Sunday, October 30, 2016

As Almas das Cidades



As Almas  das Cidades

As cidades… posso senti-las, ouvir seus gemidos e seus clamores. São como pessoas. Percebo quando choram e quando se alegram. Vejo, mesmo sem ver com os olhos, suas lágrimas molharem as pistas das ruas e as paredes dos edifícios. Sinto seu calor e ouço seus sussurros, os fingidos e os verdadeiros. Sei de seus segredos, bons e maus, sei de suas sombras, de sua luz e, às vezes, me inebrio com seus sorrisos. Cada uma é diferente. Umas são confiantes, corajosas, sem limites. Outras tímidas, algumas com falso pudor. As grandes, em geral, são confiantes, têm uma história, velhos hábitos e não conseguem mudar. As vezes mudam na aparência sem mudar a  essência. Não tenho medo delas. São o que são, trato  e respeito-as como elas são. Tenho medo do que é para temer, ouso quando elas esperam meu ousar. Elas são vividas, têm sempre uma história para contar e podemos saber as armadilhas que temos de evitar. Respeito as regras, uso o que é para se usar. 
As pequenas, essas são diferentes. Geralmente são novas e graciosas, tem ruas simples e sorrisos espalhados pelas avenidas. Há paixão nas lojinhas do centro e na conversa das esquinas. Quase todos têm seus defeitos mas ninguém quer notar. Sabem receber novas pessoas sem malícia e não há maldade em suas manias. São apenas manias de suas gentes, daquelas que você adquire por viver só. Surpreendem você com a inocência, com sua sua graça, com aquelas coisinhas que só elas sabem fazer...
Mas não são todas assim…                  
Algumas são pequenas mas já perderam a inocência. Uma tragédia pode ter feito uma ferida profunda em seus corações. Uma maldade qualquer manchou sua alma. Uma aventura doida tirou sua retidão. Às vezes espreitam você nas esquinas e nas praças com seu ódio e sua malícia. Estão ressentidas com aquele aventureiro que delas se aproveitou. Às vezes têm preconceitos. Falam pelas costas, inventam maldades e boatos só pelo prazer de ver o mal florescer. E quando são más, são de verdade, e nem as grandes e más cidades conseguem com elas competir. A malícia e o engano das metrópoles você pode ver, contra eles se prevenir. As pequenas, quando são más, são de uma forma traiçoeira, que você não consegue ver, circundar… Aproveite a graça e a beleza das pequeninas que não têm malícia, mas fuja daquelas que têm  veneno fatal. Não são muitas mas conheço algumas, você também deve conhecer… Fuja delas, por mais interessantes que possam parecer… há um perigo em cada esquina. Mas o perigo delas é que é um perigo que você não pode ver…


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Friday, October 28, 2016

Solidão




Solidão

Ela é só sorrisos,
eu sou só solidão... 
Ela é toda graça,
eu uma só desgraça...
Eu fico só por aqui,
ela está em todo lugar...
Quem sabe um dia,
com toda essa  graça,
ela possa me resgatar...
Quem sabe um dia,
com toda essa andança,
ela possa me achar...
Por enquanto, porém,
seu andar é pelo shopping,
e seu lindo sorriso
está perdido no ar...


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Thursday, October 27, 2016

Procurando a felicidade



Procurando a felicidade

Você viu a felicidade por aí?  Ele saiu perguntando para todo mundo. Parava, olhava bem para o rosto da pessoa e perguntava de novo. Parecia desesperado, embora tivesse um restinho de esperança. Por que a pressa? Por que a aflição? A gente sempre acaba encontrando a danada, não há tanta necessidade de correria.
Uns olhavam desconfiados, outros achavam que ele era louco, outros olhavam com pena. O rapaz parava todo mundo na rua e fazia a mesma pergunta. Um ou outro, na pressa, ficava irritado com aquela chateação. Quando passou por um restaurante, porém, alguém o chamou e convidou-o para sentar. Era um daqueles lugares que têm mesas na calçada.
-Calma, jovem. Eu posso ajudar.
Era um senhor de alguma idade, barbudo, bonachão. Daria para apostar, com boa chance de ganhar, que ele tinha sido um hippie nos anos 60.
Começou a explicar que ele, também, lutara para encontrar a felicidade. Passou pelas drogas, pela luta por ideais, pela religião, pelo fanatismo, pela razão. Demorou muito, mas finalmente a encontrou.
O jovem , porém, que inicialmente estava prestando atenção, agora parecia distante. Parecia desligado das palavras daquele senhor. Estava procurando com os olhos no final da rua, do outro lado. Assim como se a felicidade estivesse andando por aí, solta, disponível, e não nas palavras do barbudo. Este, porém, continuava. Estava explicando agora que a verdadeira felicidade, ele a encontrou na meditação, ali mesmo, dentro de si. Ali é sua morada, seu ninho, seu berço. É só olhar para dentro de si mesmo, para seu interior. Palavras bonitas e profundas, posso garantir.
Demorou um pouco para ele perceber que o rapaz não estava mais ali. Tinha saído, atravessado a rua. Conversava, agitado, com uma jovem. Parecia tentar explicar alguma coisa.
Finalmente, parecia que os dois estavam se entendendo. Houve um pedido de desculpas, um pouco de choro e, finalmente, um longo e carinhoso abraço. A namorada havia brigado com ele de manhã, tinha saído de casa dizendo que não ia mais voltar. Ele saiu desesperado atrás dela. Finalmente ele a tinha encontrado, dado as explicações e tudo estava esclarecido.
O nome da sua namorada era Felicidade e era ela que ele estava procurando. Ainda bem que a tinha achado. Viu, não é tão difícil assim! Às vezes, a felicidade está muito mais perto do que se imagina.

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Tuesday, October 25, 2016

A Lenda de Oropacen


Neste dia, a horas de véspera, 
houvemos vista de terra! 
Primeiramente dum grande monte, 
mui alto e redondo; 
e doutras serras mais baixas ao sul dele; 
e de terra chã, com grandes arvoredos: 
ao monte alto o capitão pôs nome  
o Monte Pascoal e à terra – 
a Terra da Vera Cruz.


(A CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA)


A Lenda de Oropacen

Índio guerreiro, veloz, ele caminha pela mata ao longo do oceano. Vez ou outra uma brecha se abre e ele, por entre as árvores, vê o infinito das águas. Ele gosta do mar, gosta de nele com seu corpo brincar. De repente, porém, tem uma imponente, mas também sinistra visão. Ao largo, no meio das águas, vislumbra as velas dos navios portugueses destacando-se no azul do céu, pairando sobre as ondas. Sente ao mesmo tempo uma emoção, e uma terrível opressão. Algo diferente estava acontecendo. Seu coração selvagem, embora ignorante, sabia que nada mais seria igual. Pela primeira vez o corajoso guerreiro tremeu, diante de um inimigo desconhecido.
www.cantodoaprendiz.wordpress.com 
Voltou. Passos céleres para sua tribo. Conta as novidades e também seus temores. Um inimigo diferente. Sem arcos ou flechas, mas provavelmente com outras armas temíveis, desconhecidas, nunca vistas por estes lados. É o que seu coração dizia. É o que temia. Os outros não sentem ou fingem não sentir nenhum temor. Oropacen, esse era seu nome, guerreiro tupinambá, é de repente desprezado por alguns de sua própria gente. Um tupinambá não deve nunca temer. Ele, porém, lutador de longas batalhas, sabia a diferença. Temia nenhum outro que fosse como ele, mas aquelas embarcações eram de mau agouro. Não eram coisa daqui, não eram coisa boa, eram coisa de se evitar. Eram forças contra quem, ninguém, por mais valente, devesse ou pudesse lutar.
Oropacen, que significa “arco e corda”, sentiu que tinha de salvar os seus. Não era covardia não, simplesmente não era hora de enfrentar. A batalha ali não seria uma de arcos e flechas. Seria uma muito maior e a vitória, a única possível, era se preservar. O chefe ordena que a tribo deve ficar. Eles e mais alguns decidem partir. Juntam poucas coisas e penetram fundo na floresta. Um pequeno grupo, talvez a semente de uma nova nação. Andam dias, meses, e continuam andando. Vão parar em terras onde é difícil chegar. São uma nova tribo. Aí então têm seus filhos, e vivem gerações. Por um tempo enorme não ouviram falar dos inimigos, aqueles que chegaram nos navios. Foram morrendo em paz, aos poucos, e com a certeza de que seus filhos viveriam uma vida de índios valentes, com combates que valia a pena praticar. Só muito, muito mais tarde, é que os brancos lá chegaram. Foram os netos de seus tataranetos que tiveram de com eles lidar. Aí foi uma luta diferente, com outras armas. Oropacen então, já dormia em paz na sua urna mortuária. Seu espírito contemplava as estrelas do céu. Lutou a guerra verdadeira, a que tinha de lutar. Tanto quanto pudera. Vencera tudo que pudera vencer. Manejar armas nem sempre é a melhor maneira de se ganhar. Sim, Oropacen  perdeu o mar, mas ganhou o céu e o verde das matas, com suas plantas e seus animais, para si e para os seus. Oropacen podia agora descansar em paz...


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Thursday, October 20, 2016

O super-homem pedindo esmolas


O super-homem pedindo esmolas

O farol ficou vermelho. Pior ainda, havia uma enorme fila de carros à minha frente, ou seja, mesmo quando abrisse, ainda teria de esperar mais uma rodada. Procuro ajuda no rádio. Que sabe conseguisse achar uma linda canção brasileira em uma das estações? Uma daquelas antigas, gostosas. Nada. Recorro, então, à minha própria coleção e lá está a Clara Nunes: “Meu sapato já furou, minha roupa já rasgou, e eu não tenho onde morar.” Dou um sorriso e levanto a cabeça. O vermelho, insistente, nem dá sinais de que vai mudar. Vejo alguém se aproximando: um pedinte. Como é típico por aqui, ele ostenta um pedaço de papelão justificando por que está pedindo esmolas. Não dá para ler, pois está a uns cinco carros à frente. Os dois primeiros que foram abordados nem olham para ele. Um terceiro, depois de escarafunchar nos bolsos e no porta-luvas, finalmente acha algumas moedas. Foi então que me dei conta que tinha de fazer alguma coisa.
Confesso – deve ser pecado – fico constrangido nessas situações. A meu favor, não é por estar diante de um mendigo. O constrangimento é pelo fato de eu nunca ter trocados. Sempre cartão. E eu sempre explico: sinto muito, só tenho cartão. E devo admitir que até para mim, a desculpa parece furada depois de tanto uso.
Nem tentei achar moedas ou trocados: seria inútil. Enquanto o pobre homem se aproxima, perguntas, respostas e dúvidas povoam minha mente. Como ele chegou àquele estado? Será que ele não consegue emprego mesmo, com tanta oportunidade nesse país? Por que não pede ajuda a instituições de caridade? Será que tem família? Será que sabem de seu estado?
De repente, paro de viajar pela minha mente. Lá estava ele bem diante de mim, com o cartaz que dizia o óbvio: Desempregado, sem teto, etc. No entanto, o que me chamou a atenção foi a sua camiseta. Nada mais, nada menos, que a do super-homem. Uma última e estúpida pergunta me passou pela cabeça. Com todo esse poder, por que precisa pedir ajuda?
Fiquei com muita vergonha da atitude de meu cérebro com aquele fluxo de pensamento mesquinho e sem sentido. Baixei o vidro, olhei bem para a cara dele, pedi desculpas e disse que não tinha trocado. Ele deu um sorriso e falou obrigado.
Passei o resto do dia vendo o super-homem voando no céu e sorrindo para mim. E, agora, mais uma pergunta martela minha cabeça: Como um homem pode sorrir numa situação dessas?
Olhei para cima e juro que ele estava fazendo um gesto de positivo e respondia à minha indagação: “Afinal de contas, eu sou o super-homem! ”

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Tuesday, October 18, 2016

Um céu de abóbora




Um céu de abóbora

Era época de eleição na Vila dos Enganos.  Quase todo dia havia comício no palanque montado na praça principal. E daí vieram os debates. Com megafones, os dois candidatos ficavam se insultando. O mais comum era dizer que o outro era mentiroso. O candidato do Partido Conservador, Ronaldo Tromposo era muito agressivo e a candidata do Partido renovador, Cíntia Sorriso, embora mais delicada, era bastante sarcástica. Cada vez que eles se enfrentavam, havia uma novidade, geralmente alguma coisa grosseira, um escândalo.
Naquele domingo ensolarado, sem nuvens, de um azul quase agressivo, de repente o Tromposo soltou a bomba:
-A Dona Sorriso, imaginem, diz que o céu é azul, e, como todos podem verificar, ele é de cor abóbora. Como é possível confiar o destino dos eleitores a uma pessoa que nem sabe a cor do céu?
Inúmeras vaias misturadas a assobios e aplausos. Além disso, logo a seguir todos olharam para o céu. E alguns clamavam, que absurdo, é lógico que é azul! Outros diziam, como alguém pode confundir azul com abóbora? E houve tumulto.
Durante a semana, houve brigas e mais brigas. Meu Deus, o céu sempre foi azul, como ele pode dizer algo assim? Isso diziam os leitores da Cíntia. Faz tanto tempo que o céu virou abóbora e esses idiotas não perceberam, diziam os seguidores de Tromposo.  E a coisa ficou feia. Houve ataques físicos e até alguns atentados.
O assunto trouxe gente de fora. Assim que chegavam, eles ficavam ofuscados pela luz forte vinda de cima. Alguns enxergavam azul, outros enxergavam abóbora. E depois disso, não conseguiam mais sair da cidade.
Finalmente veio um entendido em assuntos políticos e conflitos sociais. Já sabendo do problema, veio munido de óculos especiais. Entrou com calma, olhando para todos os lados e para todos. E o que ele viu foi o seguinte: pessoas andando a esmo, tateando para poder achar as coisas, cambaleando, batendo contra paredes, dando encontrões. Pareciam cegos. O céu? Ah, o céu! Ele estava cinzento de um cinza tão escuro que jamais havia se visto. Parece que fora sempre assim.
O especialista, contemplado que estava com poderes especiais para enfrentar a situação, mandou fazer uma cerca enorme em volta da cidade. Os trabalhadores também estavam munidos de óculos especiais. Assim que foi possível, eles se retiraram da cidade e deixaram os habitantes à própria sorte.
Dizem que até agora cada um vê o céu de sua própria maneira. O que eles não sabem é que atualmente quase ninguém vê mais o azul. Alguns veem o verde, outros o rosa, outros ainda o amarelo e outras tonalidades.

A maioria, entretanto, continua vendo a cor de abóbora.

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Sunday, October 16, 2016

Um ser humano como nenhum outro



Um ser humano como nenhum outro

Duzentos e trinta e sete anos haviam se passado desde que o primeiro computador pessoal maravilhou nossa civilização. Depois foi tudo muito rápido. Celulares, Internet das Coisas, tudo começou a evoluir de forma exponencial. A Inteligência Artificial começou modesta, mas rapidamente tomou conta de tudo. Nessa época os robôs já trabalhavam de maneira discreta na produção, no dia a dia das pessoas. A uma certa altura, no entanto, eles começaram a tomar formas humanas, e, mais importante, assumiram nosso jeito de agir, nossos modismos, nossa maneira de pensar. Não tinham a consciência de si mesmos, mas tinham algo parecido, uma espécie de simulação.
Rubert morava em Kansas City, ou pelo menos o que tinha sido Kansas City num passado remoto. Gostava de andar pelas ruas ou “venues” como passaram a se chamar. Os veículos de transporte pessoal flutuavam como se estivessem em um colchão de ar: alguns vazios, outros com humanoides executando serviços diversos. Há mais de 50 anos os líderes tinham decidido reduzir drasticamente a quantidade de humanos. Usaram todos os recursos da Ciência para isso. Até certo ponto os detalhes do programa foram revelados, mas a partir de um determinado estágio, eles se tornaram-se segredo de estado.
Fazia um bom tempo que Rubert não se sentia tão entediado como naquele dia. Tinha entrado na cápsula regenerativa pela manhã, para equilibrar seu físico e seu emocional e, ainda assim, não se sentia normal. Ao ver todos aqueles seres passarem, tentava imaginar quantos seriam humanos e quantos seriam humanoides. Praticamente não havia diferença externa. E este era um fator interessante. Os segundos eram capazes de diferenciar seus semelhantes dos humanos através de ondas de vários tipos que recebiam. Já os humanos não tinham essa habilidade. O fato era que os humanoides estavam chegando perto da perfeição. Nos últimos dez anos a Ciência tinha conseguido implantar nas máquinas um conjunto de características conhecido como “kit senso-emocional”. Junto com ele, uma simulação quase perfeita de autoconsciência. Nas últimas décadas, cada vez que a Ciência e a Tecnologia davam um grande passo como esse, todos achavam que era o ápice, o fim. Logo depois todos se surpreendiam com um novo avanço.
Rubert sabia que algo estava errado com relação à cápsula regenerativa que tinha usado pela manhã. Era uma máquina construída para não falhar. O fato dele ainda estar angustiado era preocupante. Continuou a andar e aquilo não saía de sua cabeça. Ao virar uma esquina para a direita, viu um daqueles conhecidos postos de revisão, onde os humanoides vinham frequentemente se recarregar e fazer uma autochecagem. Embora ele não funcionasse com humanos, teve uma intuição. Entrou no pequeno compartimento e antes que procurasse por instruções, uma voz ordenou que colocasse a mão na esfera que acabara de se iluminar à sua frente. A voz anunciou que estava fazendo a leitura de sua identidade. Rupert pensou consigo mesmo naquela outra imperfeição. O sensor deveria automaticamente identificá-lo como humano e ordenar sua retirada do recinto. Alguns segundos depois uma voz anunciou que sua identidade não estava disponível ao público em geral. Rupert achou a experiência ainda mais estranha e decidiu ir mais fundo em sua pesquisa. Afinal de contas, ele tinha vasta experiência com todos os tipos de instrumentos de Inteligência Artificial. Depois de vários artifícios, conseguiu finalmente uma informação em que podia confiar. Ele era, na verdade, um humanoide classe HY-322, forma avançada, em estágio de teste.
Era o que suspeitava, mas estava evitando confessar a si mesmo. Enquanto saía, a máquina ainda advertiu:

-Essa informação será deletada em 3 segundos para evitar conflito de identidade. A essa altura, porém, Rupert já não ouvia mais nada. Estava novamente em módulo humano, certo de ser um ser superior, uma pessoa, com autoconsciência, sentimentos, etc. Rupert sorriu e continuou. Gostava daquela vida, não se sentia mais aborrecido. Olhou para uns humanoides que passavam e pensou consigo mesmo: Não queria ser como eles, era muito bom ser humano...

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Friday, October 14, 2016

Sim, sim, meu amor!



Sim, sim, meu amor!


Sim, claro, meu amor,
sem dúvida nenhuma,
você tem toda razão,
me perdoa, por favor,
de novo, nunca mais,
você está toda certa,
e eu peço seu perdão,
eu me arrependo sim!
Não é mesmo muito lindo,
este amor equilibrado,
cheio de “sim” e mais “sim”
e jamais nenhum não?

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Wednesday, October 12, 2016

A consciência de Julian




A consciência de Julian


Num segundo, Julian estava em frente a seu laptop e, no segundo seguinte, o que estava lá era uma estranha máquina, uma espécie de holograma com estranhas imagens e sinais. Estranhou, mas foi apenas por uma fração de segundo, também. Aquilo agora era parte de sua rotina, já não se lembrava mais da velha máquina.
Alguns minutos depois, levantou-se, caminhou alguns passos e a porta de seu escritório se abriu automaticamente para um outro ambiente. Ele queria ir para sua sala de lazer. Ao contrário, porém, estava, de repente, numa grande sala de aula. Sentiu um calafrio, mas também foi por algumas frações de segundo. Olhou para o calendário ao lado da porta e um círculo marcava a data: 11 de março de 1992. Era uma aula de história que iria dar. Sentiu um ligeiro arrepio e viu-se, novamente, em outro lugar. Era escuro, mas dava para ver uma luz que vinha de fora.
Caminhou até ela, fechou os olhos para se proteger dos raios poderosos do sol. Devagar se acostumou e viu que tinha pelos longos, estava descalço e seminu. Tinha saído de sua caverna e estava com fome, sabia que teria de caçar. Pegou sua lança e penetrou numa espécie de bosque que estava à sua frente. Não demorou para que ele visse um movimento entre as folhas. Lançou com força e precisão a sua arma. Pode vê-la zunindo no ar. Sua velocidade foi aumentando, aumentando e tudo à sua volta desapareceu. Era um branco de luz total. Foi, então que viu um ser que também parecia ser feito de luz. Não tinha idade: podia ser uma criança de 8 ou um ancião de 180 anos. Podia ouvir seu pensamento e sentir seu sorriso. Avisou que não era para ficar assustado. Tinha havido uma ruptura de consciência. Não existia o tempo, ele explicou. Tudo acontece simultaneamente. A consciência é múltipla e sente tudo, mas a sensação é de que só se está sentindo uma única experiência.
Ele continuou e disse que ele iria voltar, mas não ia se lembrar de nada. E assim foi. Julian estava de volta frente a seu velho laptop. Sentia por dentro uma enorme e estranha força, como se a vida estivesse explodindo dentro de si.

E Julian sentiu que aquilo era bom.

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À procura de Lucas


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Tuesday, October 11, 2016

Ficção e Realidade



Ficção e Realidade

Ele era um sujeito quase normal. Quase, porque de vez em quando ficava meio soturno, meio triste, meio distante. O pessoal do trabalho já sabia: nesses dias, nada de falar com ele. Em casa, tudo normal também. Esposa, filhos. A única coisa um pouco diferente em relação a ele era sua paixão  por armas. Gostava de vê-las, tocá-las, sentir seu peso e experimentá-las sempre que tinha uma chance. Não  podia colecioná-las pois não ganhava tanto assim, e por isso, de vez em quando passava numa loja para curti-las. Se encontrasse alguém que “desse corda”, começava a explicar, dar lições como um verdadeiro expert. No entanto, economizou algum dinheiro e depois de certo tempo conseguiu comprar uma daquelas bem boas. Estava feliz. Todo dia a limpava, lustrava e a admirava.
Um dia ele acordou  triste, decepcionado com a vida, quase em depressão. Mesmo assim, arrumou-se, tomou seu café da manhã e foi trabalhar. Lá chegando, abriu seu armário e guardou tudo, menos a mochila que trouxera de casa. Com ela dirigiu-se para sua mesa de trabalho. Naquele dia, entretanto, não se sentou. Calmamente abriu–a e dela retirou a sua preciosa arma. Antes que alguém percebesse ou reagisse, começou a atirar como um doido. Atirava freneticamente em tudo e todos que se mexiam. Até que nada mais se mexeu. Então parou,  apontou a arma para sua cabeça e puxou o gatilho. Muitos mortos e feridos. Reportagens, gente chorando. Conhecidos descrevendo o assassino… Quem poderia imaginar, uma pessoa tão boa…
A essa altura preciso me desculpar e confessar que inventei essa história. Mas, faz alguma diferença? Ela já aconteceu tantas vezes- de verdade - nas últimas décadas que não faz diferença nenhuma. De todas as formas, com mais espetáculo, com mais requinte, com mais crueldade e até mais cor… por mais trágico que isso possa parecer. Um estudante, um trabalhador, um pai, um jovem. Como começou essa loucura? Quando apareceu essa tendência? De onde veio essa insanidade?
Eu só sei que é não é nada fácil para os escritores de ficção. Está ficando cada vez mais difícil competir com a realidade…


                        ...oooOooo...

À procura de Lucas


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