Thursday, September 21, 2017

O dia de hoje


O dia de hoje

Hoje saí pelas ruas,
vi pessoas zangadas,
vi faces nuas.
Hoje pensei em coisas,
pensei no passado,
pensei no futuro.
Hoje eu me perdoei,
hoje eu me consolei,
eu me esqueci de mim
Hoje não fiz contas,
hoje não escrevi,
também não deduzi.
Deixei minha mente voar,
minha alma descansar,
meu corpo se conhecer.
Hoje não vi notícias,
não senti tristeza,
não senti saudade.
Hoje eu tirei férias de mim...
Nossa, como foi bom,
estava cansado de mim mesmo!


 À  procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 



Wednesday, September 20, 2017

O furacão e suas histórias




 O furacão e suas histórias

Ele já tem uma certa idade, mas ainda trabalha oito horas todos os dias da semana. Nunca falta. Nem precisaria dar duro assim, tem mais do que suficiente para viver, mas é viúvo, mora sozinho, fazer o que em casa? Além disso, ele adora o que faz. Trabalha num dos hotéis da Disney e sua função é simples: quando chegam os hóspedes, cumprimenta-os com um sorriso, dá-lhes boas vindas e indica o caminho a seguir. Todos os conhecem: funcionários, gerentes, clientes antigos, etc. E mais, quando há um casamento, ele segura a cauda do vestido da noiva.
Foi por isso que todos estranharam quando Richard não veio trabalhar logo depois do furacão. Aquele não era ele.  Querido que era, imediatamente foram atrás dele. Logo descobriram o que tinha acontecido. O local onde morava – só para pessoas de idade – tinha sido inundado. Não estava no abrigo onde a maioria tinha sido recolhida. Estava numa espécie de estalagem adaptada para recolher as vítimas da enchente. Já era o terceiro dia em que ele comia mal, não tinha roupas para trocar e nem água para banho. Imaginem! Justo ele, tão metódico, tão certinho!
Foi tirado de lá imediatamente. Conseguiram um quarto de hotel na Disney, roupas secas, comida, material de higiene pessoal, tudo. Daí ele falou que precisava do uniforme, que tinha se perdido no meio das águas. Não precisa, fica uns dias sem trabalhar, falaram todos. Mas ninguém conseguia convencê-lo. Faltar mais um dia era inadmissível. Levaram-no até o departamento adequado e lá foi ele, vestiu seus trajes especiais e dirigiu-se, todo feliz, para o trabalho.
Parecia um herói. Mas por que tanta festa? Tanta gente perdeu a casa, perdeu tudo!

É que eu ainda não falei a idade do Richard. Ele está com 93 anos...

XIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIX

Clique aqui:


 À  procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 



Monday, September 18, 2017

Poeminha em prosa



















Poeminha em prosa

Um maestro invisível conduz a sinfonia cósmica. Luzes e cores se harmonizam com os sons das aves e o murmúrio das águas do mar.  O ar e o azul são uma coisa só e as nuvens do céu lutam para coibir a monotonia e o absoluto do infinito. Há uma sintonia fina entre o cascalho movido pelo inseto e o surdo som do terremoto. Numa luta insensata, a harmonia do bem tenta impedir a confusão do mal. Luz e treva, som e silêncio, rancor e amor, vida e morte, se encontram, se difundem, se destroem e se consomem numa batalha contínua. O amálgama às vezes é assustador, às vezes é de uma beleza sem igual. No fim, as forças se anulam, o eterno equilíbrio se restaura. O feio justifica o belo, o belo existe por causa do feio. O eterno conflito recomeça só para se estabilizar mais uma vez.
Quando as causas e consequências se anulam, quando a estabilidade é quase infinita, olho para fora, pela janela, e vejo uma flor. Vermelha e imponente, quase agressiva em sua beleza. Majestosa, poderosa, ela se impõe. Então, sozinha, ela desequilibra, de novo, o meu universo.

><><><><><><><><><><><>< >

Essa vida da gente

(crônicas e contos sobre o cotidiano)












Wednesday, September 13, 2017

O “seu” Bonifácio e os canários (Perus nos anos 50...)


O “seu” Bonifácio e os canários   (Perus nos anos 50...)



Era bonito ver aquele montão de pássaros, de todas as cores, cantando, cantando. Eu era muito pequeno e ficava vendo meu pai limpar as gaiolas, colocar alpiste novo, trocar a água. Havia alguns com penas de um azul claro lindo, misturado com pontos amarelos. Havia aqueles de cabeça vermelha e peito marrom. Outros, amarelinhos, amarelinhos. Uma vez meu pai me explicou que aqueles que cantavam bem bonito, eram machos tentando chamar a atenção das fêmeas. Acho que na época não entendi direito, mas achei que era uma coisa interessante. Eram todos muito formosos, um mais formoso do que o outro.
Um dia perguntei a meu pai porque eles ficavam presos ali, sem poder voar. Eu me lembro de que ele ficou preocupado com minha pergunta e me explicou. Aqueles pássaros não estavam acostumados a ficar lá fora. Desde criancinhas eles tinham se acostumado com gaiolas, Já eram assim quando vieram para casa. E para provar que não era mentira – não que eu não acreditasse - pegou um e deixou-o na porta da cozinha. Era um lindo canário. Deu alguns saltinhos para fora, olhou para um lado, depois para o outro. Chegou a tentar um voo curto mas logo depois foi voltando para o lugar de onde viera. Fiquei com pena dele. Era lindo, mas não podia voar por aí como os pardais e as andorinhas.
Certamente meu pai amava muito aqueles bichinhos. Cuidava deles com um carinho sem igual. E quando estava com eles, tinha sempre um sorriso nos lábios.
Um dia, chegou em casa um homem que eu não conhecia. E ele conversou muito com meu pai. Apontavam para os passarinhos, falavam, falavam. Só mais tarde percebi que o homem tinha vindo comprar os canários. Levou todos, não sobrou um só. Talvez meu pai tivesse ficado preocupado com o que eu dissera a respeito de eles não poderem voar. Talvez estivesse cansado de ficar todo dia, durante três horas cuidando deles, uma vez que já tinha trabalhado duro na fábrica de cimento desde manhã. Pode ser até que estivesse precisando de dinheiro, não sei.

O que eu sei é que nas próximas semanas o “seu” Bonifácio ficou muito triste. Até eu, embora pequeno, percebi que era por causa dos bichinhos. Voltava da fábrica de cimento, ficava ali na cadeira, sentado, olhando para o nada. Talvez estivesse esperando um deles piar novamente.Talvez um deles voltasse, voando, para seu antigo lar. Mas eles nunca mais piaram, eles nunca mais voltaram. Da mesma forma como os anos também não voltam mais, passado é passado.

oooOOOooo

Clique aqui:


 À  procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 



Saturday, September 2, 2017

O rei enlouqueceu





O rei enlouqueceu

Ninguém acreditava. O rei começou a falar coisas sem sentido. Alguns começaram a comentar às escondidas, pois, afinal de contas, ele era o grande monarca, o número um de todo o mundo.
Um dia um nobre o interpelou:
-Majestade, o que estais a dizer?
Mal começou e foi destituído e despido de seu cargo. Começaram – esse povo sempre tem o que falar! – a protestar dizendo que aquilo não era democrático. Embora sendo realeza, um pouco de justiça sempre é bom, todos falavam. Furioso, ele fez decretos afirmando que era o mais democrático de todos os nobres que já existiram. Naquele reinado e em todos os outros. E mais: quem ousasse dizer o contrário, sofreria as consequências.
E todo dia havia novas mentiras.  Mentiras sobre as mentiras. O monarca, simplesmente, adorava mentir e acreditava em tudo que dizia.
Uns achavam engraçado, outros ficavam furiosos e alguns, mais do que se poderia imaginar – achavam que ele falava a verdade. Um dia imaginem, em um discurso, disse que o sol era verde. E apontando para o grande astro e dizia:
-Estão vendo? E dizem que estou mentindo!
Alguns riam, outros achavam que ele tinha razão, mas não queriam olhar para não ficarem cegos, mas cegos já estavam. A grande maioria da população e, principalmente os mais inteligentes, queriam tirá-lo do poder. Mas nunca conseguiam.
Talvez fosse melhor assim. O príncipe, que viria em seu lugar, certamente iria ser pior do que ele. Até hoje nada aconteceu e o reino ainda está lá firme, só Deus sabe até quando. E isso não é mentira, não.


XIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIXIX

Clique aqui:


 À  procura de Lucas


Para adquirir este livro no Brasil 

Clique aqui  ( e-book: R$ 7,32 / impresso: R$ 27,47)

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 





Friday, September 1, 2017

Meu amigo, o tempo




Meu amigo, o tempo

Depois desse tempo todo,
acabei ficando amigo dele.
Isso mesmo, do tempo.
Às vezes ele me engana,
dizendo que vai ser rápido,
mas então demora demais.
Diz também que vai demorar
e daí passa num instante.
Vez ou outra, eu também o engano.
Faço de conta que estou com pressa,
para ele passar devagar.
No geral a gente se entende bem.
Ele faz o que tem de fazer
e eu finjo que está tudo bem.
Um dia, eu sei, ele vai parar de passar,
mas daí eu vou parar também.
  
  ******************


Histórias do Futuro

Para adquirir este livro no Brasil 
Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Wednesday, August 30, 2017

A numeróloga


A numeróloga

A numerológa enumerou, sem economizar palavras, as desvantagens dos números apresentados pelo pobre rapaz. Chance de ganhar na loteria, nenhuma. Chance de encontrar um emprego melhor, nenhuma. Uma mulher que o amasse: muito abaixo de zero. Com aqueles números, não dava.  Datas de nascimento, casamento e outras mais, nada servia. Números, horríveis números.
Cabisbaixo, pensou, pensou. A mulher, um pouco aflita com o tempo, que ela obviamente contava em números e, certamente, em reais, estava com pressa. Sinto muito, ela disse, três vezes, esperando que o cliente pagasse e saísse, para que o próximo pudesse entrar, ver seus números, e pagar. Era uma simples questão de números. Foi, então, que o coitado perguntou se havia alguma coisa que ele pudesse fazer para melhorar. Ela, paciente, explicou. Certamente, você não pode mudar sua data de nascimento. Certamente, outras datas de coisas que já aconteceram, você não pode mudar. Você pode, entretanto, mudar seu nome. Os números correspondentes às letras também vão mudar. Aí ele perguntou, se ele fizesse isso, quanto dava para mudar. Um pouco, não muito, ela disse, quase perdendo a paciência. E é difícil mudar o nome, ele argumentou. Um pouco e custa dinheiro, ela logo respondeu.
O rapaz pensou, pensou. Enquanto isso, a profissional numerológica se impacientava.
De repente, ele se levantou. Falou, então para a mulher dos números, meio sem graça, que estava enumerando mentalmente as notas que tinha na carteira e elas eram muito poucas. Iria usar em algo mais otimista, mais útil em sua vida. Saiu, rapidamente, sem pagar.
Ela ficou furiosa e calculou rapidamente quanto tinha perdido, o que era fácil. O jovem, por outro lado, ficou o resto da vida tentando acertar aqueles números ingratos que o destino lhe dera. Mudar o nome, não senhor. Era bonito, gostava dele. Além disso, esse negócio de numerologia, sei não...

0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o


Histórias do Futuro

Para adquirir este livro no Brasil 


Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui (e-book: $3.99 impresso: $11.98)