Thursday, April 21, 2016

Nós, o povo


Nós, o povo

Temo a falsa democracia, temo a demografia. Demonstração do poder. Direito de corromper. A maioria é a minoria. Maioria, poder em teoria. O poder na mão de poucos. O poder na mão de loucos. Loucos por poder. Acabou a ditadura? Quem é que atura? Acabou a democracia? Era pura fantasia. Nós somos a maioria, por isso estamos em minoria. Dó maior, dó menor. Dor de todos nós. Povão, dor total. Escala musical, escala social, escola municipal, fim da entidade rural. Volta da aristocracia. Fim do povo, fim do proletariado, fim do legado social, nosso fim.

                     ...oooOooo...


À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui  ( e-book:  $4.80  impresso:   $11.61

o

Wednesday, April 20, 2016

Sarney e os pinguins


Sarney e os pinguins




O gênio da lâmpada apareceu de supetão à minha frente. Disse que eu poderia pedir o que quisesse nos próximos 60 minutos. Tinha que ser alguma coisa do passado que eu quisesse mudar. Tomado assim de surpresa, fui falando o que me veio à mente, sem qualquer consideração pela lógica e pelo bom senso. Parece besteira, mas entre as poucas coisas que consegui expressar, estava o desejo de que Elvis não tivesse morrido e estivesse cantando até hoje.  Desejei também que os Beatles nunca tivessem se separado. E, para você não pensar que só penso em música, quis em meu coração, que o Hitler tivesse nascido como um besouro no Quênia e assim não pudesse ter feito tanta maldade como ele fez. Daí, acreditem vocês, eu me lembrei do Sarney. Não sei como ele conseguiu entrar numa lista tão seleta como essa. Também não sei por quê, desejei que ele tivesse nascido como pinguim na Antártica. Confesso, foi o que fiz. Com tão pouco tempo e tão curta lista de “pedidos”, não é que ele estava lá? Mas não é culpa minha, ele é que quer estar em todo lugar. Na Academia Brasileira de Letras e em cada metro quadrado de seu estado.
Não sei explicar os fundamentos psicológicos que me levaram a isso. Não existe uma explicação lógica. Talvez, no meu subconsciente, eu tenha achado que ele colocou o Brasil numa fria? Pode ser, mas é tudo especulação. O fato é que, assim que terminaram os 60 segundos, já estava arrependido por não ter sido mais objetivo, mais grandioso em minha lista. Quem pode, entretanto, controlar as forças ocultas da mente?  

A primeira falha grave em que pensei foi não ter desejado que as primeiras bombas atômicas, em Hiroshima e Nagasáki, jamais tivessem sido detonadas. Logo a seguir, me consolei, pensando que, como nesse mundo de fantasias, Hitler teria sido um besouro, nem sequer teria havido a guerra e, muito menos, duas bombas atômicas.  A segunda falha que me veio à mente foi o Sarney. Para ser honesto, não foi bem nele que eu pensei, foi nos pinguins. Acho que fui injusto, coitadinhos deles... Afinal de contas, que mal eles fizeram?


À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui  ( e-book:  $4.80  impresso:   $11.61

o

Tuesday, April 19, 2016

Esquartejando a pátria amada




Está chegando mais um feriado, aquele do nosso herói Tiradentes. Há um tempo atrás, alguns historiadores andaram pondo em dúvida os atributos do nosso querido Joaquim José da Silva Xavier para tão honroso título. Desconheço os argumentos e as provas que possam existir para tão grave afirmação. Espero que estejam enganados. Afinal de contas, precisamos muito de heróis. Melhor ficarmos com os mais antigos, que muitos dos modernos falharam na empreitada.

Quando estava na escola, fiquei impressionado com o fato de que seu corpo foi esquartejado e espalhado em diversos lugares. Fiquei também orgulhoso pelo fato de que assumiu  a culpa, tentando inocentar os outros. De qualquer jeito, faz tanto tempo, não vejo por que ficar tentando desmistificar o inconfidente. Além disso, quem pode garantir que outras grandes personalidades históricas foram exatamente como são agora descritos nos livros? Deixem nosso ídolo em paz. Além disso, existe um símbolo muito forte que vem junto com sua imagem. Como disse há pouco, ele foi esquartejado. E não é isso que aconteceu e continuou acontecendo com a nossa própria pátria através das décadas, dos séculos? O Brasil não foi sempre desmembrado, desarticulado por causa de interesses escusos? Só por nos trazer à tona essa imagem, essa consciência, vale a pena nos lembrarmos dele. 
Isso mesmo, deixem em paz nosso Tiradentes. Há tão poucos como ele na nossa história...

ooooooOOO0OOOooooo

A crônica acima não faz parte do livro abaixo

Essa vida da gente

Para adquirir este livro no Brasil 

--------------------


Saturday, April 16, 2016

A diferença que um prego faz

A diferença que um prego faz




O garoto Marcelo, além de lindo, é muito inteligente, já dá para se notar, apesar de ter apenas três anos. Ele está, agora, brincando no tapete do quarto, em sua casa. Antes disso, porém, existe outra história, mas que, na verdade é a mesma...
O Felício colocou todo o entulho que sobrou da construção da rua Sumaré, em Manaus,  na caminhonete. Ela já estava partindo, quando ele viu um pedacinho de madeira, com um prego, que havia caído no chão. Abaixou-se rapidamente, pegou-o e atirou na caçamba novamente. Acertou por pouco. E lá vai o motorista para o outro lado da cidade. Quando chegou na Avenida Santos Dumont, no entanto, viu um resto de pneu e tentou desviar, dando uma guinada para a direita. Conseguiu evitar o pequeno obstáculo. O pedacinho de madeira com o prego, entretanto, caiu na pista. Uns dois minutos depois, passou o carro do Sr. Antunes, que estava indo para o aeroporto. Estava atrasado, em cima da hora. Ele ia pegar o voo da Tam às 6:50 da manhã. Passou em cima do prego e seu pneu furou, precisou parar. Foi uma dificuldade enorme acertar o macaco, pegar o estepe e trocar o pneu. Perdeu o voo, por pouco. Lá no aeroporto, o Beto era o primeiro e único na lista de espera. Ele estava marcado para o voo da tarde, às 16:30, mas estava tentando sair mais cedo. Ficou muito feliz com a infelicidade do Antunes que ele nem conhecia. Do aeroporto mesmo, ligou para a Regina e  combinou de encontrar a irmã. Normalmente ele iria vê-la só à noite, quando chegasse em seu voo normal. Como tinha pouco tempo para tudo que precisava fazer, achou ótimo poder vê-la antes, assim adiantava toda sua agenda. No dia seguinte, tinha uma entrevista final para um emprego ótimo que havia conseguido em São Paulo.
A irmã desceu do quarto andar onde trabalhava para encontrá-lo numa lanchonete ali perto. Ela estava vindo com uma amiga, a Márcia, que estava indo para casa, pois era seu último dia, tinha arrumado um emprego melhor. Na hora de se despedirem, a Regina lhe perguntou se não queria esperar um pouco, assim conheceria seu irmão de Manaus. Por que não? Entraram, ele já estava lá. Foram apresentados. Tiveram uma incrível atração, logo de primeira. A Regina ficou até sem graça, porém feliz, pois aquele era seu irmão e aquela era sua melhor amiga. Riram muito, ficaram ali mais do que podiam. Despediram-se trocaram cartões, aquela coisa toda.
Não deu outra, começaram a namorar. Além de tudo, o Beto se deu bem na nova firma. Depois de um ano se casaram, com festa e tudo mais. Depois de dois anos, tiveram o primeiro filho, o Marcelo.
Nimguém sabe ainda, mas o Marcelo vai ser uma pessoa muito importante, vai ter uma grande carreira e vai ajudar muita gente. É o garoto do começo da história, que agora tem três anos. Ele não existiria se o Felício errasse a pontaria e não conseguisse colocar a tabuinha com o prego dentro da caçamba. O prego não cairia na Avenida Santos Dumont, não furaria o pneu do Antunes, que pegaria o voo, deixando o Beto para o voo da tarde. Ele chegaria na casa da irmã só à noite, não veria a Márcia, etc. etc. etc...

Às  vezes um prego, mesmo enferrujado, é extremamente importante. É tudo relativo.



 oOOOOOo


À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui  ( e-book:  $4.80  impresso:   $11.61

o

Vovô, vamos conversar!




Vovô, vamos conversar!

Abro os olhos lentamente na manhã paulistana e vejo um vulto de criança sentada junto à cama. Pouco a pouco reconheço minha netinha. Não demora muito e ouço sua voz infantil:
-Vovô, vamos conversar.
Não era um pedido, era um aviso. Antes mesmo que eu pudesse responder, ela começou. Falou da escola, da professora, das amigas e do amigo Pepê. Falou de outras coisas que, embora coerentes, para mim eram difíceis de entender, pois não tinha a referência, o contexto. Pintou graciosamente seu mundinho bonito, colorido. Avisou também das atividades do dia. Aula de natação e outras coisas mais. Estava notificado de tudo.
Depois, deu um sorrisinho maroto e gostoso e avisou que iria tomar café. O assunto estava encerrado.
Não é que a Nila era cheia de conversa e de assuntos importantes? Mais importantes do que os de muita gente grande que fica falando bobagem por aí.
Pelo menos importantes para mim. Daí fiquei pensando em todas as coisas que, quando crescida, ela poderia falar. Pena que não vou estar por aí por tanto tempo. Seria uma conversa e tanto, essa conversa nossa do futuro.



                                     oOOOOOo


À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui  ( e-book:  $4.80  impresso:   $11.61

o

Friday, April 15, 2016

Calota polar

Calota polar



O casal, já idoso, arrumou suas malas e saiu de Umatilla, na Flórida. Três dias inteiros para passear. Podia ser mais, mas para que abusar? Depois de mais de uma hora, ela fala:
-Meu bem, estamos indo para o norte?
-Claro que não, querida, estamos indo para o sul.
-Não sei não, eu acho que você deveria ter trazido o tal de GPS.
-Não tem serventia, aquilo só atrapalha.
Mais uma hora se passa e ela pergunta:
-Não deveríamos já ter chegado a algum lugar? Eu falei que você deveria ter trazido o tal de GPS.
-Que besteira, já vamos chegar.
Mais meia hora, eles chegam. Estão numa praia, nem norte, nem sul. Vieram para o leste, onde acaba  a terra e começa o mar.
Entram num hotel, e se preparam para descansar. A velhinha, preocupada, resolve perguntar:
-Você vai saber voltar sem o tal de GPS?
-Claro, meu amor, é só voltar pelo mesmo lugar. Além disso, é tudo muito simples...
-É mesmo, meu amor, você pode me explicar por quê?
-Porque estamos na Flórida. Se formos para o sul, acabamos no mar. Se formos para o leste e para o oeste, também acabamos no mar. O único perigo é o norte. A gente vai rodando, rodando e parece nunca mais ter fim. De repente a gente sente um frio danado. Daí já se sabe, ou estamos em New York ou em cima da calota polar...

A velhinha ficou apavorada, mas no fim conseguiu dormir...



                 oOOOOOo


À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui  ( e-book:  $4.80  impresso:   $11.61

o

Wednesday, April 13, 2016

O Equilíbrio Cósmico


O Equilíbrio Cósmico



Figuras apocalípticas tornam-se cada vez mais comuns  nesse mundo em que vivemos.  Crueldade sem explicação, maldade e perversidade gratuitas, depravação e degeneração jamais vistas assombram o homem comum. Pode haver uma explicação metafísica ou pode ser simplesmente uma questão de estatística. A Terra cresceu e a cota das potestades malignas também teria aumentado. Devemos ser otimistas, entretanto. Para contrabalançar os demônios, existem os anjos. Não pensem neles como figuras etéreas, espirituais, com asas brancas esvoaçando ao nosso redor. Há muitos deles que vestem roupas comuns, iguaizinhas às nossas. Falam como a gente, respiram como a gente, andam como a gente. No entanto, se você prestar atenção, você vai ver que eles não têm maldade, não têm malícia. Quando todos estão falando mal de alguém, eles não falam, por pior que seja a pessoa de quem estão falando. Vão achar, lá no fundo, algo de bom que essa pessoa possa ter. Quando todos estão com raiva – muitas vezes até por justa causa – eles sorriem e mostram paz no olhar. Sempre acham um jeito de ajudar, sempre têm uma palavra boa para consolar, sempre tem um sorriso... No meio da tragédia são um bálsamo. No meio da tristeza, um raio de luz. Quando as coisas não têm mais jeito eles arrumam um jeito de ajeitar as coisas. Como eu disse, são pessoas comuns, se parecem com a gente. Pode ser um vizinho, pode ser um amigo, um colega de trabalho, um parente próximo ou distante ou um amigo de um amigo. Eles são o sal da Terra, são o mel puro do favo, eles são o ar que respiramos. Não sei quantos são, mas são suficientes. Até agora eles têm mantido o equilíbrio do mundo, o equilíbrio da vida. Eles mantêm a balança cósmica em harmonia. Ainda bem...

                                 oOOOOOo


À procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui  ( e-book:  $4.80  impresso:   $11.61

o