Monday, August 31, 2015

O gramofone e o Chico caindo lá das nuvens



O gramofone e o Chico caindo lá das nuvens

O gramofone, esse eu não conheci pessoalmente, não senhor. Até vi depois, coitado, num museu. Ele era bonitão, com aquela concha charmosa e tudo mais. A vitrola, essa sim, foi uma grande amiga minha. Tive mais de uma. Uma azul escura, com uma faixa branca, foi a de quem mais gostei. Foi nela que eu ouvi o Sgt. Peppers dos Beatles pela primeira vez. E isso, garanto, não é coisa de se esquecer. Além disso era um LP, isso mesmo Long Play, para quem não teve o prazer. Um montão de músicas, todas num mesmo lugar. Dá para acreditar? Isso mesmo, antes os discos de vinil, continham uma só canção, os tais de compactos simples. Depois houve os compactos duplos.  Uma loucura, uma sofisticação. Depois tudo começou a ir mais rápido.  Veio a tal de fita cassete, acho que não tinha saúde muito forte, logo partiu.  Os cds, muito teimosos, dizem que estão por aí até hoje. Mas esse povo moderno não liga muito para eles não. Levam música de um lado para outro num tal de flash. E eu que pensava, antigamente, que ele era apenas um super-herói. Mas a novidade mesmo, você não vai acreditar. Dizem que agora eles guardam as canções nas nuvens. Os entendidos falam que é a "cloud'. Eu já andei de avião e nunca vi nem o Chico, nem o Caetano, lá em cima, não. Talvez porque eles sejam do meu tempo? Até que seria interessante ver o Pink Floyd pairando numas altocumulos lá no alto. O pessoal do Abba, cantando gostoso numa nuvem cirrus? Nossa! Eu ia “viajar”...
Só não entendo por que nãos as deixam, as canções, é claro, por aqui mesmo no ar, pertinho da gente? Quando a gente quiser ouvir, é só pegar. Além disso, lá em cima, é perigoso. Não quero ver meus ídolos despencando acidentalmente, sem paraquedas, lá do alto.

Mas eu sei por que eles não deixam nossas canções  aqui, ao alcance da mão. Só pode ser por causa dos direitos autorais.

                         Histórias do Futuro

Para adquirir este livro no Brasil 



Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui (e-book: $3.99 impresso: $11.98)
vv

Sunday, August 30, 2015

A geração dos sessenta

A geração dos sessenta



Esse mundo ligeiro, fantástico, mutante, não dá mesmo folga para o pessoal dos anos 60. Nós já passamos por tantas, não foi brincadeira. Vimos e sentimos a “guerra fria”, aquele medão desgraçado de uma bomba atômica cair em cima da gente e espalhar radiação por toda a parte. Já pensou, gente nascendo com defeito, corpos se desfazendo? Tudo por causa dos comunistas. A bem da verdade, os americanos foram os únicos que definitivamente usaram bombas atômicas em guerras.
E a AIDS? Doença maldita, sorrateira, com aquela carga enorme de preconceito, assustando todo mundo. E os grupos terroristas, de esquerda e de direita, fazendo coisas medonhas? E os sequestros de aviões? Era um pavor danado, a gente estava o tempo todo esperando o mundo acabar. Naquela época, era difícil distinguir os bandidos dos mocinhos. Muita gente achava que estava claro. Engano seu, as coisas não são bem assim. Mas não vou falar disso não, essa coisa de política é complicada.
Vamos falar de coisas boas. O Kennedy falou que a gente ia chegar na Lua e nós chegamos. Não fomos bem “nós”, foram os americanos, mas naquela hora era o “homem” chegando lá. Vou dizer uma coisa, vocês que nasceram depois, não têm a menor ideia do que foi isso. Coisa emocionante, não dá para explicar. E os Beatles? Você sabe o que é pegar, pela primeira vez, o álbum “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” dos rapazes nas mãos? A gente até tremia. Poder ter as letras das músicas: naquela época não tinha internet. E ver o Chico ganhar o festival de música popular? No dia seguinte, conferir a letra com os amigos no trem? Ir a um cinema de verdade, com namorada e tudo? Cantar com o Vandré na televisão?
E as coisas que vinham lá de fora?  E o Festival de Woodstock? As loucuras que aconteciam nos Estados Unidos, na Rússia?
E as coisas foram mudando, mudando. A gente foi se adaptanto. Os computadores foram chegando, fomos nos acostumando. Eram grandões, deajeitados, mas eram estranhos para todos nós. Com o tempo as coisas foram se sofisticando. Internet, email, software. De repente, tudo se acelerou. A vida da gente ficou toda eletrônica. Os bebês já nascem com os tablets nas mãos e nossa geração, aos poucos, foi ficando para trás.
Parece fácil, mas para nós, que viemos lá de trás, foi um turbilhão. Não apresse a gente, vamos chegar lá. Devagarinho. Agora já sei um monte de coisa. O duro é que quando a gente acaba de aprender uma coisa, outra já está aparecendo. Esse povo não dá folga.

Outro dia falaram para eu colocar as músicas que comprei na “cloud”. Nas nuvens! Pode? Como vou guardar as canções, as minhas poesias, os meus livros lá em cima, nas nuvens? E se chover? Vai tudo para o bueiro? Não sei não.
Bem feito para você. Eu demoro um pouco, mas acabo aprendendo. Em compensação, você nunca vai ver o homem pisar na Lua pela primeira vez. Talvez em Marte, quem sabe...Mas vai demorar um pouco.

<><><><><><><><><><><><><><><>

Histórias do Futuro

Para adquirir este livro no Brasil 



Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui (e-book: $3.99 impresso: $11.98)

Thursday, August 27, 2015

A represa


A represa

Arlindo tinha a sua pequena horta, uma criação de galinhas, e um pequeno barraco para dormir. Morava sozinho, de que mais precisava? Estava muito bem assim. Não tinha vizinhos, e a sua “propriedade” ficava no começo de uma pequena elevação. Não tinha documentos daquilo tudo não, mas quem tinha, naquele fim de mundo? A parte mais difícil era a água. Tinha de andar quase dois quilômetros para conseguir aquela preciosidade de líquido, num pequeno riacho que, graças a Deus, estava sempre à disposição. Para as plantas, usava uma água meio barrenta que havia por ali mesmo.
Ele se considerava abençoado. Sem amolação, sem gente para incomodar, estava bom demais. Por isso, quando aqueles homens bem vestidos, apareceram do nada com aquela conversa fiada, ele não gostou muito. Diziam ser do governo. Traziam uma papelada na mão, que, para o Arlindo, não valia nada. Ele nem sabia ler! Explicaram que ele tinha de sair dali, mas não era para ficar preocupado. Já tinham um novo lugar para ele, muito bom. Melhor até. Uma construção de verdade, com muros e tudo mais.  Aquilo tudo ia ser inundado, estava vindo uma represa. O povo precisava de energia, uma grande hidrelétrica ia ser construída. Uma verdadeira benção. Queriam que o Arlindo assinasse aquilo tudo, mas ele nem sabia pegar numa caneta. Os homens desistiram, mas avisaram para ele que em um mês, aquilo tudo ia virar uma água só, ia ficar tudo submerso. Dava para ficar ali, não, precisava ir para um lugar seguro que estava reservado para ele. O governo tinha cuidado de tudo. Os homens, no fim, foram embora, sem ter certeza se o Arlindo tinha entendido ou não a gravidade da situação. Teriam de voltar mais uma vez e tentar  levar a mudança do homem para o novo lugar. Não era quase nada o que ele tinha, mas era uma questão de respeito.
O Arlindo ficou cismado com aquilo tudo e não quis saber de conversa, sabia que aquilo era coisa para boi dormir. Estavam querendo era tirar a sua propriedade só porque ele não tinha os papeis. Mas não ia sair dali, nem morto.
Passou um tempo e vieram outros conversar com ele. A conversa já não foi tão doce. Disseram que se não saísse, a responsabilidade era dele. O caminhão estava ali para fazer a mudança, era só ele pegar as coisas e subir junto com os outros. O Arlindo não arredou pé, teimoso que era e decidido que estava a lutar por sua terra. O homem explicou, a água ia chegar e ia começar a subir, subir, até tudo afundar ou ficar boiando, Não tinha para onde ele fugir. Não havia nada que convencesse o homem. Foram embora.
Passaram-se algumas semanas e nada aconteceu. O Arlindo sabia que aqueles homens com cara importante, estavam querendo enganá-lo. Ali tinha alguma coisa errada. Imagina, a água ir subindo, subindo, naquele fim de mundo. Ali nunca tinha tido água suficiente nem para beber! Imagina só.
Um dia porém, pouco antes do meio dia, o Arlindo ouviu um barulho diferente. Uma espécie de trovão ensurdecido, um rosnar de animal ferido, depois um barulho igual a de um rio, que foi crescendo, crescendo... Foi então que ele viu, ao longe, aquele mundão de água se espalhando pela planície, correndo entre as árvores, derrubando tudo que encontrava pela frente. Ainda assim, Arlindo não se apavorou, sabia que ela não ia levar nada que era seu. Sentou-se um pouco mais acima de seu barraco, no topo do pequeno monte e ficou apreciando o acontecimento. Era um verdadeiro mar. A água estava bem perto agora e já não tinha mais a rapidez de antes. Ela foi subindo, subindo. Uma parte da horta do Arlindo já tinha ido embora. E daí ela continuou a subir, mas bem devagar. Ainda assim, o homem não se assustou, sabia que ela ia parar. E ela parou. Ficou a pouco menos de um metro da porta do barraco. O Arlindo, então, foi entrando na água até ficar com os joelhos molhados. Estava feliz com aquela fartura. E tinha mais. Tinha vindo tanta coisa boa boiando, que ele mal conseguia pegar tudo que podia usar. Eram tábuas de qualidade, ripas, troncos e outras utilidades. Foi levando tudo para o seco. Parece até que ele viu uns peixes. Já pensou, poder pescar?

Agora ele entendia por que aqueles homens do governo queriam que ele saísse. Já pensou o valor de uma propriedade daquelas? Com um riozão cheio de coisas boas e até peixe, bem ali na porta? Eles sabiam de tudo, os safados. Queriam era pegar sua propriedade. Ele sabia que tinha lei contra aquilo. Quando você fica muito tempo num lugar, aquilo é seu. Os safados estavam querendo que ele deixasse tudo para eles. Esse pessoal do governo não tem jeito mesmo, só quer roubar...

<><><><><><><><><><><><><><><>

Histórias do Futuro

Para adquirir este livro no Brasil 



Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui (e-book: $3.99 impresso: $11.98)

Wednesday, August 26, 2015

As enchentes de Perus, vistas lá de cima


As enchentes de Perus, vistas lá de cima

Morar no morro, segundo alguns compositores populares, é poético. Quando eu era pequeno, achava isso também. Na verdade, não era bem poesia, era emoção. Ver tudo lá do alto, bem alto, era como se tudo fosse meu. O campo de futebol do Portland Perus, o rio, a estação da  estrada de ferro, tudo. A família era simples, a casa era simples, mas que importava, se eu podia possuir tudo lá do alto, lá do morro São Jorge?
Mas havia as enchentes. Sem avisar, elas chegavam. Se havia previsão de tempo naquela época, ninguém sabia. De nada adiantaria, se soubéssemos. O morro era o único lugar seguro. Lá embaixo, a água cor de barro  invadia tudo, apagava os contornos dos lotes, das ruas, era tudo uma coisa só. Telhados e copas de árvores eram as referências. A estrada de ferro, mais alta, ficava a salvo e dividia, do outro lado, os alagados dos não alagados.
Éramos crianças e não víamos o lado da tragédia, pessoas perdendo as coisas que tinham, perdendo as casas, sofrendo. Na nossa inocência, não víamos nada daquilo. Só conseguíamos ver um grande espetáculo, os adultos comentando, tudo acontecendo.

Depois, tudo passava, tudo voltava ao normal. Para nós. Para muitos, entretanto, muita coisa mudava. Muito sacrifício pela frente, muita dureza e destruição.
Mais tarde, adulto, aprendi. Todos nós temos nossas enchentes. Enchentes de todos os tipos, destruidoras e fatais, as de verdade e as metafóricas. Passam sim, seca tudo depois. Fica, porém, um grande estrago que só a gente consegue ver. Fica um estrago danado nas coisas, um estrago danado nas almas, lá dentro da gente. Agora não gosto mais de ver as enchentes: nem as de água barrenta, nem as outras enchentes da vida... Nem a dos outros, nem as minhas.

Histórias do Futuro

Para adquirir este livro no Brasil 



Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui (e-book: $3.99 impresso: $11.98)

Tuesday, August 25, 2015

Papel, papelada, papelão e outros papéis




Papel, papelada, papelão e outros papéis

Este é um papel que se faça? Poderia ser o gerente da fábrica advertindo o funcionário que não prestou atenção na textura do papel. Ou pode ser a mulher falando com o marido, pois ele fez um papel de cachorro. Com certeza não é o mesmo papel do título da conferência: “O papel do cientista na sociedade moderna”. Pode ser também uma advertência para quem não fez o seu papel. O duro mesmo é quando se usa no aumentativo: “Que papelão!”. Para os que gostam de dinheiro, só interessa o papel-moeda. Para os mais artísticos, podemos estar falando dos papéis que um ator representou. Para quem mudou de país, podem ser os papéis de imigração. Para quem vai se casar, os papéis de casamento. Muita documentação é a papelada. Prefiro os aviõezinhos de papel, que saudade! O mais básico, porém, é o que diz o dicionário: ´Substância constituída por elementos fibrosos de origem vegetal, os quais formam uma pasta que se faz secar sob a forma de folhas delgadas, para diversos fins: escrever, imprimir, embrulhar”. Acabei de me lembrar da Melhoramentos, que teve um grande papel na vida de muitos de nós. Ainda assim, pode ser: almaço, sulfite, alumínio, de parede, de embrulho, de carta e outras coisas mais. Estava me esquecendo do carbono, que é – ou era, nem sei se ainda existe – para copiar. Eu não queria falar, mas ainda há o papel toalha e, claro, o papel higiênico.

Como professor e escritor, o meu papel é falar sobre o papel, também. Mas dá um trabalho danado. Preciso de aumento. No papel.

Histórias do Futuro

Para adquirir este livro no Brasil 



Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui (e-book: $3.99 impresso: $11.98)

Monday, August 24, 2015

Pluta vida!



Pluta vida!

Em 2006, a New Horizons partiu da Terra para uma longa missão. Muitos anos depois, em julho de 2015, ela estava a apenas 12 quilômetros de Plutão e a 4.77 bilhões de quilômetros da Terra. No caminho tirou fotos de Saturno e Netuno e chegou a alcançar a velocidade de 21 km por segundo, o que equivale a ir de São Paulo ao Rio em 20 segundos.
Na verdade, o que mais me impressiona mesmo são os cálculos que o computador teve de fazer para chegar até lá com essa incrível precisão. E não é só a direção que a sonda teve de tomar. Existe a atração gravitacional dos planetas, o fato de que eles estão, também, a uma velocidade vertiginosa pelo Cosmos e muitas outras coisas que, leigos como nós, sem sequer imaginam. Embora muita gente ache isso uma inutilidade, perda de tempo, é sem dúvida, uma façanha admirável, que, ao longo do tempo vai se traduzir em benefício para a humanidade.
Por outro lado, temos o caso do acidente de trens em Chatsworth em 2008 nos Estados Unidos. Vinte e cinco pessoas morreram porque o condutor do Metrolink não viu o sinal vermelho e continuou sua marcha diretamente contra o trem da Union Pacific. E por que ele não viu o sinal? Porque estava olhando as mensagens de texto em seu celular.  É ou não um paradoxo de nossa civilização?
Melhor pensar em Plutão, admirar-se e exclamar:
Pluta vida!


Histórias do Futuro

Para adquirir este livro no Brasil 



Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui (e-book: $3.99 impresso: $11.98)

Sunday, August 23, 2015

Amigos, amigos...

Amigos, amigos...


Passam os tempos, as experiências, os fatos. Passam as coisas do mundo, as histórias das nações, dos líderes. Os acontecimentos se perdem na distância, mudam as narrativas, os valores, os pontos de vista. Muitos pecados se tornam virtude e vice-versa. O sagrado  vira profano, e o profano pode se tornar a palavra de ordem.

Na nossa vida pessoal, também tudo passa.  Ódios antigos desaparecem, grandes modelos de desvanecem. O importante de antes já não é mais tão importante assim. Por outro lado, pequenos detalhes passam a ser parte crucial de nosso caminho. Conscientemente ou não, sepultamos culpas antigas para que as novas possam ocupar seus espaços.  Tomamos novas resoluções, hasteamos novas bandeiras, elegemos novos ideais.

É assim que vivemos, é nosso jeito de continuarmos e de sermos.

Existe algo, porém, que fica. É a lembrança das pessoas boas que cruzaram nosso caminho, seus rostos  sorrindo, suas vozes nos consolando. São as almas boas, sem malícia, que nos quiseram bem, nem que tenha sido por um dia, um dia só. São os verdadeiros amigos que, em diversos momentos, apareceram em nosso trajetória. É deles que vivemos até hoje, de suas lembranças. Mesmo sem percebermos, eles formaram o solo onde hoje pisamos. São a espinha dorsal de nossas sofridas almas, sem eles não teríamos sobrevivido...É doce a lembrança de suas faces, de suas palavras... Amigos de todos nós, amigos nossos, muito obrigado!
o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o


Essa vida da gente

Para adquirir este livro no Brasil 

--------------------

Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Friday, August 21, 2015

Elas estão na minha cabeça



Elas estão na minha cabeça

Irriquietas, eufóricas,
atropelam-se, vez ou outra,
secretas, melancólicas,
nas teclas do computador.
Palavras buliçosas,
inquietas, com ardor,
se agitam e dizem coisas
que não deviam dizer.
Dizem mais do que podem,
ou menos do que devem.
Ora tem gosto de mel,
outras vezes, de fel.
Estão na minha cabeça,
louquinhas para sair.
Às vezes eu até penso
que elas são realmente,
nada mais que pura gente.
Gente como a gente,
de verdade, carne e osso,
doidinhas como estão,
para nascer e crescer
e, enfim, acontecer!

          ooooooOOO0OOOooooo



O texto acima não faz parte do livro abaixo

Essa vida da gente

Para adquirir este livro no Brasil 

--------------------
Para adquirir este livro nos Estados
 Unidos 



Thursday, August 20, 2015

Sobre o Amor e outras coisas

Ghost
Sobre o  Amor e outras coisas
Poetas, seresteiros, namorados, correi 
É chegada a hora de escrever e cantar 

Talvez as derradeiras noites de luar 
(Lunik 9, Gilberto Gil)

O amor e outros sentimentos sempre foram objeto do estudo humano. Muito antigamente eram coisas simbolizadas por deuses e havia um deles para cada sentimento.  Palavras como “Eros” e “Vênus”, relacionadas com a mais importantes emoções humanas ainda estão por aqui para provar sua característica eterna. A palavra “venérea” (de Vênus), por ironia, deboche ou zombaria por parte da língua, acabou vindo junto no vocabulário. Não importa, tudo na vida tem uma dupla face. O tempo passou e vieram os tempos pré-modernos e os estudiosos começaram a analisar os sentimentos como mais humanos do que divinos até se chegar à época da psicologia e psicanálise modernas. Essas disciplinas tiraram um pouco da graça do assunto de tanto que explicaram como tudo funciona em nossa cabeça. O amor até foi chamado por outros nomes para ser melhor explicado. Não sou especialista no assunto, mas sei que o nobre amor foi dissecado, repartido, exibido numa relação de causa-efeito, tudo dentro de uma rede de determinismo, fatalismo e muitos outros “ismos”. A gente se conforma com isso e na hora de amar nem pensa nessas explicações todas, pois, convenhamos, perde a graça. Quem quer dar um beijo na amada, pensando em Freud, por mais que “ele explique”.  Já tínhamos nos conformado com esse “amor desnudo” – não é isso que quero dizer, se for isso o que você está pensando – quando mais recentemente, vieram com mais uma. A medicina moderna acabou se metendo na história e começou a também explicar o amor. Para ela o funcionamento pode ser analisado e definido através de um conjunto de neurônios com cargas elétricas, química do cérebro, sei lá mais o quê... Logo, logo, vão vir com uma fórmula matemática. E vocês jovens apaixonados ou que estão para se apaixonar, não se empolguem. Não é nenhuma fórmula para conseguir a paixão de outra pessoa. É fórmula mesmo, números, parênteses e colchetes e tudo que se usa nesse tipo de coisas. Não seria melhor se fosse tudo apenas uma equação, sem solução? Graças a Deus os poetas não acreditam nessas bobagens da ciência e dão, como Vinicius, sua própria definição: “Para viver um grande amor perfeito... É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.” Ou ainda do mesmo querido poeta: “Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure...” Podemos ainda cantar com Maria Bethânia : “Eu não vou negar que sou louco por você, estou maluco pra lhe ver, Eu não vou negar...”
Quanto ao ódio, concordo. Que façam uma análise detalhada, refinada, definitiva e científica. Que achem uma cura pois é uma doença. Quem façam um mapa genético e retirem do nosso DNA. Que façam uma cirurgia e tirem de nosso cérebro. Que façam psicanálise, e se necessário, uma “simpatia”, e tirem de nosso coração. Que aqueles que têm fé, orem e rezem bastante e definitivamente o apaguem nossas almas.

Infelizmente não podemos ter dois pesos e duas medidas e o rancor vai ser estudado junto com o amor pelos cientistas. Para consolo, no entanto, ouvi dizer que o ódio envelhece e o amor não. Sim, tenho certeza de que não envelhece e não é só isso: às vezes, depois de muito tempo, ele ainda rejuvenesce um pouco. Por isso, digo: “nada mais gostoso do que um amor antigo...”

                                                  ooooooOOO0OOOooooo



O texto acima não faz parte do livro abaixo

Essa vida da gente

Para adquirir este livro no Brasil 

--------------------
Para adquirir este livro nos Estados
 Unidos 



Tuesday, August 18, 2015

Estranhos tempos

Estranhos tempos


Estamos vivendo uma época extraordinária. Nunca, em toda história da civilização, tantas e tão espetaculares coisas aconteceram ao mesmo tempo. Em questão de décadas, tudo mudou. Nesse relativamente curto período de tempo houve transformações que, nem mesmo centenas de milhares de anos, juntos, conseguiram igualar.
Estamos vendo o alvorecer de uma fase da humanidade que mal conseguimos vislumbrar, mas que, certamente, é a um tempo assustadora e maravilhosa. Paradoxalmente, estamos quase nos tornando deuses e, ao mesmo tempo, estamos extremamente vulneráveis. Com a Genética, manipulamos o segredo da vida, com a Astronomia desvendamos o segredo das estrelas, com a Informática fazemos operações que milhões de humanos jamais conseguiriam fazer nem mesmo num prazo prolongado. Ainda temos a robótica, a nanotecnologia...Vamos ao infinito do espaço do lado externo, e ao infinito interno, dentro das partículas que formam as coisas.
Nossa própria grandeza gerou nossa fraqueza. Agora dependemos da nossa própria criação. Se, de repente, ficarmos sem ela, sem nossa eletricidade, sem nossa ciência, sem nossos “brinquedos” podemos nos esvair em um curto prazo de tempo. Nós e nossos inventos.
Por outro lado, ainda temos os fantasmas do passado nos circundando. Temos monstros da Idade Média nos atormentado. Trocamos a escravidão do pretérito por uma outra  nova e sofisticada. Temos agora nossas próprias bruxas, modernas, novos magos, biotécnicos, os feiticeiros dos novos tempos. Temos os líderes que enganam, os profetas de ocasião, a pobreza e a miséria em boa parte do mundo.
Estranha civilização é essa, cheia de contrários, de absurdos, de extremos. Se um viajante do passado, de séculos atrás, aterrissasse, de repente, em algumas partes do mundo, ele iria achar que muito pouco mudou. Se ele caísse em outros, pensaria estar em algum planeta distante, muito diferente, talvez numa outra dimensão da realidade...

Estranhos tempos esses, estranhos esses nossos novos tempos...

Histórias do Futuro

Para adquirir este livro no Brasil 



Para adquirir este livro nos Estados Unidos 

Clique aqui (e-book: $3.99 impresso: $11.98)

Monday, August 17, 2015

A prova dos nove

                     www.tvi24.iol.pt
A prova dos nove
(ou “A Matemática não é uma ciência exata”)

Juanita sempre dizia que o nove era seu número de sorte. Qualquer dia algo extraordinário iria acontecer e tudo por causa do nove.
Naquele dia, uma segunda à tarde, seu marido Júlio tinha saído um pouco mais cedo do trabalho. Um ano de casamento, claro que merecia uma comemoração. Um pingente de ouro numa caixinha, no bolso, esperava ele fosse alegrar o coração da esposa. De uma vez por todas apagar aquela mania de achar que havia outra mulher na vida dele. Imagine, além de muito sério, Júlio jamais faria algo horrível assim, logo no primeiro ano de matrimônio. Todo feliz e lampeiro, ele para na esquina da rua de casa. Lá havia uma floricultura e ele tinha acabado de ter uma grande ideia. Perguntou para Jonas, o florista, se era possível arrumar um buquê só com nove rosas. Claro que sim, o freguês é quem manda. Enquanto o rapaz preparava o pequeno arranjo, Júlio escrevia uma cartão. Tudo pronto, seguiu para casa, logo ali.
Alguns minutos antes, imaginem que coincidência, passou por ali o Pinda. Rapaz chamoso, sempre exibindo aquele ar de conquistador, comprou três rosas. Ele não precisava de muito para agradar sua nova namorada. Ele, por si  só, já era o agrado, pensou. Ele era metido mesmo, isso sim ele era. Assim que saiu da floricultura, passou bem à sua frente uma verdadeira gata. Ele não teve dúvidas, aproximou-se dela e começou a conversar. Foi com aquele ar de galanteador que ele sempre exibia. Disse que a viu de longe – que mentira – e não pode resistir, Comprou três rosas, pois, segundo ele, ela era três vezes mais bonita que qualquer mulher daquela cidade. Ela aceitou, meio a contragosto, mas saiu com pressa, deixando-o para trás. Pinda, que era muito sábio com as mulheres não se preocupou. Qualquer dia desses, completaria o serviço. Sabia que ela morava ali mesmo naquela rua. Falou “ciao”, metido a italiano, que era para impressionar e se despediu. A nova namorada teria de esperar pelas flores. Tinham ficado para outra ocasião. O importante era não perder aquela oportunidade.
Juliana era o nome da quase nova conquista do Pinda. Enquanto ela ia para casa, encontrou a Juanita no caminho. Elas eram quase  vizinhas. Eram de dizer apenas  “Olá, como vai?, mas diante da cara de felicidade da Juliana com três flores na mão, perguntou o que  tinha acontecido. Ela só falou que alguém se apaixonou por ela de repente, deu-lhe três lindas flores e ...

Juanita pensou que garota de sorte, ganhar assim três flores de um estranho. Ficou ali no portão, esperando o maridão chegar. E ele chegou com um lindo buquê de flores na mão. Beijaram-se, ela estava feliz. Ela sim tinha alguém que a amava de verdade. Daí comentou que não era todo dia que ganhava uma dúzia de rosas. Ele respondeu que eram nove. Antes mesmo dele explicar o que achava óbvio, nove era o número de sorte dela, a Juanita teve um ataque de fúria. Fez a conta dos nove. Doze menos três são nove. Ele havia tirado três rosas para dar para a vizinha. Safado. E ainda vem com essa cara de apaixonado. Jogou as flores na cara dele e o expulsou de casa. Ele foi para um hotel aquela noite. Tentando, de todas as formas entender a mulher. Coitado, quem consegue entendê-las? Afinal, a Matemática não é uma ciência exata.

<><><><><><><><><><><><><> 











Para comprar no Brasil 
( impresso e e book):


À procura de Lucas  (Flávio Cruz)
----------------------------------------------

Para comprar nos EUA:



<><><><><><><><><><><><><>