Thursday, March 31, 2016

Quinto dos infernos


Quinto dos infernos

Quando alguém está com muita raiva de outra pessoa, manda que ela vá para o quinto dos infernos. É feio, mas  o indivíduo quando está nervoso, fala o que não deve. Essa expressão provavelmente já não está tão na moda como antigamente. De qualquer forma, ela é mais suave do que aquelas que xingam as mães. Elas, além de não terem culpa, são sempre maravilhosas, apesar dos filhos. Pelo menos é o que eu acho.

Existe muita gente que tem uma ideia errada a respeito da origem da expressão. Pensam que o quinto se refere, talvez, a um andar subterrâneo mais profundo e, portanto, mais “quente” do que os outros níveis do inferno. E quando xingam, inconscientemente estão desejando uma “queimadura” mais violenta para seu desafeto. Nada disso. A expressão vem da Era Colonial do Brasil, quando a Coroa Portuguesa cobrava 20% sobre o valor do ouro retirado das minas. Ou seja, um “quinto” do que se obtinha com a extração, ia para os lusitanos. O pessoal ficava furioso e, obviamente, tentava sonegar. Dá raiva mesmo pagar impostos, principalmente quando é para um outro governo. Aparentemente, o pessoal que lidava com o precioso metal, mandava os coletores buscarem o “quinto” nos infernos. Daí, por algum motivo, a expressão tornou-se “quinto dos infernos”. É verdade e dou fé, baseado em historiadores e linguistas.
Hoje em dia, o total dos impostos é muito mais do que isso, mas, por outro lado, ninguém acredita mais em inferno. Provavelmente os que devem impostos, ou usam palavrões mais modernos ou, simplesmente, pagam uma propina. Tudo muda, não é mesmo?

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Estranhas Histórias
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Wednesday, March 30, 2016

Carta para um amigo que foi para a Eternidade


Carta para um amigo que foi para a Eternidade

Prezado amigo:

Escrevo-te essas mal traçadas linhas para te contar as novidades. Desde que partiste, tens de acreditar, muita coisa aconteceu. Precisavas ver os jovens. Ficarias assustado. Usam brincos em todo lugar. Os penteados, então... Estão sempre olhando para baixo e mexendo com os dedos. Dizem que conversam com os amigos através daquele aparelhinho, mesmo quando estão lado a lado. Mas não penses que são gente má. Pelo contrário. Outra coisa que tu não irias acreditar são uns aparelhos que existem agora. Tu te lembras daquele aparelho de televisão que nós víamos nas vitrines de São Paulo? E que tu estavas juntando dinheiro para comprar um para o Natal e fazer uma surpresa para a Dona Mariana? Agora existem daqueles de todo tamanho. De todo tamanho mesmo. E as pessoas fazem tudo ali mesmo, na frente dele. Conversam, trocam ideias, leem notícias, pagam contas, existe gente que até passa receita de bolo. A Dona Mariana, que Deus a tenha, já pensou o que ela iria achar, ela que sabia cozinhar tão bem? Retratos, então! Passam de um para outro, tu gostarias de ver. Tudo colorido, bonito. É verdade que existem alguns meio estranhos, acho que tu não irias apreciar. Agora também todo mundo faz filminhos em casa, na rua. E, esta é demais, passam as fitinhas de cinema feitas ali na hora, de um lugar para outro. Um amigo nosso, o Arlindo, lembra? O filho dele passou uma para a a namorada que está lá no Japão. Não sei como é, deve passar pelo meio da Terra. Não sei como o filme não frita todo no meio daquele fogaréu. Tem um monte de coisas que eu não sei mais como é. E daí,as pessoas ficam escrevendo uma para as outras que “curtiram” aquilo que o outro fez. Gozado, até agora, para mim “curtir” era preparar a pele,secar, etc. Tu te lembras que meu pai “curtia” peles de coelhos? Eu, às vezes, tinha dó dos coitadinhos, mas eu sabia que meu pai  precisava daquilo para sustentar a família. O pessoal fala muito em “compartilhar” também. Acho bonito, mas desconfio que não é bem o que estou pensando.
As guerras, meu amigo, ainda existem. O pior  é que, agora, vale tudo. Jogam bombas até em crianças nos hospitais. Eu seu que tu não vais acreditar, talvez seja até melhor assim. Outro dia, no meio da briga, até derrubaram um avião, tudo com gente inocente, crianças, família. Estou até curioso para saber o que o Nosso Senhor está pensando a respeito. Talvez ele nem tenha comentado contigo para não te assustar. Os briguentos são sempre os mesmos, um ou outro só, que é novidade. Tenho outras coisas que queria te contar, mas vou parar por aqui, não quero te deixar assustado. Não te contei nem metade das barbaridades. Precisavas ver como está a política. Como disse, melhor ficar calado, não quero perturbar teu eterno descanso, mesmo porque acho que tu deves estar pensando que é tudo exagero meu.
Saudosas lembranças deste teu grande amigo. Descansa em paz. E que eu consiga também.
Mundo perdido de Deus, julho de 2014.

                                                                        Teu grande amigo e escritor.


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Monday, March 28, 2016

O discreto charme da elite



O discreto charme da elite
(para quem quiser entender...)

Na sala de jantar descrita pelo Gil e pelo Caetano, os burgueses estavam ocupados em nascer e morrer. Não era um charme tão discreto como sugerido pelo Bunuel, porém. Terminado o banquete, vestiram-se com roupas reais e foram até a sacada do prédio. Agora eram a realeza. Mais até.
Lá de cima viram o povo se debatendo. Uns eram contra, outros a favor. Não sei de quê. Uma coisa a ser explorada. Os que eram a favor faziam os preços das mercadorias subirem. Faziam os preços descerem os que eram contra. Ou era vice e versa? E a nova monarquia apostava em uns e outros e sempre ganhava. Era uma beleza aquela peleja toda. Alguém sugeriu que estava ficando perigoso. Poderia haver brigas de verdade, até uma guerra. Um deles sugeriu que, nesse caso, eles fariam a intervenção. Além do mais, se não houvesse mesmo jeito, se uma luta acontecesse de verdade, então eles poderiam vender as armas. Uns nobres fabricariam, outros venderiam.
Era bonito, pelo menos para eles, ver aquela disputa de cores. Pessoas enraivecidas se atacando. Essa era a parte do circo. A parte do pão – o banquete – já tinha acontecido. Alguém corrigiu que o pão e o circo eram para o povo, não para eles. A realeza tinha coisa melhor. Jogaram então comida para a população faminta. Mandaram alguém organizar as brigas, de forma que virassem diversão e não uma simples guerra. Assim, poderiam ter um intervalo, ter mais um jantar, lá dentro.

Novamente sentaram-se à mesa e voltaram a ser burgueses comuns. Comendo e bebendo. Quando houvesse outra briga, voltariam ao balcão. Discretos, charmosos, poderosos.

Vídeo: PANIS ET CIRCENSES - Marisa Monte

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Sunday, March 27, 2016

O contador de histórias



O contador de histórias


Ele conta histórias que nem viu. Conta outras que não deveria, nem poderia contar. Conta de um jeito que faz a gente acreditar. Narra enredos improváveis, com personagens pouco confiáveis, que nos assustam e, às vezes, nos encantam. Fala de coisas que não conhece com a autoridade de um doutor. Fala até de mulheres sem pudor, de homens sem amor. Fala de pecados sem perdão e faz com que perdoemos faltas que não devem ser perdoadas. Ele nos leva para lugares recônditos que, desconfio, nem existem. Mesmo assim, vamos para lá. Conta de pecados em igrejas, de almas estranhas, e da pureza que está no feio. Parece até que é poesia o que está fazendo, mas não é. Pinta cores no céu, que eu nunca vi. Prepara uma trama feliz, mas quando você percebe, é uma tremenda de uma tragédia, o que se vê no fim. Também encontra felicidade no meio das ruínas das almas, no meio dos escombros da destruição. Não posso acreditar nele, é perigoso. Fico a viver histórias que não são minhas, sofro sofrimentos que não são meus. E decido: não vou mais ler. Logo depois, entretanto, não consigo me conter. Vejo-me lá, outra vez, lendo:  Era uma vez...

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Friday, March 25, 2016

Navegando pela vida



(Navegando pela vida)

O provável, o improvável, o céu, e o mar


O improvável acontece, muitas vezes, sem avisar. Vira, então, fato consumado. O provável, por mais provável que seja, muitas vezes não acontece. Deixa de ser provável e se transforma no impossível. Outras vezes acontecem coisas que não eram prováveis nem improváveis. Nem sequer sabíamos que elas podiam existir e acontecer.
Pessoas especiais, de real valor, partem dessa vida antes da hora e, a respeito disso, não há nada que possamos fazer. Outras há, horríveis, que só fazem o mal, e insistem em viver. Indefinidamente. Não nos pertence seu destino, não cabe a nós julgar.

Este é um fato. Nada controlamos, nada sabemos sobre nosso destino. Tentamos, avidamente, controlar nosso barquinho pelas ondas do oceano, da melhor forma possível. Enfrentamos tempestades e calmarias. É possível que, um dia, uma onda enorme venha e nos leve, sem avisar. Pode ser também que continuemos navegando, sem parar. Nesse caso, se tivermos sorte, um dia, o mar vai encontrar o céu, talvez numa linda noite de luar. Lá, então, ficaremos para sempre, e nunca mais vamos precisar remar...

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Wednesday, March 23, 2016

Torresmo na Sexta-feira Santa


Torresmo na Sexta-feira Santa



Sexta-feira Santa, como diz a palavra, é a mais santa de todas as sextas. Dia de respeito. Minha mãe, católica daquelas, já avisava desde a segunda da Semana Santa. Nada de carne, nem nada que se pareça com ela. Era até bom, pois na sexta máxima, uma linda bacalhoada nos esperava.
Naquela longínqua sexta – faz muito tempo, eu era muito pequeno – não sei o que deu no meu pai. Ele resolveu desafiar uma coisa tão básica. Decidiu, logo de manhã, preparar uns torresmos para comer. Minha mãe não podia acreditar quando entrou na cozinha, seu reino e sua propriedade, e sentiu aquele cheiro no ar. Ela não brigava, só ficava sentida, mas naquele dia, ela ameaçou uma discussão. Ela saiu e foi chorar no quarto. Posso dizer que eu, nunca, durante minha curta existência até então, a tinha visto tão magoada assim.
Por que meu pai fez isto, eu não sei. Muito trabalho, queria ter um gostinho diferente? Haveria se esquecido da proibição?Achava ele, talvez, que o courinho do porco estava longe de ser uma carne vermelha? Às vezes, a gente faz coisas que nem a gente mesmo consegue entender.
Eu estava tão preocupado com minha mãe, que nem sei o que aconteceu. Se meu pai se arrependeu e deu um fim nos torresmos, se os comeu rápidamente para não haver mais confusão, eu não sei. Eu sei que nunca vi minha mãe tão triste assim.

Acho que é por isso que, até hoje, tenho até medo de passar perto de torresmo na Semana Santa. Devo confessar, entretanto, que agora tenho outros motivos também. Com a idade, não dá para ficar abusando do colesterol...

Há um tempo para tudo



Há um tempo para tudo

Enquanto a seca ataca nossos lagos e represas, as águas violentas do mar invadem nossas terras. Em outras partes, treme o solo e os furacões atacam no ar. A natureza, rebelde, se defende contra a intrusão do homem. As almas também estão em rebelião. Inquietam-se por causas fúteis. As pessoas simples são esquecidas e deixadas à própria sorte, enquanto as ricas se perdem em sua ganância. Povos furiosos, guiados por líderes insanos, se debatem em guerras vãs e inúteis. Guerras sem ética que matam crianças e idosos. O mundo está em revolução, regredindo aos primórdios da civilização. Tempos difíceis.
Como dizem os livros sagrados, há um tempo para tudo. Agora, amigos, é tempo de cautela.

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Tuesday, March 22, 2016

Sociedade anônima: o casamento e suas metáforas



Sociedade anônima: o casamento e suas metáforas

Estava cansado do casamento e resolveu abrir uma filial. De vez em quando passava lá para conferir. Outras vezes ficava mesmo na matriz. Um dia, para seu espanto, a filial fechou. Voltou correndo, assustado, para a matriz. Viu que ela estava fechada também. Depois que a poeira assentou, descobriu o que tinha acontecido.  A “firma” tinha sido fechada por fraude. A matriz descobriu que havia uma filial, ilegal. Foi instituída para funcionar como “limitada” e estava atuando como sociedade anônima.

Suas ações baixaram tanto no mercado que nunca mais conseguiu abrir uma nova empresa. Nem mesmo uma micro.


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Essa vida da gente

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Monday, March 21, 2016

Extremidades e extremistas


Extremidades e extremistas

Todo mundo sabe que, quando o organismo humano é submetido a temperaturas muito baixas, as extremidades do corpo são as primeiras a serem privadas da circulação sanguínea, da força vital. Os dedos das mãos e dos pés ficam congelados. Só depois é que outras partes vão sofrer as consequências das intempéries. 
Por último, ficam os órgãos vitais, como coração e pulmões. A natureza, em sua sabedoria, sabe que de nada adianta salvar as mãos e os pés, se o coração parar de bater.
Talvez seja por isso que a desgraça do mundo esteja nas extremidades. O insano e radical terrorista, que quer explodir tudo para expor suas ideias é tão ruim quanto o capitalista cruel que é capaz de sacrificar vidas humanas para aumentar seu lucro até o extremo.
Quando a nossa civilização estiver chegando ao fim, as extremidades vão sumir primeiro. Vão restar apenas as pessoas cuja essência é o coração. E, para quem acredita em almas, depois do coração, só elas vão restar. No meio de tudo, dentro da essência, bem longe de tudo que é extremo...

Além disso, quem está nas duas pontas de tudo, se der mais um passo, pode cair no abismo.

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Saturday, March 19, 2016

Pessoas passando





Pessoas passando, pensativas, apressadas, pelas calçadas da cidade. Precisam pensar nas responsabilidades do dia, nas possibilidades da noite. Outros, autômatos, dirigem seus carros ou são dirigidos por eles. Pensam também no impossível que têm de fazer. Outros voltam da noite escura, da noite de insônia, do trabalho noturno. Encontram-se nas ruas, mas não se veem. Os trabalhadores da noite e os do dia pensam no futuro que sabem que não podem ter. Sonham sonhos que não se realizam. São só aspirações vivas, desejos que não se saciam, são o vazio. Muitos estão em ônibus e trens. Nem sequer podem se preocupar com o dia que está começando. Tem que pensar em caber, descer, chegar. Cada minuto conta, cada minuto parado é um perigo para o dia que mal começou.
Finalmente existem aqueles que não têm nada com que se preocupar. Ou porque já têm de tudo, ou porque nada têm. Os que não têm nada, não se preocupam por isso mesmo, porque não têm nada para perder. Não precisam pensar nem na parte da tarde. Tudo que precisam fazer é garantir o pão da manhã. Na falta desse, tentam garantir a aguardente que os faz esquecer do alimento que não vão ter.
Mas a maioria mesmo, vai passando, insensível, pelas calçadas da vida, sem saber o que se passa em suas almas vazias, sem sentido, sem senso...



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Friday, March 18, 2016

Como começou toda a confusão




Como começou toda a confusão


Nos últimos tempos estava ocorrendo uma confusão enorme na ilha. Não que antes não houvesse, mas nunca as pessoas estiveram tão preocupadas. De certa forma, era algo que se podia esperar nesses tempos modernos em que todos conversam com todos e todos têm opiniões.
As pessoas mais conscientes, cientes de que ali nada se resolveria, convocaram um grupo de sábios do exterior. E eles vieram. Estavam agora todos reunidos numa enorme sala oval, tentando descobrir as causas de tudo. A primeira coisa que eles notaram era que o que as pessoas estavam discutindo eram os sintomas e não o verdadeiro problema. Esse era algo mais profundo, mais complexo, mais uterino.
E os estudos continuaram. Foram retrocedendo de governo em governo e já estavam agora na época da Ditadura. Cada época teve suas adversidades e, cada vez, a explicação estava no governo anterior. Verdade era que alguns tinham mais culpa que outros, mas sempre havia uma razão prévia. E assim foram indo cada vez mais para trás: república, reinado, época colonial. Sempre as pessoas de uma época eram responsáveis diretas pelas barbaridades da época seguinte. Deve-se dizer que o período da escravidão – para descobrir suas causas – essa foi difícil. Separaram uma comissão só para tentar entender como uma sociedade podia ter feito uma coisa tão horrível. Os outros sábios restantes continuaram em sua marcha a ré na história. Não deu outra, chegaram até um fulano chamado Petrolius Cabralius. Foi ele que trouxe os primeiros habitantes para a ilha. Depois de examinar a lista dos primeiros passageiros desembarcados na maravilhosa praia, ficou tudo claro. Era um bando de aventureiros, muitos deles com ficha na polícia e tudo mais. Claro, a ficha deveria ser um pergaminho e a polícia, os funcionários do rei. Como um grupo daquele poderia formar uma ilha decente? Gente sozinha, sem família, sem responsabilidade. Gente mais selvagem do que os selvagens que havia na ilha.
Os sábios chamaram os responsáveis pelo pedido de estudo e explicaram tudo, tim-tim por tim-tim. E perguntaram: “Vocês querem que continuemos e vejamos as origens das origens? Por que trouxeram esse tipo de colonizadores para cá? Ir de volta, na história e ver por que a Portugália era assim também? Mas advertiram, isso pode ir longe, muito longe.
O líder do grupo de boa-fé, que estava tentando entender tudo aquilo, imediatamente percebeu o que aconteceria. Iriam voltar, voltar e chegariam até Adams e Évora, os primeiros habitantes do mundo. E daí não daria para retroceder mais: iriam dar direto no Criador.

E esse tinha uma desculpa insuperável. Ele tinha dado o livre arbítrio para aqueles dois: O Adams e a Évora. Que fazer?


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