jornais nem mais tinham matéria para publicar. Você sabe como é, só desgraça é que vende jornal. Para preencher espaço tão precioso de um noticiário, um deles começou a publicar receitas de bolos e doces. Como não tinham muita prática nessa nova empreitada, às vezes elas saíam incompletas, com defeitos. Outro jornal, mais dedicado à cultura, lançou poemas de gente famosa, e principalmente versos de “Os Lusíadas”. Isso era para o povo ficar cada vez mais culto. Acho que deviam ser mais organizados, porém. De repente, interrompiam a narrativa, e isso poderia prejudicar seu sentido. Valeu a tentativa , no entanto.
Além de não haver notícias ruins, havia um monte de boas. Um progresso sem igual. Estradas, telefonia, tecnologia. Parecia até os Estados Unidos. Era difícil ver alguém  insatisfeito! Era mesmo um governo bom, esse dos militares.
Você sabe como são as pessoas. Sempre arrumam um jeito de reclamar. Começaram a falar que esse progresso todo ia custar uma fortuna e que, mais tarde, teríamos de pagar. Décadas e décadas de pobreza e fome para cumprir os compromissos financeiros e seus juros. Mas não é assim que se constroem as coisas? Não dá mesmo para satisfazer a essa gente toda. Como se isso não bastasse, até uns coveiros do novo cemitério de Perus estavam insatisfeitos com seu trabalho. Era um excesso. Corpo vindo de todo lado. Para acalmar a situação, disseram a eles que não precisavam se preocupar. Estava dispensada a identificação. Além disso, poderiam colocar todos numa só cova. Ainda bem que esse pessoal tinha visão: era preciso facilitar o jeito de operar, pois isso, sim, fazia parte do progresso.
Quando o contentamento e a satisfação eram completos, ainda assim, apareceram uns chatos. Diziam que ouviam gritos. Parecia gente sofrendo. Não sabiam de onde vinham aqueles sons horripilantes. De casas fechadas, dos porões? Podia ser, pois os ruídos eram abafados. Mas, acho eu, eles estavam apenas ouvindo demais.
Ainda bem que, com o tempo, esse choro pungente foi passando. A gente tinha quase esquecido. Nos últimos tempos, porém, não sei por quê, existem pessoas que estão falando deles novamente. Talvez reconheceram as vozes, talvez eles mesmos sejam os que gritaram de dor, um dia. Como eu disse, existe gente que reclama de tudo.

Justo agora que tudo ia tão bem, a gente quase ganhando a copa e tudo mais...


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