Tuesday, December 12, 2017

Roubando os versos teus

Roubando os versos teus





Tô com saudade de tu, meu desejo, tô com saudade do beijo e do mel, do teu olhar carinhoso, do teu abraço gostoso, de passear no teu céu...Não sei se saudade é uma coisa boa, pois disseram que ela  é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu. Mas, chega de saudade, a realidade é que sem ela não há paz, não há beleza.
Esses poetas falam coisas tão tristes perto de coisas tão alegres, que às vezes a gente se confunde. E para não ficar assim, a gente precisa se orientar.  Por isso, se oriente, rapaz, pela constelação do Cruzeiro do Sul. Considere, rapaz, a possibilidade de ir pro Japão. Cuidado, porém, que eu sei de alguns meninos que nem se lembram que existe um Brejo da Cruz, que eram crianças e que comiam luz.  Não tenho coragem de falar com você, por isso meus olhos ficam sorrindo e pelas ruas vão apenas te seguindo, mas mesmo assim foges de mim. Covarde sei que me podem chamar, porque não calo no peito dessa dor. Atire a primeira pedra, ai, ai, ai, aquele que não sofreu por amor. E porque sofro e não quero mais sofrer, eu preciso de você, porque tudo que eu pensei, que pudesse desfrutar da vida, sem você, não sei!  Você pode, entretanto, negar. Diga que já não me quer, negue que me pertenceu, que eu mostro a boca molhada, ainda marcada pelo beijo seu. Beija eu! Então beba e receba meu corpo no seu, corpo eu, no meu corpo, deixa!
Estou cansado de roubar desses poetas todos. Deculpem-me, Nando, Jobim, Vinicius, Dominguinhos, Chico, Gilberto, João de Barro, Pixinguinha,  Ataulfo, Mário Lago,  Adelino e Arnaldo,  por roubar os versos teus.

Mas o que posso fazer? Essas canções, depois de tanto tempo, ainda continuam a martelar no meu cérebro. E tem tantas outras, que vão e vêm, suaves e fortes, maliciosas e amorosas, penetrantes, fazendo o que eu sou e desfazendo a monotonia dos dias meus...


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Essa vida da gente

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Thursday, December 7, 2017

Paixão teimosa


Paixão teimosa


Nós sempre nos amamos,
ora com doces palavras,
ora com um triste olhar,
e até mesmo com mágoa...
Misturamos nossas lágrimas
com sorrisos, duras frases,
com carinho, com ofensa,
mas sempre nos amamos...
Nossas almas são teimosas,
e sob qualquer circunstância,
continuam se apaixonando...

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 À  procura de Lucas


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Wednesday, December 6, 2017

A cama do Pires


A cama do Pires

(Reflexões sobre a leitura de “A Capital da Solidão” de Roberto Pompeu de Toledo)

A leitura de “A Capital da Solidão” é um gostoso exercício cultural. O livro nos pinta um interessante e delicioso quadro de como se formou a cidade de São Paulo, dentro do contexto do nosso país. Muita coisa pode se aprender desta leitura. Um dos episódios que me chamou bastante a atenção foi a história da cama de Gonçalo Pires, um carpinteiro e construtor. Segundo o relato do jornalista e autor do livro, Roberto Pompeu de Toledo, ele era o único dono de uma cama em toda região de São Paulo. Nossa cidade, agora colossal e de fazer inveja pela sua modernidade e riqueza, era por volta do ano 1620 – quando ocorreu esse episódio – bastante atrasada em relação às outras do Brasil. As litorâneas, como o Rio, tentavam imitar o estilo europeu e gozavam de um conforto relativo que se assemelhava às capitais europeias. Já a nossa estava muito mais próxima da categoria de uma aldeia indígena do que de uma metrópole. E isso era em tudo. Comíamos o que comiam os índios, falávamos mais a língua indígena do que o português e até as “esposas” eram indígenas: nada de mulher europeia por aqui. Não que elas fossem melhores do que as nossas índias. Dormia-se no chão, em catres e em “redes de carijós”, como se falava na época. E não pense que isso foi só então, que faz muito tempo. A cama só substituiu a rede no século XIX, ainda segundo o autor do livro. Pois bem, isso explicado, podemos entender melhor o que aconteceu a seguir. Amâncio Rebelo Coelho, “ouvidor-geral” da Repartição do Sul (Rio, Espírito Santo e São Paulo), uma espécie de enviado do governador-geral, e portanto autoridade oficial diretamente ligada à coroa portuguesa, precisava vir para a cidade para fazer sua ronda, ou sua fiscalização. Tão importante figura, com seus ossos moídos pela subida da serra do Mar – naquela época não havia nossas maravilhosas rodovias (e você ainda reclama do pedágio) – precisava de um móvel digno para descansar. Imediatamente pensaram na cama do Gonçalo Pires, proprietário exclusivo de tão importante bem. Mas o “empresário” não queria saber de conversa. Nem pensar em ceder a dita cuja. A Câmara não teve dúvidas, tomou a óbvia decisão: o móvel iria ser apreendido a bem do serviço público, entendendo-se por isso, o conforto do ilustre visitante. Uma força-tarefa foi enviada à casa do teimoso proprietário e não só a cama, como também o travesseiro e o seu lençol foram levados.
Depois da inspeção, o “ouvidor-geral” voltou para seus reais deveres e deixou para trás a provinciana São Paulo. A Câmara tratou de devolver o precioso móvel para seu legítimo dono. Este, ofendido e teimoso, recusou-se a receber de volta o item confiscado alegando estar danificado. Obviamente queria tirar alguma vantagem da situação. Onde se viu tal ato de vandalismo e abuso de poder por parte do governo? As autoridades decidiram chamar peritos que decidiram que a cama estava em bom estado e que a única impropriedade era a sujeira no lençol, que, então, foi lavado. Decidiram também pagar um aluguel pelo uso do bem para ver se o cidadão se acalmava e aceitava receber a mercadoria de volta. Que nada. Ele estava pensando em uma quantia muito, muito maior, de dinheiro, pelo precioso empréstimo forçado que tinha feito. A disputa demorou pelo menos mais sete anos e, infelizmente, os historiadores não descobriram o que aconteceu depois.
Temos aí, porém, um bom preâmbulo do que viria a ser nossa vida política e administrativa. O governo tentando tirar tudo à força do indivíduo e esse tentando tirar tudo do estado. E é óbvio, a burocracia. Perícia, discussões que não levam a nada, disputas que se prolongam e o ridículo sendo o tópico principal de tudo, ficando as coisas importantes completamente de lado.
Uma premonição.

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Tuesday, December 5, 2017

Mais um dia



Mais um dia


De manhã nós acordamos,
vemos o sol brilhando,
lembramos das alegrias,
de algumas tristezas...
Apostamos nas certezas,
duvidamos dos perigos,
acenamos para os sonhos,
fazemos os novos planos...
Colocamos tudo nas costas,  
vamos viver mais um dia,
como se ele fosse único...
mesmo sabendo, por dentro,
que é apenas mais um dia...

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Sunday, December 3, 2017

Nada para dizer


Nada para dizer


O sol declinava no horizonte...
Essa é do José de Alencar.
Mas que seja infinito enquanto dure.
Foi o Poetinha quem falou.
E o Drummond falou que no meio do caminho tinha uma pedra.
Ou foi, “tinha uma pedra no meio do caminho”?
Mas quem falou que “Viver é perigoso” foi o Guimarães Rosa e,  meu Deus, como ele tinha razão.
Estava pensando em dizer algo também. Mas quem sou eu para dizer alguma coisa? Além disso, se eu disser, não vai ter a menor importância...



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Paralelo 38 e outras histórias
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Thursday, November 30, 2017

Hermeto Pascoal e o Paradoxo Brasileiro




Hermeto Pascoal e o Paradoxo Brasileiro

Estava dirigindo esta manhã, quando de repente o locutor do rádio falou com seu sotaque americano o nome de Hermeto Pascoal. Meu coração deu uma leve acelerada, só de ouvir o nome de um brasileiro. E daí foi só uma sequência de elogios. Falaram de como ele é um gênio da música. Aliás, ele é o próprio espírito dela. Falaram de sua criatividade, de sua universalidade. De como em maio deste ano ele ganhou o título de doutor honorário do New England Conservatory. Citaram a história da famosa resposta que Miles Davis deu quando lhe perguntaram que tipo de instrumento ele gostaria de tocar quando voltasse em uma reencarnação. Davis disse: “Eu gostaria de ser um músico como aquele “albino doido”, referindo-se carinhosamente ao Hermeto.
Enchi o peito e me lembrei de tantos outros brasileiros geniais em todos os setores: ciência, música, arte, etc. Pensei também como a maioria dos brasileiros é gente boa, gentil, simpática. Tantas almas gostosas, leves, amigas. Mas, logo a seguir, pensei nos inúmeros idiotas que vemos na vida pública todos os dias. O que falam, o que fazem.
Cheguei à conclusão óbvia. Isto é um paradoxo. Talvez seja universal, mas este é o nosso paradoxo, o Paradoxo Brasileiro.


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Wednesday, November 29, 2017

A jornada do Euclides



A jornada do Euclides

Um dia, logo cedo, deu um nó na cabeça do Euclides. Explicação lógica não havia. Uma dessas coisas que não se espera, não se deseja, mas que, às vezes, acontece. Colocou sua roupa mais bonita, com gravata e tudo mais, e saiu, não sem antes dar um lustro bacana nos sapatos. Olhou para os dois lados e escolheu a esquerda. Só para contrariar. Foi andando de cabeça erguida, acenando para todos, dos dois lados. Ele, que sempre tinha sido um homem sério, circunspecto. Alguns, que o conheciam, ficavam chocados. Outros assustados ou admirados. Quem não conhecia, achava que era um louco, usando aquelas vestimentas elegantes em plena periferia. As pessoas mais simples achavam “legal” e acenavam de volta. Tinham certeza de que algo especial estava acontecendo. Talvez fosse um dia de festa e não avisaram. Talvez tivessem prorrogado o Carnaval. Ele foi andando, andando. Nunca mais voltou para casa. Foi vivendo de favores, comendo aqui e ali, tomando banho quando era possível. As roupas foram apodrecendo e ele ganhou outras, bem mais simples, de pessoas caridosas. O sorriso, ele nunca perdia, embora o seu corpo, agora, mostrasse cansaço. Meses depois, já tinha passado por inúmeras cidades.
Um dia chegou a uma cidade que, ironicamente, se chamava Felicidade. Era tarde da noite e ele sentou-se num dos bancos da praça principal. Depois, lentamente, foi se deitando.
De manhã, um funcionário da prefeitura, que cuidava da limpeza do parque, achou seu corpo inerte. No rosto, um suave sorriso de alegria. Uma suspeita, paradoxal, indefinida e estranha alegria.
Euclides, finalmente descansou.

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Tuesday, November 28, 2017

Cabelos finos



Cabelos finos

É manhã de um dia qualquer e os dois continuam na cama. São aposentados, têm o dia todo para si. Todos os dias são iguais. A Cecília, semiacordada, passa a mão na cabeça do marido querido e segura seus cabelos por um instante. Depois, quase rindo, faz um comentário:
-Estão finos, querido. Dizem mesmo que com a velhice eles vão se afinando.
-É verdade, meu amor.
Os dois dão uma risadinha sem graça. Faz-se então um silêncio e ficam parados pensando na vida.
Alguns minutos mais tarde, o Mário comenta:
-Dizem também que, quando vamos envelhecendo, temos muito sono, dormimos muito mais. Como as criancinhas...
A Cecília já está dormindo novamente, mas, mesmo assim, ainda responde:
-É verdade, meu amor, é verdade...
E os dois continuam dormindo com uma suavidade sem fim.


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Wednesday, November 22, 2017

A Maria se foi



A Maria se foi

A Maria foi embora, assim, sem mais nem menos. Falou qualquer coisa de vida monótona, tomar novo rumo, essas coisas. Claro, não acreditei, não podia ser, era só uma ameaça. E não é que, naquela maldita terça, eu chego em casa e ela tinha ido embora? Gavetas vazias, a casa limpinha e um bilhetinho curto. Escreveu até que era para meu próprio bem e que queria que eu fosse feliz. Pode? Ser feliz como? Nos primeiros dias achei que ia voltar, mas não... Era para valer..
Já faz algum tempo e estou tentando entrar na rotina. O diabo é que volta e meia me acho fazendo coisas estranhas. Quando chegava em  casa, à noitinha, batia na porta. Sabe, ao invés de abrir e ir entrando? Só para ver a carinha dela atendendo, dando um sorriso e mandando entrar:
- Vai entrando, estranho, que meu marido ainda não chegou.
E daí, nós dois ríamos, era uma gostosura. E não é que, às vezes, eu me esqueço e ainda bato antes de entrar? E, pior que isso, ainda fico um tempão, esperando, com aquela cara de tonto. Daí entristeço porque ela não aparece. E não é que outro dia, fiz comida para nós dois e, para completar, pus dois pratos na mesa, com talheres e tudo? Existem outras coisas que faço, que tenho vergonha de contar.  Contei essas coisas para meu amigo Juvenal. Ele falou que isso passa. É a força do hábito. Não sei, não. Meu amigo, não sei se isso passa, não...



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Sunday, November 19, 2017

Todos os dias




Todos os dias

Todos os dias alguém mata uma pessoa inocente. Todos os dias alguém trai uma pessoa que diz amar. Todos os dias morre uma criança de fome. Todos os dias uma pessoa fica sabendo que tem uma doença incurável. Todos os dias alguém sofre um acidente fatal. Todos os dias muitas coisas horríveis acontecem.
Todos os dias o sol aparece de manhã, mesmo que você não consiga vê-lo. Todos os dias alguém faz uma declaração de amor. Todos os dias nasce uma criança saudável e que vai colorir o mundo. Todos os dias aparece um novo herói. Todos os dias alguém ajuda a outro que precisa.
Todos os dias acontecem fatos absolutamente desnecessários e vãos. Todos os dias, coisas absolutamente necessárias, também acontecem. Todos os dias o inesperado ocorre. O que todo mundo espera que aconteça, pois tem de acontecer, também acontece.
E o Universo vai equilibrando tudo, compensando o que tem de ser compensado.
Ainda bem, pois senão nossa vida aqui seria um aborrecimento sem fim ou uma imensa tragédia.

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Thursday, November 16, 2017

Esse nosso estranho mundo




Esse nosso estranho mundo

Passo a vista pela galeria de fotos do Estadão. Através delas, vejo as notícias do mundo. Modelos charmosas desfilam em Paris, cheias de luz na Cidade Luz. Corpos esguios passam pela passarela como pássaros exóticos de arrogante beleza. Antes que meus olhos se acostumem, noto uma triste e sombria figura de mulher. Segura nas mãos um bebê. Sobre sua dor e sua miséria, nem preciso ler. Estão estampadas em sua face. É uma mãe curda fugindo dos homens do terror. Há gente protestando na próxima imagem. Mas não é pelo destino da criança ou sua progenitora. São alemães protestando contra a importação de frango americano. De repente pareço ouvir um som espetacular. É a banda de Franz Ferdinand tocando em São Paulo. E isso contrasta, na próxima foto, com os olhos infantis de duas garotas palestinas. Caminham entre os escombros dos bombardeios, com preciosas garrafas de água na mão. Saberão um dia, que existem bandas que tocam músicas e moças graciosas que desfilam como plumas num salão? Talvez para eu não me desesperar, vem então uma imagem grandiosa. As luzes indescritíveis da aurora boreal acontecendo no Círculo Polar Ártico. Talvez para reger tudo, vejo o santo Papa olhando para um prosaico relógio de pulso. Não quer se atrasar para alguma coisa.
É esse nosso mundo, cheio de contrastes vibrantes, de luz e trevas, de sorrisos e lágrimas. É o mundo que temos. Um mundo estranho, muito estranho...

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