Sunday, August 31, 2014

Tudo aconteceu nos anos sessenta



Tudo aconteceu nos anos sessenta

Tudo aconteceu nos anos 60. Sem exagero. O homem pisou na Lua em 1969, uma sonda americana chegou até Marte, um robô soviético pousou em Vênus. Iuri Gagárin já tinha ido ao espaço em 1961 e em 1964 a Microsoft tinha criado o chip. Os hippies revolucionaram o mundo e o papa João XXIII revolucionou a Igreja Católica. As nações africanas começaram a ficar independentes, Fidel fez a revolução cubana. Surgiu o feminismo e apareceram os primeiros movimentos civis em favor dos negros e homossexuais.
No mundo da arte, os Beatles invadiram os Estados Unidos e o resto do mundo. Foram seguidos pelos Rolling Stones, The Who, e The Animals. Bob Dylan, Joan Baez, e Peter, Paul and Mary criaram a música de protesto.
No Brasil, Juscelino Kubitschek inaugura Brasília. Logo depois há o golpe militar e se instala a ditadura. Há sequestros de diplomatas (o embaixador norte-americano Charles Elbrick e diplomatas da Alemanha e do Japão) e o Brasil ganha a Copa do Mundo em 1962. Surgem os festivais de música popular, com Chico Buarque, Nara Leão e outros tantos. Começa o Movimento Tropicália, em 196, com Caetano Veloso,  Gilberto Gil, Os mutantes, Tom Zé e Torquato Neto. Enquanto no mundo surgia a TV a cores, no Brasil  as emissoras começam a usar o sistema de video-tape, que evitava uma série de erros. É inaugurada a TV Globo. Começa a Jovem Guarda com Roberto, Erasmo e Wanderleia. E muito, muito mais, aconteceu.
O resto, depois, foi só uma continuação...       



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Saturday, August 30, 2014

Como se faziam as coisas antigamente: o “Requerimiento”



Como se faziam as coisas antigamente: o “Requerimiento”

Por volta dos anos 1500, Espanha, Portugal e outras grandes nações, dominavam os mares. Atravessavam o Atlântico em busca do que seria conhecido como a América. Vinham em nome de Deus e de seus soberanos. Cada uma dessas nações tinha sua peculiar maneira de ‘tomar posse”, conforme Patricia Seed descreve em seu livro “Ceremonies of Possession in Europe's Conquest of the New World, 1492-1640”. A Espanha, porém, tinha um método muito interessante: era o chamado “Requerimiento”. Quando eles estavam chegando perto da praia, na iminência de uma grande conquista, eles liam em voz alta um documento que tinha esse nome. Era uma espécie de aviso, de anúncio. Falavam que seu rei, em nome de Deus, estava ali para converter os índios, ou quem estivesse morando ali. Claro, o documento era lido dentro do navio e em espanhol. Obviamente, os “gentios”, se estivessem na praia, o que era raro, não poderiam ouvir a declaração. Se pudessem ouvir, não entenderiam, pois estava em espanhol, que não era sua língua. Mas o o “Requirimiento não era só isso. Advertia que se eles não se convertessem para o Cristianismo, de imediato, poderiam ser escravizados, e sua terra seria tomada, o que sempre acontecia, obviamente.
O “Requirimiento” nada mais era do que uma justificativa para a consciência coletiva do invasor para suas barbáries. Tudo em nome de Deus. Nós todos sabemos o que aconteceu depois, durante a colonização, com os índios e com os escravos trazidos mais tarde.
Faz muito tempo e ninguém fala mais nisso. Recentemente, porém, estamos ouvindo sobre atrocidades cometidas, desta vez contra os cristãos no Iraque. Ironia histórica. Se não se convertem, são sumariamente assassinados por um grupo de terroristas religiosos. Talvez sejam menos humanos que os espanhóis. Esses pelo menos liam antes o “Requerimiento”.  Ou será que existe um documento equivalente em árabe?
Se colocarmos à parte esse e outros absurdos, o mundo melhorou muito nesses últimos 500 anos. Ainda assim, daqui a outros 500 anos, outro cronista, do futuro, vai estar falando sobre tanta estupidez cometida por nós e que agora nem percebemos. Vai rir e debochar. Vai desprezar, como nós em relação a nossos antepassados, as atrocidades levadas a cabo em nome da religião e da civilização, além de outras mais. Todas, em sua época, consideradas normais.

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Friday, August 29, 2014

As dez donzelas de River Road




As dez donzelas de River Road

Victor Barnard é um dos maiores caras de pau dos últimos tempos no setor religioso. Há alguns anos atrás, ele formou uma religião, ou melhor, um culto. Eram poucas pessoas, mas ele não precisava de muitas. Instalou-se numa região rural de Minnesota, nos EUA, com seus seguidores. Falava bonito, usava as palavras da Bíblia com graça e beleza. Ele era um verdadeiro imã, todos se maravilhavam com sua pregação, com seu magnetismo. Inventou uma história que Jesus queria que 10 garotas especiais vivessem com ele, “um pastor de ovelhas”. Isso mesmo, garotas de 12 a 13 anos. Era tão bom de conversa que até convenceu alguns pais que era vontade de Deus que ele fizesse sexo com elas. Daí foi mais longe, tentou também uma das mães. Chegou um momento, e demorou bastante, em que começaram a desconfiar do “homem de Deus”. Denunciaram o fulano. Ou porque a história era muito absurda, ou porque não tinham provas, demoraram para prendê-lo. Quando a situação ficou muito feia, ele fugiu do estado. Agora é um fugitivo da polícia. No entanto, por mais incrível que possa parecer, ainda hoje existe gente que o segue. Alguns pais daquelas mesmas crianças que ele molestou. Assim é a seita River Road Fellowship. Se você pensava que existe limite para o cinismo e a ingenuidade, está enganado.

A fé pode mover montanhas. Para certas pessoas, porém, pode causar cegueira completa. Falsos profetas existem aos montes, não há dificuldade em encontrá-los por aí.


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Wednesday, August 27, 2014

Os bebês da talidomita


 


Os bebês da talidomita

O caso do medicamento “talidomita” foi um dos mais tristes e, certamente, o mais catastrófico da história farmacêutica mundial. Foi lançado pela Alemanha em 1950. Entre outras finalidades, uma era combater o enjoo matinal de mulheres grávidas. Naquela época, ainda não se faziam testes exaustivos como hoje, antes de se aprovar um remédio. Ele tinha sido testado em ratos e tudo estava bem. O remédio foi homologado e usado em 46 países, inclusive o Brasil. Alguns anos mais tarde começaram a aparecer as primeiras consequências: bebês com deformações graves. Mais de 10.000 casos de defeitos congênitos foram relacionados com o uso da talidomita em 1962.
Frances Oldham Kelsey, canadense de nascimento, mas trabalhando na FDA ( Food and Drug Administration-USA), recusou-se a aprovar, na época, a liberação do medicamento, achando que mais testes deveriam ser feitos. Tomou uma atitude diferente de todo o mundo. Evitou milhares e milhares de tragédias nos Estados Unidos, apenas fazendo com propriedade o que tinha de fazer. Pessoa de respeito e de valor. Poucas pessoas conhecem heroínas desse tipo. Foi condecorada por John F Kennedy em 1962. Seria excelente se tivéssemos pessoas como ela em todos os países.
O Brasil foi bastante afetado pela droga e demorou um pouco para proibir o remédio. Nós tivemos uma pessoa como ela em tempos passados: o nosso querido Osvaldo Cruz. São pessoas de visão. Pena que eles não possam estar em todo lugar, em todas as épocas.

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Tuesday, August 26, 2014

Os terremotos estão voltando


Os terremotos estão voltando

Terremotos no Chile, no Peru, e na Califórnia. A Natureza está mostrando sua força. Estaria ela zangada conosco, humanos, que insistimos em desrespeitá-la? Seria uma bela e forte imagem. De um lado, nós poluímos, desmatamos, usamos a terra de uma maneira abusiva. Do outro lado, ela rasga seu ventre, treme, engole o que fizemos. Destrói construções, rompe dutos de água, interrompe a transmissão de energia elétrica.
O fato é que não é bem assim. Os movimentos de terra, ou acomodações de camadas, estão o tempo todo aí, em todo lugar. No fundo dos oceanos, em toda parte. Não são consequência de nossas barbaridades. Nós só nos assustamos quando eles acontecem em zonas muito povoadas.

A Natureza é forte, imensa, e continua se manifestando independentemente de nós, pobres mortais. Mas é uma sugestiva metáfora: de um jeito ou outro, algum dia,  ela vai se vingar de nossos desmandos.

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Sunday, August 24, 2014

O cronista está sem palavras


O cronista está sem palavras

O cronista está cansado, sem palavras. Elas estão agitadas em sua mente, pululando, mas não conseguem sair. Ele sabe que o leitor também está cansado, não quer ouvir.
Resolve, assim, falar a linguagem do silêncio. Um silêncio poético, cheio de significados e de enorme significância. Passa a rimar na simetria cósmica e metrificar no quadrante quântico do Universo. De repente, quando não mais estiver  esperando, as palavras voltarão. Do vazio da alma e do intelecto, elas brotarão. Belas, mágicas, vibrantes. Urgindo por serem escritas, faladas, pronunciadas, significadas.  Poetificadas.

Vair ser, então, um novo dia de Criação.

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Wednesday, August 20, 2014

O sono dos justos


O sono dos justos

O soldado, cheio de sangue e suor, recebe ordem de retirar. Os americanos tinham invadido um reduto de vietcongs no meio da mata. Morreram e mataram. Ele, no entanto, procurava não acertar, não queria matar. Ferido, mas não muito, começa a se mover. É um dos últimos. Parece que os inimigos ou tinham morrido, todos, ou tinham se retirado também.
Corpos no chão, sangue derramado, uma cena infernal. Um pouco à frente, à sua esquerda, vê um arbusto se mexer. Aponta a arma e sente urgência de atirar. Consegue se conter e se aproxima. Afasta as folhas e vê, escondido, um soldado inimigo com sangue correndo pela testa. Tremendo, cheio de pavor. Mais novo que ele, quase um menino. Olha para os lados e para a frente. Ninguém os vê, todos se concentram em sair dali. Olha para aquela criatura frágil, amedrontada, mais que ele ainda, e faz um sinal. Põe o dedo nos lábios e pede silêncio. Vai seguindo, deixando o inimigo para trás sem atirar. Por segurança, olha, de vez em quando para o lugar. A folha não se move mais. Lá dentro, o quase garoto suspira aliviado.
James Dooley, esse era seu nome, vai caminhando até perdê-lo de vista. Pode se ver um sorriso enorme se desenhar em sua face. O sorriso de quem fez o bem.
A Guerra do Vietnã estava na sua parte mais cruel.
À noite, o soldado descansa. Está feliz, bem ali, no meio da guerra. É uma das melhores noites de sua vida e ele nunca vai esquecer. Dorme o sono mais gostoso da batalha, dorme o sono gostoso da paz.

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Essa vida da gente

(crônicas e contos sobre o cotidiano)







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Tuesday, August 19, 2014

Pessoas jogadas do céu e crianças roubadas





Pessoas jogadas  do céu e crianças roubadas

Imaginem uma república hipotética, onde os militares tomaram o poder e instalaram uma feroz ditadura. Imaginem, ainda hipoteticamente, que habitantes dessa nação resolveram discordar da maneira como eles estavam conduzindo o governo. Ainda, tudo supostamente, os ditadores resolveram calar essas bocas dissidentes.
Mas eles não se calavam. Continuavam a reclamar dos desmandos e do autoritarismo do novo governo. Imaginem só! O que fazer com gente que não para de reclamar, de protestar? Torturá-los, matá-los? Quem sabe jogá-los lá do alto, de um avião, sobre o mar?
E se houvesse também mulheres protestando? E se elas estivessem grávidas? Será possível - tudo, ainda, no campo da pura imaginação – que os detentores do poder seriam capazes de matá-las? Isso mesmo, as mães, logo depois do parto? Arrancarem delas seus filhos e entregarem a casais militares, em segredo?
Será que as pessoas que gostam de “governos fortes”, autoritários, achariam esse um bom governo? Que tipo de nação seriam esses homens capazes de construir? Uma nação baseada na tortura, em assassinatos, em sequestro de crianças?
Eu acho impossível ter havido uma nação assim. Roubando crianças de seus pais, jogando os que protestam de aviões para afundarem no mar?
Mas houve. Foi o que a  Argentina fez de 1976 a 1983. Provavelmente muito mais do que isso. Muitas daquelas crianças procuram, ainda hoje, descobrir quem foram seus pais. Muitos avós procuram seus netos, enraizados, sem saber, em outras estranhas famílias. Parece um pesadelo, mas foi verdade.
Se eu acreditasse em maldição, eu diria que é por isso que até agora eles não conseguiram se estabilizar, formar um país forte, uma grande nação. Mas eu não acredito.

Talvez apenas uma pura e maldita coincidência...

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Essa vida da gente

(crônicas e contos sobre o cotidiano)







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Monday, August 18, 2014

A mulher que controlava

A mulher que controlava

Ela controlava tudo. A casa, os negócios do marido e, principalmente, o próprio marido. Coitado do Amarildo, em nada podia opinar. Todo mundo já estava acostumado. Ela mandava, todos obedeciam. Mandava fazer, era feito. Mandava desfazer, era desfeito. Feito um espião, passava um olhar certeiro por todo lugar. Fazia, desfazia, mandava fazer de novo, para depois dizer que ainda não estava bom. O Amarildo não era nada. Se tentasse ser alguma coisa, num instante ela o faria desistir.
Não sei se foi por isso, se por outras coisas mais, um dia ele teve um ataque do coração. Talvez fosse coincidência, ele já tivesse um problema assim. Aquela coisa toda: choradeira, funeral, enterro. E todo mundo se esqueceu rapidamente do Amarildo. De qualquer jeito, quando vivo, já ninguém se lembrava mais do coitado. Ironicamente, quem mais sentiu a falta, foi ela. Não tinha mais em quem mandar. Nem quem controlar.  Foi sentindo um vazio enorme, uma falta de graça pela vida. Até comentaram, está vendo, ela era assim, mas amava o marido.
Nada disso, posso garantir. Ela amava era o seu jeito de mandar e o jeito do Amarildo obedecer. Tem gente que é assim.

Pois é, a festa acabou, não há mais nada, nem mais ninguém para controlar, nem ser controlado.

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Essa vida da gente

(crônicas e contos sobre o cotidiano)







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