Sunday, October 14, 2018

Nosso placar na História


Nosso placar na História

Desde que nosso amigo Pedro chegou por essas bandas, muita coisa estranha aconteceu. Muita coisa boa, mas muita coisa ruim também. Deve ter sido bonito, certamente, ver aquelas caravelas chegarem, misteriosas, aventureiras, empolgantes, nessa linda terra de Deus.
Logo a seguir, porém, começou. Não sei se havia muito serviço ou se o pessoal não era muito chegado “no batente”, o fato é que tentaram escravizar os índios. Como eles não quiseram se submeter, foram acabando com eles. Ainda bem que uns poucos estavam escondidos na mata distante. Ficaram para remédio, se é que tem remédio isso tudo. Depois foram buscar os escravos lá longe, na África. Que barbárie! E assim foi. Tivemos também um rei fugido de Portugal: que lugar melhor que esse para se esconder do Napoleão? Fomos sede do Império e tudo mais. O Chico bem lembrou o sonho de então: “Esta terra ainda vai se tornar um imenso Portugal”. Depois de tudo que aconteceu e do jeito que está Portugal agora, até que não seria mau. Depois tivemos guerras fingidas, golpes bem dados, outros nem tanto. Tivemos até uma ditadura da qual muita gente ainda gosta. A esse respeito disso, vi um vídeo em que a moça falava que nada daquilo tinha acontecido: a tortura. Nunca ninguém viu. Estão vendo como é importante fazer tudo no porão?  A corrupção sempre tivemos, quem não sabe? No porão e fora dele: em todo lugar.

Ao contrário do que se pensa, porém, existe muita gente boa e honesta. Geralmente não falam muito. Eles são o golzinho que fizemos contra a Alemanha naquele jogo fatídico. O resto, foi um imenso 7 a 0. Já tivemos esse placar inúmeras vezes, só que não foi no futebol, por isso que ninguém viu. Se aprendermos a jogar justo na vida política, no social, vamos chegar lá. Ganhar de dez a zero como cidadãos. O resultado no futebol, então, vai ser só uma consequência.

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Novo lançamento no Clube dos Autores: Essa vida da 
gente

Saturday, October 13, 2018

Os mortos que voavam vivos



Os mortos que voavam vivos
(ou “O que vocês fizeram, hermanos?”)

Com algumas diferenças de datas, nossos “hermanos” uruguaios, argentinos e chilenos, tiveram suas ditaduras. Todas militares, é claro.Todas tinham presos politicos, é claro.Todas torturavam na escuridão, é claro.
É claro, também, que foi uma época de sombras, de medo e de terror. Alguns nem sabiam, eram a grande massa alheia, sem nome, sem opinião. As massas são sempre assim, são fáceis de levar. Nossos mortos, os brasileiros,  acabavam em diversos lugares. Um deles ficou famoso, o Cemitério Dom Bosco de Perus. Coitado do santo. Como podem dar um nome assim, para um lugar assim? Que Deus os perdoe.
Nossos irmãos argentinos, colegas de ditadura e de tortura, sempre quiseram ser  melhores do que a gente. Em tudo, até nisso. Por isso, criaram os “voos da morte”. Juntavam militantes já mortos com outros ainda vivos e voavam. Uns com algemas e dopados, outros em sacos plásticos. Os aviões decolavam, voavam sobre o Atlântico, e jogavam os corpos. Alguns deles foram mais tarde parar nas praias do Uruguai, irreconhecíveis.
É assim que se constroem grandes nações. Era assim que os inimigos da ditadura voavam. Os pilotos sobrevoavam, então, o Rio da Prata, leves, sem pecado.
Nem sei por que a gente fica falando dessas coisas. Ninguém se lembra de mais nada...









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Friday, October 12, 2018

Como começou toda a confusão




Como começou toda a confusão


Nos últimos tempos estava ocorrendo uma confusão enorme na ilha. Não que antes não houvesse, mas nunca as pessoas estiveram tão preocupadas. De certa forma, era algo que se podia esperar nesses tempos modernos em que todos conversam com todos e todos têm opiniões.
As pessoas mais conscientes, cientes de que ali nada se resolveria, convocaram um grupo de sábios do exterior. E eles vieram. Estavam agora todos reunidos numa enorme sala oval, tentando descobrir as causas de tudo. A primeira coisa que eles notaram era que o que as pessoas estavam discutindo eram os sintomas e não o verdadeiro problema. Esse era algo mais profundo, mais complexo, mais uterino.
E os estudos continuaram. Foram retrocedendo de governo em governo e já estavam agora na época da Ditadura. Cada época teve suas adversidades e, cada vez, a explicação estava no governo anterior. Verdade era que alguns tinham mais culpa que outros, mas sempre havia uma razão prévia. E assim foram indo cada vez mais para trás: república, reinado, época colonial. Sempre as pessoas de uma época eram responsáveis diretas pelas barbaridades da época seguinte. Deve-se dizer que o período da escravidão – para descobrir suas causas – essa foi difícil. Separaram uma comissão só para tentar entender como uma sociedade podia ter feito uma coisa tão horrível. Os outros sábios restantes continuaram em sua marcha a ré na história. Não deu outra, chegaram até um fulano chamado Petrolius Cabralius. Foi ele que trouxe os primeiros habitantes para a ilha. Depois de examinar a lista dos primeiros passageiros desembarcados na maravilhosa praia, ficou tudo claro. Era um bando de aventureiros, muitos deles com ficha na polícia e tudo mais. Claro, a ficha deveria ser um pergaminho e a polícia, os funcionários do rei. Como um grupo daquele poderia formar uma ilha decente? Gente sozinha, sem família, sem responsabilidade. Gente mais selvagem do que os selvagens que havia na ilha.
Os sábios chamaram os responsáveis pelo pedido de estudo e explicaram tudo, tim-tim por tim-tim. E perguntaram: “Vocês querem que continuemos e vejamos as origens das origens? Por que trouxeram esse tipo de colonizadores para cá? Ir de volta, na história e ver por que a Portugália era assim também? Mas advertiram, isso pode ir longe, muito longe.
O líder do grupo de boa-fé, que estava tentando entender tudo aquilo, imediatamente percebeu o que aconteceria. Iriam voltar, voltar e chegariam até Adams e Évora, os primeiros habitantes do mundo. E daí não daria para retroceder mais: iriam dar direto no Criador.

E esse tinha uma desculpa insuperável. Ele tinha dado o livre arbítrio para aqueles dois: O Adams e a Évora. Que fazer?


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Estranhas Histórias
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Thursday, October 11, 2018

Pessoas jogadas do céu e crianças roubadas





Pessoas jogadas  do céu e crianças roubadas

Imaginem uma república hipotética, onde os militares tomaram o poder e instalaram uma feroz ditadura. Imaginem, ainda hipoteticamente, que habitantes dessa nação resolveram discordar da maneira como eles estavam conduzindo o governo. Ainda, tudo supostamente, os ditadores resolveram calar essas bocas dissidentes.
Mas eles não se calavam. Continuavam a reclamar dos desmandos e do autoritarismo do novo governo. Imaginem só! O que fazer com gente que não para de reclamar, de protestar? Torturá-los, matá-los? Quem sabe jogá-los lá do alto, de um avião, sobre o mar?
E se houvesse também mulheres protestando? E se elas estivessem grávidas? Será possível - tudo, ainda, no campo da pura imaginação – que os detentores do poder seriam capazes de matá-las? Isso mesmo, as mães, logo depois do parto? Arrancarem delas seus filhos e entregarem a casais militares, em segredo?
Será que as pessoas que gostam de “governos fortes”, autoritários, achariam esse um bom governo? Que tipo de nação seriam esses homens capazes de construir? Uma nação baseada na tortura, em assassinatos, em sequestro de crianças?
Eu acho impossível ter havido uma nação assim. Roubando crianças de seus pais, jogando os que protestam de aviões para afundarem no mar?
Mas houve. Foi o que a  Argentina fez de 1976 a 1983. Provavelmente muito mais do que isso. Muitas daquelas crianças procuram, ainda hoje, descobrir quem foram seus pais. Muitos avós procuram seus netos, enraizados, sem saber, em outras estranhas famílias. Parece um pesadelo, mas foi verdade.
Se eu acreditasse em maldição, eu diria que é por isso que até agora eles não conseguiram se estabilizar, formar um país forte, uma grande nação. Mas eu não acredito.

Talvez apenas uma pura e maldita coincidência...

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Essa vida da gente

(crônicas e contos sobre o cotidiano)







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Wednesday, October 10, 2018

Um macabro cavaleiro brasileiro: Sábato Dinotos


Um macabro cavaleiro brasileiro: Sábato Dinotos

Um cavaleiro macabro e que vivia nas sombras, atraiu a atenção de algumas pessoas durante o regime militar. Uma figura estranha, controversa, que até hoje não se explicou direito. Seu nome aparecia, em forma de grafite, em quase todos os ônibus da cidade e em trens de subúrbio, junto com a estrela de Davi. Ninguém sabia quem era ele. De direita, de esquerda? Contra ou a favor da Revolução? Seu nome era Sábato Dinotos. Na verdade ele se chamava Aladino Félix, na vida real. Foi preso quando houve um atentado na frente do DOPS, em 1968.  Confessou 14 atentados terroristas, inclusive assalto a banco. Foi solto logo depois. Como pôde? Declarou que estava a serviço de um grande general. Sua função era detonar várias bombas. O povo ficaria assustado e pensaria que os “subversivos” tinham feito aquilo, justificando mais prisões, mais tortura. Aparentemente o pessoal comunista “não estava fazendo o serviço” com suficiência e a extrema direita resolveu dar uma ajuda. Aparentemente esta explicação tinha fundamento. Como um extremista desse calibre, naquela época, conseguiria sair da prisão, assim, sem mais nem menos? Alguns diziam que havia um grupo, dentro da própria ditadura, que queria tomar o poder. Queriam ser “mais duros” ainda com os adversários. Essa figura quase mitológica da era moderna, tinha outros afazeres. Ele escrevia livros e dava palestras sobre discos voadores. Acreditava que tinha ligações com alienígenas que viriam tomar a Terra e ele era parte do plano. Louco total. Mais tarde foi preso novamente. Talvez por outra facção da extrema direita, uma intriga interna. Claro que ele não fazia tudo isso sozinho. Como escrever seu nome em tantos lugares? Tinha ajuda de um grupo de soldados e cabos da Polícia Militar. Isso reforça a ideia de que trabalhava mesmo para o regime. Para uma ditadura dentro da ditadura.

Coisa estranha, mas foi verdade.


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Monday, October 8, 2018

A química do poder

A química do poder



Vamos invadir a Síria, consertar o mundo? Afinal de contas, eles estão usando armas químicas, pode haver coisa pior?
As mortes até agora impostas, porém, são válidas? Afinal foram balas simples de armas convencionais. Isso, sim, é permitido. Ou não? Serão válidas as mortes causadas pela fome, pela indiferença e pela ganância dos ricos e poderosos? E os que morrem todos os dias envenenados pelos alimentos considerados normais? E os que morrem em outras partes do mundo, vítimas da violência urbana, da injustiça social? E os que morrem vítimas de regimes políticos brutais? E os que morrem, vítimas de abandono social, ali mesmo, de onde vão sair os aviões que vão atacar a Síria? E os que morrem por causa das religiões que escolheram ou por causa das religiões que não escolheram? O problema não são só as armas químicas, é a química do mundo, a alquimia do poder.
Se o jeito de consertar as coisas é invadir mais um país, todos os países teriam de ser invadidos, atacados. A intervenção seria mundial.

 Mas daí, vem uma pergunta sem resposta:  Quem sobraria para ser o interventor?


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Sunday, October 7, 2018

Um eterno buscar



Um eterno buscar

Estacionei nas águas puras e calmas do meu espírito para procurar a paz. Olhei para a distância e havia luz difusa, tons brancos e azuis, de uma suavidade sem fim. Aquilo era uma espécie de paraíso. O meu paraíso. E ali, um bom tempo fiquei. E minha alma, então, encheu-se de harmonia e serenidade. Era tanta, que meu ser se preocupou. Era normal aquilo? Podia ser verdade tanta graça? Diante disso, de novo, me aventurei. Procurei, voando para cima, o movimento, a ação, algo que me inspirasse mais vida, mais emoção. E assim fiz. Flutuando sobre montanhas, rios calmos e outros revoltos, lancei-me ao mundo. Conheci oceanos tempestuosos e nuvens que soltavam raios. Senti a força da emoção, do agitar, do acontecer. E tal situação também era boa. Precisava igualmente dela. Até que, novamente, descobri que precisava da tranquilidade. Voltei para o interior de mim mesmo. e por ali fiquei algum tempo. Foi então que fiquei sabendo de tudo.  Precisava da solidão para entender o burburinho e, deste, para apreciar a primeira.

E isso, entendi, era a vida. Esse eterno equilíbrio. Um eterno flutuar entre o céu e o inferno, um eterno buscar.

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