Friday, September 14, 2018

Carta do estrangeiro



Prezado amigo Gervásio:

Escrevo-lhe essas relativamente bem escritas linhas para expressar minhas preocupações quanto ao meu linguajar. Como você sabe, estou aqui no estrangeiro já há algum tempo. Isso me faz pensar na minha falta de contato direto e diário com a nossa língua. Isso definitivamente me preocupa muito. Às vezes, por exemplo, me deparo procurando pelo termo correto para se usar em determinada frase. Preciso esperar alguns segundos e, ainda assim, é muito comum eu precisar conferir o real significado e a ortografia no dicionário.
No momento, entretanto, o que mais me preocupa, é o que se usa e o que não se usa mais. Eu acredito que a gíria “boko-moko” já deva ter morrido, uma vez que já estava agonizante quando eu saí daí. Fico imaginando se “legal” e  “bacana” ainda são bastante utilizadas nas conversas do dia a dia. Outra coisa: quando estava de saída, a expressão “da hora” era relativamente nova em termos de língua. Ela estava se fortalecendo principalmente entre os  jovens. Ela vingou ou não? Vou perguntar por perguntar, mas imagino que “encher o saco” continua viva e atuante como sempre. Gostaria de saber se o povão usa esses novos termos americanos ligados à informática, como “cloud”, “text”, etc... Não posso imaginar alguém falando “nuvem” para significar “ cloud” (da informática, é claro). Além disso, seria uma competição desonesta com o nosso “viver nas nuvens” que nada tem a ver com a tecnologia da informação. Como você  pode ver, Gervásio, tenho mil dúvidas. O mais importante de tudo, porém, é você me mandar uma lista de palavras novas, destas que começaram a ser usadas nos últimos 10 anos. Não precisa ser exatamente uma palavra nova, pode ser uma palavra que estava no esquecimento e, de repente, a sabedoria popular despertou-a e está aí dando o ar de sua graça. Aí está mais uma boa pergunta: o pessoal ainda usa “dar o ar da  graça”? Espero que sim, pois acho que é uma expressão cheia de graça, sem querer fazer graça.
Vou terminando minha missiva por aqui. Não precisa ficar assustado com o meu “missiva”, não, eu só usei este verbete para brincar com você. Eu sei que é boko-moko, quero dizer, nem sei bem mais o que quero dizer... Eu não falei que às vezes não acho mais as palavras? Enfim, atualize-me, pois, quando voltar, quero estar usando um linguajar “da hora”, “top” de linha...
Desse seu servo e amigo (brincadeirinha de novo, sei que é cafona falar assim: ainda usam “cafona”?), aqui do estrangeiro ( “estrangeiro” também não soou “legal”, soou?),
José Arquimedes ( Joseph, para os amigos americanos)

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Tuesday, September 11, 2018

Coisas que a gente não consegue entender


Coisas que a gente não consegue entender

Há inúmeras coisas que a gente não consegue entender no mundo de hoje. Nem estou falando dessas loucuras de astrônomos que veem planetas a distâncias incalculáveis, a não ser em termos de anos-luz. Nem de teorias genéticas e outras do tipo que nem sei, sequer, como vislumbrar. A teoria quântica, então? Nem ouso me aproximar.
Estou falando de coisas bem mais simples. Não entendo, por exemplo, por que um jogador que ganha milhões de dólares, arrisca sua carreira e a sorte do time de seu país, por morder um adversário. E entender por que, outro jogador - de futebol americano, o tal de Hernandez – mata duas pessoas por causa de uma bebida derramada sobre seu corpo num clube noturno? Nem foi por querer: foi um acidente. Um vampiro e uma besta feroz?
E as instituições? Pior ainda. O governo de Oklahoma, por exemplo, não consegue executar os prisioneiros de uma maneira natural. É verdade que não é fácil ser natural ao se matar uma pessoa. Estranho, pois eles executam há tanto tempo. Eles não conseguem mais acertar os líquidos que precisam para liquidar a vida do condenado à morte. E eles ficam se  contorcendo um bom tempo antes de se despedirem desse mundo. A justiça até ordenou que eles suspendam as execuções até que aprendam a matar, antes de continuar: que ironia! Já tomei anestesia algumas vezes. A gente apaga, não sente nada e acorda horas depois. Se eu morresse durante este período, seria a morte mais suave que se pode imaginar. Será que é muito difícil fazer isso? Deve haver alguma parte da história que eu não conheço. Não pode ser só isso. Seria um absurdo.

Definitivamente, há coisas que eu não consigo entender. Essas são apenas uma pequena, muito pequena, amostra delas.

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Friday, September 7, 2018

Você me conhece?



Você me conhece?


Às vezes, me mostram de lado, às vezes, só de cima. Muitos só mostram minha metade. Alguns preferem me vestir de roupas escuras, outros de roupas transparentes. Transparecem, mas não muito bem. No espelho, como todos, me vejo ao contrário. Às vezes me mostram de um jeito tão esquisito, que nem mesmo eu me reconheço. Outras vezes me pintam de cores estranhas, ou me colocam invertida, com os pés para cima. Existe gente que nunca me viu, mas que me apresenta como velha companheira. Descrevem coisas sobre mim que eu nunca vi ou percebi. Falam de mim por todo o lado, principalmente do lado em que nunca estive. Eu me vejo na televisão e me escuto no rádio, mas não me reconheço. Acho que não sou eu. Estou na boca de inúmeras pessoas e são bocas onde eu não queria estar. Acho que ninguém como eu gostaria de lá estar. Não conheço quase ninguém e quase ninguém me conhece. Raramente, muito raramente, eu sou apresentada nua e crua. Pouco, muito poucos, gostam de mim, assim. Mas é do jeito que sou. 
Eu sou a verdade. 





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Thursday, August 30, 2018

Você tem razão, meu amor!



Você tem razão, meu amor!

-Você tem razão, meu amor!
Foi com humildade que o Hilário aceitou as acusações da mulher, Não que fossem graves, como traição ou algo assim. Coisas do dia a dia, não deixar os utensílios no lugar, dar uma varrida quando o chão estivesse sujo... enfim ajudar na casa.
Não adiantou, porém. Pela terceira vez ela começou a enumerar os defeitos que ela via no marido. Ele sempre tinha sido assim, relaxado, relapso. O pobre homem chegou a pensar em falar “Por que casou comigo, então?”, mas sabia que as consequências seriam fatais. Assim que ela terminou mais um relatório, ele quase sem pensar, falou de novo:
-Você tem razão, meu amor!
-É só isso que você sabe falar? Nã adianta admitir, tem que mudar, prestar atenção... E enumerou mais alguns defeitos do pobre marido. Ele pensou em sair, bater a porta e voltar mais tarde. No entanto, sabia que, quando voltasse, ia ser pior. Nem prestou atenção no que ela falava agora, só pensava em alguma frase diferente que pudesse bolar, uma frase de efeito, que a fizesse calar. Pensou em várias, todas ruins. Quando percebeu que ela tinha dado uma  pausa, soltou:
Você tem razão, meu amor!
Só então percebeu o trágico erro que tinha cometido. Mais uma vez a mesma maldita sentença!
De fato, a ira dela se tornou imensurável. Praticamente gritava. Só sabe falar isso, só sabe falar isso... repetia com fúria feminista. Foi para o quarto e bateu a porta com tanta violência - Hilário nem sabia que ela tinha tanta força – que um quadro caiu e até um pozinho do forro também. E ela continuou gritando, gritando, incompreensivelmente, lá dentro.
Hilário, um pouco mais aliviado, suspirou. E antes que percebesse, falou , mais uma vez, quase num sussurro a maldita oração:
-Você tem razão, meu amor!


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Wednesday, August 22, 2018

Língua Portuguesa



Língua Portuguesa

São tantas palavras. São onomatopeias, aliterações, sinônimos fáceis e outros difíceis, a me confundir. Raízes, radicais, alguns raros, outros rudes, porém incisivos, decisivos. Vocábulos novos, antigos, pouco usados e outros abusados. Importados, também. Do grego, do latim, às vezes – sometimes - do inglês, mas que  vieram do grego e do latim, mesmo assim. Palavras duras. Chocantes. Palavreado fácil, dissimulado a se contundir com outro difícil, retórico, sutil. Palavrório, palavreado.Termos às vezes incompreensíveis em termos de linguagem comum. É bom termos isso em mente, em bom termos.  
Gosto das assibilações, assimiladas nos sussurros suaves do som do meu suspirar. Divirto-me com esses sons, sensatos, insensatos, sábios às vezes, às vezes insensíveis ao meu sentir, que ficam em suspensão, suspirando no ar...
Rebelo-me contra os rumores irritantes de erros gramaticais. São como ratos roedores  pleonásticos, cheios de vício,  que roem o ritmo e a rima de meu falar. Sempre a me consumir.
Existe a gíria que gira num doido girar vocabular. Dói nos ouvidos, mas é fácil de falar, de provocar, de assimilar. Gíria nefasta, gíria popular. No estudar dos linguistas, garantido tem seu lugar.
Palavras que o Chico e o Gil controlam, manipulam, devastam, reconstroem, digestam, digitam, usurpam, sentem, ressentem num sincero sentir. E o Guimarães, então... Deflora a Rosa da linguagem e vai  fertilizando as pétalas. Vai lá no fundo, na semente, no gens, no DNA. Clona, reclona. Recria, de suas almas, novas almas numa majestosa reencarnação. Recriador que aperfeiçoa a criação. Como num recreio, cheio de fetos sadios, que me custa crer, possa haver.
Palavras de todas as línguas. Lingua-mãe e outras que são apenas tias e filhas. Algumas são irmãs. Línguas doces e suaves vindo da latina, nossa querida mãe. Matriarca. Mas gosto mesmo, sou apaixonado, pelas palavras do meu português.  Lingua gostosa, suave, às vezes devassa... Outras vezes, santificada por escritores mil. Tanta força, tanto som...Tantas notas e tons. Tantas sílabas tônicas. Átonas, para quando você está à toa. Parece uma canção, uma valsa, uma sinfonia, uma melodia, uma ópera tropical. Com certeza, por certo, sem sombra de dúvida, é sempre, falada ou escrita, uma música no ar!

 Lançamento no Clube de Autores:  Insólito

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Essa língua de Camões, boa de se namorar


Essa língua de Camões, boa de se namorar

O Chico, em “Construção”, canta que o operário “dançou e gargalhou como se ouvisse música”, anunciando o trágico momento que ele iria viver. Uma imagem poderosa. Depois anuncia que ele “tropeçou no céu como se fosse um bêbado”, fazendo do topo do edifício um céu de onde se pudesse cair. E continua brincando drasticamente com a língua e suas imagens dizendo que ele “flutuou no ar como se fosse um pássaro”. Para compor assim, além de inteligente, precisa ter um dom de um Deus em quem nem sei se ele acredita.
E o Caetano que canta “Gosto do Pessoa na pessoa, da rosa no Rosa, e sei que a poesia está para a prosa, assim como o amor está para a amizade”? Esse Caetano que joga com a essência e com a forma, invertendo e misturando seus conteúdos. Não é demais?
Já o Milton, junto com o Chico, diz que é preciso “afagar a terra, conhecer os desejos da terra”, pois estamos no momento do “cio da terra, propícia estação” e é preciso “fecundar o chão”.
Eles brincam com a nossa língua, enchem-na de atavios, para depois despi-la e mostrar sua bela nudez. Descobrem nela segredos que nem mesmo ela sabe que tem. Falam de sua intimidade de seus segredos, mostram seu reverso, seu “por dentro” e seu “por fora”. Fazem prosa de sua poesia e cometem atos poéticos com sua prosa. São seus amigos, seus namorados, seus amantes.

Também, essa nossa Língua Portuguesa, quem não quer “ficar” com ela? Ela é gostosa de se ouvir, de se falar, de se cantar. Ela é muito boa de se namorar. Acho que me apaixonei por ela...

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Thursday, August 16, 2018

Palavras, tantas palavras


Palavras, tantas palavras

Anacrônico
Anátema
Anacoluto
Analfabeto
Anatomia
Anabel, um amor que já se foi...
Análise
Analogia
Anarquia
Anagnostenia:
Essa última me deu dor de cabeça...
Preciso de um
Analgésico

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