Sunday, December 9, 2018

O discreto charme da elite



O discreto charme da elite
(para quem quiser entender...)

Na sala de jantar descrita pelo Gil e pelo Caetano, os burgueses estavam ocupados em nascer e morrer. Não era um charme tão discreto como sugerido pelo Bunuel, porém. Terminado o banquete, vestiram-se com roupas reais e foram até a sacada do prédio. Agora eram a realeza. Mais até.
Lá de cima viram o povo se debatendo. Uns eram contra, outros a favor. Não sei de quê. Uma coisa a ser explorada. Os que eram a favor faziam os preços das mercadorias subirem. Faziam os preços descerem os que eram contra. Ou era vice e versa? E a nova monarquia apostava em uns e outros e sempre ganhava. Era uma beleza aquela peleja toda. Alguém sugeriu que estava ficando perigoso. Poderia haver brigas de verdade, até uma guerra. Um deles sugeriu que, nesse caso, eles fariam a intervenção. Além do mais, se não houvesse mesmo jeito, se uma luta acontecesse de verdade, então eles poderiam vender as armas. Uns nobres fabricariam, outros venderiam.
Era bonito, pelo menos para eles, ver aquela disputa de cores. Pessoas enraivecidas se atacando. Essa era a parte do circo. A parte do pão – o banquete – já tinha acontecido. Alguém corrigiu que o pão e o circo eram para o povo, não para eles. A realeza tinha coisa melhor. Jogaram então comida para a população faminta. Mandaram alguém organizar as brigas, de forma que virassem diversão e não uma simples guerra. Assim, poderiam ter um intervalo, ter mais um jantar, lá dentro.

Novamente sentaram-se à mesa e voltaram a ser burgueses comuns. Comendo e bebendo. Quando houvesse outra briga, voltariam ao balcão. Discretos, charmosos, poderosos.

Vídeo: PANIS ET CIRCENSES - Marisa Monte

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Wednesday, December 5, 2018

Rostos de ontem, rostos de hoje



Rostos de ontem, rostos de hoje



Depois de décadas, vejo novamente faces amigas e conhecidas no Facebook e em outros lugares. É a maravilha da moderna tecnologia acontecendo. Alguns rostos reconheço imediatamente, outros nem tanto. E nisso fiquei pensando. Por quê? Alguns mudaram muito e outros muito pouco. Só depois percebo. Não é uma questão de idade. Reconheço, na verdade, aqueles que estão sorrindo. O sorriso é a ponte do tempo, a marca atemporal e a chave da alma. E a alma não envelhece...



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Uma “mãozinha”


Uma “mãozinha”

O sinal ficou vermelho. Paro e imediatamente vejo um homem se aproximar. Passos curtos, difíceis, uma barba entre grisalha e branca, um olhar cansado e um sorriso perdido nos lábios. Nas mãos, um pequeno e cuidadosamente cortado pedaço de papelão. Lá dizia “Sometimes we’ll need a little help.” Lá estava o velho homem admitindo que, de vez em quando, a gente precisa de uma “mãozinha”. Embora estejamos no país mais rico do mundo, essa é uma grande verdade. Tentei achar umas moedas ou uma nota de um dólar no bolso e ... nada. Ainda assim, ele deu mais um sorriso e fez uma quase imperceptível reverência com a cabeça. E passou, continuando lentamente pela fila de carros.
Fiquei com um nó no peito o resto do dia e com a imagem daquele senhor na cabeça. Quantas vezes, todos nós precisamos de uma “mãozinha”, de um tipo ou outro, em nossas vidas.

É verdade, meu amigo, é verdade.



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Tuesday, December 4, 2018

Em conformidade com as estrelas


Em conformidade com as estrelas

Eu me conformo com as formas
deste mundo conformado.
Que fazer? É a formação
que recebi dos mais velhos.
Mas dou uma informação,
recente, nova em folha.
As formas de minha alma,
ah, elas não são assim.
Doutra forma elas se formaram:
De informais belezas,
colhidas aqui e acolá,
informalmente, de almas
que pela vida conheci.
Ah, elas existem sim!
São almas bem formadas
de precioso material
que não tem humana forma.
São formações etéreas,
vindas de um infinito
que está bem dentro de nós
e antes, muito antes,
estava no coração das estrelas.



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Saturday, December 1, 2018

Os “Ismos” do novo milênio



Os “Ismos” do novo milênio


Qualquer um percebe que o mundo político e tudo que vem com ele, mudou muito nos últimos tempos. O que era ruim, ficou pior. No entanto, o que preocupa não é a intensidade, é o próprio DNA de sua estrutura.
Antigamente quando alguma figura pública era pega no ato, ou renunciava e pedia desculpas, ou tentava negar, se explicar. Hoje em dia muitos reagem dizendo que o que fizeram é normal, ou que outros fizeram a mesma coisa, como se isso justificasse sua conduta. Um  vez em domínio público, os autores dos atos criminosos, começam a se defender, não com com argumentos morais ou outros, mas sim com estratégias legais, com a esperteza, tudo isso de maneira bem clara e aberta. Em vez de termos uma batalha do bem contra o mal, temos uma batalha de opinião pública, de convencimento. A essência não é discutida. E uma parte enorme do povo entra na dança, usando os mais absurdos argumentos para justificar os atos de seus “líderes” preferidos.
 O que quero dizer, na verdade, é que não existem mais socialismo, comunismo, capitalismo, e outros “ismos”. Tudo que restou foi apenas o Cinismo, a nova grande onda política do novo milênio. E para pessoas normais, isso é muito estranho.

ooooooOOO0OOOooooo


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Thursday, November 29, 2018

Resumindo a história...




Resumindo a história...

Quem gosta hoje em dia de ficar lendo um texto enorme? Todo mundo quer coisa fácil, rápida. Os cronistas precisam ser sucintos, concisos. Substantivos sem adjetivos ou adjetivos que já digam tudo. Objetividade, essência e graça. Fazer uma crônica como se faz um poema, sei lá...  Significar sem enrolar, direto ao ponto?
Acho que é isso. Fim!
Ooops, ficou muito curta... Acho que exagerei!




ooooOOOoooo

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Wednesday, November 28, 2018

Virando a página



Virando a página

Não resisti. Não tinha nenhum livro para comprar, mas não aguento ver uma livraria dessas bonitas, modernas, e passar direto. É quase um vício. Não que não goste de sebos. Adoro esses também. Só passo direto se estiver atrasado para alguma coisa. Entrei na Fnac e já senti aquele cheiro gostoso de papel impresso. Ou pelo menos acho que senti. Logo perto da entrada, uma grande tela de TV. A Ivete Sangalo cantava uma música do Chico. No palco estavam também o Gil e o Caetano. Que turma! Uma senhora, provavelmente da minha idade, olhava, parada e em pé, como num transe hipnótico, para o aparelho. Não era para menos, um lindo show! Fiquei também um pouco me deliciando com o som, mas depois saí andando pelos dois andares. Dei uma folheada em alguns livros, cheguei a ler páginas inteiras de outros, vi novidades.
Perdi noção do tempo, mas ele não se perdeu e assim passou muito rápido. Acordei de meu pequeno devaneio e me dirigi para a saída. E não é que a minha desconhecida amiga continuava lá, sem sequer piscar? Eu até entendo, se pudesse, também ficaria. Fui embora pensando nela. Ela não queria virar aquela página da nossa história musical. Era uma prisioneira. Pensei comigo mesmo: eu virei a página e continuo pela vida tentando conhecer coisas novas.

Depois de andar uns blocos, entretanto, confessei para mim mesmo. Eu virei a página, mas a toda hora vou lá e dou mais uma olhadinha. Quem resiste?

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