Monday, June 29, 2015

Garoto de rua



Garoto de rua

Sou garoto ainda, tenho tudo pela frente. Sou livre, ando pelas ruas, durmo onde quero dormir. Para que escola se aprendo tudo por aqui, todos os dias, nas avenidas, nas esquinas, em todo lugar? Ensino e sou ensinado. Faço um pouco de esforço e consigo tudo que quero.
Mostro a arma e as pessoas tremem, dão tudo que têm. Sou poderoso, as mulheres me temem, os homens também. De banho não preciso, quando quero me visto bem. Faço coisas que os outros meninos não podem fazer. Ouso o que eles não podem ousar. Amor, do jeito que eu quero, já tenho e posso ter sempre que quiser.
Sou forte, sou corajoso, valente e a todos faço correr. Quando o tédio vem, fico alto, fico bom, é gostoso. Meus amigos ficam altos comigo. Depois durmo, acordo e espreguiço.
Hoje preciso trabalhar duro, quero comer bem. Preciso de uma carteira gorda com cartões de crédito que eu possa vender. Uma madame rica, um homem de gravata bonita, um carro bacana na esquina, qualquer um pode servir. Acho que tudo vai acontecer.
Às vezes, eu penso que este trabalho pode ser perigoso. Anteontem, um “cliente” matou meu amigo. O “safado” tinha uma arma escondida no carro. Ontem, a polícia matou um outro colega meu. Eu vi o sangue correr na sua cara. Parecia um anjo sujo indo para o céu.

Preciso tomar cuidado. Tenho a vida toda pela frente. Não quero morrer. Qualquer dia destes, um louco qualquer, me mata também.


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Saturday, June 27, 2015

O que é o amor?



O que é o amor?

Por falar em emoção,
nem sei o que é amar.
Ainda assim, amo sem parar.
Sem sentido, sem explicação.
Será que é aquela pontada,
doída, doida, que dói no peito?
Será que é aquela fisgada,
besta, infantil, na cabeça,
e para a qual não há jeito?
Será que está na alma?
Talvez estará no coração?
Será aquela ideia gozada,
que nos faz parecer sem razão?
Aquele fúria danada?
Aquela vontade de suspirar?
Aquela vontade de voar?
De beijar? De estar? De ser?
Nada sei, mas, muitas vezes,
me sinto como um menino,
sem rota, sozinho, a correr.
Acho que é isto que sou eu
Acho que sou um garoto:
Um garoto apaixonado,
que cresceu e nem percebeu.

ooooooOOO0OOOooooo

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Friday, June 26, 2015

Ainda que


Ainda que

Ainda que não haja o eterno,
que tudo tenha um fim,
que a vida seja um sonho,
só um suspiro etéreo,
um caminho tristonho,
quero estar aqui, mesmo assim.
Ainda que todo o passado,
tenha sido só dor e tristeza,
que o destino malvado
tenha dado golpes pesados,
ainda assim, foi bom existir.
Ainda que seja ilusão a vida,
um reflexo do inexistente,
do que não há, uma recriação,
um absurdo sem razão,
ainda assim foi bom ter vivido.
Um só segundo, só uma fração,
um só momento contido,
desta consciência de existir
é uma inefável sensação,
que vale a pena sentir.

ooooooOOO0OOOooooo

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Tuesday, June 23, 2015

A cama do Pires


A cama do Pires

(Reflexões sobre a leitura de “A Capital da Solidão” de Roberto Pompeu de Toledo)

A leitura de “A Capital da Solidão” é um gostoso exercício cultural. O livro nos pinta um interessante e delicioso quadro de como se formou a cidade de São Paulo, dentro do contexto do nosso país. Muita coisa pode se aprender desta leitura. Um dos episódios que me chamou bastante a atenção foi a história da cama de Gonçalo Pires, um carpinteiro e construtor. Segundo o relato do jornalista e autor do livro, Roberto Pompeu de Toledo, ele era o único dono de uma cama em toda região de São Paulo. Nossa cidade, agora colossal e de fazer inveja pela sua modernidade e riqueza, era por volta do ano 1620 – quando ocorreu esse episódio – bastante atrasada em relação às outras do Brasil. As litorâneas, como o Rio, tentavam imitar o estilo europeu e gozavam de um conforto relativo que se assemelhava às capitais europeias. Já a nossa estava muito mais próxima da categoria de uma aldeia indígena do que de uma metrópole. E isso era em tudo. Comíamos o que comiam os índios, falávamos mais a língua indígena do que o português e até as “esposas” eram indígenas: nada de mulher europeia por aqui. Não que elas fossem melhores do que as nossas índias. Dormia-se no chão, em catres e em “redes de carijós”, como se falava na época. E não pense que isso foi só então, que faz muito tempo. A cama só substituiu a rede no século XIX, ainda segundo o autor do livro. Pois bem, isso explicado, podemos entender melhor o que aconteceu a seguir. Amâncio Rebelo Coelho, “ouvidor-geral” da Repartição do Sul (Rio, Espírito Santo e São Paulo), uma espécie de enviado do governador-geral, e portanto autoridade oficial diretamente ligada à coroa portuguesa, precisava vir para a cidade para fazer sua ronda, ou sua fiscalização. Tão importante figura, com seus ossos moídos pela subida da serra do Mar – naquela época não havia nossas maravilhosas rodovias (e você ainda reclama do pedágio) – precisava de um móvel digno para descansar. Imediatamente pensaram na cama do Gonçalo Pires, proprietário exclusivo de tão importante bem. Mas o “empresário” não queria saber de conversa. Nem pensar em ceder a dita cuja. A Câmara não teve dúvidas, tomou a óbvia decisão: o móvel iria ser apreendido a bem do serviço público, entendendo-se por isso, o conforto do ilustre visitante. Uma força-tarefa foi enviada à casa do teimoso proprietário e não só a cama, como também o travesseiro e o seu lençol foram levados.
Depois da inspeção, o “ouvidor-geral” voltou para seus reais deveres e deixou para trás a provinciana São Paulo. A Câmara tratou de devolver o precioso móvel para seu legítimo dono. Este, ofendido e teimoso, recusou-se a receber de volta o item confiscado alegando estar danificado. Obviamente queria tirar alguma vantagem da situação. Onde se viu tal ato de vandalismo e abuso de poder por parte do governo? As autoridades decidiram chamar peritos que decidiram que a cama estava em bom estado e que a única impropriedade era a sujeira no lençol, que, então, foi lavado. Decidiram também pagar um aluguel pelo uso do bem para ver se o cidadão se acalmava e aceitava receber a mercadoria de volta. Que nada. Ele estava pensando em uma quantia muito, muito maior, de dinheiro, pelo precioso empréstimo forçado que tinha feito. A disputa demorou pelo menos mais sete anos e, infelizmente, os historiadores não descobriram o que aconteceu depois.
Temos aí, porém, um bom preâmbulo do que viria a ser nossa vida política e administrativa. O governo tentando tirar tudo à força do indivíduo e esse tentando tirar tudo do estado. E é óbvio, a burocracia. Perícia, discussões que não levam a nada, disputas que se prolongam e o ridículo sendo o tópico principal de tudo, ficando as coisas importantes completamente de lado.

Uma premonição.

ooooooOOO0OOOooooo

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Monday, June 22, 2015

É


É

É. Pode existir palavra menor que esta? Mas não se enganem, aqui vale o velho ditado de que “tamanho não é documento”. É uma das mais fortes e poderosas da Língua Portuguesa. Para começo de conversa, ela significa que algo ou alguma coisa existe de fato, está ali. Além disso pode dizer poucas e boas sobre uma pessoa: “é um fulano desprezível”, “é um idiota” e por aí vai. Pode também indicar, com certeza que “alguém é um grande sujeito”, “é um cara legal”. É uma palavra modesta na estatura mas poderosa no significado. Devo reconhecer, porém, que ela, na verdade, é uma forma conjugada de uma palavra maior, o verbo “ser”. Por outro lado, ela mostra como “é” independente. Rebelou-se contra sua forma infinitiva, mostrando como ela é definida, sintética, poderosa, não “é” mesmo? Provou que, com uma só letra, ao invés de três, “é” mais ela. Além disso, ela é extremamente popular, sem deixar jamais de ser erudita. Não é como certas palavras que conheço, como “oculista” que está na boca do povo e que, quando quer dar uma de “chique”, vira “oftalmologista”.
Um doutor em Filosofia vai usar um “é” com a mesma naturalidade e poder do que uma pessoa bem simples respondendo: “É, sim, senhor”. A palavra “é” tem uma amiga muito parecida com ela, que é a conjunção “e”, sem acento. Não pensem, porém, que ela é fraca, só porque a pronúncia é fechada. Muito ao contrário, ela significa “mais”, “acréscimo”, “adição”. Eu e você, somos nós!
Voltando ao “é”, na expressão “pois é”, ele pode sugerir sarcasmo, ironia. Viram como ela “é” eclética, múltipla, pluralista, dentro de sua forma tão sintética, tão singela? Existem tantas coisas que o “é” pode fazer, que precisaria de um livro inteiro para explicar.

Vou encerrando por aqui, não sem antes lembrar que, em alguns casos, esse “é” pode mudar a vida de uma pessoa. Imagine um juiz perguntando aos jurados se o réu é culpado. Já imaginou o peso de um “é” se essa for a resposta. E este é o fim desta crônica. Não é? É sim...

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Saturday, June 20, 2015

O trem das onze

O trem das onze



O trem das onze

Naquela época, 1967, não era fácil arrumar uma vaga num curso de ensino médio, na época chamado de “científico” ou “clássico”. Na região de Perus, mais difícil ainda. A escola que eu arrumei foi no Bom Retiro e se chamava “Dr. Alarico Silveira”. Trabalhar durante o dia era óbvio, portanto tínhamos que estudar à noite.
O trabalho era na Avenida José Garcia. Saía às seis da tarde, pegava o ônibus Penha-Bom Retiro e chegava em cima da hora para as aulas noturnas. Os professores eram ótimos e a gente fazia o que podia para acompanhar, cansados que estávamos. Era, no entanto a melhor parte do dia.
O problema era depois. Após a quinta aula, tínhamos, eu e meu colega de Perus, o maior desafio do dia. Saíamos como corredores de 100 metros livres da Rua dos Italianos, passávamos pela Rua Júlio Conceição e “voávamos” pela José Paulino para chegar até a Estação da Luz. Ainda bem que não havia uma alma viva na rua para atrapalhar. Era o último trem, o trem das onze. Não sei se era exatamente às onze, onze e cinco ou onze e trinta. O que eu sei é que tínhamos no máximo 10 minutos para chegar. Gosto de falar o “trem das onze” por causa do Adoniran Barbosa.
Quando chegávamos na ponta da escadaria de madeira, suspirávamos aliviados de ver o subúrbio ainda lá. O maquinista era nosso amigo, embora apenas o víssemos de raspão ao correr para as portas automáticas. Ele sabia que a gente sempre chegava no sufoco. Muitas vezes, as portas estavam fechadas e quando ele nos via despencando pelas escadas, ele as abria novamente. Para ser sincero, acho até que, mesmo antes de nos ver, ele dava uma esperadinha. Dois anos mais tarde, ficamos sabendo que ele morreu naquele horrível acidente de 69 na Santos a Jundiaí. Nunca pude agradecer.
O pessoal do trem era sempre o mesmo, quase todos estudantes. Nossos assentos eram “marcados”, sempre sentávamos no mesmo lugar. Tentávamos conversar, pois se pegássemos no sono, corríamos o risco de ir parar em Francisco Morato. Já pensou? Tínha de me levantar no dia seguinte às cinco para pegar de novo o trem. Seria uma calamidade.
Juntávamos as últimas forças, subíamos o Morro do Cartório. Lá em cima eu virava para a direita na Rua Dona Rosina e ele ia para a esquerda.

Como diz a música, “minha mãe não dormia enquanto eu não chegava”. Além disso, ela invariavelmente tinha um prato de sopa de feijão me esperando. A Dona Eleta, sempre preocupada comigo. A aquela minha vida era muita correria. Mas nós éramos jovens e aguentávamos. Dia seguinte, cinco da manhã, morro abaixo, trem cheio desta vez, Brás, Celso Garcia...Começava tudo de novo. Perus mesmo, de dia, só no final de semana. Em compensação, a gente dormia até a hora do almoço...

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Friday, June 19, 2015

O paraíso da Terra


O paraíso da Terra




A paisagem era tão diferente que, por um instante, você poderia pensar que era artificial ou virtual. Entretanto, era verdadeira. As árvores ao pé da montanha, ao longe, eram descomunalmente altas, e havia poucas folhas nelas. Dessa forma podia se ver bem a casca quase vermelha de seu tronco e de seus galhos.  A relva era de um verde, que, em alguns pontos se aproximava muito do azul. Por se falar em azul, o céu era muito claro, bastante diáfano. E finalmente, o que realmente surpreendia, era o tamanho do sol. Seu diâmetro era pelo menos duas vezes maior que o normal.
Lá estavam os dois jovens, vestidos de túnicas brancas, conversando enquanto andavam pela estranha relva que, aliás, fazia um ruído quase imperceptível sob seus pés. Obviamente sua constituição era diferente de qualquer outra. A conversa era animada e os dois pareciam felizes. Ele tinha o rosto raspado, completamente liso, e os cabelos eram de um tom castanho claro. Parecia ter uns vinte anos, entretanto tinha, na verdade, mais de quarenta.  Ela tinha vinte e cinco mas parecia ter uns quinze. Cabelos loiros curtos, uma pele também absolutamente lisa e certamente era extremamente bela. Uma beleza diferente, teria de admitir.
Já estavam andando há uns trinta minutos e iam em direção às grandes árvores. Gesticulavam um pouco, riam, às vezes paravam por uns instantes. De repente, o firmamento, que já era muito mais claro do que o normal, ficou ainda mais claro. Muito mais claro. E então, pôde se ver um espetáculo realmente inédito, inesperado, praticamente surrealista. Um segundo sol, pouco menor do que o primeiro, mas muito maior do que o da Terra, surgiu do lado noroeste, fazendo um ângulo de 45 graus em relação ao primeiro que já estava com mais de um terço da sua rota cumprida. Um espetáculo que nos deixaria sem palavras.
Os jovens, entretanto, mal prestaram atenção ao fenômeno. Era um dia como outro qualquer para eles. Eles eram habitantes do planeta Niverden, a 7 anos luz da Terra. Eles eram bisnetos dos primeiros moradores, que haviam chegado há mais de 400 anos, do nosso planeta. Vieram para colonizar o novo planeta e viajaram com mais trinta naves espaciais, com muito equipamento e suprimentos. Mais do que precisavam. Era um mundo extraordinário, muito melhor do que a Terra em recursos naturais.
Liev e Votran, os dois jovens, só conheciam a Terra através de relatos e de estudos que faziam em suas “escolas”.

Niverden era um mundo extraordinariamente bonito, feliz, cheio de vida e riquezas.  A colonização tinha sido um sucesso.  Era, poderia se dizer, o paraíso da Terra.


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Thursday, June 18, 2015

Um pardal



Um pardal

Na minha janela,
um saltitante pardal,
que não conheço,
que antes nunca vi...
Pia uma música alegre,
e dá uma espiada
dentro de minha sala,
dentro de minha alma.
Mais uma vez, saltita,
canta, e depois se vai.
Esse pássaro não tem compaixão:
Pulou, cantou, espiou e
nem sequer notou a minha dor.


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Wednesday, June 17, 2015

Salvando as aparências

Salvando as aparências



A cidade ainda tinha aqueles costumes antigos, velhas ideias. Casar virgem era uma das coisas mais importantes. Casar com alguém que compartilha os mesmos valores, igualmente importante. No fundo, era uma forma da elite se manter num círculo fechado, ou, no máximo, deixar entrar alguém só do mesmo nível.
Uma figura diferente era o Lilico. Como posso dizer? Ele não era do tipo machão ou coisa assim. Pelo contrário, estava sempre ligado naquelas coisas em que normalmente os homens de verdade normalmente não estão. Gostava de falar de arranjos, decoração, de penteados, etc. Hoje em dia, ele poderia se abrir, seria mais aceito. Não naquela época. Como diz meu amigo Nino Belvicino, com todo aquele cinismo e deboche, naqueles tempos o fulano precisava ser macho para confessar que não era macho.


Em todo caso, ele era bem recebido junto às mulheres, onde tinha bastante assunto para conversar. Os noivos e namorados obviamente não se importavam pois ele não representava perigo. E a vida foi passando, as moças de família casando com os moços de família, até que quase não havia moça com quem o Lilico pudesse conversar. Foi aí que ele decidiu ir para uma cidade maior, onde poderia se abrir mais, ser mais ele. Com o tempo, as pessoas foram se esquecendo do rapaz. Até que um dia seu nome voltou à tona, de um jeito que nem dava para imaginar. Num dos bailes do clube, o Aquino ficou bêbado. Chegou naquele ponto em que você fala e confessa coisas que não deve. No banheiro, quase caindo, e depois de vomitar à beça, desabafou com o Lima e o Antunes que a Justina não era virgem quando se casaram. Perguntaram, meio rindo, se ele não tinha “aguentado” até a lua de mel. Quase chorando, disse que não tinha sido ele. Alguém tinha dormido com ela algumas vezes antes de eles se casarem. Algumas vezes? Aquilo parecia surreal. Aí ele chorou no ombro do Antunes. Foi aquele – e falou um palavrão – do Lilico. Olhou para seus interlocutores esperando por surpresa. E ela não veio. Parece que aquilo não era estranho para eles também. Acabaram confessando que o Lilico tinha tido seus afazeres com suas esposas antes de eles se casarem, também. Só ali eram três. No dia seguinte, constataram que todos os amigos da roda tinham tido o mesmo destino, o Lilico estava em todas.

Juraram segredo para sempre. Ninguém mais conversaria sobre o assunto, pelo bem da imaculada e tradicional família de Águas Douradas. Dessa forma, nunca ficou muito claro se o Lilico era afeminado, ou até mais que isso. Talvez um “ator”?  A única certeza de que todos tinham era que aquele Lilico era um danado de esperto. Deu uma cambalhota em todo mundo. 
Aparências, aparências... todo mundo quer salvá-las.


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Um livro importante para quem está aprendendo Inglês

Minidicionário de expressões e phrasal verbs da Língua Inglesa




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Tuesday, June 16, 2015

Sou da natureza




Sou da natureza

Sou das montanhas, sou dos campos,
sou dos rios, sou do imenso mar.
Gosto do mato, gosto da estrada,
e a verde selva é minha casa.
Bebo do orvalho, me alimento de ar,
e gosto de voar no azul do céu.
Fico bêbado com as múltiplas cores,
espalhadas neste mundo de babel.
Fico doido com os sons sutis que ouço
e também com o grito feroz
do animal que sente fortes dores.
Em êxtase, com os aromas que vêm das flores.
Por que, então, estou aqui, parado, sentado,
escrevendo neste insensato computador?


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