Wednesday, July 12, 2017

Buddy e o teste de laboratório



Buddy e o teste de laboratório

Buddy estava precisando de um emprego. Tempos difíceis. Ele sempre trabalhou, quer dizer, com alguns intervalos, lá e aqui. Ultimamente a coisa estava difícil. Um dos motivos era a crise econômica, e o outro, bem, ele gostava de “viajar”  de vez em quando, e ultimamente essas companhias estavam pedindo  exame de urina para verificação de “substâncias estranhas” na mesma. Buddy não estava seguro de que conseguiria ficar ‘limpo” tempo suficiente para dar negativo no exame. Mas a situação apertou e ele  finalmente conseguiu ficar “em jejum de drogas” por algum tempo. Um amigo avisou que uma grande companhia estava precisando de mecânicos industriais e lá foi ele se apresentar. Preenche a ficha, faz um teste numa das máquinas e pronto: ele vai ser contratado por um salário bastante razoável. Um pequeno detalhe, porém: ainda falta fazer o teste de urina. Buddy sente uma pequena insegurança, mas acha que “dá para passar”. No dia combinado lá vai ele para o laboratório recolher a famosa urina para teste. Para dar apoio moral, Crystal, sua namorada,  vai  junto. Preenche os formulários necessários, ganha um copinho de plástico e... não precisamos de mais  detalhes. Dali a pouco entrega o “material” e volta para casa com a companheira. Alguns dias depois volta para o departamento pessoal para finalizar a papelada e ver o resultados dos exames. 
Senta-se na sala e dali a pouco entra um simpático senhor com alguns papéis na mão. Sorridente, senta-se, olha para Buddy e fala: “Mister, tenho três notícias  para o senhor. Duas boas e uma nem tanto” E antes que Buddy pudesse comemorar, solta a bomba: “Primeiro, o teste para drogas deu negativo, e segundo, parabéns: o senhor está grávido!A terceira é que não podemos contratá-lo”   Levantou-se, despediu-se e saiu da sala. Buddy ainda precisou pensar um pouco para entender o que havia acontecido: “Droga, essa danada da Crystal nem me avisou que estava grávida!”  E depois disse em voz alta: “E tanto trabalho para trocar a urina...”  Assim foi que , novamente, Buddy perdeu um emprego quase certo. “Essas danadas de multinacionais estão ficando cada vez mais espertas...” E completou; “Damn!” 


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Tuesday, July 11, 2017

Uma caixa de mil segredos


Uma caixa de mil segredos

Que vontade que eu tenho
de entender esta vida.
Que vontade de abri-la,
como se abre uma caixa
cheia de mil segredos.
Que medo de, ao abri-la,
saber que lá está,
tudo que eu já sabia
e não o que eu sonhava.
Que medo de lá estar,
um Deus que não conheça,
que não seja meu amigo,
e que diga, depois de tudo,
que vivi tudo errado.


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Monday, July 10, 2017

Calculando a felicidade



Calculando a felicidade

Fiquei pensando em como calcular a quantidade de felicidade que nós temos. Existe gente que diz que está muito feliz e, na verdade, é um poço de angústia. Outros estão se lamentando e, francamente, não têm motivo para tanto. Talvez estejam tentando esconder dos outros a própria alegria, com medo de que a roubem de si. O ser humano é complicado, já dizia alguém muito sábio, de cujo nome nem me lembro mais. Talvez ela, a felicidade, seja a soma de todos os bons momentos, mais os sorrisos, mais os golpes de sorte que tivemos, mais as coisas boas que fizemos e coisas assim. Verdade é que temos de subtrair os azares, as caras feias, os eventos trágicos. Daí, dessa simples subtração, teremos um resultado que, no entanto não é final. Precisamos ver a quantidade e a qualidade das amizades que temos e multiplicá-las por esse valor. O mesmo fazer com as inimizades: multiplicar pelas desgraças que já temos.  Como a felicidade é uma coisa abstrata – embora possa se manifestar de maneira concreta – desconfio que ainda precisemos usar de uma equação, a raiz quadrada e, quem sabe, até algumas fórmulas complicadas. Talvez um logaritmo?  Este campo, entretanto, me é completamente desconhecido: sou analfabeto nessas ciências matemáticas. Desta forma, meu cálculo vai ficar incompleto e vou vivendo assim, sem saber, sequer, se sou medianamente feliz.
Quem disse que ser feliz é fácil?
       
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Saturday, July 8, 2017

Os limites da idiotice humana



Os limites da idiotice humana


Costuma-se dizer que “querra é guerra”, embora ultimamente muita gente concorde que “a guerra é um inferno”. Às vezes, como no caso do Nazismo, e mais recentemente, no caso do ataque ao Word Trade Center, quase todos concordam que ela é necessária. Ainda assim, depois de algum tempo, elas se prolongam mais do que o necessário e evoluem para conflitos muito piores. Talvez sejam resquícios de nossa fase anterior à civilização.
O caso do Afeganistão é um desses. O povo lá é tão diferente, os costumes são tão estranhos para os ocidentais, que é duvidosa a validade de tentar impor nossos valores. Se esses são melhores que os deles, talvez seja o caso de esperar, ao invés de impô-los à força. Esse conflito, e a maioria dos americanos concorda, deveria ter terminado há muito tempo.
Há alguns dias atrás, ficamos sabendo que os aliados estão usando cães para penetrar nas áreas inimigas. Levam GPS, lanterna, e, aparentemente, até granadas. E o pior é que um deles foi capturado pelos talibãs. Esses últimos, é claro, fizeram questão de exibir, orgulhosos, o novo “prisioneiro de guerra”. O pobre animal ( parece que tem patente de “coronel”), confuso, lá estava no vídeo, rodeado por soldados inimigos, gritando palavras de ódio, ameaças, como se ele fosse um espião violento e cruel. Se não fosse triste e degradante, seria até cômica a atitude dos rebeldes do Afeganistão.

Os americanos também têm de aprender muito a respeito de lidar com o resto do mundo, não há dúvida. Entretanto, a atitude daqueles valentões, grosseiros, rodeando o cão, é muito ridícula  e nos faz pensar. Eles vão ter de evoluir muito, muito mesmo. Depois de alguns séculos, talvez consigam alcançar um ponto da civilização que se pareça com a do simpático cachorro. Talvez... Por enquanto, a “civilização canina” está dando de dez a zero neles...


A notícia (2)
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Thursday, July 6, 2017

O médico, o mágico


O médico, o mágico

Lá ia ele, de um lado para o outro, com sua maletinha de médico. Em Perus, em, Caieiras, às vezes até na casa do paciente, lá estava ele. Não era só a consulta:  aconselhava, dava remédio, orientava. Funcionava, sozinho, melhor que um plano inteiro de saúde de hoje em dia. A única parte que não funcionava bem era a parte do recebimento. Ele não era muito bom nisso: quem podia pagar, pagava, quem não podia , tinha o mesmo tratamento.
Quanta gente ajudou, não consigo contar. Meu pai foi um deles e tinha um respeito e uma admiração por ele que não tinha por mais ninguém. Quantas vezes ele precisou da ajuda daquele doutor incrível.
Ele era um verdadeiro mágico, pois além de cuidar de tanta gente com tanto amor, ainda tinha uma família enorme para cuidar. Enorme mesmo. Na verdade, acho que a cidade inteira era sua família.
Existe muita gente que não se esquece do doutor. Muita gente mesmo!
Se houver uma contabilidade de dar e receber lá no paraíso, São Pedro teve uma dificuldade enorme para acertar tanto bem que ele fez com tão pouco que recebeu.
É até uma pena que não haja doente lá em cima, com todo respeito. Ele estava tão acostumado a curar, que deve sentir uma falta danada de fazer o bem. Finalmente parou de correr, está descansando o merecido descanso, o descanso das pessoas boas...
Obrigado, Dr Milton Neves!


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Tuesday, July 4, 2017

O Padre João



O Padre João


Faz muito tempo.  Quando conheci o padre João fazia apenas alguns anos que ele havia sido ordenado. Era um ser humano espetacular. Olhava para mim e para os outros como seres humanos e não simplesmente  como pessoas que frequentavam a igreja. Existe uma diferença mas não cabe aqui explicar. Podia se dizer que tinha “humanidade”. Mas havia outra coisa sobre o padre João. Ele tinha uma tristeza lá no fundo dos olhos. Não sei como uma criança era capaz de “ver” essa tristeza, mas eu via.
Chegou a hora e o padre João foi transferido não sei para onde. Eu também fui para outros lados, não virei ateu nem nada, mas me afastei da igreja. Nunca mais o vi até muitos anos depois. Circunstâncias completamente novas, uma tremenda coincidência. Conversamos muito. Foi muito diferente, eu era então um adulto, bem adulto. A parte boa foi que ele não tinha mais aquela tristeza no fundo dos olhos. E a grande surpresa, ele estava casado! Não entrei em detalhes, mas acho que foi com autorização da igreja. Com Deus eu tenho certeza que ele se entendeu direitinho. Posso garantir que Ele entende muito bem essas coisas, muito mais do que seus próprios apóstolos aqui na terra. Imagino que o João, pois agora ele não era mais padre, explicou que não dava, que não era aquilo que ele queria, para Ele entender, etc... Tenho certeza também que nem levou bronca, até levou um tapinha nas costas, se é que Deus faz essas coisas. O que  eu quero dizer é que eles se entenderam, que tudo está bem. Noutro dia ele me  apresentou sua esposa. Imediatamente percebi que ela gostava dele. Que bom!
Preciso consertar só um pouco esta história, que por sinal é verdadeira. Sabe a tristeza no olhar? Sumiu, é verdade, mas acho que ficou um pouquinho. Um pouquinho só. Talvez porque ele achasse que no fim das contas acabou “falhando” com Deus, talvez porque lamentasse uma época que ele “perdeu” sendo padre. Se for a segunda hipótese, melhor não mencionar quando estiver falando com Ele em suas preces, pois sei que ele ainda se ajoelha de vez em quando. Acho que não fica bem. Voltando ao assunto da tristeza, certeza eu não tenho, mas acho sim que havia mesmo um restinho...

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Essa vida da gente

(crônicas e contos sobre o cotidiano)







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Sunday, July 2, 2017

E ele foi envolvido numa nuvem...

E ele foi envolvido numa nuvem...



É urgente. Precisamos contatar a ONU, as grandes potências, e os líderes mundiais. Também precisamos falar com todos os cientistas famosos, com as maiores cabeças desse novo mundo. A notícia precisa ser dada. Já temos todas as soluções para os horríveis problemas do planeta. Temos um caminho a seguir. Devemos montar uma grande conferência em Marizopólis, na Paraíba, enviar convites para todos e esperar pela palavra.
Temos de fazer isso enquanto é tempo, pois a mensagem já está na rua.  Graças sejam dadas, pois o mundo, não vai terminar já, só "Daqui uns tempos... tem mais uns tempos". Palavra do Pastor, o Poroca. E foi assim mesmo, desse jeitinho que Deus falou para ele. Francisco, o papa, infelizmente está proibido de vir, pois ele veio para o Brasil para promover a falsa adoração, segundo ele. Não se sabe se o pessoal daquelas religiões estranhas vai ser bem-vindo também. Não sei não.
O pastor Poroca, imaginem vocês, foi para o céu. Não que tenha morrido, nada disso. Foi envolvido por uma nuvem e ficou dois dias completos batendo papo com Deus. E é por isso que agora ele precisa falar para todo mundo o que foi que ele conversou. Por isso, a grande conferência. Espero que ele dê detalhes, pois, vamos ser honestos, dois dias é muito tempo, deu para explicar tudo, tim-tim por tim-tim. Além disso, quem já teve uma oportunidade como esta? O último com essa experiência, face a face com Deus – confesso que são parcos meus conhecimentos – foi Moisés, e ele ficou muito menos tempo.
Imaginem só vocês, o Poroca. A única preocupação que tenho em relação a essa conferência é o aeroporto de Marizopólis. Nem sei se lá existe aeroporto. Se existir, as pistas precisam ser alongadas, vamos precisar de uma torre para controlar o tráfego.
Não vejo a hora do pastor Poroca dar os detalhes. O único problema é que as notícias vão demorar um pouco. Você sabe, o pastor não gosta de televisão.
Entre tantos outros, quem diria, hein, o Pastor Poroca...



A notícia (2)



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