Sunday, December 29, 2013

Uma grande novela, que é meu país

Uma grande novela, que é meu país



Eu li no jornal que a Pilar descobriu que o Félix vendia hot dog na rua. Vi também que o Félix decidiu pedir perdão para a irmã Paloma. Nossa, que emoção! Na minha ignorância sobre as coisas nacionais, demorei um pouco para perceber que, o que falavam, não era sobre o mensalão nem sobre o Barbosa. Mas a história estava ali, toda natural, parecia fazer parte da vida. Até vi, na minha mente, o coitado do Félix dando um duro danado, comercializando o cachorro quente. E olha, que eu nunca vi o tal de Félix na minha vida!
Descobri o óbvio, tratava-se de uma novela, a tal de “Amor à Vida”. Apesar de eu amá-la também – a vida, não a novela -  segui em frente e comecei a ver as notícias do mundo real. E, quanto mais eu lia, percebi que as coisas da vida eram tão surreais quanto às da novela.  E fiquei confuso, quase tudo podia ser novela, quase tudo podia ser a vida normal. Normal? Ninguém mais sabe o que é isso. Só sei, como dizia o Chico nos “Saltimbancos”, que era tudo igual, estava tudo misturado “na grande gaiola do meu país”...
Lembrei-me, também, por associação, da época em que se faziam novelas como “Pavão Misterioso” e “O Bem Amado”. Fiquei com saudades do Odorico Paraguaçu. O personagem de Paulo Gracindo, esse sim, era um político autêntico, apesar de “malcaratista militante e juramentado”, copiando suas próprias palavras. Pelo menos, ele ia direto ao assunto, já se sabia quem ele era. Hoje em dia, não dá mais para saber: tantas cobras e lagartos, tanto engano, tanta dissimulação.  Existe até malandro, disfarçado de homem da fé e homem da fé disfarçado de parlamentar que, no fim, é mais malandro do que o próprio. Disfarce é o que não falta.

Pois é, como sempre digo, nem novelas se fazem mais como antigamente.

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Saturday, December 28, 2013

Tem, ainda, uma pedra no meio do caminho

Tem, ainda, uma pedra no meio do caminho



No meio da praia de Copacabana apareceu um idiota, apareceu um idiota no meio da praia. Logo, logo, me esquecerei desse idiota que pichou a estátua do nosso poeta maior, pois ele é um nada, um ignorante,  que precisa ser esquecido. Quem não fica “mordido” com tanta falta de instrução, com tanta pequenez? Quis o destino, cruel,  que o paspalho fosse de Minas Gerais. Os mineiros, gente boa, estão sofrendo como a gente, ou até mais, por ser de lá o poeta.
O que faz uma pessoa cometer um ato tão besta? Espero que, entre as muitas coisas que ele não sabe, uma seja que Drummond foi um dos maiores escritores brasileiros. Talvez isto possa mitigar, pelo menos um pouco, esse ato de vandalismo. Penso, por um momento, que ele seja apenas o resultado da situação geral da nação, de toda essa onda de absurdos que vemos por aí. A dignidade, o conhecimento, e o bom senso, são também atacados a todo momento.  A boa vontade do povo é vandalizada a todo instante. O tal de...nem quero falar seu nome, seria apenas uma amostra da ignorância generalizada que se alastra pelo país?

Pois é, meu querido poeta, como você bem disse, “tinha uma pedra no meio do  caminho” e nossas retinas tão castigadas, só podem confirmar: a pedra que lá estava, ainda lá está. Continua em nosso caminho e nós nunca nos esqueceremos desse acontecimento. Mais do que isso, poeta amado, o povo brasileiro, educado e culto, nunca vai se esquecer de você!


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No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
tinha uma pedra 
no meio do caminho tinha uma pedra. 

Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho 
tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
no meio do caminho tinha uma pedra

Carlos Drummond de Andrade

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Thursday, December 26, 2013

Que país é este?

Que país é este?



Muita gente pensa que quem inventou esta frase, “Que país é este?”, foi  o Renato Russo  do Legião Urbana. Engano. Quem primeiro falou a frase foi o senador biônico Francelino Pereira, em 1976. Para quem não sabe “biônicos” eram aqueles políticos que ocupavam cargos sem votação popular. Eram indicados diretamente pelo regime militar. Agora nem sei mais se faz alguma diferença, pois há tanta gente eleita, com muitos votos, e que são tão ruins como os biônicos.
A frase, entretanto, passou a ser usada ironicamente por muita gente num sentido absolutamente contrário ao que Francelino tinha pretendido. Sempre, é claro,  referindo-se à nossa nação. Entretanto, a bem da verdade, a gente pode fazer esta mesma pergunta para outros países.
Poderíamos perguntar, por exemplo, que país é este que invade e faz guerra contra uma outra nação baseado em mentiras e falsidades?  No processo, mata milhares de pessoas, inclusive de seu próprio país. Que país é este em que uma quantidade enorme de pessoas, em péssima situação financeira, vivendo com dificuldades, acha que é justo diminuir bastante o imposto pago pelos ricos? Masoquismo? Que país é este que acha que é normal vender armas para qualquer um, sem pedir antecedentes criminais?  Que país é este em que uma associação representante das indústrias de armas decide que leis sobre armas pode ou não passar? Que país é este onde soldados voltam da guerra, mutilados, e têm uma dificuldade enorme para receberem a assistência médica? Guerra é guerra, mas o soldado não é quem tem a culpa. Que país é este onde cerca de vinte ex-soldados  se matam por dia por causa das coisas que viram em batalha? Que país é este onde muitos filhos ficam calculando quanto os pais, que estão morrendo, vão deixar de herança?
Há intermináveis  “Que país é este? ” que poderiam ser enunciados, mas esses são mais do que suficientes. Muitos outros países poderiam ser alvo dessa mesma pergunta.

No final das contas, o que precisamos é fazer as contas. Quanto de bom sobra, em determinada nação, depois de tirado todo o mal?  Eu não vou fazer essa conta, pois Matemática não é meu forte, e, além disso, não sei se quero mesmo saber...

Um pouco de história

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Saturday, December 21, 2013

Wounda: um grande abraço

Wounda: um grande abraço



Wounda foi ferida por um caçador no Congo. Foi resgatada com vida e transferida para um instituto que cuida de casos assim. A primatóloga britânica Jane Goodall e a veterinária Rebeca Atencia fizeram de tudo para recuperar a chimpanzé e, depois de algum tempo, conseguiram. Lá estava Wounda toda alegre e cheia de vida. Para completar o bem que foi feito, mais uma medida precisava ser tomada. O animal tinha de ser devolvido a seu habitat.
Assim, ela foi levada de carro e de barco para um lugar onde estivesse em segurança e pudesse recomeçar sua vida de macaquices. Abre-se a pequena jaula e ela sai. Anda um pouco e fica olhando a floresta. A Rebeca a chama e ela volta e ganha um grande abraço ao qual ela corresponde com grande carinho. Daí, por conta própria, ela pula para cima da jaula e dá um afetuoso e longo abraço na Jane, que, obviamente fica comovida. Estava agradecendo sinceramente, como muitos humanos não sabem fazer.
Finalmente ela se vai e pode-se ver o olhar entre triste e alegre daquela senhora, triste por causa da partida e alegre porque Wounda finalmente está livre e curada.

Dizem que homem não chora, mas ao ver aquele abraço, que dá vontade, isso dá...

Se você quiser ver...

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Friday, December 20, 2013

A estátua da Mônica

A estátua da Mônica

Ao menos três outras estátuas foram depredadas e já restauradas - Divulgação

Pobrezinha da Mônica, eu vi no jornal que andaram roubando suas estátuas que estavam espalhadas pela cidade. Deve ter dado um trabalhão para quem fez isto. Fico imaginando que tiveram de arrancá-la, carregá-la, conduzi-la até um lugar qualquer.
Certamente não tiveram lucro nenhum com a empreitada. A única coisa que puderam auferir de tudo isso, foi um prazer idiota de estar fazendo algo errado. Até onde sei, não foi manifestação política de algum tipo ou qualquer coisa assim. De qualquer jeito, teria sido  algo bem pobre em termos intelectuais, tentar apresentar um ponto de vista dessa forma. Mas quem sabe? Existe tanta pobreza de espírito hoje em dia...
Existe uma remota possibilidade que seja alguma vendeta contra a querida dentucinha. Talvez alguém com o apelido de Cebola e que tenha ficado com raiva por causa disso? Altamente improvável.
O mais provável mesmo é que seja ato de desocupados. Falta de criatividade. Se eu fosse a Mônica, eu encheria meu coelhinho com pedras bem duras e atiraria na cabeça deles.

Enfim, há várias expressões que se poderiam aplicar a esses indivíduos, mas a melhor mesmo, é uma daquelas antigas e que muito pouca gente ainda usa: “espírito de porco”...


A notícia

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Thursday, December 19, 2013

“Cheiraça”

“Cheiraça”


(lembranças do seminário)

E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios,
que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos.
 Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe
o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes (Mateus 6: 7,8)


Havia um “quase padre”, acho que o termo certo seria “noviço” que...as lembranças aos poucos vão se apagando...se chamava João Bosco. Ele cuidava da disciplina, portanto uma parte muito importante do seminário. Antes de cada pequeno ato, cada aula, cada fila que formávamos, cada refeição, cada tudo, rezávamos, rezávamos sempre. Senti que “rezar”, era sem dúvida a coisa mais importante da minha vida de menino e da minha carreira de padre.  O João Bosco “puxava” as orações, geralmente um “Pai Nosso” seguido de uma “Ave Maria”. Ele fechava os olhos, juntava as duas mãos e fazia movimentos redondos com os polegares, como se estivesse aflito para terminar a oração. Parecia muito mecânico, eu sentia, mas só agora é que faço esta análise crítica. Parecia uma estátua, com sua batina negra, bochechas gordinhas e vermelhas. Devia ser, com certeza, uma boa pessoa, o João Bosco. No entanto, foi ele que implantou dentro de mim a primeira grande dúvida sobre o clérigo, as instituições, que, na época,  para mim se confundiam com o próprio Deus. É interessante como pequenas coisas ficam para sempre gravadas em nossas mentes. O Bosco, como alguns o chamavam, quando rezava a “Ave Maria”, ao invés de falar “cheia de graça”, falava “cheiraça”. Eu sei que é quase automático e que ele repetia isso dezenas e dezenas de vezes ao dia. Mas a minha mente de menino ficava inquieta. Será que a Santa Maria não se ofendia? Uma coisa tão importante, a “Ave Maria”, e a coisa toda ser feita de uma maneira tão  automática, tão mecânica? Essa foi a primeira dúvida “teológica” que me atormentou. Agora sinto pena do Bosco. Será que ele tinha vocação? Será que acabou indo para lá apenas por que alguém achou que ele deveria ser padre? Ele já deve ter morrido, e acho que a Virgem o perdoou, e ele deve estar no céu, onde quer que seja este lugar divino. Quanto a ele ter escolhido a vocação, tenho sérias suspeitas de que quem o fez, foram seus pais. Afinal, por que teriam dado o nome do santo para ele, “João Bosco”? João, espero que você tenha sido feliz pelo resto de sua vida, nos seus caminhos, na sua missão. Sinceramente, é o que espero e desejo.

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Wednesday, December 18, 2013

HINO NACIONAL DE 2014

HINO NACIONAL DE 2014



Brasil, és belo, és forte, impávido colosso, e o teu futuro espelha essa grandeza. O futuro já chegou, a grandeza é só de alguns poucos, o colosso de uma minoria. Ainda és belo, mas uns e outros estão querendo roubar tua beleza  também .

Deitado eternamente em berço esplêndido, estás sim, todos sabem. Vez em quando, te mexes um pouco e sabemos que és um furor, pelo pouco que vemos. Mas daí tu paras e não te mexes mais.

Teus risonhos, lindos campos, têm mais flores. Sempre tiveram, agora já não sei mais. Teus bosques têm mais vida. Tinham sim, mas agora há tanto sangue esparramado pela floresta, que chego a duvidar.

Se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta. Às vezes, porém, a clava forte vem, injusta e certeira, sobre teus próprios filhos.

Terra adorada, entre outras mil, és tu, Brasil. Ainda és, sim, nossa Terra adorada, mas olha bem quem são os verdadeiros filhos teus. Há muitos, espúrios, que partilham do teu ninho.

Esperamos, Pátria Amada, que dos filhos deste solo, sejas, realmente, a mãe gentil. Porque estamos precisando, sim, que um raio vívido de amor e de esperança à terra desça.  Só assim, poderemos, em teu formoso céu, risonho e límpido, ver a imagem do cruzeiro resplandecer. Só assim, veremos teu futuro espelhar essa grandeza!

Quem sabe, em 2014, possamos ouvir o brado retumbante desse povo heróico, não só às margens do Ipiranga, mas junto a todos os rios, cidades e campos e em todos os cantos do país.  Quem sabe, com braço forte, consigamos fazer o verdadeiro sol da liberdade brilhar, em raios fúlgidos, sem mais demora, no céu da nossa tão judiada, mas querida pátria, Brasil!

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Tuesday, December 17, 2013

Vendedor de papel gomado

Vendedor de papel gomado



Tempos difíceis, tudo era difícil. Difícil arrumar uma vaga no curso colegial, difícil arrumar um emprego, mesmo “vagabundo”. Para quem tinha acabado de sair do seminário, tímido, sem experiência, mais difícil ainda. Mas, chega de choradeira. Foi o que eu fiz: insisti, insisti e consegui uma vaga no curso “clássico” do Colégio Alarico Silveira, no Bom Retiro. Longe,  mas era um lugar garantido. Mas isso de nada adiantaria, se não conseguisse um emprego.
Muitas entrevistas nem chegavam a acontecer. Outras, diante da óbvia falta de experiência, acabam tendo um resultado frustrante. Finalmente, o dono de uma pequena fábrica de papel engomado me contratou. Eu nem sabia o que era isso. Ele me explicou que muitos fabricantes usavam a tal da fita para fechar as caixas com seus produtos. Lista de preços, amostras, lá vou eu de firma em firma. Salário, não havia. Só uma ajuda de custo para condução e a comissão sobre as vendas.
Logo percebi que não ia ser fácil. Não usamos este produto, é necessário marcar entrevista  antecipadamente com o comprador, não estamos interessados, já temos um fornecedor, eram as coisas que eu ouvia a todo momento. Mas a necessidade e a teimosia me fizeram continuar.
Depois de dez dias, finalmente, um dia de graça. Ali, na região do Alto da Lapa, um comprador da General Electric - imaginem – resolveu me atender. Milagres acontecem. Olhou minha lista de preços, experimentou um pedaço de fita de papel gomado na mesa e disse que ia fazer um pequeno pedido, só para experimentar. Se desse certo, compraria bem mais. Fiquei com a vaga sensação de que estava com pena e decidiu dar uma ajuda.
Não conseguia acreditar. Algo excepcional tinha acontecido. Eu não tinha muita noção de quantidade, mas aquele não parecia um pedido pequeno. Era tarde, estava na hora de ir para a escola e eu peguei o ônibus para o Bom Retiro. Mal conseguia prestar atenção nas aulas. Nem mesmo na do meu querido professor de Português,  que, por coincidência, tinha meu mesmo nome.
Em casa, só dormi porque o cansaço era enorme. Dia seguinte, vou confiante até o dono da firma para orgulhosamente exibir meu pedido. Abri  o talão, bem ali na sua frente, destaquei a primeira via e a dispus sobre a sua mesa. Ele olhou, mostrou certa surpresa mas não me cumprimentou. Disse apenas:
-Não dá!
Atônito, repliquei:
-Como assim, não dá?
-Não temos capacidade de produzir isso nem multiplicando o prazo por dez.
Coloquei o talão sobre a mesa, saí sem me despedir, nunca mais voltei. Fiz questão de me esquecer do nome e do endereço da empresa. Teria terminado ali, precocemente, a carreira de um grande empresário de embalagens?  Não sei, duvido....

A vida é assim, falo por mim, como falava, naquela época, o Roberto Carlos em uma de suas canções...

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Wednesday, December 11, 2013

Quem precisa de “serial killers”?

Quem precisa  de “serial killers”?



Assisti às recentes cenas de violência entre as torcidas de Vasco e Atlético/PR. Todos sabemos que ela sempre existiu em partidas de futebol, mas esse incidente realmente foi além das proporções. A fúria com que alguns atacavam os oponentes, mesmo depois de desfalecidos, mostra um grau de bestialidade raramente vistos em eventos esportivos.
Obviamente é mais do que futebol. Só o ardor de torcer por um time não liberaria tanta cólera, tanto furor, como o registrado. Há algo doente e errado em nossa alma nacional. Além de tudo, é  uma péssima propaganda para a Copa do Mundo em nosso país. Claro, vemos esse tipo de comportamento por todo lado, mas assim, ao vivo e, gratuitamente, é para se pensar.
Nos Estados Unidos temos os tiroteios em escolas, universidades, e outros lugares públicos, com uma frequência maior do que seria de se esperar. Além disso, temos os famosos “serial killers” aterrorizando populações em determinados lugares e épocas.  É difícil comparar pior com pior, mas podemos dizer que somos sérios concorrentes para os americanos em termos de brutalidade.

De qualquer jeito, com jogos como esse, quem precisa de “serial killers”? 


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Paralelo 38 e outras histórias
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Saturday, December 7, 2013

Ficante pão

Ficante pão



Não sei se é verdade, ainda não verifiquei pessoalmente. Dizem que há uma nova palavra na praça: “ficante”. Como professor, imediatamente deduzi que é derivada do verbo “ficar”, significando aquele “que fica”. Obviamente todos já sabíamos que os jovens estavam usando “ficar” há algum tempo, não em seu sentido tradicional, mas no sentido de “ficar com alguém, por algum tempo, sem compromisso, sem maiores intenções”. Que diferença brutal , há algumas décadas atrás, nem se pensava em uma coisa dessas. Para “ficar” com alguém, suas “intenções” tinham de estar bem claras. Quem não se lembra da famosa pergunta que o pai da moça fazia assim que se começava um namoro:  “Quais são suas intenções com minha filha?“
Águas passadas, todo mundo pensa diferente agora. A ciência muda, a natureza muda, tudo muda, por que o relacionamento das pessoas não mudaria? E, com ele, as palavras. O fato de, recentemente  formarmos o substantivo “ficante” do verbo  ficar, provavelmente indica que o estranho vocábulo tenha vindo para “ficar”, sem querer abusar de trocadilhos.
Pode ser também que, daqui a algumas décadas, não exista mais namoro, noivado ou casamento. Talvez todos sejam “confeccionados” em laboratório e as pessoas não vejam graça em “ficar” também. Quem sabe, “fiquem” ligadas apenas na rede: muita gente já está assim, não está? Pode ser que o que hoje é “ficar”, no futuro próximo seja somente “conectar” em sentido figurado e o “ficante” seja apenas o seu “paquera”....Oops, acha que “paquera” também já não existe mais, ou existe? Na verdade, eu quis dizer “conectante”.
Fiquei tanto na palavra “ficar” que estava me esquecendo da outra palavra sobre a qual queria falar: “pão”. Talvez você não saiba, mas há muitos anos atrás, se as garotas achassem que você era “bonitão” ou, pelo menos “engraçadinho” ou “atraente”, elas iriam chamá-lo de “pão”. Era muito comum, numa rodinha, elas comentarem sobre alguém: “Ele é um pão.” 
Não mais, não mais...
Foi por isso que pensei, como experiência linguística, que alguém pudesse usar uma expressão híbrida ( em termos temporais, é claro) “Meu ficante é um pão”. Na mesma frase, duas expressões separadas por décadas. Acho, porém,  que elas nunca vão aparecer juntas. A não ser que, uma moça, viajante do tempo, de repente jogada no nosso meio social e  ainda meio atrapalhada com o uso da gíria atual, faça uma combinação dessas.
 Não, acho que não...Acho que os “pães” não “ficam” mais e, igualmente, o “ficante” não é mais chamado de “pão”. Assim, posso garantir, “ ficante pão” é, definitivamente, um paradoxo.


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Paralelo 38 e outras histórias
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Saturday, November 30, 2013

Black Friday e outras coisas assustadoras


Black Friday e outras coisas assustadoras



Ao longo dos últimos anos, temos visto esse fenômeno de nosso país importar costumes e tradições americanas. Não posso dizer que sejam más “importações” mas também não vejo nenhum sentido ou vantagem nelas. Por que temos de comemorar “Halloween” ? Já temos tantos sustos no nosso cotidiano e certamente isso não ajuda em nada. “Black Friday” ? O tipo de comércio que nós temos, pouco tem a ver com o que há por aqui. Uma simples redução de impostos nesse dia deixaria com inveja qualquer consumidor americano. Poderíamos até  dar-lhe o nome de “Dia da Graça”.
Temos tradições interessantes que poderiam ser cultivadas, mas quem está interessado nisso? Existem coisas tão básicas que precisam ser consertadas que certamente quase todo o resto passa para segundo plano.  Além disso, se quiséssemos levar alguma coisa realmente de valor para o Brasil, poderíamos, por exemplo levar o “honor system” de vendas. Não é um grande fator nacional, mas está espalhado por aqui e funciona. O comerciante deixa as mercadorias numa barraca, as pessoas pegam o que precisam e deixam o dinheiro numa caixa. Funciona também para pagar entradas em alguns pequenos parques e atrações, em regiões rurais. Não vamos chegar ao exagero de dizer que funciona em grandes cidades. Claro que não.
O fato é que, nas últimas décadas, o nosso país cada vez mais se parece com os Estados Unidos, pelo menos em alguns aspectos. Minha preocupação é quando começarmos a imitar coisas que, certamente, não queremos. Já pensou se começarem a fazer tiroteios em escolas e universidades? Ou, pior ainda, se começarmos a intervir em países vizinhos para manter a “democracia”. Será que temos tantos heróis de plantão, depois de tantos anos sem guerra? Quanto aos tiroteios, temos prática, é só uma questão de adaptação de lugar.

É melhor parar por aqui, estas ideias estão me deixando nervoso...

Thursday, November 28, 2013

O Ferrugem

O Ferrugem


Ele sabia que alguma coisa estava errada. Tinha passado da hora do Ferrugem chegar e nada. Estava triste sem a presença do amigo. Era sempre uma festa quando ele voltava para casa. Antes mesmo de entrar, os dois passeavam pela vizinhança, pulavam, corriam. Só depois iam para dentro e, então, o Ferrugem arrumava seu prato de comida. Ele mesmo, só ia comer mais tarde.
Naquele dia eram outras pessoas que chegavam. Gente estranha que ele nunca tinha visto. O coraçãozinho foi ficando apertado, apertadinho. Tanto que agora já estava até doendo e batia descompassado. As pessoas falavam, conversavam, gesticulavam, tudo de um jeito muito estranho. Às vezes olhavam para ele. Alguns chegavam até  a apontar em sua direção. A certeza de que o Ferrugem não iria mais chegar era agora absoluta. Essas coisas ele sabia. Sentia. O que poderia ter acontecido? Um acidente?
Por fim chegaram duas pessoas que ele conhecia. Eram primos do Ferrugem. Todo mundo se ajuntou em volta deles. Depois, alguns foram saindo da roda, uns com as mãos sobre a cabeça, outros, chorando, alguns soluçando. Eles tinham dado alguma notícia. Aquilo era muito triste, não dava para aguentar. O Ferrugem morava sozinho e ele era a sua única companhia. Agora era ele só, mas sabia que não iam deixar que ele ficasse sozinho. Quem iria alimentá-lo?
Finalmente chegou mais um carro que fazia um pouco de barulho com o escapamento. Se o dia não fosse tão triste ele ia responder àquele barulho. Quando percebeu, o Zeca, primo do Ferrugem, chegou perto dele. Falou algumas coisas que ele não entendeu, passou a mão pela sua cabeça e depois pegou-o no colo. Imediatamente percebeu que ele ia ser entregue ao casal que tinha vindo naquele carro barulhento. Ia ser sua nova casa. No banco de trás, um garoto, alheio à sua dor, ria de alegria e estava abrindo os braços para ele. Talvez ele fosse um bom ser humano, mas nem de longe ele era o Ferrugem. Por coincidência ele tinha a mesma cor de cabelo e as mesmas pintas no rosto.
O garoto abraçou o Rex com força e mal podia conter a felicidade. O pai explicou que ele tinha de ter paciência. O Rex gostava muito do Ferrugem, ia demorar para se acostumar com um novo dono.
-Às vezes cachorro sente mais do que gente, explicou.
O calor do corpo do menino aqueceu um pouco o coração do Rex. Ele estava muito triste. Nada ia ser mais como antes. Ele jamais iria se esquecer do Ferrugem. E o homem tinha razão, cachorro sente muito mais do que gente...


Wednesday, November 27, 2013

As últimas palavras

As últimas palavras



“Sim, eu gostaria de falar para minha esposa que eu a amo e lhe agradeço por todos os anos de felicidade. Isso é tudo, guarda.”
Alguns minutos depois, John Quintanilla era executado através dos sistema penal do Texas. Era o dia 16 de julho de 2013. No dia 24 de novembro de 2002, quando tinha 25 anos, tentou roubar um centro de diversões em Victoria, Texas. Houve reação e na luta ele matou um homem e feriu uma mulher. Quando lhe foi dado direito à palavra, as últimas, antes da morte, ele falou as frases ali acima.
Há tantas coisas que podem ser ditas mas elas não cabem aqui. Certamente, o primeiro pensamento vai até a família da vítima de Quintanilha. Possivelmente uma esposa desolada ficou para trás. Filhos sem pai, talvez. De qualquer forma, sempre há uma tristeza enorme quando alguém vai embora, principalmente quando acontece de uma maneira violenta. Não foi um crime premeditado e frio, mas isso não muda nada, pessoas ficaram sofrendo do mesmo jeito, suas vidas completamente danificadas.
Quanto ao condenado, o que aconteceu durante a vida daquele jovem que fez com que ele cometesse aquele crime? Estava determinado, era seu destino? Foi sua educação,o meio em que viveu? Faz parte do seu desenvolvimento? Um efeito colateral? Não dá para aceitar a ideia de que isso é normal nas sociedades modernas. Existem vários países em que o índice de criminalidade é quase zero. Existem sociedades em que quase não existem armas. Há outras em que se criam monstros. Há países que liberam armas para esses monstros. Há outros que fazem de conta que controlam as armas, mas elas estão em todo lugar.
O fato é que se o Quintanilla falou o que falou, na hora de morrer, havia algo dentro dele que ainda servisse. Havia um resto de sentimento, possivelmente arrependimento. Talvez nem a vítima precisasse ter morrido, nem o assassino precisasse ter sido executado. Talvez ele sequer tivesse cometido o crime.
Cada vez que um prisioneiro está sendo executado, a própria sociedade está sendo julgada como um todo. Cada vez que uma vítima é assassinada, ela está sendo assassinada também.
Há os que já nascem loucos, no entanto. Não deveriam ter nascido. Quem sabe, no futuro, os mágicos da  Genética consigam consertá-los também. Daí, sim, teremos uma sociedade do Primeiro Mundo.
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Name
Quintanilla Jr., John Manuel

TDCJ Number
999491

Date of Birth
12/09/1976

Date Received
12/08/2004

Age (when Received)
28

Education Level (Highest Grade Completed)
08

Date of Offense
11/24/2002


Age (at the time of Offense)
25

County
Victoria

Race
Hispanic

Gender
Male

Hair Color
Black

Height
5' 08"

Weight
153

Eye Color
Brown

Native County
Calhoun

Native State
Texas