Saturday, March 8, 2014

Queixada, marceneiro

Queixada, marceneiro



Aquele cheiro de cedro e peroba acariciava meu olfato. Eu não conhecia os nomes dessas madeiras ainda, era muito pequeno, mas o resto eu sabia tudo. Meu pai trabalhava com elas. Media com sua régua, com seu compasso, marcava, riscava. Cortava pedaços e, depois, com a mão, examinava os cantos, as quinas. Parecia amar o que fazia.
Depois, aplainava, lixava. Juntava as partes, colando, fixando-as. Cada pouco olhava para mim, sentado ali, em um banquinho, a uma distância segura. Dava um sorriso, estava se certificando de que eu estava bem.
Eu adorava aqueles momentos, ficava extático, ali, observando. Pacientemente, ele continuava seu trabalho. Finalmente, as formas começavam a aparecer. Uma cadeira, toda trabalhada, uma caixa caprichada, muitas outras coisas bonitas. Ele sorria satisfeito, orgulhoso.
Era aquela época dura da greve da Cimento Perus. Tentava trabalhar em casa para conseguir o sustento da família.
Esse era o seu Bonifácio: meu pai, queixada, marceneiro.


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A crônica acima não faz parte do livro abaixo

Essa vida da gente

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