Wednesday, January 9, 2019

Não se fazem mais velhinhos e velhinhas como antigamente



Não se fazem mais velhinhos e velhinhas como antigamente

Quando eu era um garoto, ou um “piá”, como dizia naqueles tempos o meu tio Giuliano, uma pessoa ter 40 anos era estar perto do fim. Talvez esteja exagerando, mas que significava que a pessoa tinha dado o primeiro passo na fase da velhice, isto, definitivamente, podemos afirmar. Cinquenta anos era oficialmente ser velho, com direito a carteirinha e tudo mais. Fazer sessenta anos era um privilégio para poucos e essas pessoas eram consideradas uma exceção. Chegar aos setenta era um acidente do destino. Alguém ter oitenta era certamente uma lenda ou uma mentira. Nem vou falar de números mais altos.
Tudo mudou.
Agora muitas pessoas só casam depois dos quarenta. Os que casam. Há também o oposto: os que se casam o tempo todo; uma, duas, três vezes... Com cinquenta, as pessoas começam a ficar maduras em termos de relacionamento. Claro, aqueles que têm vocação para relacionamento sério. Sessenta anos é uma idade de um pouco de insegurança. Homens e mulheres ficam com ciúmes e fazem briguinhas de amor. Iguais àquelas que faziam os namoradinhos de outrora. Com setenta, os casados começam a pensar em um relacionamento mais definitivo, para, talvez, com 80 se assentarem. Não sei onde vamos parar. A “idade do lobo” que era aos quarenta anos, eu nem sei mais se ainda existe. Ninguém mais falou dela.

Sei que estou me excedendo na minha análise, mas há muita coisa de verdade nisso tudo que escrevi. O fato é que, certamente, não se fazem mais velhinhos e velhinhas como antigamente.

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Estranhas Histórias
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Monday, December 31, 2018

Ano vai, ano vem


Ano vai, ano vem

Ano vai, ano vem, curtimos esperanças que ficaram, lamentamos sonhos que não aconteceram. Juntamos o saldo do não realizado com novos desejos e pulamos, alegres, de um ano para o outro. Recalculamos tudo, reforçamos nossa capacidade de sonhar e olhamos para a frente. Para cada tranco do novo ano, recalibramos nossas expectativas, ajustamos nossas metas. É o que melhor fazemos como seres humanos. Criar fantasias, brincar com elas, nutri-las, alimentarmo-nos delas.

É o que melhor sabemos fazer.. Na verdade, essa é a essência de nosso ser, é o que somos.

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Essa vida da gente

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Wednesday, December 26, 2018

A Capela


A Capela
(lembranças do seminário, capítulo do conto "Casa dos Loucos)

“Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda:
 Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno,
preparado para o diabo e seus anjos.”( Mateus 25:41)




A capela tinha poucas luzes naquele dia, mas dava para se ver que os bancos e genuflexórios eram de madeira de lei e os vitrais eram enormes e coloridos. Os santos eram estátuas solenes e nobres e pareciam nos olhar com um misto de compaixão, solidariedade e piedade. A cúpula era muito alta e fiquei pensando nas pessoas que construiram a capela, como chegaram lá no alto para trabalhar. O altar central era enorme e sobre ele havia uma cruz de metal, talvez ouro. Candelabros dos dois lados, uma grande e principal imagem de uma santa, solene, quase uma deusa. De um dos lados, um grande púlpito de madeira, elevado, com uma pequena escada de acesso. Não olhei para os outros meninos mas acho que estavam impressionados ou assustados como eu. A capela era muito diferente da igreja da minha paróquia onde eu havia sido coroinha. Lá eu dominava tudo, sabia onde estavam as coisas, o que significavam, conhecia a nossa santa, a Santa Rosa. Aqueles santos que via agora pareciam ser superiores, pareciam nos advertir, embora tivessem aquele olhar meigo. Mais tarde aprendi a gostar da capela. Nela podia me refugiar nos momentos de tormenta, de angústia e de dor que meu coração de menino mal podia suportar. A Ave Maria, solenemente executada no órgão, muitas vezes me fez voar para fora daquelas paredes e pairar sobre campos verdes e calmos. Naquele primeiro contacto, no entanto, tive a primeira grande revelação sobre o inferno. O monsenhor com crueldade e profundidade revelava as responsabilidades de quem tinha vocação. Ele falava de um pulpito sombrio e autoritário e naquele dia a capela me amedontrou. Minha alma de menino não via outra alternativa que não a de seguir em frente numa vida de sacrifícios pois qualquer outra seria minha perdição. Havia tantas coisas das quais eu gostava na minha meninice e pelo que eu entendi, tudo teria de ser deixado para trás. Não me lembro do resto da noite, a não ser de muita reza, de um grande dormitório sombrio e de faces de meninos muito diferentes dos da minha rua. Foi a primeira vez que alguém mostrou para mim o Inferno como uma coisa real e possível. Eu só conhecia um inferno para gente muito ruim, completamente fora de minha experiência, de minha vida. O Monsenhor trouxe um Inferno real, vivo, um Inferno que poderia ser nosso, caso não agarrássemos com força a nossa vocação.Tive medo, muito medo. Pensei de novo no rosto da virgem, suave, comprensivo e fiquei confuso.
              
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Sunday, December 9, 2018

O discreto charme da elite



O discreto charme da elite
(para quem quiser entender...)

Na sala de jantar descrita pelo Gil e pelo Caetano, os burgueses estavam ocupados em nascer e morrer. Não era um charme tão discreto como sugerido pelo Bunuel, porém. Terminado o banquete, vestiram-se com roupas reais e foram até a sacada do prédio. Agora eram a realeza. Mais até.
Lá de cima viram o povo se debatendo. Uns eram contra, outros a favor. Não sei de quê. Uma coisa a ser explorada. Os que eram a favor faziam os preços das mercadorias subirem. Faziam os preços descerem os que eram contra. Ou era vice e versa? E a nova monarquia apostava em uns e outros e sempre ganhava. Era uma beleza aquela peleja toda. Alguém sugeriu que estava ficando perigoso. Poderia haver brigas de verdade, até uma guerra. Um deles sugeriu que, nesse caso, eles fariam a intervenção. Além do mais, se não houvesse mesmo jeito, se uma luta acontecesse de verdade, então eles poderiam vender as armas. Uns nobres fabricariam, outros venderiam.
Era bonito, pelo menos para eles, ver aquela disputa de cores. Pessoas enraivecidas se atacando. Essa era a parte do circo. A parte do pão – o banquete – já tinha acontecido. Alguém corrigiu que o pão e o circo eram para o povo, não para eles. A realeza tinha coisa melhor. Jogaram então comida para a população faminta. Mandaram alguém organizar as brigas, de forma que virassem diversão e não uma simples guerra. Assim, poderiam ter um intervalo, ter mais um jantar, lá dentro.

Novamente sentaram-se à mesa e voltaram a ser burgueses comuns. Comendo e bebendo. Quando houvesse outra briga, voltariam ao balcão. Discretos, charmosos, poderosos.

Vídeo: PANIS ET CIRCENSES - Marisa Monte

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Wednesday, December 5, 2018

Rostos de ontem, rostos de hoje



Rostos de ontem, rostos de hoje



Depois de décadas, vejo novamente faces amigas e conhecidas no Facebook e em outros lugares. É a maravilha da moderna tecnologia acontecendo. Alguns rostos reconheço imediatamente, outros nem tanto. E nisso fiquei pensando. Por quê? Alguns mudaram muito e outros muito pouco. Só depois percebo. Não é uma questão de idade. Reconheço, na verdade, aqueles que estão sorrindo. O sorriso é a ponte do tempo, a marca atemporal e a chave da alma. E a alma não envelhece...



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Uma “mãozinha”


Uma “mãozinha”

O sinal ficou vermelho. Paro e imediatamente vejo um homem se aproximar. Passos curtos, difíceis, uma barba entre grisalha e branca, um olhar cansado e um sorriso perdido nos lábios. Nas mãos, um pequeno e cuidadosamente cortado pedaço de papelão. Lá dizia “Sometimes we’ll need a little help.” Lá estava o velho homem admitindo que, de vez em quando, a gente precisa de uma “mãozinha”. Embora estejamos no país mais rico do mundo, essa é uma grande verdade. Tentei achar umas moedas ou uma nota de um dólar no bolso e ... nada. Ainda assim, ele deu mais um sorriso e fez uma quase imperceptível reverência com a cabeça. E passou, continuando lentamente pela fila de carros.
Fiquei com um nó no peito o resto do dia e com a imagem daquele senhor na cabeça. Quantas vezes, todos nós precisamos de uma “mãozinha”, de um tipo ou outro, em nossas vidas.

É verdade, meu amigo, é verdade.



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Tuesday, December 4, 2018

Em conformidade com as estrelas


Em conformidade com as estrelas

Eu me conformo com as formas
deste mundo conformado.
Que fazer? É a formação
que recebi dos mais velhos.
Mas dou uma informação,
recente, nova em folha.
As formas de minha alma,
ah, elas não são assim.
Doutra forma elas se formaram:
De informais belezas,
colhidas aqui e acolá,
informalmente, de almas
que pela vida conheci.
Ah, elas existem sim!
São almas bem formadas
de precioso material
que não tem humana forma.
São formações etéreas,
vindas de um infinito
que está bem dentro de nós
e antes, muito antes,
estava no coração das estrelas.



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