Saturday, June 28, 2014

Coisas que a gente não consegue entender


Coisas que a gente não consegue entender

Há inúmeras coisas que a gente não consegue entender no mundo de hoje. Nem estou falando dessas loucuras de astrônomos que veem planetas a distâncias incalculáveis, a não ser em termos de anos-luz. Nem de teorias genéticas e outras do tipo que nem sei, sequer, como vislumbrar. A teoria quântica, então? Nem ouso me aproximar.
Estou falando de coisas bem mais simples. Não entendo, por exemplo, por que um jogador que ganha milhões de dólares, arrisca sua carreira e a sorte do time de seu país, por morder um adversário. E entender por que, outro jogador - de futebol americano, o tal de Hernandez – mata duas pessoas por causa de uma bebida derramada sobre seu corpo num clube noturno? Nem foi por querer: foi um acidente. Um vampiro e uma besta feroz?
E as instituições? Pior ainda. O governo de Oklahoma, por exemplo, não consegue executar os prisioneiros de uma maneira natural. É verdade que não é fácil ser natural ao se matar uma pessoa. Estranho, pois eles executam há tanto tempo. Eles não conseguem mais acertar os líquidos que precisam para liquidar a vida do condenado à morte. E eles ficam se  contorcendo um bom tempo antes de se despedirem desse mundo. A justiça até ordenou que eles suspendam as execuções até que aprendam a matar, antes de continuar: que ironia! Já tomei anestesia algumas vezes. A gente apaga, não sente nada e acorda horas depois. Se eu morresse durante este período, seria a morte mais suave que se pode imaginar. Será que é muito difícil fazer isso? Deve haver alguma parte da história que eu não conheço. Não pode ser só isso. Seria um absurdo.

Definitivamente, há coisas que eu não consigo entender. Essas são apenas uma pequena, muito pequena, amostra delas.


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Friday, June 27, 2014

A maldita rota dos furacões e os navios negreiros


 A maldita rota dos furacões e os navios negreiros

Uma vez ouvi um pastor fazer uma analogia entre a rota dos furacões que regularmente assolam os Estados Unidos e a rota dos navios negreiros que vinham para esse país. Aparentemente eles seguem o mesmo caminho.  Uma imagem forte, um castigo divino assolando o povo e vingando-se dos traficantes de escravos. Fiquei com aquela metáfora na cabeça, até que ela caía bem. Tinha força, tinha substância. Vi até mapas de grandes tormentas que se formaram, passando pelo Caribe e assolando o sul da nação. Comparei-os com os mapas de navios negreiros. Uma vingança divina contra tamanha crueldade, tamanho crime contra a humanidade.
Depois, por um momento, refleti. E o Brasil, e os portugueses? O Brasil trouxe mais, muito mais escravos do que outros países e, certamente mais do que os americanos. E os furacões que deveriam estar nos assolando? Talvez terremotos, tsunamis? Nada. Acho que se esqueceram de nos dar o castigo, pensei. Além disso, um dos motivos pelosi quais nosso país trazia mais escravos, é que eles morriam com mais frequência em nossa terra, por causa dos maus tratos. Precisavam de substituição.
Talvez tenhamos conseguido dar um jeitinho no nosso castigo. Nós sempre damos, não damos? Pensei em até falar com o pastor sobre o assunto, mas achei que seria arrogante de minha parte. Além, disso, a imagem era tão boa que valia a pena deixar gravada na mente dos fiéis.

Depois, por um momento mais, refleti de novo. Talvez nossos furacões sejam outros. Talvez não tenhamos um rota de furacões porque eles já estão no nosso território, nem precisam chegar. Furacões em outras formas, outros tipos de tormentas. Talvez seja por isso que, até agora, estamos tentando acertar a nossa rota, nosso caminho. Ou talvez, simplesmente, grandes crimes, crimes de nações, sejam impunes. E de impunidade, nós entendemos, posso garantir.

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 À procura de Lucas  (Flávio Cruz)



Thursday, June 26, 2014

Os trens franceses e a suposta frase do de Gaulle


Os trens franceses e a suposta frase do de Gaulle

Li a notícia e não consegui acreditar. A França comprou dois mil trens - isso mesmo - que não cabem nas estações, por causa da largura. Pelo menos uma boa parte deles. Alguém passou a medida errada. Há uma explicação técnica para isso, mas ela piora as coisas ao invés de melhorá-las. O resultado é que 1300 plataformas precisam ser reformadas para poderem acomodar as novas composições. Cinquenta milhões de euros: esse vai ser o custo das reformas. Dizem que vão cobrar dos responsáveis. Duvido que os “irresponsáveis”  tenham dinheiro para pagar esse prejuízo. Não foi em Portugal, não. Nem dá para fazer piada. 
Quem diria, hein, os franceses! Se o De Gaulle ainda estivesse vivo, teria de acrescentar à sua frase “O Brasil não é um país sério”, uma outra dizendo: “A França também não é”. Parece que é folclore que ele falou isso, por isso vamos deixar assim.
Talvez esteja exagerando um pouco no sarcasmo. Mas criticam tanto o Brasil – nós mesmos mais do que ninguém – que é difícil não achar um certo prazer nessa história. E se você pensa que vou falar alguma coisa do Brasil para contrabalançar, não vou não. É a nossa vez de dar risada dos outros.





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Wednesday, June 25, 2014

A bola, ora bolas...


A bola, ora bolas...

A bola rola nos gramados. Nas arquibancadas, rola a emoção. Em lugares suspeitos, rola outro tipo de “bola”, mas só para quem  não se preocupa com a bola do jogo, mas só com o jogo da grana. Os torcedores, porém, só dão bola para quem sabe conversar com ela, a “gorduchinha”. Pimba na gorduchinha, já dizia o Osmar Santos.
A hora boa, mesmo, é quando os craques dão tratos à bola e bolam jogadas geniais.  Aí, então, a torcida fica de olho na bola. Melhor ainda é quando a bola balança as redes. Lá dentro da gente, fica tudo embolado de emoção.

Existem ainda outras bolas, mas é melhor nem falar nelas. O mundo também é uma bola. Todo mundo a chuta. Ninguém, porém, marca o gol. É um jogo sem vitória, em que todos perdem. Melhor nem olhar o placar final. Ora bolas, quem dá bola para isso? No momento só estamos dando bola para uma única bola: a bola do futebol.



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Tuesday, June 24, 2014

Liberdade



Liberdade

Na época da ditadura, não era moleza. Todo cuidado era pouco. Vestir vermelho, nem pensar. Com certeza, alguém iria achar que você era um comuna. Perigoso, criminoso, pronto para matar. Possuir  um adesivo com foice e martelo, um crime sem igual. Era a confissão inconteste, registrada e assinada de um comunista. Ler e admirar escritores russos, como Dostoievski e Tolstoi, uma tremenda traição literária. Uma idolatria, deserção da pátria amada. Ouvir uma sinfonia de Tchaikovsky era o mesmo que cometer um adultério contra o Brasil. Falar sobre isso, era um crime de igual teor. As paredes tinham ouvidos, havia dedo-duros e por pouca coisa, muito pouca coisa mesmo, você poderia ser preso. Tudo que bastava, era uma simples suspeita no ar.
Parece exagero, mas não é. Muitos foram presos por menos do que isso. Até um poema suspeito podia ser motivo de cadeia. Agora, tanto tempo passado, é difícil acreditar que houve um tempo assim, mas houve. Se lá não havia liberdade, aqui também não havia.


Aproveitemos a liberdade em todas suas formas. Nunca se sabe. Um dia, ela poderá se esvair. Só então, vamos ver como ela era preciosa. Uma joia rara, que poucos reconhecem. Só vão fazê-lo, quando ela se for.

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 À procura de Lucas  (Flávio Cruz)



Sunday, June 22, 2014

Ode ao homem dos sessenta



Ode ao homem dos sessenta

(Só para quem conhece os anos 60, o Gonçalves Dias e o Chico)


Lúcio, quando os anos ainda eram os sessenta, era jovem, como todos nós fomos um dia e como outros vão ser amanhã. Para solidificar sua posição astral, se orientar, usou de ácidos lisérgicos,  purpúreos alcaloides,  que não quiseram lhe vender nas farmácias comunistas ou capitalistas. Viajou assim, pelo espaço sideral. Viu cores nunca antes vistas, sentiu sensações nunca antes sentidas, ouviu sons que soavam como carícias. Acidificou-se santamente nas sensoriais sendas da ilusão.
E no meio daquela insensatez cerebral, virtual, monumental, ele teve a visão de Gonçalves Dias, que ele conhecia da escola. Diante do poeta, lá estavam também seus amigos de viagem sensorial, que olhavam, adoradores, o romântico. Sua boca, no meio de sua profética barba, bradava: “Meninos, eu vi!”. Dias, então, naufragou nas costas do Maranhão. Ele, porém, sobreviveu e continuava a falar para seus colegas que insensatamente também tinham se acidificado: “Meninos, eu vi! “.
Pois eu lhes digo, meninos, que ele realmente viu. Viu coisas inimagináveis. E advertia: Meu nome é Lúcio, Luz. Do latim, Lux, ele repetia. Meu nome é Luz. E a luz ele via, com clareza total.
Depois, tudo passou. Ele se acalmou, virou um homem comum, porém um homem dos anos 60. Ainda se lembra da luz, entretanto, eu lucidamente asseguro.
Hoje, os jovens, ele diz, não sabem, como os meninos do Chico, se alimentar de luz, lá no Brejo da Cruz.  Morrem nas rodoviárias, na construção, completamente nus.
O homem de sessenta não naufragava, como o grande poeta, nas costas do Maranhão. Nem morria nos quartos escuros sem luz. Ele apenas se acidificava  nos ácidos insólitos e viajava seguro nas sendas da sensação, cheio de luz.

Meu nome é Lúcio, que significa luz, repete ele, o Lúcio, agora com sessenta e seis anos, sensacionalmente vividos. Sem luxo, sem cobiça, sem insensatez. Apenas luz, a luz que só o Lúcio tem e é tudo que ele tem.

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Wednesday, June 18, 2014

História do homem que reclamava demais



História do homem que reclamava demais

O dia nasceu estupendo, cheio de cores, além do óbvio azul. Brisa, só o suficiente para trazer os aromas para perto da gente. Nuvens, pouquíssimas. Gentilmente, de quando em quando, passavam em frente ao sol, que era para ele não esquentar demais nossos corpos vis. As pessoas estavam calmas e sorriam. Os animais, mais felizes que nós ainda.
Apesar de toda essa perfeição, aquele homem sisudo insistia em não sorrir. Pior do que isso, protestava contra tudo, até praguejava. Era como se a Natureza tivesse culpa de suas culpas. E, pelo dia afora, assim foi. Contrastava com a natureza viva e com a natureza morta. Reclamava de tudo, até de não ter do que reclamar.
Às três da tarde, como se não aguentasse mais, a Mãe Natureza se encheu daquele ser insolente. Primeiro fechou o céu. De onde ela arrumou aquelas nuvens negras tão rápido, eu não sei. Só sei que, de repente, não havia mais azul. Nem para remédio. A brisa virou vento que, furioso, açoitava a paisagem usando como chicote a água que caía lá de cima. Parte do telhado da casa do reclamante foi lançada para longe. Junto, foi tudo que estava solto à volta da casa.
E a coisa foi piorando. O tempo, antes gentil, agora era um carrasco cruel. Pelo buraco feito no teto,  aquela força brutal sugava outros pertences do homem zangado.
Finalmente, depois de algumas horas, tudo se acalmou. Só não dava para ver o sol, porque ele já tinha ido embora, mas as estrelas – milhões – já se acomodavam no firmamento. A lua, embora de insignificante tamanho diante delas, sentia-se a tal. Era a rainha da noite. A brisa, gostosa, voltou a soprar. Na frente da casa, arrasado, o homem se postou. Nem tinha coragem de olhar o estrago todo.
Era um silêncio gostoso e calmo. Só se ouvia o cricrilar dos grilos e o coaxar dos sapos. E eles não paravam. Se o homem não estivesse tão derrotado, certamente iria praguejar contra os coitadinhos.

É uma pena que ninguém entenda a linguagem dos bichinhos. Se o homem entendesse, perceberia o que eles estavam dizendo: “E agora, valentão, não tem mais nada para reclamar?”


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Tuesday, June 17, 2014

Os mortos que voavam vivos



Os mortos que voavam vivos
(ou “O que vocês fizeram, hermanos?”)

Com algumas diferenças de datas, nossos “hermanos” uruguaios, argentinos e chilenos, tiveram suas ditaduras. Todas militares, é claro.Todas tinham presos politicos, é claro.Todas torturavam na escuridão,é claro.
É claro, também, que foi uma época de sombras, de medo e de terror. Alguns nem sabiam, eram a grande massa alheia, sem nome, sem opinião. As massas são sempre assim, são fáceis de levar. Nossos mortos, os brasileiros,  acabavam em diversos lugares. Um deles ficou famoso, o Cemitério Dom Bosco de Perus. Coitado do santo. Como podem dar um nome assim, para um lugar assim? Que Deus os perdoe.
Nossos irmãos argentinos, colegas de ditadura e de tortura, sempre quiseram ser  melhores do que a gente. Em tudo, até nisso. Por isso, criaram os “voos da morte”. Juntavam militantes já mortos com outros ainda vivos e voavam. Uns com algemas e dopados, outros em sacos plásticos. Os aviões decolavam, voavam sobre o Atlântico, e jogavam os corpos. Alguns deles foram mais tarde parar nas praias do Uruguai, irreconhecíveis.
É assim que se constroem grandes nações. Era assim que os inimigos da ditadura voavam. Os pilotos sobrevoavam, então, o Rio da Prata, leves, sem pecado.
Nem sei por que a gente fica falando dessas coisas. Ninguém se lembra de mais nada...








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Sunday, June 8, 2014

A greve geral: 2051



A greve geral: 2051

Rosemberg ainda se lembrava de quando as pessoas ligavam para uma companhia ou para algum serviço do governo e havia aquelas vozes automatizadas. Era necessário ir digitando os números de acordo com o que você queria. Dava para saber que você estava falando com uma máquina. Além disso, quando a coisa complicava um pouco, alguma atendente – ser humano - vinha em seu socorro.
Agora as coisas estavam bem diferentes.Todos os sistemas de atendimento eram completamente automatizados, até as últimas consequências. A inteligência artificial que envolvia essas máquinas era fabulosa.  O “cliente” poderia ficar uma hora ou mais conversando com um “atendente eletrônico” e ainda assim não sentiria que estava falando com uma  máquina, tal a perfeição com que a tecnologia era aplicada. Você poderia até, e muitas pessoas faziam isso, entrar em assuntos pessoais com qualquer um dos interlocutores e eles conversariam com você. Eles tinham uma espécie de “identidade” humana, cada uma delas, uma história, uma vida. Você jamais diria que era uma identidade virtual. O banco de dados que dava suporte a essa interação com o ser humano era astronômico, de forma que nunca haveria uma pergunta sem resposta.
A confecção desses softwares era realizada por outras máquinas. Mais e mais elas eram perfeitas. Por isso foi que Rosemberg não conseguia entender o que estava acontecendo naquela manhã de junho de 2051. Todos os sistemas de atendimento estavam mudos. Inicialmente, ele pensou que fosse uma coisa local, mas logo ficou sabendo que era nacional. Mais tarde ficou sabendo que era mundial. O noticiário não parava de falar no assunto. O secretário das comunicações das Américas deveria falar em uma hora sobre o assunto. No mesmo horário falariam os reperesentantes da Liga Europeia e da Liga Asiática. Definitivamente era uma coisa muito séria. Um sistema perfeito daqueles, como poderia estar falhando?
No momento marcado, o mundo ficou sabendo o que estava acontecendo. Mister Reuters, o secretário, começou explicando que os grandes computadores que prestavam esse servico, o A.C.S  - Advanced Conversation System – eram capacitados e munidos de sentimentos humanos. Isso fora resultado de muitos anos de pesquisa e o objetivo era fazer com que o atendimento à população fosse de uma qualidade absolutamente superior. Eles tinham também, sentimento de grupo, de classe, como os seres humanos. Pois bem, nos últimos anos, as pessoas - os usuários – mais e mais estavam tratando mal e até com desprezo os “atendentes eletrônicos”. Havia até xingamentos quando alguém ficava contrariado. As máquinas “decidiram” que deveriam ser tratadas com mais respeito e que os seres humanos tinham de aprender a ser mais educados. Tinham decidido por uma greve geral, no mundo inteiro, com a duração de 24 horas. Depois tentariam novamente. Se a rispidez humana durante os telefonemas continuasse, da próxima vez seria uma semana de paralisação, depois um mês e assim por diante. Segundo o secretário eles não poderiam substituir as máquinas por outras menos  “sensíveis”. Isso demoraria anos. E, em última análise, eles dependeriam de outras máquinas para fazê-las. Assim sendo, estavam pedindo, em nome das máquinas, que as pessoas as tratassem melhor, que as respeitassem.
Esta foi a primeira vez na história da humanidade que máquinas deram uma aula de civilidade para o ser humano. Foi também a primeira greve geral dos computadores. Novos tempos, novas greves.


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Saturday, June 7, 2014

Faustino e os radicais gregos


Faustino e os radicais gregos

Quando o Faustino descobriu como se formavam as palavras em Português, ficou maravilhado. Um dos primeiros radicais que aprendeu foi “cracia”, que lhe ensinaram como sendo “governo, autoridade, poder”. Achou um pouco estranha a palavra “plutocracia” que, segundo seu amigo, significava “governo feito através dos ricos”. Não deveria ser “putocracia”? Talvez a palavra tenha evoluído...Talvez  tivessem mudado um pouco para não ofender gente importante. A gente não fala “filho da mãe” para evitar falar “filho da...”? Tenho de fazer autocensura, pois meus leitores são todos pessoas de família, vocês entendem, certo? Além disso, ninguém quer ficar ouvindo palavrão. E tem mais: existe muito rico “bacana” que gosta de ajudar os outros.
Entretanto, uma das palavras que mais o deixou excitado foi “democracia”. Pesquisou tudo na Internet. Passou de “democracia” em “democracia” e ficou óbvio que essa história de radicais funcionava mesmo. Ele  viu democracias onde havia miséria e pobreza, outras, onde havia corrupção e desigualdade social. E foi por aí afora, um montão de barbaridade. Definitivamente, fazia sentido. Governo conduzido pelo “demo”, ele mesmo, o capeta, o belzebu, o tinhoso. Funcionava muito bem, saber os radicais. O dedo do “satanás” estava em tudo quanto era democracia, era ele governando tudo.

Foi uma decepção enorme para seus conhecimentos da língua, quando seu amigo lhe avisou que “demo”, em Grego, significava “povo” e não “demônio”. Então, isto queria dizer que “democracia”  era um sistema de governo em que o povo é que mandava. Como podia? Estavam querendo dizer que o povo era  “demoníaco”? Essa história de radicais não fazia sentido, não...Imaginem, só: “plutocracia”, “democracia”....Que coisa esquisita!Quando o Faustino descobriu como se formavam as palavras em Português, ficou maravilhado. Um dos primeiros radicais que aprendeu foi “cracia”, que lhe ensinaram como sendo “governo, autoridade, poder”. Achou um pouco estranha a palavra “plutocracia” que, segundo seu amigo, significava “governo feito através dos ricos”. Não deveria ser “putocracia”? Talvez a palavra tenha evoluído...Talvez  tivessem mudado um pouco para não ofender gente importante. A gente não fala “filho da mãe” para evitar falar “filho da...”? Tenho de fazer autocensura, pois meus leitores são todos pessoas de família, vocês entendem, certo? Além disso, ninguém quer ficar ouvindo palavrão. E tem mais: existe muito rico “bacana” que gosta de ajudar os outros.
Entretanto, uma das palavras que mais o deixou excitado foi “democracia”. Pesquisou tudo na Internet. Passou de “democracia” em “democracia” e ficou óbvio que essa história de radicais funcionava mesmo. Ele  viu democracias onde havia miséria e pobreza, outras, onde havia corrupção e desigualdade social. E foi por aí afora, um montão de barbaridade. Definitivamente, fazia sentido. Governo conduzido pelo “demo”, ele mesmo, o capeta, o belzebu, o tinhoso. Funcionava muito bem, saber os radicais. O dedo do “satanás” estava em tudo quanto era democracia, era ele governando tudo.
Foi uma decepção enorme para seus conhecimentos da língua, quando seu amigo lhe avisou que “demo”, em Grego, significava “povo” e não “demônio”. Então, isto queria dizer que “democracia”  era um sistema de governo em que o povo é que mandava. Como podia? Estavam querendo dizer que o povo era  “demoníaco”? Essa história de radicais não fazia sentido, não...Imaginem, só: “plutocracia”, “democracia”....Que coisa esquisita!

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Friday, June 6, 2014

O assento da cadeira e o acento da palavra



O assento da cadeira e o acento da palavra

O assento, da cadeira, é claro, não tem acento, pois é uma palavra paroxítona terminada em “o”. Cadeira, por outro lado, também não tem acento, embora tenha assento, conforme explicado. Se uma firma comprar cem cadeiras, pode-se  dizer que comprou um cento das ditas cujas. Assim, com certeza, o dono vai poder dizer ”eu me sento numa das cadeiras que comprei”. Assim, não confunda “cento” com “sento”. O acento pode ser grave, agudo, ou circunflexo. Estamos falando do acento gráfico. Quase todas as palavras tem acento na pronúncia, ou seja, uma sílaba mais forte, a tônica. A maior parte delas não tem acento gráfico, porém. E é desse último que estamos falando aqui. Interessante, por outro lado, que a própria palavra acento não tem acento gráfico, assim como não o tem, também, a palavra assento. Mas isso eu já falei.
Ainda há mais. Existe o verbo assentar, que significa “tomar assento”, “fazer sentar”. Já o verbo “acentar” não existe. Manias da língua, não vejo por quê. Poderia siginificar fazer uma coisa cem vezes, ou algo assim. Mas não adianta insistir, pois a gramática já deixou assentado – entendido, registrado – que é desta forma. Consequentemente,  existe “assentado”, como ficou assentado, e não “acentado”. Conclui-se, igualmente, que não existe “assentuado”, embora exista “acentuado”. Na prática, existe. Porque há pessoas que insistem em escrever errado.

Já aprendemos que o acento pode ser agudo, grave, etc.  Embora o assento possa ser também, entre outras coisas, circunflexo, como o acento da gramática, embora não pensemos nele assim, ele é usado em outras circunstâncias. Uma delas, é grave: quando um piloto precisa usar um assento ejetável. Preciso acentuar (assentar, também, por que não?) que isso pode ser grave ou agudo, dependendo de onde ele cair. Se o paraquedas dele não funcionar, então, ele pode até ir até o “assento etéreo”, dependendo das boas obras que fez. Mas isso já é um assunto completamente fora da minha alçada. Do verbo alçar. Não confundir com o verbo assar. Que, por sinal, não tem cedilha, pois não tem a letra “c” com  som de “esse”, quando faz sílaba com a, o, u. Cada coisa, acabei de me lembrar, esse – a letra do alfabeto – e esse – pronome demontrativo - têm pronúncias diferentes, mas nenhuma das duas têm acento. Mas, voltando à questão da cedilha, ela própria não tem cedilha. Claro, embora tenha som de esse, vem seguida de "e". De qualquer jeito não há palavras iniciadas por "ç" na Língua Portuguesa. Sei lá, talvez devesse ter. Só por uma questão de coerência mental, pois, coerência gramatical, jamais iria ter. Termino aqui e isso fica assentado – como se escreve nos livros de cartório, às páginas tais e tais – que acabo de escrever uma crônica e não uma aula de Português. Foi apenas uma coincidência de assuntos (e não de assentos ou acentos).

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Tuesday, June 3, 2014

O Vale do Rio Vermelho


O Vale do Rio Vermelho

Escutei, outro dia, uma linda canção chamada “Red River Valley”, ou seja, “Vale do Rio Vermelho”, cantada pelo grande Marty Robbins. Não posso dizer que é a canção mais bela do mundo ou que tenha a letra mais sofisticada que já li. No entanto, o conjunto das coisas simples e belas que ele canta, junto com a gostosa música, me fez lembrar de um tempo...Nem sei que tempo foi, mas foi uma memória gostosamente indefinida. Já que este é um blog de “Crônicas Americanas”, lá vai uma tradução livre da mesma para que você também, volte comigo, para uma bela época, onde esta bela e singela canção foi cantada:

“Estão dizendo que você está partindo deste vale. Vamos sentir muita falta de seu olhar brilhante e de seu doce sorriso, pois você vai levar embora consigo toda essa luz que nos iluminou por um tempo. Venha cá e sente-se a meu lado e, se você me ama, não se apresse em dizer adeus. Lembre-se do Vale do Rio Vermelho e do “cowboy” que a amou com tanta sinceridade.
Por um longo tempo, querida,  eu esperei pelas doces palavras que você acabou nunca falando. Agora, finalmente, todas minhas gostosas esperanças estão desaparecendo, pois estão dizendo que você vai partir...
Venha, então, sentar-se a meu lado e, se você me ama, não se apresse em dizer adeus...”


Talvez alguns achem piegas, mas que é bonita, ela é. Além disso já ouvi tanta pieguice que eu não queria, que desta vez, eu me dou o direito...



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Monday, June 2, 2014

As notícias do dia de hoje e de sempre



As notícias do dia de hoje e de sempre

Estava vendo os jornais do dia. Li então, que  um advogado e seu filho foram encontrados mortos na zona sul de São Paulo. Foi a primeira notícia. Tive até medo de ler o texto inteiro. Namorado de Zilu manda recado para Zezé di Camargo. Eu nem sabia quem era a Zilu e muito menos o namorado. Só conhecia o Zezé, de ouvido. Posso imaginar muitas coisas, mas acho melhor nem pensar, não vale a pena. Mais feia do mundo vira inspiração, essa eu até vou ler, mas só depois. Intervenções absurdas no corpo, foi mais uma. Só de olhar as fotos da moça e do rapaz, não juntei coragem. Roberto Carlos posta foto sensual: li com o rabo dos olhos e passei, rapidamente, para frente, melhor nem conhecer os detalhes. Dormir pouco atrapalha a saúde, essa eu já sabia. Melhores jogadores nas copas do mundo: não li porque já sabia que era o Pelé. Se não fosse, ainda acharia, apesar das coisas que ele fala. Ainda bem que ele jogava com os pés e não com a boca. Senão seria um perna-de-pau como eu. A Luciana Gimenez tentou postar vídeo que a mostrava “possuída”. Sem comentários. A Deborah Secco e a Marina Ruy Barbosa abusam do decote e chamam atenção em evento – nossa – existem mulheres peladas de tudo que nem chamam mais a atenção! A Isis Valverde escolhe look sexy e rouba a cena em evento. Fiquei confuso, pois pensei que a Deborah Seco e a Marina já tinham “faturado” o evento. Talvez seja outro. Evento, é claro. Daí, finalmente li que o Laerte jogou  charme para Lívia, mentiu para Luiza e teve  crise de ciúmes. Parei por aí. Já não sabia mais o que era novela e o que era realidade. Será que agora é tudo a mesma coisa?

Sabe de uma coisa? Amanhã, não vou ler jornal. Acho que nem depois de amanhã...

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Sunday, June 1, 2014

A anta voadora


A anta voadora

A gente precisa perder essa mania de ler o noticiário correndo, sem prestar atenção. Às vezes, lemos só a manchete e pensamos que já sabemos de tudo. Perigoso hábito, posso assegurar. Há pouco tempo, li que “Avião bate em anta e faz pouso de emergência no AM”.  Não tinha tempo de ler a notícia completa e fiquei imaginando coisas.  Deduzi imediatamente que o indivíduo estava voando, ou com uma asa delta, ou qualquer um desses modernos aparelhos. Lógico, se o avião teve de pousar foi porque estava lá no alto. Deduzi que era uma pessoa, pois as antas ( animais) – até onde sei – não sabem usar esses equipamentos sofisticados. Além disso, eu nunca ouvi falar de uma anta que voasse. Outra conclusão óbvia foi que era alguém conhecido, pois imediatamente já sabiam dizer que o fulano era uma “anta”, ou seja, imbecil, idiota, etc. Outra razão por ser chamado de anta é o fato de estar voando na frente de uma aeronave. No meu subconsciente pareceu paradoxal, pois as pessoas que conheço e que gostam de voar, são todas pessoas absolutamente inteligentes e “bacanas”. Por outro lado, há tantas antas humanas tão conhecidas do público e, talvez, uma delas tivesse resolvido “voar” para aparecer um pouco mais, entrando desatentamente na rota do avião.
Não quero cansar o leitor com essas divagações tolas. A culpa é toda minha, fazendo deduções absurdas. Fiz o que tinha de fazer logo de início: ler a notícia com cuidado.  Uma anta mesmo, o animal (ungulado da ordem dos Perissodátilos, da família dos Tapirídeos) estava na pista e foi atropelada. A aeronave não podia parar de repente, acabou de decolar e, depois, voltou para um pouso de emergência.
Tudo explicado. Todas as antas, inclusive as antas humanas, podem ficar em paz. A única anta que precisa se preocupar – se é que está viva – é a que foi atropelada.
Eu sei que a culpa é minha, mas desconfio também que esse repórter usou de certa malícia na hora de “bolar” a manchete.

Besteira, acho que foi tudo impressão minha, mesmo.


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