Wednesday, July 30, 2014

Dançar no teu céu



Dançar no teu céu

(ou os perigos desta vida)

O Deolindo perguntou para a Doralinda: “Posso passear no teu céu?” Isso mesmo, como na canção popular. A moça, moderninha, não hesita e diz que sim. Adverte, porém, que o céu pode virar um inferno. “Não fala depois que não avisei”. Que nada, o moço está doido para bailar e vai, como cantou a Rita Lee, bailar no esconderijo dela, da Doralinda.
Depois vieram as consequências dessa alucinada coreografia, que mal o Deolindo  sabia, era dirigida por ela, a Doralinda. Uma linda moça com curvas, que curvas! Ela, além de ser dona do céu, era também uma ditadora cruel e exímia coreógrafa. E a profecia se realizou. O paraíso, um inferno se tornou.

E essa é a moral da história, se é que alguma moral há nesse enredo. Um ensinamento de vida:  Há uma tênue  e delicada linha que divide o céu e o inferno. Uma hora você está lá, no paraíso. Outra hora aqui está você, no meio de chamas fatais, dançando com os demônios.

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Thursday, July 24, 2014

Os mortos e o respeito pela vida


Os mortos e o respeito pela vida

(o respeito pelos mortos só pode vir de quem respeita a vida)

Corpos caindo do céu não é uma cena que se vê todos os dias, graças a Deus. Aconteceu, entretanto. Consequência da barbárie humana, da incompreensão, do ódio. Por mais que alguém queira lutar por uma pátria, por uma causa, existem limites. Por um motivo muito simples. Como soldados que desejam construir uma nova ordem, uma nova nação, vão responder a uma  singela pergunta: que tipo de civilização vai ser construída por seres que são capazes de tal crime? Estou falando a respeito do avião da Malaysia Airlines abatido na Ucrânia.
Os corpos dos passageiros, todos sabem, foram recolhidos sem cuidado, sem respeito. Finalmente foram recebidos pelos holandeses. Aí, então, começou a demonstração do que é ser verdadeiramente civilizado. Dois aviões especialmente enviados para a tarefa,  levando 40 corpos de um um total de quase 300,  trouxeram as vítimas de volta para a Holanda. Já no aeroporto, foram retiradas, uma a uma, com uma verdadeira gala funeral, por homens vestidos especialmente para a ocasião. O rei estava lá para recebê-las. Uma marcha fúnebre quebrou o silêncio, enquanto os corpos em caixões, um  a um,  eram colocados cada um em seu carro  funerário. Solenidade, delicadeza e respeito. Inciaram a rota de mais de 60 milhas em direção a seu destino. Havia cientistas, especialistas em saúde, e outros profissionais da área entre eles. Antes de mais nada, porém, havia lá seres humanos. Ao longo da rota, a população foi se aglomerando em grupos. Uns choravam, outros acenavam, todos comovidos. Bandeiras a meio-pau balançando suavemente ao vento.  Dos viadutos, flores eram jogadas. Uma emoção difícil de se descrever. Um enorme respeito pelos mortos, que só pode vir de quem respeita muito a vida.

Foi um dos maiores contrastes entre bárbaros e civilizados de que já tive conhecimento em minha vida.

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 À procura de Lucas  (Flávio Cruz)

Tuesday, July 22, 2014

Retrato em branco e preto


Retrato em branco e preto

Eu não conheci pessoalmente minha avó Etelvina, pelo lado paterno. Tinha visto uma foto dela, no meio da família toda, quase sumida. Não dava para ver o rosto, não dava  para ver quase nada. Ainda assim, eu gostava de olhar. Aquela mulher valente, que teve quatorze filhos, só Deus sabe quantas lutas lutou.
Outro dia, porém, minha querida prima me passou uma foto só de rosto, bem nítida, da avó. Eu me emocionei imediatamente. Ver aquele rostinho suave, em branco e preto, o cabelinho arrumado, como se arrumava antigamente, foi muito bom. Um véu preto cobrindo a blusa branca fechada em cima. Um sorriso que não saiu, uma tristeza disfarçada? Tudo isto estava ali, esboçado, nos lábios  finos, fechados. Uma delicadeza sem par. Talvez ela quisesse dizer alguma coisa. Talvez estivesse apenas posando para a foto.

Gostaria tanto que ela pudesse ver os netos de seus netos e ver a beleza que eles são. Gostaria que ela terminasse o sorriso que começou. Gostaria que ela pudesse ver o bem que, talvez nem saiba, fez e espalhou. Gostaria de, por alguns segundos, trocar umas palavrinhas com ela. É possível amar em retrospecto? Eu não sei, mas é o que estou fazendo agora. Amando a avó, daquele retrato em branco e preto, que eu nunca conheci...

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Monday, July 21, 2014

Estou preocupado com o avião que foi derrubado


Estou preocupado com o avião que foi derrubado


O Criador, todos sabem, descansou no sétimo dia. Já tinha feito a gente, podia sossegar. Não quis ficar o tempo todo ali, em cima , controlando tudo, por isso nos deu o livre arbítrio. Assim, com sabedoria, poderíamos de nossos erros aprender, nossa vida administrar. Quando ele resolveu voltar de seu descanso e dar uma olhada para saber como estavam as coisas, ficou assustado. Só tínhamos feito besteira. Não teve jeito. Mandou aquele dilúvio danado. Só deixou Noé e a família para semente. Achou que dessa vez, a gente ia aprender. Tudo começando de novo, só gente boa. Começar do zero é uma benção. Poderia, então, deixar muito tempo passar. E assim o fez. Não sei por que, a gente tem aquela mania de usar só o “livre” da expressão “livre arbítrio”. Virou uma bagunça. Pois bem , outro dia, Ele passou para dar mais uma olhada. Não é fácil, com tantos universos paralelos, todos funcionando a todo vapor e outros sendo criados a todo momento. Não sobra muito tempo nem mesmo para quem é eterno e dono de todos os tempos. Passou aqui bem na hora em que os separatistas lá da Ucrânia tinham acabado de derrubar um avião de passageiros cheio de gente inocente. Gente boa que estava tentando acabar com a Aids e outros tantos que estavam só  tentando cuidar do que precisavam cuidar. Achou aquilo um disparate tão grande que resolveu dar uma olhada nas atividades humanas dos últimos milênios, desde o tal do dilúvio. Meus Deus, eu sei que parece pleonástico, pois ele já é o próprio, imagina o que ele viu. Guerras e mais guerras, monstros matando inocentes, todos os pecados capitais multiplicados por mil.  Crianças passando fome, outros jogando comida fora. Você precisava ver a expressão que Ele fez. Deve ter pensado: “Não se pode nem dar uma voltinha pelos outros mundos que esse povinho começa a aprontar!  Será que eles não olham para as estrelas para ver a insignificância de suas vaidades, de seus desejos vis?” Fiquei pensando aqui, comigo mesmo, se não tivéssemos tanta luz artificial, talvez pudéssemos ter uma noção do que somos, olhando para a Via Láctea.

O fato é não gostei nada da maneira como Ele reagiu. Estou desconfiado. Acho que dessa vez não vai ser um diluviozinho qualquer. Acho também que não vai haver nem Arca, nem Noé. Deus me livre - em termos reais, não figurados - não quero nem pensar no que vai acontecer. Aqueles caras lá não podiam ficar brigando só entre eles? Tinham de derrubar um avião dos outros? Nosso Criador podia estar só de passagem, achar que tudo estava medianamente bom e nem ia olhar para nosso passado. Agora já era e eu estou muito preocupado. Muito mesmo. Acho que você devia ficar preocupado também. Nem sei se vai ficar alguém para semente...

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 À procura de Lucas  (Flávio Cruz)

Saturday, July 19, 2014

Xixi nas calças (O longo caminho do Suzana de Campos até a casa)



Xixi nas calças
(O longo caminho do Suzana de Campos até a casa)

O garotinho saiu da escola apertado. Criança, não sei por  quê, não foi ao banheiro. Vontade de chegar logo em casa? Não se pode entender um pequenino desses, com certeza. A gente mal entende os adultos. E as mulheres, então? Quem consegue?
Foi aguentando firme, o garoto. Mas o fato é que, do Grupo Escolar Suzana de Campos em Perus até onde morava, era um bom chão, principalmente para alguém daquela idade.  Não deu outra:  ele não aguentou. Fez xixi. Não muito, mas era bem visível naquelas calças curtas, azuis, que ele usava. Aquele último trecho antes de chegar, foi um tormento. A cabecinha do garoto fervilhava. Iria levar uns tapas? A mãe, ocupada, teria de lavar suas roupas, ia dar um trabalhão. Vexame. Primeiro vexame de menino. Conjeturou mil desculpas. Um colega malvado espirrou água nele. Passou embaixo de um telhado? Mas não tinha chovido... Estava com fome, queria chegar, mas estava com medo e vergonha também.  Alcançou a tramela, abriu o portão e foi, como um condenado, até a cozinha, enfrentar a mãe. Esta, atarefada, virou-se para ele e logo percebeu o que tinha acontecido. Você sabe como são as mães. Ele ia começar a gaguejar algo, quando ela abaixou-se, deu-lhe um beijo que nunca tinha dado antes e falou: “Vai se trocar, que a comida está pronta”. Ele pôs roupas secas, deixou as molhadas na porta do quarto e, aliviado, foi se sentar à mesa.  O cheiro da comida estava uma delícia. Com o rabo dos olhos viu a mãe passar rapidamente com suas suspeitas calças em direção ao tanque.
Foi uma tarde feliz. Ele estava tranquilo, tinha superado o trauma. À noite, a mãe chegou perto dele, antes de se deitar. É  agora, ele pensou, vai falar alguma coisa. Que nada, deu mais um beijo, um abraço materno novo, que ele ainda não tinha experimentado. Dormiu um sono gostoso, infantil, quase de bebê.

Não é assim que Deus fez as mães?

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Friday, July 18, 2014

Espero que...



Espero que...

Esperamos que nossas esperanças um dia se realizem. Esperamos que tudo corra bem. Quando um amigo está com algum problema,  a gente diz “Espero que tudo se resolva”. Quando alguém que amamos está doente, dizemos “Espero que melhore”. Esperamos nove meses para nossos filhos nascerem e que tudo, então, corra bem. Esperamos que eles cresçam com saúde e se deem bem na vida. Esperamos que nada de mal aconteça, que as coisas melhorem. Que as que não estão bem, entrem nos eixos. Que os eixos sejam fortes e aguentem o tranco. Que o pagamento chegue no dia certo e que seja suficiente  para tudo que precisamos. Ousamos até esperar que um dia a gente ganhe na loteria.
Até dizemos “Espero que aconteça um milagre”, mesmo quando não esperamos que vá acontecer.

A vida é isso: Esperar, esperar, esperar...Espero que um dia não mais precisemos esperar. Que tudo que estávamos esperando, fique pronto e se realize. Sinceramente, é o que espero. De qualquer forma, tudo que podemos fazer,  por enquanto,  é esperar...


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 À procura de Lucas  (Flávio Cruz)

Tuesday, July 15, 2014

Saudades dos trens



Saudades dos trens

É impossível não sentir algo grandioso e gostoso ao se olhar para uma estrada de ferro. Quantas vezes não olhei para os trilhos se perdendo na distância e deixei minha imaginação voar? E dentro do trem, então? Ficar olhando aquela máquina  comer a distância... A paisagem de perto sumindo como um raio, e a de longe, parada, servindo como referência. Poder andar pelo vagão, esticar as pernas, conversar.
O que aconteceu, entretanto? Conforme o progresso foi chegando, a maior parte dos administradores  foi  se livrando delas. Tornaram-se inviáveis. Nós sempre demos um jeito em tanta coisa que não tinha jeito, por que não nesse caso? Deveríamos ter deixado os trilhos e as estações onde estavam. Que o progresso se forme em volta delas. Que ele se adapte aos trilhos, a seu estilo e à sua forma de ser. Não fizeram isso em outras partes  do mundo? E no passado, não foi assim que se criaram as cidades? Os grupos populacionais não se formaram ao longo delas?

Talvez eu seja um péssimo administrador e tudo isso não tivesse sido possível. Mas não é proibido do sonhar...

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Monday, July 14, 2014

Nosso placar na História


Nosso placar na História

Desde que nosso amigo Pedro chegou por essas bandas, muita coisa estranha aconteceu. Muita coisa boa, mas muita coisa ruim também. Deve ter sido bonito, certamente, ver aquelas caravelas chegarem, misteriosas, aventureiras, empolgantes, nessa linda terra de Deus.
Logo a seguir, porém, começou. Não sei se havia muito serviço ou se o pessoal não era muito chegado “no batente”, o fato é que tentaram escravizar os índios. Como eles não quiseram se submeter, foram acabando com eles. Ainda bem que uns poucos estavam escondidos na mata distante. Ficaram para remédio, se é que tem remédio isso tudo. Depois foram buscar os escravos lá longe, na África. Que barbárie! E assim foi. Tivemos também um rei fugido de Portugal: que lugar melhor que esse para se esconder do Napoleão? Fomos sede do Império e tudo mais. O Chico bem lembrou o sonho de então: “Esta terra ainda vai se tornar um imenso Portugal”. Depois de tudo que aconteceu e do jeito que está Portugal agora, até que não seria mau. Depois tivemos guerras fingidas, golpes bem dados, outros nem tanto. Tivemos até uma ditadura da qual muita gente ainda gosta. A esse respeito disso, vi um vídeo em que a moça falava que nada daquilo tinha acontecido: a tortura. Nunca ninguém viu. Estão vendo como é importante fazer tudo no porão?  A corrupção sempre tivemos, quem não sabe? No porão e fora dele: em todo lugar.

Ao contrário do que se pensa, porém, existe muita gente boa e honesta. Geralmente não falam muito. Eles são o golzinho que fizemos contra a Alemanha naquele jogo fatídico. O resto, foi um imenso 7 a 0. Já tivemos esse placar inúmeras vezes, só que não foi no futebol, por isso que ninguém viu. Se aprendermos a jogar justo na vida política, no social, vamos chegar lá. Ganhar de dez a zero como cidadãos. O resultado no futebol, então, vai ser só uma consequência.

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Saturday, July 12, 2014

A felicidade pairando no ar



A felicidade pairando no ar


A felicidade estava à solta, por aí. Precisava, como os espíritos, de um corpo para se encostar. Tentou, primeiro, um engenheiro. Ele, porém, estava cheio de projetos, concretos, tinha de terminar. O médico, igualmente, estava naquela rotina sem fim: consultório, hospital, consultório. Às vezes, no meio, uma emergência. O advogado estava cheio de defesas para fazer e de processos para protocolar. Era como processava a vida. Uma mãe dedicada, essa sim, era uma candidata perfeita. Qual o quê! Estava tão preocupada com a felicidade dos filhos, em tanto lugar a procurava, que nem percebeu quando a verdadeira se aproximou. Ironia total: os filhos, aborrecidos com a chateação da mãe, aquela insana missão de fazê-los felizes, que nem se deram conta quando aquela alegria enorme passou bem perto, quase os atropelou.
Faltava o poeta, esse não podia falhar! A felicidade foi chegando perto de sua criadora imaginação para cutucar. Mas, ao lá chegar, se assustou. Estava cheia de problemas para contar. Histórias tristes ele tinha demais para poetar. Casos de depressão para transformar em rimas transversais. Até uma imaginária nota de suicídio tinha de escrever. Ela, a felicidade, se afastou logo dali.

Ficou, assim, pairando  no ar, sem uma pessoa onde morar. Acho que ainda está lá, mas, um dia, ela vai embora. Daí, então, se alguém dela precisar, vai ter de fazer um requerimento oficial, com firma reconhecida e nem cópia autenticada vai servir. Então é só esperar. Se for aprovado, depois de muito tempo, quem sabe, ela poderá voltar. E irá, então, para sempre, dentro de uma boa alma morar!

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 À procura de Lucas  (Flávio Cruz)

Friday, July 11, 2014

Agora, falando sério



Agora, falando sério

Além disso, todo mundo que já viveu
um tempo suficiente de vida, sabe que,
 algum dia, nem que seja uma só vez,
a gente já perdeu de 7 a 1 também.
(Nino Belvicino)


É claro que ficamos tristes com uma derrota como aquela para a Alemanha. Uns expressam a raiva com ironia, outros com raiva mesmo. Alguns procuram explicações, outros dizem que é hora de olharmos para coisas mais sérias. Muitos veem conspirações contra o Brasil e uma grande parte se consola fazendo gozação com a própria dor. Quem é de direita, vê sob um ponto de vista, quem é de esquerda, sob outro ponto de vista. Só é ruim quando você vai muito para um extremo ou muito para o outro, pois certamente você vai perder o foco. É triste, é humilhante, e, principalmente algo sem explicação, além das banais, é claro.
Claro que há muita coisa envolvida no futebol de hoje em dia. Há muito dinheiro, muitos interesses de todos os tipos. No entanto, para aqueles que só estão pensando em futebol, o que também é um direito legítimo, a melhor coisa é, simplesmente, fazer o que diz a canção: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.” Além disso, todo mundo que já viveu um tempo suficiente de vida, sabe que, algum dia, nem que seja uma só vez, a gente já perdeu de 7 a 1 também. Ou vai perder. Se você nunca perdeu de um placar assim, ou é muito novo, ou nunca olhou para o resultado. A vida é assim, um dia os números vão ser reversos para você também, a não ser que esteja vivendo em outro planeta ou não seja uma pessoa normal. Pois bem, quando isso acontecer, não vai ser o fim do mundo. Esse ainda não chegou, e por mais que o propaguem, ainda vai demorar, pode ter certeza.
O que não pode, mesmo, é, no mesmo campeonato, a gente perder de sete e a Argentina ainda levar a taça. Daí, é demais!


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 À procura de Lucas  (Flávio Cruz)



Thursday, July 10, 2014

Nem só de bola vive o homem (ainda falando em bolas)



Nem só de bola vive o homem ( ainda falando em bolas)

A bola pode ser cruel, principalmente para aqueles que não sabem cuidar dela. E não estou falando só daqueles que jogam futebol. Certamente o caso mais grave é daqueles que não são muito bons da bola: estou falando da cabeça, é claro. Existem casos em que precisam de um psiquiatra. E os casos de corruptos que aceitam bola? Aí é caso de polícia. E os que comem bola, quando estão fazendo algo importante? O erro deles pode causar una catástrofe para os outros. E existe gente que nem dá bola para os que aceitam bola e os que comem bola. E isso é muito sério.
Voltando, porém, à bola, aquela que se usa nos estádios e que muita gente não viu, muito menos a seleção, apesar de ter sido tevisionada para o mundo inteiro, você precisa saber conversar com ela. Eu mesmo, não sei, mas não tenho obrigação. O querido Osmar Santos não ficava falando, o tempo todo, “fala com a gorduchinha”, vai lá, conversa com ela? Ele sabia das coisas, entendia da bola.  A gente sabe o que ele queria dizer com isso.  No jogo contra a Alemanha – acho que foi culpa da FIFA – puseram lá uma bola que só queria conversar em alemão. E, apesar de a maior parte dos jogadores atuar  no exterior, eles não sabiam falar essa língua. Foi isso que aconteceu. Agora está explicado.

Por isso é que preciso dizer – imitando a Bíblia – que não só de bola vive o homem. Ainda bem, senão estaríamos morrendo de fome, agora.

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 À procura de Lucas  (Flávio Cruz)

Wednesday, July 9, 2014

Bola murcha



Bola murcha

O jogo acabou. Falhou a cobrança, falhou o chute, tudo falhou. Do goleiro ao centroavante. A voz do povo calou e, na alma dos torcedores, um galo enorme também ficou. A explicação não explica nada, a técnica e a tática são inúteis diante do destino, e não adianta querer explicar. O fato é que a bola murchou.
Sofre quem gosta de futebol, sofre quem não liga para futebol, todo mundo sofre. Uns xingam, outros amaldiçoam, alguns se escondem nos cantos.
Derrotados, humilhados, desconsolados.
Na prática, porém, nada muda. A não ser que você seja um jogador, o técnico, alguém ligado profissionalmente ao “negócio”, nada vai mudar. É só continuar vivendo a vida como se nada tivesse acontecido. Garantido, nada vai mudar, tudo voltará ao normal, pelo menos pessoalmente.
Mesmo assim, ainda está doendo? Eu sei, eu sei...

Meu amigo Nino Belvicino bem que tinha avisado: nunca faça do futebol a base de sua vida. Sábio pensamento, esse do meu amigo! Ou então, você pode ficar com o Nelson Rodrigues que dizia:  “a bola é um reles, um ridículo detalhe” : o que interessa é “o ser humano por trás da bola”.

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 À procura de Lucas  (Flávio Cruz)

Tuesday, July 8, 2014

Falando de livros mais vendidos e de um que vende pouco


Falando de livros mais vendidos e de um que vende pouco

Será que se você ler “A insustentável leveza do ser” , vai achar que a gente parece ser  leve,  mas, na verdade,  tem um peso insustentável? Ou será que ele não completou e, na verdade, o que é insustentável é “ser” pai de mais de dois filhos hoje em dia e não poder sustentá-los? Já no caso de  “Cinquenta tons de cinza “, ninguém me falou, mas eu acho que a explicação é óbvia: tudo é feito meio no escuro, no escondido:. Lá não há cores, só há sombras. Por que cinquenta? Bem, acho que você sabe. São cinquenta formas de...Bom isso fica para sua imaginação. O John Green disse que “A culpa é das estrelas”, mas eu sei por quê. Elas estão lá longe, ninguém vai tentar reclamar com elas. Esse mesmo autor insiste com “Quem é você, Alaska?”. Eu, definitivamente não sei. Onde ela está? Talvez a resposta esteja em seu outro livro: “Cidades de papel” que, espero não sejam tão frias quanto o Alaska. Já o Augusto Cury, coitado, provavelmente foi assaltado e, por isso, escreveu “Felicidade Roubada”, que nada tem a ver com “A menina que roubava livros” de Markus Zusak. Bem feito, que mandou não darem livros para a pobre criança? O Augusto Cury tem outro problema sério: “Ansiedade: Como enfrentar o mal do século”. Ainda bem que não tenho tanta ansiedade assim. Tenho só um pouquinho. Queria que as pessoas lessem um outro livro: “À procura de Lucas”. Garanto que vai ser interessante achá-lo. O Lucas, é claro. Será que você consegue? O autor, como o Lucas,  é quase desconhecido.

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 À procura de Lucas  (Flávio Cruz)


Tuesday, July 1, 2014

A garota de Ipanema revisitada na rede social



A garota de Ipanema revisitada na rede social

Fiquei pensando: e se a Garota de Ipanema fosse garota só agora, e só gostasse de ficar o dia inteiro no Face ao invés de ir para a praia? Como o poetinha teria de adaptar a sua linda criação? Com o perdão do imortal escritor, vai lá uma modesta tentativa. Esperamos que ele não se vire no túmulo:


Olha que perfil mais completo
Mais cheio de bossa
É ela garota
Que compartilha e que “gosta”
Numa doce conexão
A caminho do Face

Moça de backbone magistral
Para os garotos ávidos
O seu conectar é o mais rápido
É o compartilhar mais lindo que já vi alguém postar

Ah, por que estou tão desconectado?
Ah, por que é tudo tão virtual?
Ah, meu perfil tão banal
A conexão que não é só minha
Que também se demora, fraquinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela compartilha
A rede inteira, cheia de “likes”, se maravilha
E fica mais mais linda
Por causa do social

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 À procura de Lucas  (Flávio Cruz)