Thursday, February 14, 2013

IPOD


IPOD

Tudo está tão diferente... Apps da apple no meu macintosh? Microsoft? Bits, bites, bugs, boots... estou precisando dar um reboot? Spam de cookies no meu tablet? Trojan, virus, java, linux? Novo reboot? Sem dinheiro para o ipod, mas o andróide pode? 
Preciso de um oracle ou de um nerd para mexer nos meus gadgets e nos meus widgets. Já estou ficando louco e vou acabar nas nuvens.  Quero dizer,  na cloud.
Cloud, depois de tudo isto? Quem inventou essa?
O que vocês pensam que eu sou? Parem com o  texting...Não reconheço sua voz, nem o ipad, muito menos encrypted messages.
Sou dos anos 60, pelo amor de Deus! Como ipod? Quero dizer como eu poderia?

Tuesday, February 12, 2013

Onde é que eu fico nesta história toda?


Onde é que eu fico nesta história toda?




O grão, quase invisível, faz parte do pólen. Que está numa flor que fica no jardim. É o jardim da minha casa, que está num bloco de um bairro. É um bairro que faz parte da minha cidade. A cidade está num estado do meu querido Brasil. Este país, tão grande, está num mundo maior ainda, mas que é pequeno perto do sol ao qual ele obedece. Obedece, quero dizer, gira em torno dele. Esse sol, nada mais é do que uma pequena estrela, que de outros planetas, muito distantes, nem sequer pode se ver. Mas está lá e pertence, junto com bilhões de outros  corpos celestes, à Via Láctea. Essa, então, pertence a um Universo tão grande, tão grande, que, ela mesma chega a ser pequena naquela imensidão. E, acreditem, existe muita gente que acredita, até cientista, que esse cosmos é apenas um de muitos outros. E, até, acho que é exagero, que tudo isso é apenas, novamente um grão do pólen de uma outra flor que....Meu Deus, onde vamos parar?
Pode ser até que seja tudo verdade, uma boa parte eu creio até que seja, mas, então me pergunto:
Onde é que eu fico nessa história toda?

Monday, February 11, 2013

A litorina


A litorina

“Eu sou a mosca
Que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca
Que pintou prá lhe abusar...”
( Raul Seixas: Mosca Na Sopa)

Eu fiquei conhecendo a palavra “litorina” no seminário.O dicionário diz que é um veículo ferroviário com motor próprio e que ao mesmo tempo carrega passageiros. Para nós era uma coisa completamente diferente.
Nosso refeitório era enorme e nos sentávamos em grupos de 8  ou 10 garotos. Não precisa ser um gênio para saber que não tínhamos a mais fina cozinha da região. Claro que eu, criança que era, não era muito exigente. Só queria um feijãozinho com arroz, batata e carne com molho, parecidos talvez, com o que minha mãe fazia. Não me lembro direito do maravilhoso cardápio, mas  tenho certeza de que, se me lembrar, não vou ter saudade. No entanto, me lembro da litorina. Ao contrário do que você possa pensar, a litorina não era uma especiaria do nosso menu. Ou, de certa forma, era. Tínhamos uma sopa de fubá, que por algum motivo técnico, ou logístico, ou mais provavelmente econômico, era um dos nossos pratos mais constantes. Sopa quente enchia o estômago, era eficiente. Voltando à litorina, toda vez a grande panela de sopa vinha com três ou quatro delas: um verme amarelo, anelado, com um comprimento de mais ou menos um centímetro. Era nojento mas no final acabávamos nos acostumando. Tínhamos um “chefe” para cada mesa e ele era o encarregado de pescá-las e colocá-las de lado  antes de passarmos a grande panela  pela mesa. A remoção da litorina, como todo o resto, fazia parte de um ritual.
A litorina ficou para trás, não tenho mais nojo ou raiva dela. Existem coisas mais perigosas do que as litorinas hoje em dia...

Lançamento:

Um livro importante para quem está aprendendo Inglês

Minidicionário de expressões e phrasal verbs 
da Língua Inglesa



Sunday, February 10, 2013

Serelepe


Serelepe

Não tenho certeza, mas acho que “seu” Armando daqui a alguns anos iria passar para a quarta idade, se é que ela existe. Entretanto, ele não sabia disso pois continuava firme e saudável. Não queria incomodar ninguém e por isso morava sozinho. Sua filha sempre arrumava uma desculpa e dava um jeito de ir conferir. Um dia ela decidiu dar de presente um fox paulistinha para o pai. Era um presente de aniversário e mais uma desculpa para ela poder vê-lo com mais frequência. Agora, com o Serelepe ia ficar mais fácil pois todos sabiam que ela amava cachorrinhos.
O “seu” Armando, como era fácil de se prever, se apaixonou pelo Serelepe. Ficavam juntos a maior parte do tempo e uma boa parte dele o danadinho passava no colo de seu dono. Eles “conversavam” bastante mas não precisariam pois eles se entendiam sem se”falar”.
O tempo foi passando e, cruel, foi judiando do “seu” Armando. Mas este não era de se entregar, continuou vivendo. Tinha algumas dores, não podia fazer algumas coisas, mas tinha saúde suficiente para continuar morando sozinho.

Mais tempo se passou, e os dois ficaram mais velhinhos, bem mais velhinhos. A filha quase brigou para que eles fossem morar com ela, mas nada. Era orgulhoso e teimoso. Andava com dificuldade, mas era capaz de fazer praticamente tudo que fosse necessário.
Um dia, sentado na varanda,  o “seu” Armando parecia mais triste que o normal e também estava muito pensativo. O Serelepe era muito vivo e percebeu que havia uma tristeza no ar. Por isso estava meio irriquieto e mudou de posição três vezes no colo do seu dono. De repente o “seu” Armando falou:
-Serelepe, nós vamos  fazer assim. Eu vou primeiro, porque se você ficar sozinho, a minha filha vem aqui e pega você para morar com ela. Ela vai cuidar de você melhor do que eu, você sabe. Além disso, você também está velhinho e precisa de cuidados. Se eu ficar sozinho, vou ficar muito triste sem você e não vou querer sair daqui, nem que minha filha insista. Fica combinado assim, então.
Acho que o Serelepe não gostou muito daquela conversa. Podia se notar que estava preocupado. Ele se mexeu muito à noite, certamente não dormiu bem. Um dia mais se foi e o “seu” Armando não falou nada. Passou o dia inteiro triste e com o Serelepe no colo.
No dia seguinte, ele tomou café da manhã, alimentou o Serelepe e foi para a varanda. O cãozinho pulou no colo e percebeu que o seu dono não estava muito bem. Parece que ele adivinhou os pensamentos do Serelepe pois falou assim para ele:
-Parece que não vamos ter problemas, Serelepe. Afinal de contas, acho que vou mesmo antes de você. Se eu for mesmo, não quero ir para o hospital, quero “ir” daqui mesmo. E você, na hora certa, vai morar com minha filha, eu falei, ela vai cuidar bem de você.
Depois de falar mais um pouco, abraçou o Serelepe, deu um beijo em sua cabeça e aparentemente dormiu. Não sei o que o Serelepe pensou, mas ficou muito assustado. Dali a pouco saiu do colo e foi para sua cama.
Mais tarde o “seu” Armando acordou, sentiu a falta do Serelepe e foi conferir. Desconfiou do jeito que ele estava dormindo, um medo interior se apossou dele. Ajoelhou-se perto da cama e conferiu os sinais vitais do Serelepe. Ele não respirava mais, havia morrido. Imediatamente o “seu” Armando percebeu o que havia acontecido:
-Serelepe, seu safado! Você achou que eu ia morrer e resolveu ir antes para não ficar sozinho. Malandro, não foi isso que nós combinamos!
A filha ajudou a enterrar o pobrezinho. Depois disso o “seu” Armando teve de ir à força para o médico. Na volta não teve chance e  foi praticamente “sequestrado” para a casa da filha. Por mais que tentassem alegrá-lo, não havia jeito, ficou lá, encostado, pensando no Serelepe. Remungava baixinho:
-Danadinho, você me enganou.
Alguns dias depois, o “seu” Armando, sem ficar doente, nem nada, faleceu. Como o médico disse, morreu de velhice mesmo, sem doença. O coração simplesmente parou de bater. A filha sabia muito bem o que havia acontecido. Com certeza, ele foi atrás do Serelepe para tirar satisfação a respeito do acordo não cumprido.

Saturday, February 9, 2013

O DA14 e uma bala perdida


O DA14 e uma bala perdida

Ele era obcecado por catástofres: terremotos, tsunamis, furacões. Lia estatísticas, assistia a documentários, colecionava artigos. Assim era o Rubens. Ultimamente se ligara muito nas possíveis consequências da queda de um asteroide. Tinha lido sobre aquele grandão, que despencara sobre a península de Yucatán, no México, e que destruíra os coitados dos dinossauros. Que coisa horrível.  E aquele caso mais recente, 1908, na Sibéria, onde 80 milhões de árvores foram derrubadas. Isso é coisa séria, coisa para se preocupar. Por falar nisso, o motivo para a apreensão do Rubens tinha um nome: DA14. Segundo a sabidona da Nasa, ele estava para passar pertinho da Terra no dia 15. No entanto, já avisararm que não havia motivo para pânico. Sem chance de contato direto e imediato com a superfície.
Quem diz que o Rubens sossegava? Apesar de respeitar a Nasa, ele estava muito desconfiado. Ficava pensando no tal do DA14 o tempo todo. Estava até atrapalhando o seu trabalho.

Naquela manhã, uns dias antes do ameaçador corpo celeste se aproximar da nossa querida, esplendorosa  Terra azul, ele estava mais preocupado do que o normal. Estava com péssimos pressentimentos. Pensava como poderia sobreviver, como faria depois da catástrofe, o que faria se a maligna rocha caísse perto dele, aqui, bem pertinho? Caminhava para o trabalho, absorto em seus pensamentos.  Decidiu que, ao chegar em casa, à noite, iria pesquisar sobre as chances estatísticas do DA14 chegar muito perto.
Pois bem, acho que esse foi o último pensamento do Rubens. Sentiu uma agulhada nas costas. Um fio de sangue escorreu pelo tecido bege de sua camisa e ele foi caindo, caindo na calçada. Não sei se ainda pensou mais uma vez no asteroide. Só sei que em alguns instantes o coração parou de bater. As pessoas começaram a se juntar em volta do corpo inerte. Alguém comentou e outro confirmou: uma bala perdida. Todos haviam ouvido os tiros.
Afinal de contas ele estava certo. Se um projétil, imensuravelmente menor e certamente menos veloz do que os 13 quilômetros por segundo  do DA14, era capaz de matá-lo, imagine o “dito cujo”. Que pena, o Rubens não estaria aqui para ver que nada de mal aconteceria.
Deus nos livre dos meteoros esporádicos e, principalmente, das balas perdidas de cada dia.

Friday, February 8, 2013

Destino Cruel


Destino Cruel

A garotinha morava no final da rua. No outro final, morava o garotinho. Eles eram muito pequenos mas já sabiam o que era gostar. Ela olhava para ele, sem ele saber, e se enchia de amor. O coraçãozinho batendo forte, quase descompassado. Ele, também tinha sobressaltos quando a via. Um não sabia do amor do outro. Foram crescendo, nunca se falaram, nunca tiveram chance. Quando jovens, cada um foi para seu lado, para cidades distantes, cuidar da vida. Nunca se esqueceram dos olhares, daquela coisa gostosa no peito. Ambos se casaram com outras pessoas. Depois de algum tempo ele teve uma briga feia com a mulher e houve o divórcio. Pouco tempo depois ela também se divorciou pois o marido era um cafajeste. Ambos continuaram se lembrando da infância e sentiram saudades do amor infantil. Nunca mais se casaram com ninguém, nunca mais se viram, mas ficavam pensando um no outro, até ficarem velhinhos, até a hora da morte.
O destino às vezes é cruel, não é mesmo?

Thursday, February 7, 2013

O Trem da morte


O Trem da morte

Estava olhando e não acreditava. Estava paralisado de terror. Havia corpos no meio dos trilhos, de um e de outro lado da estrada-de-ferro também. Um corpo sem vida eu já vira antes, embora a gente nunca se acostume com isso. Mas ali...Havia membros decepados, rostos desfigurados, havia partes humanas por todos os lados. No meio do arbustos, por entre as pedras que sustentam os trilhos. No entanto o que machucou mesmo o coração foi quando eu vi, no meio da carnificina, livros e cardernos dilacerados, marmitas, bolsas, objetos pessoais. Não eram as coisas em si, era o fato de elas estarem ali, junto com a morte, espalhadas pelo chão. Era a prova de que a vida havia sido cortada, exterminada. À noite, no curso noturno, aquela garota não abriu o livro. O trabalhador também não abriu a marmita na hora dpo almoço.
De repente, para acabar de destruir meu coração, vejo numa mão separada do corpo, uma aliança. Daquelas grossas, que se usavam antigamente. Um casamento que não ia mais acontecer, um filho que não ia mais nascer, um amor que não mais ia se realizar.
Uma hora antes, a composição de passageiros que estava quebrada em Caieiras, acabou sendo consertada por um mecânico da estrada de ferro que estava passando na outra linha. Antes, porém, havia sido pedido socorro para Perus, que mandou uma locomotiva diesel com pessoal para consertar a composição na mesma linha. Já consertada, ela partiu, sem saber, de encontro à locomotiva. Essa destruiu os primeiros vagões, causando várias mortes e inúmeros feridos.
Era a manhã do dia 21 de março de 1969. Havia acordado com um burburinho vindo da rua. Fui ver, falaram do acidente. Corri para lá para ver o que não queria ver, o que não era para ser visto. Nesse dia era melhor ter ficado dormindo, sem saber de nada...