Saturday, April 13, 2013

Perdido no mar


Perdido no mar



Numa bela tarde sol, peguei meu barco à vela, saí para o mar, que estava calmo, e velejei, velejei até não mais poder ver a praia e nem o que havia pela frente, como se o mar fosse infinito e acho que ele é, apesar de ele ter um começo, que é de onde eu saí, mas como não consigo mais ver, ele é infinito para mim e esse infinito começa a me assustar, mas eu sei que alguém vai me ajudar a voltar quando eu me desesperar e perceber que não tem mais jeito, então vou pedir socorro e ...
Estou perdido no meio dessas frases e nem me lembro mais do que ia falar. Agora me lembro que a professora de português havia me avisado para não fazer períodos longos. Está bem. Uma frase de cada vez... Socorro. Estou perdido no mar. Minhas palavras também.

Thursday, April 11, 2013

Dente-de-leão


Dente-de-leão

Sabe, aquela flor, dente-de-leão? Você assopra e pronto, ela se dissolve no ar. É delicada, bonita, mas não resiste a um simple soprar. Assim somos nós, assim é a nossa  vida. A beleza, a força, vem da criação. O sopro, nada mais é do que o nosso destino que, a qualquer momento vai soprar. No começo, foi o sopro da vida, depois, no fim, vem o sopro da morte. E nós vamos, pobres de nós, sumindo, diluindo, no meio do ar. Não se iluda, só isso somos nós.
Dente-de-leão, leão, animal forte, rei da floresta . Que ironia, que risada é nossa vida...Dente-de-leão...só rindo mesmo...

Tuesday, April 9, 2013

A segunda vida do Ribeiro



A segunda vida do Ribeiro


Lá estava o Ribeiro, mexendo e remexendo na papelada em uma sala na parte sul do hospital. Inventara umas histórias, umas desculpas, e conseguiu finalmente a autorização. Teve sorte pois não se passaram nem duas horas e achou o que queria. E agora estava olhando, quase em choque, para uma foto. Não podia ser, mas era. Estava tentando se convencer de que estava enganado. Não havia como negar, a foto...

Não vamos nos precipitar. Para entender a cena, temos de voltar alguns meses no tempo. Ribeiro era um enfermeiro do Hospital Santa Clara. Era um bom lugar  para se trabalhar, muito antigo e tradicional na pequena cidade. A instituição tinha mais de oitenta anos. Ribeiro, logo de imediato, foi bem aceito entre os colegas. Todos o chamavam para ajudar aqui e ali, era um batalhador, funcionário dedicado e inteligente, além de um bom amigo de todos. Já estava há uns três meses no hospital quando teve a primeira da série de experiências  estranhas pelas quais passou.

Um dia sentiu um tontura danada quando estava passando por uma sala que tinha escrito “Arquivo”em sua porta. Não foi só isso, sentiu também uma força danada impulsionando-o a entrar. Assim o fez. Lá dentro, devagarinho, foi voltando ao normal. Daí, quando acordou, notou que seu uniforme era de outra cor. Branco. Nunca usava essa cor no trabalho. Mas era um uniforme sim. Saiu da sala, voltou para o corredor. De repente, começou a olhar para as pessoas e notou que as conhecia e até sabia seus nomes. Não eram, entretanto, os seus colegas de serviço. As paredes tinham outra cor, os móveis e os aparelhos todos pareciam muito antigos. Aos poucos fois e esquecendo do “outro hospital”. Na verdade ele não saía de sua mente, estava lá, só que distante, como uma lembrança. Parecia um sonho que tinha tido, uma recordação. De repente viu, no meio do corredor, uma enfermeira agitada, acenando. Correu para lá e foi atrás dela, que entrou numa sala. Um paciente parecia ter morrido. Imediatamente fez massagem cardíaca, esmurrou seu peito e, como por milagre, seu coração começou a bater novamente. A enfermeira agradeceu, e o irmão do doente, que estava no quarto, abraçou-o chorando. Deu mais umas voltas pelo hospital, fez uma tarefas que lhe cabiam e, de repente, lá estava ele passando pela “sala do arquivo” novamente. Aconteceu exatamente a mesma coisa, sentiu tontura, um impulso incontrolável de entrar. Aos poucos volta ao normal e já está com seu uniforme verde outra vez. Sai, começa a reconhecer as pessoas, as primeiras que já conhecia antes. Aos poucos as imagens do velho hospital vão sumindo, sem desaparecer totalmente.

E isso aconteceu inúmeras vezes, durante meses,  com pequenas alterações. O que havia de comum, sempre, é que ele sempre acabava ajudando alguém. Nem sempre era salvando alguém. Às vezes consolava um companheiro que estava passando por um problema difícil, às vezes “dando uma dica” importante para um médico que estava com uma dúvida sobre um paciente. Era como se cada vez que “voltava” era para cumprir uma missão. Nunca ficava muito tempo lá , mas era sempre uma experiência viva, real. Com o repetir das “viagens” a lembrança das cenas, das pessoas, das instalações ficava mais viva em sua mente. Conseguia se lembrar. Foi então que começou a prestar atencão numas fotos em quadros pendurados na parede do prédio principal do hospital. Não passava muito por lá, por isso demorou um pouco para ele notar. Mas assim que ele olhou com cuidado, pela primeira vez, teve certeza. Aquelas fotos das instalações hospitalares de 40 anos atrás eram exatamente o que ele via toda vez que entrava  naquela sala e repetia a experiência. Normalmente isso o deixaria louco, faria com que pensasse que estava com alguma doença mental. Entretanto, como as coisas foram acontecendo aos poucos, ela pareciam quase normais, faziam parte da sua vida atual.Um dia, porém, algo lhe ocorreu. Será que o hospital tinha fotos de funcionários antigos, da época para a qual ele estava sempre voltando? Se tivesse, com certeza ele os iria reconhecer, pois tinha os semblantes  vivos na memória. 



Por isso, como dizia no começo desta história,não havia como negar...a foto era da Margarida, encarregada das enfermeiras. Ela tinha um rosto inconfundível. E mais: a  Fernanda, a Francisca, a Marília, estava todo mundo lá. Começou a ter calafrios. Agora era outra história, as coisas estavam ali, documentadas. De repente, lembrou-se do óbvio. Que tal achar a própria foto? Lembrou-se de que seu rosto era praticamente o mesmo nas duas épocas. As únicas duas diferenças eram o corte de cabelo e uma marca de nascimento na face esquerda. Ele só tinha essa marca na sua versão antiga. Remexeu, remexeu e depois de cinco minutos lá estava, em outra caixa, sua foto. Dizia: Sebastião Ribeiro, 27 anos, nascido no Rio de Janeiro. Escrito a mão, num canto, estava “Ribeirinho” . O nome do Ribeirinho, de agora, era Afonso Ribeiro Júnior.

Pesquisou, procurou, entrevistou todo mundo na família. Ninguém nunca ouvira falar de Sebastião Ribeiro. Noi entanto conseguiu falar com duas pessoas de bastante idade, que trabalharam no hospital há décadas atrás e elas se lembravam do “Ribeirinho”. Viera de outra cidade, não sabiam qual, e morrera jovem, aos 31 anos. Trabalhara apenas 4 anos no local. Era sozinho, não tinha família.

Era um nistério e tanto. Sem saída, sem solução. Na cidade não havia outros registros, nada. Você sabe, antigamente, essa história de registros, identificação, não era coisa muito séria.

O “Ribeirinho” de agora, Afonso,na verdade, o “Ribeiro”, quase enlouqueceu de tanto pensar no assunto. Nunca contou nada para ninguém, alguém poderia achar que estava ficando louco. Quando investigava sobre o assunto, inventava uma desculpa qualquer. Ele, como seu outro “eu” também faleceu. Agora nem sequer temos alguém para entrevistar, perguntar. Assim terminou a história de Afonso Ribeiro Júnior, o Ribeirinho de antes, o Ribeiro de agora...


Sunday, April 7, 2013

Dizem por aí...


Dizem por aí...

O nosso caso não tem jeito, é um tal de brigar, separar e voltar. Não existe perpectiva para nós. Que tipo de casal seríamos nós? Que tipo de casamento?  Passamos juntos uns dias e pronto...nova briga, nova discussão. Todo mundo repara e comenta: “é um caso perdido”.  Não sabem por que continuamos tentando.  Somos como um barco sem destino que saiu de porto nenhum. Somos a falência do amor.
É o que dizem por aí...Que não vai dar certo!
O que eles não sabem, e nunca vão compreender é que, apesar de tudo, nos amamos intensamente. De uma forma que pouca gente sabe amar. Nossas brigas são como as pinceladas do artista, tentando aperfeiçoar o quadro que pinta. São como as cinzeladas do escultor tentando achar a forma perfeita. Brigamos muito porque queremos o máximo um do outro. Discutimos porque queremos aperfeiçoar  cada vez mais nosso sentir, nosso querer. Nossas almas são como os raios na tempestade: iluminam a escuridão para  encontrarem as veredas. Essas pessoas dizem essas coisas por aí  porque não sabem o que é o verdadeiro amor, a paixão arrebatadora...Não foi o próprio Camões que disse:  “...se tão contrário a si é o mesmo Amor”?
Pois bem, não importa o que dizem por aí. Assim é o nosso amor...

Friday, April 5, 2013

O mundo em equilíbrio


O mundo em equilíbrio



Numa rua de Chicago, o rapaz da gang atira em alguém. No mesmo momento, alguém em Miami ajuda a se levantar uma velhinha que havia caído. No Rio, outra bala, desavisada,  do pessoal das drogas, acaba atingindo quem não deve. Em Americana, São Paulo, o rapaz avisa o homem que sua carteira havia caído no chão. Enquanto em Berlim alguém segura o braço do apressado que ia ser atropelado pelo  ônibus, no Afeganistão o fuzil do soldado mata mais que o soldado inimigo. Junto uma criança morre. Em uma grande metrópole alguém rouba um banco, enquanto outro alguém que pode, noutra metrópole, dá uma enorme quantia de dinheiro para a caridade. Na repartição alguém de mau humor faz cara feia e dá uma resposta atravessada, enquanto no exato mesmo segundo, um senhor acompanha um desconhecido, que não conhece a cidade, até a esquina para mostrar o prédio para o qual ele tem de ir. De uma lado, a mão estendida, de outro um punhal nas costas. 

Assim vai o mundo se equilibrando, fragilmente, sutilmente.Compensando,aqui e ali.
Uma coisa só, pequenina, de ruim, pode desequilibrar tudo. O braço da balança pode ir, de repente e abruptamente, para o outro lado. Quem vai ser o responsável?

Wednesday, April 3, 2013

Lola, a nova vizinha


Lola, a nova vizinha


Ela chegou assim, sem mais nem menos, e se mudou para a casa mais bonita da rua. Mais bonita e mais cara. Pagou à vista. Simpática, cumprimentava a todos, homens, mulheres e crianças. As crianças achavam graça, quase todo homem respondia, mulher, quase nenhuma.
Seu nome era Lola. Todo dia alguns homens vinham até sua casa, ficavam um pouco e saíam.  Às vezes, algumas mulheres.
O que era curiosidade no início, virou depois um furor. A fofoca era generalizada. Logo a seguir, alguém organizou um abaixo-assinado para expulsar a nova vizinha. Onde se viu? Atentado ao pudor, falta de decoro, embora não parlamentar, e muito mais. Principalmente, ali não era zona de meretrício, não senhor. Gente fina, pudorada, com princípios. Os mais curiosos, entretanto, acharam melhor ir para a internet e descobrir algo mais. E descobriram. Lola era uma famosa triz pornô. Ganhava uma nota preta. Parece até que tinha seu jato particular. Aquelas pessoas que a visitavam, não eram clientes não. Homens de negócios, pessoal do ramo, produtores, empresários.
O abaixo-assinado desapareceu, todo mundo começou a cumprimentar a nova moradora. Respeitá-la, principalmente. Queriam mais contato, mas ela era muito ocupada. Agora todos sabiam que ela era não só atriz, era também empresária. Grana viva, pesada.
Havia justificativa para a mudança de opinião do povo. Afinal, o que ela fazia era pura pornografia, negócio legítimo como qualquer outro.  Empresária, gente de bem. Agora, francamente, acho que “pura” é um pouco de exagero...

Monday, April 1, 2013

Minha flor, meu jardim


Minha flor, meu jardim
(sem rima, com amor)










Neste mundo,
num grande país,
numa pequena cidade,
há uma casa.
Na casa, um jardim.
No jardim, muitas flores,
todas lindíssimas.
Dentre elas, 
uma se destaca
Pela beleza sem fim
Esta flor, meu amor,
é você.