Sunday, December 30, 2012

Uma questão de percepção



Uma questão de percepção

Serena estava cheia da vida. Justo ela que foi sempre cheia de vida. Nada dava certo. Ultimamente então...Um problema atrás do outro. Começou lá no trabalho. O chefe começou a dar em cima dela. Nada de sutileza. Afinal, ele era o chefe, e foi direto ao assunto. Ela precisava do emprego mas mesmo assim acabou com a graça do safado na hora e também foi direto ao assunto. Sem sutileza também, falou o que tinha de falar. Pediu as contas e foi para casa chorando. Tinha amigos no emprego, gostava do que fazia e aquele idiota tinha de estragar tudo. Daí para a frente foi só tristeza, as dívidas começaram a fazer fila. Desistiu do curso na faculdade e por tabela da “paquera” que ela tinha lá. De qualquer forma, tinha descoberto há pouco tempo que o fulano era noivo de uma moça do interior e as coisas certamente não terminariam bem. Nunca terminam. Na mesma época descobriu que tinha um pequeno tumor no seio. O médico disse que com quase certeza era benigno, mas do jeito que as coisas estavam indo...não sei não. Desgraça era o que não faltava e você sabe que elas nunca vêm sozinhas. O caso de Serena não era diferente. Em cima disso tudo vieram várias pequenas desgraças, que, de tão pequenas nem vale a pena falar. Quer dizer, para Serena, elas não eram nada pequenas. Você sabe como é o velho ditado “pimenta nos olhos dos outros é refresco”?
A partir de um certo momento ela começou a pensar em besteiras. Sabe, essa história de “não vale mais a pena”,  “que tipo de vida é essa? “ e assim por diante. Seria bom se acontecesse alguma coisa, quem sabe um acidente. Não queria sofrer, tinha de ser rápido. Talvez tomar uns 20 comprimidos de uma vez...Começaria dormindo, não sofreria nada. Deixaria um bilhetinho para as amigas e outro para a família. O pai tinha saído de casa quando ela ainda era pequena, não faria diferença nenhuma. A mãe, entretanto...Coitada, não iria ser fácil. No fim a dor passa, sempre passa. A angústia no seu peito aumentou muito naqueles dias. Não tinha vontade de comer, começou a tomar muito vinho. Ficava enfiada em casa, não falava com ninguém. As pessoas tinham até medo de falar com ela por telefone, tal era a aflição que ela carregava nas palavras. Ela era um poço de angústia.

Naquela tarde de domingo, o desespero começou a aumentar. Aquela ideia de a segunda estar chegando e você saber que vai ficar em casa sem fazer nada, sem trabalhar, era algo insuportável. E o destino, você sabe, não tem dó. Imagina o que mais aconteceu.  Ela não tinha olhado as cartas que recebera na sexta. Na verdade há duas semanas não olhava mais nada. Não sei por que razão de repente bateu os olhos na carta de um advogado. Leu por cima, uma história de devolver o carro, processo, etc...Resolveu então que seria  aquela noite. Com algumas taças de vinho ela tomaria coragem. Separou os comprimidos, um montão, tinha de funcionar. Começou a beber. E bebeu, bebeu...Não sei se pegou no sono ou desmaiou, o que foi bom, pois assim não engoliu o remédio suicida.
Eram nove horas da manhã quando  acordou com o celular tocando. Não ia atender, mas por um impulso que não se pode explicar, falou um “alô” quase sumido. Do outro lado era um tal de Arnaldo. Era o novo chefe que estava substituindo o anterior. Entendeu vagamente que a firma estava pedindo desculpas pelo comportamento do funcionário. Se ela quisesse voltar seria bem vinda, e além disso iriam pagar o tempo que ela ficou afastada. Se quisesse, poderia começar no dia seguinte. Iria ter um aumento e tudo mais.
Foi assim que a Serena recuperou sua serenidade. Assim, sem mais nem menos. Os outros problemas, grandes e pequenos, fáceis e difíceis, foram indo embora do jeito que vieram: um atrás do outro, em fila. Assim é a vida, não dê muito valor paras as desgraças. Também não se entusiasme demais com as coisas boas: elas vêm e vão. Tudo que acontece tem importância relativa. O que realmente vale é a percepção que você tem dos fatos e não eles em si mesmos. Resumindo, tente ser mais otimista. Quem precisa de pessimismo? Afinal com ou sem ele, qualquer dia desses podemos ser atropelados. Brincadeira. Quer dizer, tudo é possível...


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Wednesday, December 26, 2012

A Nova Vida de Sara


A Nova Vida de Sara

A Nova Vida de Sara
Há males que vêm para o bem. Diziam isso antigamente e ainda é verdade. Era o que Sara achava dos recentes acontecimentos em sua vida. Passou por aquele acidente horrível, mas no final deu tudo certo. Antes era uma depressão total. A vida parecia não ter sentido, não havia motivação para nada. Lá no fundo desconfiava que o acidente tinha sido causado por ela mesma. O que alguns “cientistas da mente” chamavam de “suicídio por descuido proposital”. Claro, não havia mais psicólogos ou psiquiatras, agora era assim que os chamávamos. Afinal o mundo estava completamente diferente neste começo de século 22 e aqueles termos eram coisa do século passado.
Voltando à Sara, ela estava completamente curada. Mais do que isso. Agora ela tinha uma vida de verdade, cheia de motivação. Ainda por cima, quase por milagre, aquela grande amiga de sua juventude, a Aurora, havia se mudado para bem perto da casa dela. Sara desconfiava que aquilo tinha sido coisa dos tais de “técnicos sociais”.  Aurora confidenciou que uns funcionários do governo a visitaram. Andaram fazendo perguntas sobre sua solidão, o que estava sentindo e quando percebeu, estava sendo convidada para se mudar. E surpresa: bem ali, pertinho da sua grande amiga, a Sara. Estavam numa felicidade indescritível, parecia até uma coisa do outro mundo. Todos os problemas haviam desaparecido como por milagre. Faziam coisas juntas a maior parte do tempo. Divertiam-se a valer, não tinham com o que se preocupar. Monotonia era coisa de um outro mundo, distante, Sara e Aurora nem sabiam mais o que era isso.
Para não dizer que tudo era 100%, ultimamente a Sara estava experimentando vez ou outra, durante algumas frações de segundo, uma coisa um pouco estranha. Não era coisa que incomodasse, mas dava para se perceber que estava acontecendo. Era como se tudo parasse naquele lapso de tempo, como se a realidade inteira, tudo, se congelasse. Não doía, não incomodava, portanto tudo bem. Era como você estivesse assistindo a um filme e de repente houvesse uma pequena “pause”.
Se você considerar a gravidade do acidente pelo qual Sara havia passado, aquilo não era nada. Até seu cérebro foi parcialmente afetado. Levaram um tempo mais do que o normal para reconstituir tudo. Apesar de os acidentes serem raríssimos, as equipes médicas conservavam todas as técnicas e equipamentos como se fosse tudo uma rotina.
Na grande sala de “Controle de Atividades Virtuais”, Norton acabara de informar seu supervisor que estava havendo uma pequena falha, quase imperceptível, na programação da unidade VL1345. Havia um problema na sequência temporal, para ser mais preciso, uma “nanofalha”, quase imperceptível. O supervisor avisou para Norton que nenhuma falha era admissível. Todo o programa teria de ser refeito.
Sara era a unidade VL1345. E, de repente, sentiu um sono danado e ouviu uma espécie de “voz interior” dizendo para ela ir para casa descansar.
Na sala de controle, Norton reprogramou todas as atividades virtuais de Sara, dando ênfase para o fator do tempo. Checou o programa, agora estava perfeito. Só para se certificar, resolveu verificar a parte de hardware e também o “elemento biológico”. Entrou na sala própria, abriu o compartimento e lá estava o cérebro de Sara num cilindro de acrílico com todas as conexões necessárias. Norton pensou consigo mesmo, como aquela mulher havia conseguido destruir seu corpo inteiro daquele jeito? Quase perdeu o próprio cérebro. Sorte dela que eles conseguiram reconstituir o pouco de massa cinzenta que ela havia perdido. E mais sorte ainda era que o seguro dela era dos bons. Ligou o os sensores de teste para “elemento biológico” e segundos depois, pode notar que estava tudo em ordem, que o cérebro de Sara estava perfeito. Segundos depois reativou a vida virtual de Sara.
Sara acordou extremamente disposta e logo a seguir chamou sua amiga Aurora para dar uma volta. Assim que se encontraram na rua, Sara deu um beijo na face da amiga, suspirou, e disse com alegria:
-Aurora, como nossa vida é boa! Eu gosto de viver!

E as duas deram uma grande gargalhada de felicidade...


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Saturday, December 22, 2012

Uma carta estritamente familiar



Uma carta estritamente familiar

Querido pai:
A nação é como se fosse uma mãe.
O governo é como se fosse um pai,
 aquele que toma as decisões no dia a dia.
”(Nino Belvicino, em alguma de suas obscuras obras)

Quando eu estava morando com você, havia coisas que eu não tinha coragem de falar. Além disso, estava envolvido com meus estudos, pensando na carreira, etc...Nessa época meu senso crítico não funcionava com clareza. Agora entendo quase tudo o que aconteceu. Não vá ficar chateado com o que vou escrever, estou dizendo isso apenas para seu próprio bem.
O primeiro e mais importante conselho que eu queria dar é sobre essa mania que você tem de se intrometer na vida dos vizinhos. Dizer para eles que é assim ou assado, dizer para eles qual é o “jeito certo de fazer as coisas”. Pelo amor de Deus, pare de falar para eles como educar seus próprios filhos, de dizer o que é certo ou errado. Pior ainda: você se lembra daquele pessoal que mora logo ali, descendo a rua? Só porque eles não quiseram seguir o seu conselho, você fez a maior confusão...Obrigou todo mundo da rua a não falar com eles, não fazer negócios e um monte de outras coisas? Bem feito para você! Eles sobreviveram, apesar de tudo isso, e não estão nada piores do que os outros da rua. Tem gente que acha até que, em algumas coisas, eles estão bem melhores. Enfim, não se pode intrometer desse jeito nas coisas dos outros. Foi tudo tão absurdo que até pensei que o seu problema era com a barba comprida que o homem tinha. Mas não pode ser...seria um absurdo!
Tem mais. Depois que saí de casa, contaram-me umas coisas que são difíceis de engolir. Eu não me lembro muito bem porque eu acho que era muito pequeno quando tudo aconteceu. Fiquei sabendo que você se intrometeu numa briga feia que houve lá no fim da rua. Era uma briga de família e você mandou umas armas para a esposa. O que você queria? Que ela matasse o marido? Pois fique sabendo que quem morreu foram dois dos filhos. Os pais acabaram se entendendo e quase não brigam mais. Mas não por causa de você. Além disso, você emprestou dinheiro para a mulher para ela ficar em vantagem em relação ao marido. Até outro dia eles ainda estavam pagando a dívida. Dizem que um dos filhos nunca pode chegar até a faculdade por causa dessa dívida. Meu Deus, como você teve coragem?
Como se isso não bastasse, você andou se intrometendo até na outra parte da cidade. Com todo respeito, como você foi meter o seu nariz num lugar tão longe? Fez o mesmo que fez com nossos vizinhos: mandou armas. E como se isso não bastasse, você foi lá, pessoalmente, se meter na briga. O que você tem de se intrometer se eles estão brigando entre si? Se um prefere o azul e o outro o vermelho, não é problema seu. Você machucou pessoas lá e você acabou se machucando também. Viu o que dá meter o nariz onde não é chamado? Até o pessoal de sua casa estava zangado com você. Perdeu tempo e dinheiro lá. Pensa que eu não sei que o pessoal lá em casa passou aperto? Acho até que passaram fome.
Depois de tudo isso, eu pensei que você tinha aprendido. Que nada. Continua se metendo em brigas dos outros. Outro dia, ouvi dizer, havia uma família que nem estava brigando e você foi lá, invadiu a casa e andou matando gente! Até pessoas da sua própria família andaram morrendo! Ainda bem que eu não estava em casa. Você se lembra de que um dia me falou que não me reconhecia mais como seu filho, eu podia ir embora? Foi sorte minha. Se estivesse lá quando você invadiu a casa da dona Ira...Que teria sido de mim?
Você sabe, melhor do que eu, o resultado de tudo isso que andou fazendo. Ficou todo endividado. Que vergonha! Pensa que eu não sei que você deve um monte de dinheiro para aquela mulher que gosta de usar vestido com tons de vermelho? É isso mesmo, aquela que entrou na briga das cores, azul versus vermelho. Você brigou com os amigos dela e depois precisou emprestar...Que vergonha! Ainda bem que nessa questão de cores ultimamente você aprendeu alguma coisa. Você viu como todas as cores são bonitas? Por que brigar?
Eu sei que você está com problemas financeiros. Sei também que no fim você dá um jeito. Por outro lado, eu sei que você nem saiu das encrencas anteriores e já está tentando entrar em mais uma briga. Estou avisando, para seu próprio bem, não se meta com essa gente.
Apesar de tudo, gosto de você. E, pelo amor de Deus, não entre mais em confusão. Vê se ajuda a sua própria família. Ou você ainda  não percebeu qu alguns dos seus filhos estão com problemas enquanto outros não sabem o que fazer com tanto que têm...às vezes acho que você não é tão mau assim, talvez até um pouco ingênuo. Não sei...

Filho da América


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Friday, December 21, 2012

Assaltou o banco e colocou no Youtube


Assaltou o banco e colocou no Youtube

O nome dela é Hannah Sabata, tem 19 anos, e mora em Waco, Nebraska. No dia 19 de novembro ela teve, segundo suas próprias palavras, o melhor dia de sua vida.  Ela roubou um lindo Pontiac Grand  Am, foi até o Banco Cornerstone, entregou um bilhete para o caixa, e conseguiu levar mais de seis mil dólares. A mensagem que ela escreveu no papel foi a de sempre: “nada de alarme, telefonemas,...etc.” Avisou também que tinha uma arma carregada. Na verdade não estava. Até aí, tudo quase normal. Acontece até com certa frequência, principalmente porque nos EUA não existe toda aquela segurança na entrada dos bancos. Dificilmente os assaltantes não são pegos. Existem câmeras, a polícia normalmente é eficiente – às vezes até demais - e além disso, os ladrões não conseguem se segurar, fazem de novo e acabam sendo pegos.
No caso de Hannah foi mais fácil, porém. Ela fez um pequeno filme contando vantagem sobre seus feitos, exibindo o dinheiro e detalhes de sua façanha através de mensagens escritas, e exibiu tudo no Youtube. Ela estava feliz e vitoriosa. Declarou que comprou marijuana, que iria pagar as dívidas e que iria comprar como louca. Claro, a polícia foi até a sua casa e algemou-a. Está na cadeia aguardando julgamento.
Se eu fosse advogado dela, acho que teria uns bons argumentos contra a sua condenação. Diria, com termos jurídicos, é claro, que ela teve um ataque agudo de idiotice. Fazer o que ela fez e ainda e ainda colocar na Internet! Idiotice é coisa séria, quando ataca não tem jeito. Até gente importante é atacada às vezes. Vemos exemplos quase todos os dias no jornal. A pena seria ela ir de volta para a escola e aprender um monte de coisas. Muitas coisas. Um tempinho na cadeia seria necessário.
Se eu fosse o juiz, até sei a pena que deveria ser aplicada. Alguns meses na cadeia com um computador. No primeiro mês, ela faria um filminho para o Youtube. A cena seria sua cela. Daí então ela escreveria uns cartazes – parecidos com o que fez sobre o roubo – em que diz: “Fiz uma idiotice, portanto sou idiota. Idiotas vão para a cadeia, por isso estou aqui” Deixaria uma certa margem para a criatividade dela. No segundo mês, ainda na cadeia, ela faria um segundo filme mostrando que, quando você fez uma idiotice muito grande, não há necessidade de colocar na Internet. Talvez uma observação na parte de baixo do cartaz: “Quando você põe coisas na Internet, todo mundo vê, inclusive a polícia.” Talvez no terceiro mês ela simplesmente poderia fazer um cartaz fixo, na parede da cela, dizendo: Uma idiotice grande fica muito maior quando você faz a idiotice de contar para todo mundo a idiotice que você fez. Eu fiz isso, portanto sou uma idiota, muito, muito grande.”
Claro que o juiz não vai fazer isso. Ao contrário vai lhe dar uma longa sentença. Até gente inocente fica na cadeia por décadas, imagina o caso dela...É verdade também, que com um bom advogado, você pode matar e sair “livrinho da silva”...A lei, ora a lei...



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Wednesday, December 19, 2012

O Resgate


O Resgate

A missão era clara e objetiva: alcançar o planeta devastado, fazer um levantamento da destruição, juntar dados e possivelmente amostras e voltar. A partir daí, seria feito um plano. Se houvesse sobreviventes, quem sabe até ajudar na reconstrução da civilização, fornecer tecnologia...
As sete naves haviam chegado há uma semana com um pequeno intervalo entre uma e outra. Espalharam-se pelas diferentes regiões, fazendo buscas e avaliação. As coisas não pareciam boas. Obviamente havia sido um conflito nuclear de proporções davastadoras. Havia radiação fortíssima por toda a parte.
Os sinais de problemas com o distante planeta tinham começado há 15 anos. Logo foi possível verificar que as condições estavam se deteriorando a passos rápidos, fora de controle. Em dois meses as transmissões pararam de chegar. Através de uma nave não tripulada, que estava há alguns meses luz dali, foi possível orbitar o planeta. Se havia sobreviventes, não era possível verificar sem descer. Por motivos técnicos essa espaçonave não poderia exercer a tarefa. Por isso, só 4 anos depois foi possível a chegada da “frota dos sete”. 

A destruição era muito maior do que se havia pensado.  Não havia sinal de vida, pelo menos inteligente. Certamente algumas formas microscópicas tinham resistido. Os astronautas do projeto eram experientes, tinham já passado por experiências como essa. Ali, entretanto , estava algo com que nunca tinham se deparado antes. O nível de desolação era inimaginável. Não se sabe quem era o agressor e quem era o agredido, todos foram “varridos” completamente do mapa. O que se passava na mente dos membros da equipe de resgate era muito semelhante. Como uma civilização naquele estado de progresso tecnológico e científico tinha se envolvido num conflito quase infantil?  O nível de tecnologia era óbvio. Duas enormes estações orbitais, que ainda resistiam, eram prova disso. O pouco que restara indicava claramente que não só eles haviam alcançado o que poderia ser considerado “nível elevado” de avanço, mas também que estavam entrando na fase em que poderiam se beneficiar de aspectos práticos da física quântica. O comandante da missão havia estudado esse tipo de civilização. Ao mesmo tempo em que a teconologia e a ciência avançam, crenças e líderes maníacos entram em conflito com essa evolução. É um momento delicado de toda espécie: quase entrando naquela fase em que as crenças “primitivas”e ideologias malucas ficam obviamente deslocadas diante da grandeza da ciência e ao mesmo tempo tentam sobreviver, lançando mão, porém, de recursos extremos. Eles sabem que sua “visão do mundo” está ameaçada e fazem tentativas desesperadas de deter o conhecimento. Muitas civilizações conseguem passar essa fase, outras entram num processo absurdo de aniquilação.
Depois de duas semanas, a primeira nave estava se preparando para voltar. Levava amostras de vida microbiológica e fragmentos de seres inteligentes para um estudo profundo de DNA e, quem sabe, uma tentativa de “recriação da espécie” local.
A frota que tentava o resgate era do planeta Raddar, situado na constelação de Centauro e o que estava destruído era a antes maravilhosa e exuberante Terra. A civilização terrestre conseguira sobreviver, com suas glórias e seus pecados, com suas conquistas e seus fracassos, com sua obsessão e arrogância, até o ano 2093. Infelizmente não conseguiu virar a página do novo século.

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Histórias do Futuro

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Tuesday, December 18, 2012

O fim do mundo no dia 21



O fim do mundo no dia 21


Existe gente aflita com o fim do mundo que se aproxima. Estou falando do Calendário Maia e do fim de tudo na próxima sexta-feira, dia 21. Praticamente já chegou.  A Nasa e todos astrônomos respeitáveis já descartaram a catástrofe há muito tempo. Algumas pessoas são teimosas e insistem na tragédia iminente. Talvez esteja faltando um pouco de ação em suas vidas ou talvez seja ignorância mesmo. Um pastor nos EUA marcou por duas vezes – o dia exato -  a data do Juízo Final e falhou, como obviamente pode ser constatado pelo simples fato de estarmos ainda aqui. Acho que houve uma falha nas comunicações celestiais. Agora ele deve estar ajustando a antena mística para tentar conseguir uma melhor recepção. Um louco só dá para entender, mas um monte de gente acreditando pela terceira vez?

Sou leigo em astronomia e civilização maia, mas ainda assim tenho um monte de razões pelas quais o mundo não vai terminar. Entretanto, basicamente posso dizer que a principal delas é porque estamos falando de uma sexta-feira. É injusto acabar com tudo numa sexta. O povão trabalhou a semana inteira e quando o final de semana vai chegar, pronto, acabou tudo? O  Renato, o Alfredo, o Júnior e o Antonio vão fazer churrasco e precisam comprar a picanha no sábado. O Pedro e o Jônatas vão reunir as famílias por causa do aniversário do Fernandinho. A Cecília, a Maria, a Flávia e a Larissa vão namorar.  Na televisão vai passar um especial ao qual o Mário e o Celso vão assistir. O pessoal do escritório vai jogar futebol no domingo e no sábado eles precisam treinar. É  jogo contra. Nossa, tem tanto compromisso que tem de ser cumprido e esses Maias não pensaram em nada disso. Nem vou colocar aqui a relação toda do poetinha quando escreveu  “O dia da criação”...Lembra quando ele começa a enumerar “Porque hoje é sábado...”...Realmente seria uma “ideia de jerico” vir com essa história de fim de mundo numa sexta-feira.  Quem faz isto bem na hora de começar um final de semana? Essa gente não tem mesmo noção de bom senso.
Se fosse na segunda, até que a gente poderia levar em consideração. Para dizer a verdade, eu conheço um monte de gente que até toparia. Segunda, às cinco da manhã, acordar para ir trabalhar? Eu quero mais é que o mundo acabe...


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Precisamos enterrar os nossos loucos


Precisamos enterrar os nossos loucos

(Homenagem às crianças assassinadas em Newton, EUA)

No sábado à tarde, autoridades revelaram
 a identidade das vítimas.
Dos 26 mortos, 20 eram crianças
com idade entre 6 e 7 anos. (www.estadao.com.br)


Precisamos enterrar os nossos loucos. Também aqueles que pertencem ao mal, que não respeitam a vida, que estão muito longe de qualquer coisa que pode ser chamada de humana. Precisamos enterrar as armas que eles carregam e que matam nossa gente, nossos inocentes, nossas crianças. Não queremos guerras, não estamos em guerra, somos da paz. Precisamos respirar nosso ar sem medo, precisamos de espaço  para nossos pequenos. Os loucos e os demônios não são da nossa terra, não pertencem ao nosso ambiente. São corpo estranho. Não sei de onde apareceram e nem como se misturaram a nós.
Precisamos enterrar os loucos e suas armas para pararmos se enterrar nossos irmãos, nossas pessoas inocentes. Precisamos enterrar os loucos para pararmos de enterrar nossos filhos. Queremos nossas crianças vivas, elas são nossas sementes. Não podemos enterrá-las pois elas são as almas que nos vão manter vivos até o dia em que a eternidade vai começar...
Para aqueles que querem explicar por que a venda dessas armas pesadas, verdadeiras armas de combate, não deve ser controlada, sugiro que eles se sentem junto aos pais das crianças de 5 e 6 anos que morreram no massacre e exponham seus argumentos...Se um só pai daqueles entender, eu também entenderei. Talvez eles devessem ter conversado com os próprios garotos um dia antes. Poderiam talvez ter argumentado por que eles teriam de morrer no dia seguinte, com três ou quatro balas em seus corpos que nem sequer atingiriam a adolescência. Quem sabe eles teriam entendido a “nobre causa” da liberdade de vender armas para quem quiser...Talvez os pequeninos teriam alcançado em suas pequenas cabeças o entendimento da “glória” e da importância da segunda emenda da Constituição Americana.
Vamos enterrar os nossos loucos...antes que eles enterrem as nossas crianças e a nós mesmos! 


Vítimas de massacre foram mortas com mais de um tiro

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